Recursos para a segunda fase do programa foram incluídos no orçamento de 2027, com a previsão de ampliar a frota de aeronaves suecas e fortalecer a defesa aérea do país asiático.
A Força Aérea Real da Tailândia pretende avançar com a segunda fase da aquisição dos caças Saab Gripen E/F, com recursos previstos no orçamento do ano fiscal de 2027. O comandante da força aérea, marechal do ar Seksan Khantha, confirmou a intenção em 12 de outubro, destacando que a modernização é necessária para ampliar a capacidade de defesa aérea do país e proteger sua soberania diante de possíveis ameaças. As primeiras entregas das aeronaves dessa nova etapa são esperadas para 2029.
O programa representa um passo importante na renovação da aviação de combate tailandesa, tradicionalmente equipada com aeronaves de origem norte-americana. A expectativa é que a segunda fase acrescente oito caças ao primeiro lote de quatro unidades contratado em 2025, o que permitiria chegar a uma frota planejada de 12 Gripen E/F. A quantidade definitiva, entretanto, ainda depende das decisões orçamentárias e contratuais, e não há confirmação de um novo pedido firmado com a fabricante sueca Saab.
O primeiro contrato foi assinado em agosto de 2025, em um acordo avaliado em aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas. A encomenda inclui três Gripen E, de um lugar, e um Gripen F, de dois lugares, além de equipamentos associados, suporte logístico e treinamento. As entregas desse lote estão programadas para ocorrer entre 2025 e 2030, enquanto a segunda fase deverá ampliar a presença do modelo mais moderno na estrutura de defesa do país.

A Tailândia já possui experiência com a família Gripen. Desde 2011, a força aérea opera 11 aeronaves das versões C/D, empregadas em conjunto com caças F-16 e F-5. A familiaridade com o sistema sueco pode facilitar a introdução dos novos modelos, embora o Gripen E/F incorpore avanços importantes em sensores, processamento de dados, guerra eletrônica e capacidade de combate. A evolução permitirá à força aérea ampliar suas possibilidades de detecção, acompanhamento de alvos e coordenação das operações aéreas.
Entre os principais recursos do Gripen E estão o radar de varredura eletrônica ativa, conhecido como AESA, o sensor infravermelho IRST e sistemas avançados de guerra eletrônica. A combinação dessas tecnologias permite identificar e acompanhar ameaças por diferentes meios, aumentando a consciência situacional dos pilotos. A aeronave também foi projetada para operar em rede, compartilhando informações com outros caças e centros de comando, uma capacidade cada vez mais importante em operações aéreas modernas.
A modernização, contudo, não envolve apenas a compra de novos aviões. Segundo Seksan Khantha, o programa deverá contemplar transferência de tecnologia, treinamento de pessoal e desenvolvimento da infraestrutura necessária para sustentar a frota ao longo de sua vida útil. Esses elementos são fundamentais para garantir que a Tailândia tenha capacidade de preparar tripulações, realizar manutenção, integrar novos equipamentos e preservar a disponibilidade operacional dos caças.
O pacote industrial associado ao primeiro contrato prevê cooperação tecnológica e investimentos em diferentes setores da economia tailandesa. A iniciativa faz parte da estratégia da Saab de ampliar os benefícios locais de suas exportações de defesa, ao mesmo tempo que fortalece as condições para a operação e o suporte das aeronaves. Para Bangkok, esse componente pode contribuir para reduzir dificuldades logísticas e consolidar a parceria com a Suécia em um programa que deverá se estender por vários anos.
O comandante tailandês também ressaltou que aeronaves tripuladas continuarão tendo papel central nas operações militares, mesmo com o avanço de drones e de sistemas automatizados. Na avaliação apresentada por ele, situações complexas, especialmente aquelas que envolvem decisões críticas e riscos à vida humana, ainda exigem julgamento e responsabilidade dos profissionais envolvidos. A estratégia tailandesa, portanto, prevê acompanhar a evolução tecnológica sem abandonar o emprego de caças pilotados.
A escolha do Gripen E/F ocorreu após a Tailândia avaliar alternativas para renovar sua aviação de combate, incluindo o norte-americano F-16. O país também havia demonstrado interesse no F-35A, mas não conseguiu avançar com a aquisição do caça furtivo dos Estados Unidos. A opção pelo modelo sueco aproveita a experiência já acumulada com a família Gripen e abre caminho para uma maior participação desse sistema na defesa aérea nacional.



















