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quinta-feira, 2 de julho de 2026

EMBRAER EMB-120 BRASILIA

 

Logo acima, o turboélice bimotor brasileiro Embraer EMB-120 Brasilia nas cores da companhia aérea americana United Express, uma marca para viagens regionais da United Airlines, esta atualmente uma das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos. Logo abaixo, um Embraer Brasilia da companhia aérea regional americana ASA - Atlantic Southeast Airlines, nas décadas de 1980 e 1990 uma das maiores companhias regionais dos Estados Unidos, conhecida atualmente como SkyWest.
O Embraer EMB-120 Brasilia é uma aeronave turboélice bimotor pressurizada de alta performance e médio porte, com capacidade para transportar 30 passageiros em viagens interestaduais, projetada, desenvolvida e fabricada em larga escala no Brasil a partir da década de 1980 pela então fabricante brasileira Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica, atualmente Embraer S.A., que utilizou como base para sua criação e desenvolvimento o bimotor turboélice para uso executivo Embraer EMB-121 Xingu, incluindo o seu projeto de fuselagem, estabilizadores vertical e horizontal em “T” e o seu então inovador sistema de pressurização.

Os principais concorrentes do Embraer EMB-120 Brasilia no mercado aeronáutico mundial de aviação regional nas décadas de 1980, 1990 e 2000 foram o sueco Saab 340, o alemão Dornier 328 (com modelos a jato e turboélice), o britânico BAe Jetstream Super 31, o franco-italiano ATR-42 e o canadense Bombardier Dash 8-200. Atualmente, de todos esses modelos de aeronaves somente o ATR-42 é fabricado.

A EMBRAER S.A.

A Embraer S.A. é uma grande fabricante brasileira de aviões comerciais, executivos, militares e utilitários. Atualmente, ela é uma empresa de capital misto, com predominância de capital privado, com acionistas estrangeiros, inclusive. A sua sede está localizada em São José dos Campos, interior do Estado de São Paulo. Ela foi privatizada na década de 1990 e entregou mais de 100 aeronaves em 2017, com uma carteira de encomendas de cerca de 400 unidades para os próximos quatro anos.

Considerando receitas e número de aeronaves fabricadas, a empresa brasileira Embraer S.A. é a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do planeta e a quinta maior fabricante de jatos executivos. Ela foi fundada como uma estatal no início da década de 1970 e, desde a sua fundação, fabricou mais de 8.000 unidades, incluindo aviões comerciais para a aviação regional; aviões executivos em geral, entre eles jatos bimotores, turboélices bimotores, bimotores e monomotores a pistão; aviões utilitários para aviação agrícola; e aviões militares para treinamento e combate; sendo que a maioria deles ainda está em condições de voo.

Em unidades vendidas, a empresa brasileira Embraer S.A. é uma das maiores fabricantes de aeronaves executivas, aeronaves utilitárias para uso agrícola e aeronaves militares. Comparando receitas, a Embraer foi o quarto maior grupo fabricante de aeronaves civis do planeta em 2014, somando os números de todas as unidades da empresa, no Brasil e no exterior, com receita bruta de aproximadamente US$ 5,6 bilhões.

Alguns anos atrás, a Embraer S.A. despertou o interesse da gigante americana da indústria aeronáutica e aeroespacial Boeing Company, que chegou ao ponto de fazer uma oferta de compra da fabricante aeronáutica brasileira, proposta reformulada meses depois em razão da disposição do Governo Brasileiro em manter sua participação minoritária do tipo golden share, já que a subsidiária Embraer Defesa e Segurança é a principal fornecedora de aeronaves para a FAB - Força Aérea Brasileira. A nova proposta da Boeing consiste em assumir o controle gerencial de uma nova subsidiária para a fabricação de aviões comerciais e, atualmente, as duas empresas estão em negociação para atuarem juntas na fabricação de aeronaves comerciais para a aviação regional.

Atualmente, a Embraer S.A. é sócia minoritária com 20% da Boeing Commercial Brasil, a subsidiária brasileira da Boeing Company para a fabricação de aeronaves comerciais, principalmente os jatos regionais da bem sucedida familia Embraer E-Jet.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Logo acima, o Embraer EMB-120 Brasilia operado na década de 1990 pela companhia aérea americana Comair, anos depois comprada pela Delta Airlines, que assumiu suas operações por meio da Delta Connection. Logo abaixo, o Embraer EMB-120 Brasilia da empresa aérea regional alemã DLT, uma das primeiras operadoras do modelo na década de 1980.

O Embraer EMB-120 Brasilia é uma aeronave turboélice bimotor pressurizada de alta performance e médio porte, com construção convencional em alumínio e ligas metálicas, com capacidade para transportar 30 passageiros em viagens interestaduais, projetada, desenvolvida e fabricada em larga escala no Brasil a partir da década de 1980 pela fabricante brasileira Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica. 

