Pesquisar este blog

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Em 20 anos, esquadrão da Força Aérea Italiana atinge a marca de 70 mil horas de voo no Eurofighter Typhoon

 

Caças do 36º Stormo Caccia, sediado em Gioia del Colle, na Itália, acumularam mais de 43 mil missões e participaram de mais de 190 acionamentos reais de alerta para defesa aérea.


A frota de caças Eurofighter Typhoon do 36º Stormo Caccia da Força Aérea Italiana ultrapassou a marca de 70 mil horas de voo, após quase duas décadas de operações a partir da Base Aérea de Gioia del Colle, no sul da Itália. O marco, anunciado em 28 de outubro de 2026, representa a experiência acumulada pela unidade na defesa do espaço aéreo italiano e no cumprimento de missões da OTAN.

Desde a chegada do primeiro Eurofighter, em 1º de outubro de 2007, o esquadrão realizou mais de 43 mil missões operacionais e de treinamento, além de apoiar mais de 190 acionamentos reais de alerta, conhecidos como Scramble. Esses números demonstram a importância do 36º Stormo na estrutura de defesa aérea da Itália, que precisa manter caças preparados para decolar rapidamente diante de possíveis ameaças.

O trabalho para sustentar essa capacidade vai muito além das atividades dos pilotos. O Grupo de Eficiência de Aeronaves (GEA) acumulou mais de 1,5 milhão de horas de trabalho técnico especializado, realizando aproximadamente 800 mil intervenções de manutenção programada e corretiva, além de mais de 180 inspeções periódicas. A equipe responsável pela linha de voo também desempenha papel essencial na preparação, assistência e recuperação dos aviões antes e depois de cada missão.

Desde 5 de janeiro de 2009, o 36º Stormo integra a arquitetura de defesa aérea da OTAN, contribuindo especialmente para a proteção do flanco sudeste da Aliança. A unidade também participa da vigilância permanente do espaço aéreo italiano, uma atividade mantida durante as 24 horas do dia, ao longo de todo o ano.

Os Eurofighter do esquadrão também possuem experiência em operações internacionais de policiamento aéreo reforçado (Enhanced Air Policing). Entre os destacamentos realizados estão missões nas Repúblicas Bálticas, na Islândia, na Romênia e na Polônia, regiões nas quais a presença de caças aliados representa um importante instrumento de dissuasão e proteção do espaço aéreo.

No Oriente Médio, o 36º Stormo participou de operações no Kuwait e integrou o Task Group Typhoon, componente da coalizão internacional envolvida no combate ao grupo terrorista Estado Islâmico. A unidade também realizou atividades na Arábia Saudita, voltadas ao treinamento conjunto e ao fortalecimento da interoperabilidade com forças aéreas parceiras.

O Eurofighter Typhoon, designado F-2000 pela Força Aérea Italiana, é um caça bimotor multimissão desenvolvido por Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha. Equipado com dois motores EJ200, o avião combina elevada capacidade de desempenho, sensores avançados e possibilidade de empregar diferentes armamentos, incluindo mísseis ar-ar de longo alcance, como o Meteor, e o AIM-120 AMRAAM.

A Itália mantém uma estrutura de defesa aérea integrada, na qual os Eurofighter trabalham em conjunto com outras unidades e com os caças furtivos F-35. Essa combinação amplia as possibilidades de vigilância, identificação e resposta a diferentes tipos de ameaças, reforçando a capacidade de proteção do território nacional e o compromisso italiano com a defesa coletiva da OTAN.

Para o 36º Stormo, as 70 mil horas representam também o resultado de milhares de profissionais que, ao longo dos anos, mantiveram os aviões disponíveis para operações reais e exercícios internacionais. É uma marca construída não apenas nos céus, mas também nos hangares e nas equipes de apoio que garantem a prontidão dos caças.

Fokker Services é centro autorizado para o C-390 na Holanda

Primeiro dos seis cargueiros militares comprados pelo país já está em produção na fábrica de Gavião Peixoto (SP)


 A Embraer anunciou nesta terça-feira, 3, que o Fokker Services Group passou a ser o Centro de Serviço Autorizado para a aeronave militar C-390 Millennium utilizada pela Força Aérea da Holanda.

De acordo com o acordo, o Fokker Services Group, uma empresa independente de serviços aeroespaciais, será responsável pela manutenção e suporte das aeronaves da Força Aérea holandesa.

