País pretende ampliar sua frota para 72 caças de última geração enquanto reforça o apoio militar a Kiev e fortalece sua capacidade dentro da OTAN.
A Suécia pretende ampliar sua frota de caças Saab Gripen E com uma nova encomenda de 12 aeronaves para compensar a futura transferência de caças Gripen C/D à Ucrânia. A informação foi confirmada pelo comandante da Força Aérea Sueca, major-general Jonas Wikman, durante o Farnborough International Airshow 2026, evidenciando a estratégia do país de manter sua capacidade operacional ao mesmo tempo em que amplia o apoio militar às forças ucranianas.
Caso a aquisição seja confirmada, a Força Aérea Sueca elevará de 60 para 72 o número de Gripen E encomendados. Embora ainda não exista um contrato formal nem um cronograma definitivo para a compra, o planejamento faz parte do processo de modernização da aviação de caça sueca e da substituição gradual dos Gripen C/D, que deverão começar a ser transferidos para a Ucrânia a partir de 2027.
O anúncio ocorre poucas semanas após Suécia e Ucrânia assinarem um acordo para o fornecimento de 16 novos Gripen E, acompanhado por um amplo pacote de apoio logístico, treinamento, equipamentos e suporte técnico. O contrato, avaliado em aproximadamente 24,6 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 2,5 bilhões), prevê entregas entre 2029 e 2030. Até lá, Kiev deverá operar inicialmente os Gripen C/D suecos, permitindo que pilotos e equipes de manutenção adquiram experiência antes da chegada da versão mais avançada do caça.
A iniciativa segue a tendência observada em diversos países europeus, que vêm substituindo equipamentos doados à Ucrânia por plataformas mais modernas. No caso da Suécia, a estratégia também garante que a capacidade de defesa nacional não seja reduzida após a transferência das aeronaves.
O Gripen E representa um avanço significativo em relação ao Gripen C/D. Equipado com o radar AESA Raven ES-05, sensores passivos de última geração, sistemas de guerra eletrônica mais sofisticados, maior autonomia e capacidade ampliada de armamentos, o caça também utiliza o motor General Electric F414, que oferece desempenho superior. Sua arquitetura aberta facilita futuras atualizações de software e a integração de novos sensores e armas, mantendo a aeronave competitiva por décadas.
A expansão da frota também reflete o novo cenário estratégico da Suécia desde sua adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Como membro pleno da aliança, o país passou a desempenhar um papel mais relevante na defesa coletiva da região do Mar Báltico, aumentando a necessidade de manter uma força aérea moderna e numericamente adequada às novas responsabilidades.
Enquanto isso, a Saab acelera os investimentos em sua capacidade industrial para atender ao crescimento da demanda pelo Gripen. A fabricante sueca pretende praticamente dobrar sua produção anual, passando do ritmo atual de aproximadamente 15 aeronaves para algo entre 25 e 30 caças por ano. Além das encomendas da Suécia e da Ucrânia, a empresa também busca atender futuras vendas internacionais e possíveis pedidos adicionais de operadores atuais, incluindo o Brasil.
Se o governo sueco aprovar oficialmente a nova encomenda, o Gripen E consolidará sua posição como a espinha dorsal da defesa aérea do país nas próximas décadas, enquanto os Gripen C/D ganharão um novo papel estratégico no fortalecimento da capacidade de combate da Ucrânia em meio ao conflito com a Rússia.