Na década de 1980, o projeto do Embraer EMB-120 Brasilia estava focado em oferecer às companhias aéreas regionais um modelo de aeronave rentável, moderno, eficiente no consumo de combustível e aerodinâmico. Ele foi certificado nos Estados Unidos na categoria de aeronaves para transporte de passageiros, conhecido oficialmente como FAR PART 25, uma das mais rígidas normas para criação, desenvolvimento e fabricação de aeronaves.

O avião foi projetado para ter uma vida útil de célula de 40 mil horas de voo ou cerca de 20 anos de utilização intensiva diária. Entretanto, mais de 100 unidades desse modelo de aeronave ainda estão em condições de voo, com cerca de 90 unidades em uso normal por companhias aéreas nos Estados Unidos, na Austrália, na Espanha, no Brasil, no Caribe e em vários países africanos.

O avião brasileiro Embraer EMB-120 Brasilia foi projetado e fabricado com sistemas hidráulico, de combustível e de controle de voo duplicados. Já a fuselagem convencional em alumínio e ligas metálicas possui três seções de montagem, a dianteira, com o cockpit, a central, totalmente cilíndrica, e a traseira, com o cone de cauda. A seção central tem 2,2 metros de diâmetro, o que possibilita a fixação de três assentos para passageiros adultos por fileira, com um corredor central.

Na seção dianteira estão embutidos o radar meteorológico, o trem de pouso de nariz, o compartimento eletrônico, a cabine de comando e a porta principal de acesso dos passageiros e da tripulação, com escada fixada na própria porta. Já o compartimento de bagagens, localizado na parte de trás da fuselagem do avião, acomoda 6,4 de cargas, o equivalente a 550 kg na versão Standard.

Resumidamente, de modo geral e do ponto de vista puramente conceitual, um motor turboélice é uma combinação de um motor a reação, com compressor e turbina (não muito diferente dos motores dos aviões a jato), com um conjunto de hélice acoplado ao eixo. No caso específico dos motores turboélice Pratt & Whitney PW115 e Pratt & Whitney PW118 são três eixos com dois compressores centrífugos movimentados por turbinas axiais independentes.

Na época de seu lançamento, na década de 1980, o Embraer EMB-120 Brasilia já era tracionado por hélices de quatro pás de material composto da Hamilton Standard, conhecida atualmente como Collins Aerospace, por sua vez uma subsidiária da gigante americana United Technologies. Essas hélices são uma combinação de longarina de liga de alumínio, recheio de uma espuma especial, um revestimento de fibra de vidro e uma bainha de níquel no bordo de ataque, que por sua vez possui sistema de aquecimento.

O avião regional brasileiro possui uma variedade de sensores de temperatura espalhados pelos sistemas e compartimentos da fuselagem e das asas, assim na eventualidade de princípio de incêndio o piloto aciona, a partir da cabine de comando, os sistemas de extinção, principalmente nos motores e no trem de pouso.

Já na década de 1980, na época do lançamento do Embraer EMB-120 Brasilia, a fabricante brasileira Embraer disponibilizou como opcional um modelo de APU - Auxiliary Power Unit da fabricante americana Garrett. Esse equipamento é uma unidade independente geradora de energia elétrica para tornar a operação em solo mais independente de fontes externas de eletricidade.

Embora não seja o principal requisito de companhias aéreas, a beleza é uma das características mais notáveis do avião regional brasileiro, uma característica herdada pelos aviões derivados Embraer EMB-145 Regional Jet, para voos regionais, e pelo jato executivo Embraer Legacy 600, um sofisticado avião intercontinental, ambos também sucessos de vendas do fabricante brasileiro.

Na década de 1980, a Embraer selecionou a fabricante aeronáutica ERAM para fornecimento do trem de pouso triciclo do Embraer EMB-120 Brasilia, com conjuntos duplos de pneus em cada perna, sem câmara.

O Embraer EMB-120 Brasilia foi um dos primeiros modelos de aviões regionais no mundo a ser projetado desde o início com o painel dentro do conceito glass cockpit, nesse caso o modelo Collins ProLine II, com cinco telas de tubos de raios catódicos no total, duas do lado esquerdo (comandante), duas do lado direto (co-piloto) e uma no console central.

O conjunto de aviônicos EFIS - Electronic Flight Instrument System da marca Collins, modelo Collins ProLine II, era um dos mais avançados recursos tecnológicos disponíveis para a aviação regional na década de 1980, com um sistema integrado composto por dois ADI, dois HSI e um MFD - Multi Function Display.

CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Logo acima, a cabine de passageiros do Embraer EMB-120 Brasilia, configurada para 30 passageiros em classe única. Nível de conforto bem razoável, com pé-direito suficiente no corredor para acessar o toalete sem necessidade de se curvar. E mais: Cabine climatizada em voo e no solo, e galley para serviço de bordo com refeições rápidas, água mineral, sucos e refrigerantes. Logo abaixo, uma imagem histórica da década de 1980, um dos protótipos do Embraer Brasilia na fase de testes.