Em comunicado, a fabricante brasileira informou que o centro auxiliará na operação da frota no país, oferecendo suporte técnico e operacional localmente.

“Estamos felizes em firmar essa parceria com o Fokker Services Group e fortalecer nossa relação com a Força Aérea da Holanda. Essa conquista mostra a confiança que clientes e parceiros do programa C-390 Millennium têm na Embraer”, afirmou Frederico Lemos, Chief Commercial Officer (CCO) da Embraer Defesa & Segurança.



O C-390 Millennium é um avião militar de transporte que pode carregar até 26 toneladas. Ele é usado para transportar cargas e soldados, lançar cargas e paraquedistas, realizar evacuação médica, buscas e salvamentos, combater incêndios e apoiar ações humanitárias, inclusive em locais com pistas improvisadas ou não pavimentadas.

SkyWest estende a vida útil dos jatos Embraer E175 para 30 anos

 



A SkyWest Airlines está acelerando o processo de conversão de suas aeronaves Bombardier CRJ-200 para a nova configuração CRJ-450, visando atender à demanda da United Airlines e modernizar o seu portfólio regional.

As duas primeiras conversões, realizadas na base de Tucson, Arizona, devem ser concluídas até o fim de 2026 e exigem entre duas e três semanas por avião nesta primeira fase, com expectativa de ganho de ritmo após os ajustes iniciais de projeto.

O plano prevê a conversão de até 50 CRJ-200 para CRJ-450 até 2028, atendendo a um acordo para operação de 40 desses jatos na United. A meta pode chegar a até 100 aeronaves convertidas. Atualmente, a SkyWest contabiliza 138 CRJ-200 de classe única em sua frota.

O CRJ-450 terá capacidade para 41 passageiros em dupla classe: sete assentos na primeira classe, 16 na Economy Plus e 18 na econômica, além de fornecer bins de bagagem maiores e Wi-Fi Starlink, criando um produto mais premium e competitivo.

O modelo foi apresentado este ano para elevar a experiência do passageiro regional, aproximando o padrão do CRJ-550, derivado do CRJ-700, que entrou em serviço em 2019.

Segundo o CEO Chip Childs, o investimento em conversões é uma estratégia de longo prazo para manter competitividade em um cenário de custos elevados, compensando o menor peso total do avião quando configurado para menos assentos. A empresa segue comprometida em criar uma frota regional de duas classes, apostando em diferenciação de produto.

Paralelamente, a SkyWest revisou de 22 para 30 anos a estimativa de vida útil de seus Embraer E175. A decisão resulta da extensão de contratos de operação, experiência com a longevidade de CRJs, e da ausência de substituto para jatos regionais de 76 lugares atualmente no mercado. A estimativa de valor residual do E175 também foi ajustada de 20% para 18% do valor de aquisição.

A companhia possui atualmente 645 aeronaves, com 522 em operação regular ou contrato, quase metade voando para a United, e o restante para Delta, American e Alaska Airlines. O pedido firme junto à Embraer inclui 63 E175s, com entregas planejadas para o próximo ano e 2027. A expectativa é alcançar uma frota de 300 E175 até o fim de 2027.

No terceiro trimestre, a SkyWest registrou receitas de US$ 1,1 bilhão e lucro líquido de US$ 119,5 milhões, reforçando sua posição como uma das maiores operadoras regionais dos EUA. A previsão é que os investimentos em frota e conversões tragam benefícios econômicos significativos a partir de 2028, em um cenário dinâmico de ajustes de capacidade no setor aéreo norte-americano.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Mudanças nos caças Gripen E de série e diferenças entre as versões da FAB e da Força Aérea Sueca

 Gripen E da FAB e da Suécia

Gripen E do Brasil e da Suécia

Com a divulgação das imagens dos primeiros caças Gripen E de série da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Força Aérea Sueca, muitos notaram mudanças sutis entre as aeronaves e em comparação com as aeronaves pré-série.

O Poder Aéreo apurou com a FAB as razões das mudanças e as respostas seguem abaixo.

A primeira mudança percebida ocorreu no nariz da aeronave, que no Gripen E de série é um pouco mais inclinado para baixo. A mudança ocorreu também nos exemplares destinados à Força Aérea Sueca.

Segundo a FAB, o radome foi ligeiramente modificado para melhorar a desempenho do radar. Por conta da modificação, o IRST (Infra-Red Search and Track), sistema de busca e rastreio por infravermelho, também obteve melhora na eficiência.

A outra mudança ocorreu nos pilones de mísseis das pontas das asas, que também abrigam as antenas do sistema de Guerra Eletrônica (EW). Os pilones no Gripen E brasileiro têm volume menor que os do Gripen E sueco.

Segundo a FAB, o sistema de EW do Gripen E brasileiro tem uma pequena diferença apenas no Sistema de Alerta Radar (RWR), que cobre bandas de frequência ligeiramente diferentes, por requisitos de ameaças diferentes.

Por exemplo, o sistema sueco foi projetado para enfrentar o sistema de defesa aérea russo S-400 e o novo caça Su-57, ameaças ainda inexistentes na América Latina.

O sistema por ser modular, pode ser modificado quando surgirem novas ameaças.

Observar a diferença do radome mais inclinado do Gripen E de série 4101 (acima, em captura de vídeo) e do pré-série 4100 em baixo (foto de Juliano Lisboa)

O trilho da ponta da asa do Gripen E 4100 e suas antenas do RWR (acima) e o Gripen E sueco abaixo

Quando o primeiro Gripen brasileiro voou, ele usava os trilhos das pontas das asas do modelo sueco. Posteriormente os trilhos foram modificados para a versão brasileira

Como o caça Gripen se sai contra o F-15, F-16, F-18, F-22, Rafale e Eurofighter?

 Tiger Meet 2013 - Gripen - Rafales - Typhoon e Tornado - foto via Força Aérea Francesa

Exercício Tiger Meet 2013: Gripen, Rafales, Typhoon e Tornado. Foto via Força Aérea Francesa

Por Stefan Englund – ex-tenente de engenharia da Força Aérea Sueca (1986-1991)

Falando apenas sobre as versões operacionais, o Gripen não tem problemas em enfrentar qualquer um dos caças americanos F-18, F-16 ou F-15, sendo o F-22 o único caça americano operacional que pode dar ao Gripen algum problema substancial. Como o Gripen se posiciona contra os caças europeus?

Desconfio que caças como Typhoon e Rafale, dependendo do papel de um e de outro, tenham alguma vantagem, mas devem ser bastante semelhantes em geral. Olhando para os caças contra o Gripen, um a um, começando pelos americanos, os resultados de exercícios internacionais mostram uma imagem bastante clara. Abaixo, não abordarei o F-35 ou o Gripen E, uma vez que não estão operacionais e, portanto, qualquer comparação é pura especulação.

Contra o F-16, que mais se encontrou com o Gripen em exercícios, muitas vezes durante o Red Flag, mas também na Noruega, Tailândia e exercícios europeus. Mesmo com pilotos muito inexperientes do Gripen, com poucas horas de voo, o Gripen tem vantagem. O Gripen no Red Flag Alaska 2006 mostrou o quão superior ele pode ser, mesmo com o mínimo de apoio, com poucas pessoas e longe de casa. Os pilotos de Gripen ainda não tinham treinado com a sonda de reabastecimento aéreo (eram os primeiros Gripen C/D entregues), por isso foi uma grande aventura ir da Suécia ao Alasca e permanecer operacional em um nível muito elevado.

Gripen no Red Flag Alaska, em 2006

O Red Flag 2006 foi a estreia da Suécia com o Gripen nesse tipo de exercício. Com um apoio aéreo e por radar reduzido, o Gripens conectaram seus sistemas de data-links e agiram como um mini-AWACs, tendo a consciência do campo de batalha que, em alguns aspectos, era melhor que o oponente. Sem grande esforço evitando toda a defesa do solo, marcaram 10 kills no primeiro dia, incluindo um Typhoon. Sem perdas e eles permaneceram sem serem detectados, a suíte EW (Electronic Warfare) mostrou-se muito difícil de penetrar.

Um piloto do Gripen derrubou cinco F-16 Block 50+ durante combate aéreo no Red Flag Alaska. E os Gripens nunca perderam nenhum encontro aéreo ou falharam em seus objetivos de missão. Foi o único caça que realizou a maioria das surtidas planejadas, enquanto outros ficaram no chão esperando a meteorologia melhorar. A avaliação foi de que a capacidade dos Gripens precisava ser reavaliada. O Gripen pode ser favorecido com kill rate de até 15:1 contra o F-16. E com nenhum desrespeito aos outros pilotos de caça: com os papéis trocados, eles teriam a mesma pontuação.