Cerca de 10 anos após o lançamento do bimotor turboélice de médio porte Embraer EMB-110 Bandeirante, a fabricante brasileira Embraer deu início ao projeto do turboélice bimotor Embraer EMB-120 Brasilia, um avião maior, mais moderno e mais confortável que o primeiro modelo de aeronave comercial da empresa de capital misto e controle estatal. Após os bons resultados obtidos com o turboélice regional Embraer Bandeirante, a Embraer lançou em abril de 1980 o projeto do Embraer Brasilia, que logo alcançou uma carteira de pedidos com mais de 100 unidades, garantindo o sucesso futuro da aeronave.

A já experiente Embraer investiu na década de 1980 cerca de US$ 150 milhões (em valores da época, sem correção monetária, o equivalente hoje a cerca de US$ 500 milhões) no projeto de criação, desenvolvimento e infraestrutura para introduzir com sucesso o seu primeiro turboélice regional para o mercado de avião regional. O primeiro voo do Embraer EMB-120 Brasilia ocorreu em julho de 1983, com a entrada em serviço em outubro de 1985, pela empresa aérea regional norte americana ASA - Atlantic Southeast Airlines, após a certificação obtida junto à FAA - Federal Aviation Administration, a agência reguladora da aviação americana.

Inicialmente, o Embraer EMB-120 Brasília foi fabricado na versão Embraer EMB-120 Brasilia Stardard, com motores Pratt & Whitney PW115 com 1.500 shp de potência, cada motor, e cerca de 1.000 quilômetros de alcance e, posteriormente, a partir da década de 1990, passou a ser fabricado na versão Embraer EMB-120 Brasilia Advanced ER com motores mais potentes Pratt & Whitney PW118 com 1.800 shp de potência, cada motor, dotados de hélices quadripás da marca Hamilton Standard. A versão aprimorada do Embraer Brasilia, com motores mais potentes, tem velocidade de cruzeiro de aproximadamente 550 km/h e alcance de aproximadamente 1.500 quilômetros.

A partir da década de 1980, os engenheiros da Embraer já possuíam o domínio de uma variedade de tecnologias e experiências conquistadas durante a criação, o desenvolvimento e a fabricação de outros modelos de aeronaves, incluindo o Embraer EMB-110 Bandeirante e o Embraer EMB-121 Xingu.

Uma parte das novas tecnologias e das experiências adquirida no processo de desenvolvimento e fabricação do Embraer EMB-121 Xingu, incluindo a tecnologia de pressurização, foi utilizada como base para dar origem ao Embraer EMB-120 Brasilia.

Com a moderna tecnologia de asas de perfil supercrítico em mãos, já na década de 1980 a Embraer conseguiu criar e desenvolver o Embraer EMB-120 Brasília, na época o turboélice bimotor para transporte regional de passageiros mais veloz, mais econômico e mais leve da sua categoria de 30 assentos.

Para alcançar um novo padrão de modernidade e leveza foi realizado um criterioso trabalho de seleção de fornecedores de matérias primas, peças, partes e componentes, incluindo a metalúrgica Alcoa (alumínio), a fabricante canadense de motores aeronáuticos Pratt & Whitney Canada (motores turboélice), a fabricante americana de aviônicos Collins (o sistema EFIS - Electronic Flight Instrument System era um notável avanço tecnológico para a época), entre outros.

Na década de 1980, a Embraer já incluía no projeto e na fabricação do Embraer EMB-120 Brasilia uma surpreendente variedade e quantidade de componentes e partes em material composto, utilizadas na montagem da aeronave, como partes integrantes da aeronave. Porém, as partes principais que formam a estrutura da aeronave (fuselagem, asas e empenagem) sempre foram construídas em alumínio e ligas metálicas.

O Embraer EMB-120 Brasília foi homologado com sistemas de degelo boots por várias autoridades aeronáuticas, e o primeiro dia de trabalho da aeronave nos Estados Unidos foi realizado em 1985, pela companhia aérea americana ASA – Atlantic Southeast Airlines, partindo da cidade de Atlanta, capital do estado da Georgia.

APRIMORAMENTO
Logo acima, o cockpit (cabine de comando) do Embraer EMB-120 Brasilia ainda é considerado moderno. Com um olhar mais atento, percebe-se duas telas juntas de cada lado, duas do lado esquerdo (piloto / comandante) e duas do lado direito (co-piloto), conhecidas no meio aeronáutico como ADI e HSI. Já no centro do painel está fixada uma tela multifuncional. Juntas elas compõem o EFIS - Electronic Flight Instrument System, o sistema de voo por instrumentos eletrônicos. No console central, nota-se o FMS - Flight Management System, o sistema de gerenciamento de voo. Logo abaixo, o roll-out do primeiro avião comercial pressurizado fabricado pela Embraer.

A versão melhorada Advanced ER passou a ser produzida em série a partir da década de 1990, com um variedade de itens de conforto e conveniência, incluindo ar-condicionado para climatizar a cabine de passageiros em voo, com os motores em pleno funcionamento, e também no solo, com os motores desligados, alimentado pela eletricidade gerada pela APU - Auxiliary Power Unit, uma unidade independente fornecedora de energia.

Na década de 1990 a Embraer submeteu às autoridades aeronáuticas brasileiras, estadunidenses e europeias um novo Plano de Manutenção Programada do Embraer EMB-120 Brasilia, resultando numa significativa redução de aproximadamente 25% no custo de manutenção programada do equipamento, com intervalos maiores entre revisões e redução do tempo de permanência da aeronave no solo para manutenção programada, com consequente ganho de produtividade. Isso tornou o Embraer Brasilia ainda mais competitivo, com um custo operacional ainda menor.

Revisões Tipo A
Antes: 300 horas de voo.
Depois: 400 horas de voo.

Revisões Tipo C
Antes: 3.000 horas de voo.
Depois: 4.000 horas de voo.

Revisões Estruturais
Antes: 16.000 pousos.
Depois: 20.000 pousos.

Nessa mesma época, uma nova versão Embraer EMB-120 Brasilia Quick Change do Embraer EMB-120 Brasilia foi lançada, adaptada para transporte de passageiros e de carga, aumentando assim a produtividade do equipamento.

Mais de 350 unidades de Embraer EMB-120 BrasIlia foram fabricadas, uma parte delas ainda está voando, transportando passageiros e cargas aéreas em viagens interestaduais, o que comprova na prática as características da aeronave.

MERCADO

Logo acima e logo abaixo, mais dois exemplos incontestáveis da confiança que a Embraer conquistou no mercado aeronáutico americano nas décadas de 1980 e 1990, o Embraer EMB-120 Brasilia nas cores da companhia aérea USAir Express, a marca regional da grande companhia aérea americana USAir, esta fundida alguns anos atrás com a American Airlines, e o avião regional brasileiro nas cores da Continental Express, a regional da grande Continental Airlines, esta fundida alguns anos atrás com a United Airlines.

O Embraer EMB-120 Brasilia ainda é considerado uma aeronave moderna no meio aeronáutico e foi um avião largamente adotado por companhias aéreas regionais norte americanas e europeias, que adquiriram centenas de unidades do modelo, principalmente nas décadas de 1980 e 1990 e, posteriormente, a produção do Embraer Brasilia foi transferida na década de 2000 para sua subsidiária Indústria Aeronáutica Neiva, que chegou a fabricar algumas unidades do modelo. Atualmente, a aeronave não é fabricada.

Mais de 350 unidades de Embraer EMB-120 Brasilia, em várias versões, foram fabricadas pela Embraer nas décadas de 1980, 1990 e 2000, principalmente para companhias aéreas americanas, europeias e brasileiras, entre elas a United Express (United Airlines), a ASA (posteriormente SkyWest), a Comair (posteriormente Delta Connection), a DLT (Alemanha), a Air France (França), a USAir Express (USAir), a Continental Express (Continental Airlines), a Rio Sul (uma subsidiária da Varig, a grande companhia aérea brasileira, que não existe mais), a Ocean Air (conhecida atualmente como Avianca), a Passaredo, uma empresa regional brasileira, a InterBrasil Star (uma subsidiária da grande companhia aérea brasileira Transbrasil, que também não existem mais), entre muitas outras.

Parte das unidades fabricadas de todos esses modelos ainda está em condições de voo e ainda é operada por companhias aéreas regionais, de táxi aéreo e de voos charter.

NO BRASIL

Logo acima, o Embraer EMB-120 Brasilia da empresa regional Rio Sul, a subsidiária da então grande e conhecida companhia aérea brasileira Varig, esta a tradicional transportadora de bandeira brasileira nas décadas de 1980 e 1990. Logo abaixo, o avião regional brasileiro da Pantanal Linhas Aéreas, uma companhia aérea regional comprada em 2009 pela TAM Linhas Aéreas, esta conhecida atualmente como Latam Linhas Aéreas.
O primeiro operador do Embraer Brasilia no Brasil foi a companhia aérea Rio Sul, uma subsidiária regional da Varig, que introduziu a aeronave em sua frota em 1988. O avião voou no Brasil também pelas companhias aéreas Meta, Rico, Air Minas, Passaredo, Interbrasil STAR (um subsidiária da Transbrasil), Ocean Air (conhecida posteriormente como Avianca), Pantanal (alguns anos atrás comprada e incorporada pela TAM Linhas Aéreas), Nordeste, Penta, TAVAJ, KMW - Táxi Aéreo, America Air, TRIP Linhas Aéreas (atualmente Azul Linhas Aéreas), e pela FAB - Força Aérea Brasileira.

Aqui no Brasil, na década de 1980, o break-even do Embraer EMB-120 Brasilia estava em cerca de 50% do número total de assentos disponíveis para passageiros. Isso significa que naquela época era possível ter lucro operando o avião regional quando 15 assentos ou mais estavam ocupados. Assim, esse modelo de avião regional da Embraer conseguiu substituir com vantagens o Embraer EMB-110 Bandeirante em várias companhias aéreas.