Durante um exercício de combate com a Força Aérea Real Norueguesa, 3 Gripens suecos enfrentaram 5 caças F-16 da RNAF. O resultado foi 5-0, 5-0, 5-1 depois de terem voado 3 surtidas.

Gripen sueco, F-16 norueguês e F-18 finlandês

O F-16 tem um TWR (Thrust-to-weight Ratio – Razão empuxo-peso) mais alta que o Gripen, mas é preciso considerar o arrasto e a carga alar também. O Gripen tem um arrasto muito menor. E carga alar muito mais baixa. Ele pode atingir velocidades supersônicas em empuxo seco enquanto carrega um armamento completo de quatro AMRAAMs, dois Sidewinders e um tanque de combustível externo. Mesmo que o Gripen não tenha a TWR do F-16, ele pode quase igualá-lo na taxa de subida graças ao arrasto menor.

A diferença no papel pode não parecer muita coisa, mas, olhando para a eficácia do campo de batalha, é um mundo à parte. O Gripen é um caça moderno, de projeto mais recente que o F-16.

Exercícios com o F-18 não são tão comuns, mas ocorrem com mais frequência durante operações com a Força Aérea Finlandesa. Em BVR nem o F-16 e o F-18 chega perto, mas parece que o F-18 em um merge se sai muito bem em grandes altitudes, mas isso muda com a altitude decrescente e abaixo de 2.000 metros não é páreo para o Gripen. Não tenho pontuações, mas suspeito que o Gripen tenha pontuado um pouco menos contra o F-18 do que contra o F-16, dependendo da altitude, mas não com muito.

Gripen sueco e F-18 finlandês no Artic Challenge 2013 – foto Força Aérea Sueca

O avião que parece capaz de manter distância é o F-15. Os F-15 também têm a vantagem de poder desengajar se a situação for desfavorável.

O único encontro entre F-15 e Gripen que eu conheço foi durante o exercício Loyal Arrow na Suécia, no qual 3 caças F-15C da USAF foram interceptados por um único Gripen agindo como agressor. O resultado foi o abate de dois F-15 e um conseguiu escapar devido usando sua melhor razão empuxo-peso. Para a defesa dos F-15, eles estavam no quintal dos Gripens. O F-15 pode ficar de fora de um combate com um Gripen, mantendo-o à distância, usando BVR se eles puderem detectá-lo e evitando os Meteors do Gripen, mas não é uma estratégia sábia engajar.

O F-22 é o único caça que tem vantagem sobre o Gripen. Em relação a outros caças, o Gripen tem uma das pontuações mais altas contra o Raptor. Em comparação com o Typhoon, a diferença não é grande, mas o Raptor ainda está em vantagem. Por sua idade, o F-22 é um avião mais do que impressionante em muitos aspectos. O que afeta o Raptor negativamente nesse contexto é a idade do avião e a necessidade de atualização do conjunto de sensores para mantê-lo superior na arena de superioridade aérea.

Exercício Pitch Black 2014: Hornet, Super Hornet, Mirage 2000-9, Gripen, F-15 e F-16
F-22 Raptor

O F-22 é, no meu ponto de vista, o único avião que tem um potencial de atualização superior se ele fosse objeto de uma atualização equivalente ao Gripen E. Significando fuselagem semelhante, mas nova, interior e arquitetura completamente novos, suíte de sensores e aviônicos.

Observando a arquitetura usada no Gripen E, um custo de atualização do Raptor “NG” seria menor do que qualquer um pode imaginar e se tornaria um caça em potencial da 6ª Geração a um custo relativamente baixo. Provavelmente se tornaria mais ou menos intocável, que não é o caso do já existente. Não entenda mal, o F-22 é superior ou, como um piloto do Gripen disse no Red Flag 2013, “o F-22 funciona como anunciado”. Apenas é triste ver que o número desses aviões é limitado.

Contra o Rafale e o Typhoon, não tenho registros, mas o que sei é que os pilotos dos caças Typhoon chamavam o Gripen de “bucha de canhão” na chegada ao Red Flag Alaska, mas mudaram de ideia muito rapidamente e ficaram muito mais humildes depois de alguns combates.

Caça Saab Gripen C armado com mísseis Meteor e AMRAAM

Não há caças operacionais superiores ao Gripen, exceto o F-22. Mas o Gripen tem limites, é um avião pequeno e com isso possui radar menor, leva menos carga e combustível. Mas o baixo custo de voo, manutenção, acessibilidade e retorno superiores compensam muito isso.

O Gripen está entre os caças mais subestimados que voam hoje. Durante a campanha da Líbia foi usado inicialmente como recurso tático, mas logo depois foi atualizado como um recurso estratégico. Também na Líbia, nenhuma missão foi cancelada devido a problemas técnicos no Gripen. E não, ele não é invencível, apenas subestimado.

Então, acima, quando falo do Gripen, não apenas quero dizer o avião, mas como ele é conectado em rede, a fusão exclusiva de sensores que lhe confere uma consciência situacional superior no campo de batalha, flexibilidade, acessibilidade e outras habilidades. E ainda estou falando do Gripen C/D, única versão operacional. Não há caça, exceto o F-22, hoje operacional que seja superior ao Gripen em rede. E todos os que voaram contra ele sabem disso

China detalha evolução do J-20, com motores nacionais, novos sensores e versão biposto para coordenar drones

 China detalha evolução do J-20

Reportagem da televisão estatal destaca as melhorias do J-20A e o papel do J-20S em futuras operações em rede com aeronaves tripuladas e não tripuladas

A televisão estatal chinesa CCTV divulgou novos detalhes sobre a evolução da família de caças furtivos J-20, destacando a adoção de motores desenvolvidos no país, modificações aerodinâmicas e melhorias nos sensores. A reportagem também apresentou as funções previstas para o J-20S biposto, concebido para ampliar a coordenação de operações aéreas e a integração com aeronaves não tripuladas.

Motores nacionais ampliam autonomia tecnológica

A reportagem aponta a substituição da motorização importada por motores chineses como um dos principais marcos do programa. Uma configuração do J-20 com propulsão nacional foi apresentada publicamente no Salão Aeronáutico de Zhuhai, em 2021.

Segundo o comentarista militar Wang Mingliang, ouvido pela CCTV, a evolução da propulsão oferece maior potência e favorece o desempenho supersônico e a manobrabilidade. Ele também destacou a autonomia sobre uma tecnologia crítica e sua importância para o desenvolvimento de futuras aeronaves de combate chinesas.

J-20A recebe alterações aerodinâmicas e nos sensores

A versão J-20A monoposto incorpora uma transição mais elevada e suave entre a parte traseira da cobertura da cabine e a fuselagem. Na avaliação de especialistas ouvidos pela mídia chinesa, essa alteração busca reduzir a separação do fluxo de ar e o arrasto, favorecendo o voo em alta velocidade.

Em uma análise divulgada anteriormente pela CCTV, o especialista Zhang Xuefeng afirmou que a modificação também proporciona espaço adicional para equipamentos e sistemas.

Outro detalhe destacado na nova reportagem é a alteração do conjunto óptico instalado sob o nariz. Segundo Wang, o número de janelas ópticas visíveis passou de seis para oito. O comentarista associou a mudança à ampliação das capacidades de detecção, consciência situacional e atuação em rede, incluindo operações contra alvos de baixa observabilidade.

J-20S amplia as funções do segundo tripulante

O J-20S biposto foi apresentado pela mídia oficial como uma expansão das possibilidades de emprego da família. Além das missões de superioridade aérea, as funções divulgadas incluem ataque de precisão contra alvos terrestres e marítimos, guerra eletrônica e comando e controle tático.

A presença de um segundo tripulante permite distribuir a carga de trabalho. Enquanto o piloto se concentra na condução da aeronave e no combate, o ocupante da cabine traseira pode gerenciar sensores, comunicações e a coordenação com outras plataformas, incluindo drones.

Na concepção apresentada pela CCTV, essa divisão poderá transformar o caça em um elemento de coordenação de uma formação mais ampla, compartilhando informações, indicando alvos e distribuindo tarefas entre diferentes aeronaves. O enfoque está no emprego integrado de meios tripulados e não tripulados, e não apenas nas capacidades individuais do avião.

Evolução acompanha mudanças no emprego da força aérea

A mídia estatal apresenta a trajetória do J-20 como um símbolo da passagem da aviação militar chinesa de uma posição de acompanhamento das potências aeronáuticas para a disputa de liderança em determinadas tecnologias.