Devido à sua capacidade de pousos e decolagens curtos o Embraer Brasilia é utilizado pela FAB - Força Aérea Brasileira, em viagens oficiais, e por algumas companhias aéreas regionais que operam na Amazônia, região possuidora de grande número de pistas curtas que inviabilizam o uso de jatos.

FICHA TÉCNICA
  • Capacidade: 30 passageiros;
  • Tripulação: 1 piloto, 1 co-piloto e 1 comissária;
  • Velocidade máxima de cruzeiro: Aprox. 585 km / h;
  • Velocidade de cruzeiro normal: Aprox. 550 km / h;
  • Velocidade de cruzeiro econômica: Aprox. 485 km / h;
  • Comprimento: Aprox. 20 metros;
  • Envergadura: Aprox. 20 metros;
  • Altura da aeronave: Aprox. 6,3 metros;
  • Altura da cabine: Aprox. 1,7 metro;
  • Motorização / Advanced ER (potência): 2 X Pratt & Whitney PW118 (1.800 shp / cada);
  • Motorização / Standard (potência): 2 X Pratt & Whitney PW115 (1.500 shp / cada);
  • TBO da PW115 (tempo entre revisões): 6.000 horas;
  • Hélices do EMB-120 Standard: 14RF-9 Hamilton (material composto);
  • APU: Garret (opcional);
  • Consumo médio (QAV): Aprox. 960 litros / hora (lotado / 75% potência);
  • Consumo médio (QAV): Aprox. 0,06 litro / passageiro / km voado;
  • Trem de pouso: ERAM, triciclo retrátil;
  • Freios: Metálicos, com anti-skid (anti-travamento);
  • Sistema elétrico: 28 volts (DC);
  • Homologação: IFR Noturno, FAR PART 25;
  • Teto de serviço: Aprox. 9.500 metros;
  • Alcance / Advanced ER: Aprox. 1.500 quilômetros (lotado / 75% potência / com reservas);
  • Alcance / Standard: Aprox. 1.000 quilômetros (lotado / 75% potência / com reservas);
  • Peso máximo decolagem: Aprox. 11.980 kg;
  • Pista de pouso: Aprox. 1.650 metros (lotado / dias quentes / tanques cheios);

TRÊS VISTAS

PRINCIPAIS CONCORRENTES
  • Saab 340
  • BAe Jetstream Super 31
  • Fairchild Dornier 328
  • ATR-42
  • Bombardier Dash 8-200

GALERIA DE IMAGENS

Logo acima, um dos primeiros protótipos do Embraer Brasilia, esse com fuselagem polida, com faixas e logotipo da Embraer. Essa mesma técnica de polimento foi solicitada pela companhia aérea americana American Airlines para as suas unidades utilizadas para transportar seus passageiros em rotas regionais dentro dos Estados Unidos. Logo abaixo, o Embraer Brasilia da Air France. A credibilidade da Embraer no mercado internacional de aviação comercial ficou evidente na década de 1980, quando grandes e tradicionais companhias aéreas americanas e europeias passaram a usar intensivamente esse turboélice brasileiro para transportar seus passageiros.



Logo acima, o belo pássaro metálico fabricado pela Embraer taxiando em um aeroporto. Grandes e tradicionais companhias aéreas brasileiras, americanas e europeias optaram pelo modelo brasileiro, incluindo United Airlines, American Airlines, Varig / Rio Sul, US Air, Continental Airlines e Air France. Logo abaixo, o Embraer Brasilia da companhia aérea regional americana SkyWest, decolando de um típico aeroporto regional americano.

Air Peace expande sua frota com Embraer E175 para impulsionar a conectividade regional

 Air Peace expande sua frota com Embraer E175 para impulsionar a conectividade regional

A Embraer entregou a primeira aeronave Embraer E175 para a Air Peace. O negócio reforça ainda mais a parceria entre a Embraer e a Air Peace, que já opera com a frota dos modelos maiores E195-E2 e menores ERJ145. O E175 apoiará a Air Peace em sua ambição de aumentar a conectividade na Nigéria e na região, ao mesmo tempo em que proporciona maior flexibilidade de capacidade à companhia aérea.

“Estamos muito satisfeitos em entregar este primeiro E175 aos nossos parceiros da Air Peace”, afirma Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial. “Esta entrega destaca a contínua demanda por aeronaves de tamanho adequado, com as companhias aéreas buscando expandir a conectividade enquanto mantêm altos níveis de eficiência e serviço.”

“A entrega do nosso primeiro Embraer E175 é um marco importante no crescimento da Air Peace, refletindo nosso compromisso de impulsionar as viagens domésticas e regionais, com uma frota moderna e eficiente”, disse Allen Onyema, Presidente e CEO da Air Peace. “À medida que fortalecemos nossa liderança na África Ocidental e Central, esta aeronave aumentará nossa flexibilidade operacional e alcance de mercado, mantendo a segurança, a confiabilidade e o excelente serviço que nossos passageiros esperam.”

A posição da Air Peace como companhia aérea líder na África Ocidental é reforçada com a entrega do E175, que proporcionará eficiência de combustível excepcional, menores emissões, economia favorável em rotas de baixa e média densidade, e grande conforto para os passageiros.

A aviação da África está preparada para um forte crescimento de longo prazo, impulsionado pela expansão populacional, urbanização, aumento da demanda por viagens e pela necessidade de melhores conexões regionais. O mais recente estudo de mercado da Embraer, o African Connectivity Report 2026, identifica 55 pares de cidades africanas, um aumento em relação aos 45 de 2025, que ainda carecem de serviços aéreos diretos, destacando a oportunidade para aeronaves de tamanho adequado, como o E175, abrirem novas rotas e melhorarem a conectividade.

Com a introdução do E175 na crescente frota da Air Peace, espera-se que as operações domésticas e regionais aumentem, por meio de maiores frequências de voos em rotas importantes da Nigéria e da introdução de novos serviços para outras quatro cidades africanas.

Electra II — A Incrível Trajetória do Avião Mais Amado do Brasil

 O avião que realizou mais de 500 mil voos e se tornou o maior ícone da aviação brasileira enfrentou um início marcado por acidentes fatais






Em homenagem ao legado do L-188 Electra na Varig, optou-se por usar a designação “Electra II” ao longo do texto - Varig

Alguns aviões transformam-se em verdadeiros símbolos de uma época, ou até mesmo de uma rota. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Lockheed Electra II e a ponte aérea Rio-São Paulo, o trecho mais nobre da aviação brasileira.

Durante 17 anos, o Electra II voou exclusivamente na ponte aérea, sempre com as cores da Varig. Foram 15 aviões deste modelo que voaram na companhia gaúcha e realizaram mais de 500 mil viagens, o equivalente a 17.500 voltas ao redor da Terra, ou 560 viagens à Lua. Nessa longa jornada, o Electra II percorreu o correspondente a mais de 217 milhões de quilômetros voados e transportou mais de 33 milhões de passageiros, totalizando 777.140 horas de voo e 736.806 pousos completos.

São números impressionantes do quadrimotor turboélice da Lockheed, que ficou em serviço no Brasil durante 30 anos sem nenhum acidente registrado. O Electra despediu-se do público brasileiro em 1992, mas até hoje deixou saudades entre os apaixonados pelo período românticos de nossa aviação.

Transição para o jato

No início da década de 1950, a Lockheed desenvolvia o incrível C-130 Hercules, um quadrimotor turboélice que até hoje é considerado um dos mais versáteis e confiáveis aviões já produzidos. A Lockheed, baseada nos estudos obtidos com o projeto do C-130 e em pesquisas que demonstravam sua versatilidade em linhas de curto e médio alcance, o que era comprovado pelo sucesso obtido com o Vickers Viscount, iniciou estudos para o desenvolvimento de um turboélice para o transporte comercial.

Tal estudo levou à criação de dois conceitos, o CL-303, de asa alta, que mantinha uma grande semelhança com o C-130; e o CL-310, de asa baixa e perfil mais alongado, sendo que ambos seriam equipados com o motor Allison 501, o mesmo utilizado no C-130. Porém, por diversas razões, nenhum dos projetos atraiu o interesse das empresas norte-americanas naquele momento.

No entanto, em 1954, a American Airlines definiu os parâmetros básicos para um novo quadrimotor turboélice, com capacidade para até 100 passageiros, que seria utilizado em suas linhas de médio alcance para substituir seus veteranos quadrimotores a pistão. Visando manter sua participação no mercado de aviação comercial, a Lockheed baseou sua proposta no projeto CL-310.

Após realizar algumas modificações, o projeto despertou o interesse da American Airlines e da Eastern Airlines, que também buscava um avião mais moderno para linhas domésticas.

Protótipo do Electra em voo
O protótipo, matriculado N1881, realizou seu primeiro voo em 6 dezembro de 1957 | Lockheed Martin

A Lockheed lançou no início de 1955 o L-188 Electra, um robusto quadrimotor equipado com quatro motores Allison 501, de 3.750 shp de empuxo cada, com velocidade de cruzeiro superior aos 600 km/h, capacidade para transportar até 90 passageiros e alcance superior a 4.000 quilômetros.

Em 8 de junho de 1955, a Lockheed recebeu da American Airlines a encomenda inicial de 35 exemplares do novo avião, seguida pela encomenda de outros 40 feita pela Eastern em 27 de setembro do mesmo ano. A construção do primeiro dos quatro protótipos foi iniciada no mês seguinte e foi concluída no final de 1957.