Essa evolução também aparece no treinamento. A CCTV já mostrou formações mistas de J-20, J-16 e J-10C em exercícios de combate aéreo, voltados à validação de novas táticas. A ampliação das funções da família J-20 acompanha, assim, o esforço chinês para combinar diferentes aeronaves, sensores e sistemas de comando em operações conjuntas.■


Grécia adquire até 6 aeronaves KC-390 Millennium da Embraer e amplia presença do cargueiro na Europa


Acordo firmado com Portugal prevê a aquisição inicial de três aeronaves, com opção para mais três unidades. Primeiro KC-390 da Força Aérea Helênica deverá ser entregue em 2027.


A Grécia assinou em 2 de novembro de 2026 um contrato para adquirir três aeronaves de transporte militar KC-390 Millennium da Embraer, com opção de compra de outras três unidades. O acordo foi firmado por meio de um entendimento governamental entre Grécia e Portugal e representa mais uma conquista internacional para o cargueiro brasileiro, que amplia sua presença entre as forças aéreas europeias e integrantes da OTAN.

O primeiro KC-390 da Força Aérea Helênica deverá ser entregue em 2027. A incorporação das aeronaves permitirá à Grécia ampliar suas capacidades de transporte aéreo militar, reabastecimento em voo e apoio logístico, além de fortalecer a interoperabilidade com os demais países da Aliança Atlântica. O acordo também abre caminho para o aproveitamento de estruturas europeias compartilhadas de treinamento, manutenção e suporte logístico.

Com a decisão grega, o KC-390 passa a contar com sete países europeus que selecionaram a aeronave. A Grécia se junta a Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia, consolidando uma presença cada vez mais significativa do modelo no mercado europeu de defesa.

A escolha também reforça a estratégia de expansão internacional da Embraer no segmento de transporte militar. Além dos operadores europeus, o KC-390 já foi adquirido por Brasil, Coreia do Sul, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos e Colômbia, demonstrando o alcance comercial da aeronave em diferentes regiões e cenários operacionais.

“Estamos honrados com a decisão da Grécia de adquirir o KC-390 Millennium. Essa escolha ressalta a confiança que importantes membros da OTAN possuem em nossa aeronave. Este marco extremamente relevante consolida ainda mais a posição do Millenium como a solução adequada para transporte aéreo entre os aliados da OTAN. O desempenho comprovado, a confiabilidade e a eficiência operacional do KC-390 fazem dele a escolha ideal para países que buscam aprimorar suas capacidades operacionais”, afirmou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Desenvolvido para atender às necessidades militares do século XXI, o KC-390 foi concebido desde o início com foco na interoperabilidade. Sua arquitetura digital integra sistemas de missão, comunicações avançadas e recursos que permitem operações conjuntas com forças aéreas de diferentes países, facilitando sua utilização em missões multinacionais e coalizões militares.

Em termos de desempenho, o cargueiro brasileiro possui capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil, podendo atingir velocidade de até 470 nós. Essas características permitem transportar mais carga e voar mais rápido do que outras aeronaves militares de transporte de médio porte, oferecendo flexibilidade para operações que exigem rapidez na movimentação de tropas, equipamentos e suprimentos.

A versatilidade do Millennium também permite sua utilização em missões de lançamento de paraquedistas e cargas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndios e operações humanitárias. A aeronave pode operar inclusive em pistas temporárias e não pavimentadas, ampliando as possibilidades de emprego em ambientes com infraestrutura limitada.

Outro recurso importante é sua capacidade de reabastecimento em voo. Quando equipado com o sistema de instalação rápida AAR (Air-to-Air Refueling), o KC-390 pode atuar tanto como avião-tanque, abastecendo outras aeronaves, quanto como receptor de combustível. Essa característica amplia seu potencial operacional e representa um diferencial para forças aéreas que precisam integrar diferentes plataformas em operações de longo alcance.

A entrada da Grécia no grupo de operadores reforça a posição do KC-390 Millennium como um dos principais projetos brasileiros de defesa no mercado internacional. Com novas encomendas e uma presença crescente entre países da OTAN, a Embraer amplia as perspectivas de consolidação da aeronave como alternativa aos tradicionais cargueiros militares de transporte médio.