À época, a carteira de pedidos do Electra II já totalizava 144 encomendas de nove empresas: American, Braniff, Cathay Pacific, Eastern, Garuda, KLM, National, Pacific Southwest e Western. Um total expressivo para o final dos anos 1950, mas que se mostraria um problema meses depois.

O protótipo, matriculado N1881, realizou seu primeiro voo sob o comando do piloto de provas Herman Fish Salmon, em 6 dezembro de 1957. O primeiro voo partiu das instalações da Lockheed, em Burbank, com destino a Palmdale, onde seria realizado todo o programa de ensaios do L-188. O Electra II foi certificado em agosto de 1958, e a primeira entrega, para a Eastern, ocorreu no dia 8 de outubro do mesmo ano; a American recebeu seu primeiro avião apenas quatro dias depois.

Mesmo com uma carteira de pedidos razoável no lançamento, a concorrência com jatos foi o primeiro entrave no sucesso comercial do L-188 Electra | Lockheed Martin

Por causa de uma greve de pilotos na American, coube à Eastern Airlines realizar primeiro voo com o Electra II, em 12 de janeiro de 1959, na linha Nova York–Miami. No dia 23 de janeiro, foi a vez da American Airlines realizar seu primeiro voo, na linha Nova York–Chicago.

Porém, mesmo tendo recebido novas encomendas da Ansett, Qantas, Northwest e Trans Australia Airlines, as vendas estavam longe das metas iniciais, o que gerava uma baixa cadência de produção, o que elevou o ponto de equilíbrio financeiro de 190 para 215 unidades.

Um dos principais motivos da baixa procura pelo Electra II foi a introdução dos novos jatos de médio alcance capazes de realizar os mesmos voos em menor tempo e com maior conforto. Nessa época, o maior consumo de combustível não era um problema, afinal, o petróleo ainda era um insumo barato.

Sequência de acidentes

Electra
Descida prematura e erros de referência causaram o acidente no Rio Hudson apenas 10 dias após o início dos voos comerciais com o L-188 Electra | Civil Aeronautics Board

Para piorar a situação, um Electra II da American mergulhou no rio Hudson, em Nova York, segundos antes de pousar no aeroporto de La Guardia. O acidente vitimou 65 dos 73 ocupantes e ocorreu exatamente dez dias após o Electra II realizar seu primeiro voo comercial. As investigações mostraram que o acidente foi causado por um erro operacional: a tripulação, inexperiente naquele modelo, cometeu um erro de leitura de um novo tipo de altímetro. Mas o pior ainda estava por vir.

Na noite do dia 29 de setembro, um Electra II que havia sido entregue à Braniff International no dia 18 daquele mesmo mês, desintegrou-se em pleno ar. A tripulação não enviou nenhuma informação sobre qualquer problema com o avião e não havia indicações sobre qualquer anomalia em seus sistemas.

As investigações constataram que, nos momentos finais de seu mergulho fatal, o avião rompeu a barreira do som. Imediatamente toda a frota de Electra II foi retida até que se encontrasse a causa do acidente.

Mesmo após meses de pesquisas, as investigações não conseguiram encontrar nenhum fator que tivesse contribuído para o acidente. Uma única evidência apontava que a asa esquerda havia se desprendido em pleno voo. Porém, não havia nenhum indício do motivo do desprendimento.

Em função da suposição de que cargas aerodinâmicas menores poderiam evitar novos acidentes, até que a real causa do acidente fosse apurada, a Federal Aviation Administration dos Estados Unidos decidiu impor uma restrição de velocidade: o avião não deveria ultrapassar os 418 km/h.

Acidente Electra
O voo 375 da Eastern Air Lines caiu após colidir com pássaros em março de 1960 | Civil Aeronautics Board

Porém, outro acidente, no dia 17 de março de 1960, com um avião da Northwest Airlines, em que morreram 63 pessoas, levaram a opinião pública, apoiada pela grande maioria dos congressistas, a exigir a proibição dos voos do Electra II. Rapidamente as empresas começaram a cancelar suas encomendas. Era o fim da carreira do Electra nos EUA.

Vibração dos motores

Meses depois as investigações comprovaram que ambos os acidentes foram provocados por um fenômeno chamado “whirl mode”, que era ocasionado pela vibração dos motores em seus montantes quando estes sofriam qualquer interferência externa capaz de colocá-los em ressonância, como o balanço causado por uma turbulência.

A vibração era propagada até as naceles dos motores que, por sua vez, a transmitiam para as asas. Era uma vibração tão intensa que, em menos de um minuto, a junção da asa com a fuselagem poderia ser rompida, não dando tempo para que a tripulação sequer declarasse emergência. A solução encontrada pela Lockheed foi reforçar os montantes, as naceles e as longarinas da asa. Porém, a imagem do avião já estava arrasada.

Como a Lockheed não recebeu mais nenhuma encomenda, a produção foi encerrada em 1961, após a produção de apenas 170 aeronaves e um prejuízo de milhões de dólares, especialmente porque a produção não chegou nem perto de atingir o ponto de equilíbrio financeiro.

O vilão se tornou herói

Electra Varig
O Electra voou em praticamente todas as rotas domésticas da Varig

Em 28 de janeiro de 1959, o Lóide Aéreo solicitou ao então DAC (Departamento de Aviação Civil) autorização para importar alguns Electra II. O pedido foi negado. O DAC alegou que, meses antes, o Lóide Aéreo havia importado alguns Douglas DC-6A que foram arrendados à Panair do Brasil, antes mesmo de voar nas cores da empresa.

A ampla repercussão negativa causada pelos acidentes e a introdução maciça dos jatos levaram algumas empresas americanas a se desfazer de toda a frota de Electra II. Em 1961, a American Airlines colocou à venda um lote de Electra recém-recebidos. A oferta chamou a atenção de Lineu Gomes, então presidente do Consórcio Real, que negociou a compra de três aviões, visando substituir os três Super Constellations em uso pela Real. Porém, em agosto de 1961, o Consórcio Real foi vendido para a Varig.

O então presidente da Varig, Ruben Berta, tentou desfazer o negócio com a American. Ele considerava o Electra inadequado para sua empresa, além de perigoso. Porém, a American não aceitou desfazer o acordo e, após intensas negociações, a diretoria da Varig constatou as qualidades do modelo e acabou por encomendar mais dois aviões.

O Electra ganha o Brasil

Electra Varig
Eternizados na Ponte Aérea, o Electra voou também para Nova York e Portugal | Varig

No dia 2 de setembro de 1962, chegava ao Brasil o primeiro Electra II, matriculado PP-VJM. O voo de Tulsa (Oklahoma) até São Paulo (Congonhas) durou três dias, com escalas em Miami e Port of Spain.

No dia 25 do mesmo mês aconteceu o voo inaugural do Electra II, na rota Rio–Nova York. Naquele ano, os Electra II começaram a operar semanalmente na linha São Paulo–Rio–Belém–Port of Spain–Santo Domingo–Nova York. Três vezes por semana, operavam na linha São Paulo–Rio–Recife–Fortaleza e, duas vezes por semana, na linha São Paulo–Rio–Manaus.

Quando a Varig absorveu a Panair do Brasil, em 1965, os Electra II passaram a voar semanalmente no chamado “Voo da Amizade”, que ligava São Paulo a Lisboa, com escalas no Rio de Janeiro, Recife e ilha do Sal. Por causa da enorme popularidade obtida pelo Electra no Brasil, a Varig adquiriu mais quatro aviões da American Airlines entre os anos de 1968 e 1970.

Ainda em 1970, a Varig comprou da Northwest Airlines outros dois aviões, só que desta vez do modelo L-188 PF (Passenger/Freighter), que possuíam uma ampla porta de carga do lado esquerdo da fuselagem. Estes modelos não possuíam a porta de acesso dianteira nem o lounge localizado na parte traseira da cabine de passageiros.

Electra Varig

Os aviões foram matriculados como PP-VLA e PP-VLB. Apesar de operar por algum tempo no transporte de cargas, principalmente para Manaus, ambos foram transferidos para uso exclusivo de passageiros, alguns anos depois. Durante a primeira metade da década de 1970, os Electra II foram utilizados em diversas linhas domésticas, tendo voado em praticamente todo o território nacional.

Em 1975, o DAC emitiu uma norma obrigando os voos da ponte aérea a serem realizados com aviões quadrimotores. A medida fez que os bimotores Fairchild FH-227 Hirondelle, Handley-Page Dart Herald e o NAMC YS-11 “Samurai” fossem retirados de serviço naquele trecho, deixando a linha para o Viscount e o Electra II.

A Vasp logo depois tirou os Viscount  de serviço, fazendo do Electra o equipamento padrão da mais importante linha aérea brasileira. Surgia neste instante um mito, pois o Electra reinaria absoluto na ponte aérea por duas décadas, chegando a realizar até 88 voos diários.

Electra Varig
VOO DURANTE A CRISE DOS MÍSSEIS

Na noite de 31 de outubro de 1962, o Electra II PP-VJL acabou participando da famosa Crise dos Mísseis, um dos episódios mais marcantes da Guerra Fria, que por muito pouco não resultou no início da Terceira Guerra Mundial.

Durante seu pernoite em Nova York, a ONU requisitou a aeronave para buscar em Havana seu secretário-geral, U Thant, que negociava a retirada dos mísseis soviéticos instalados na ilha de Fidel. Após decolar de Havana e deixar o espaço aéreo cubano, o PP-VJL foi escoltado até Nova York por caças americanos e todo o espaço aéreo na rota do avião brasileiro estava fechado para qualquer aeronave.

Este histórico voo foi tripulado pelos Comandantes Platô e Padovani, pelo engenheiro de voo Werner e pelo navegador Nicásio.

Sem aviões para voar entre o Santos Dumont e Congonhas, as Cruzeiro do Sul, Vasp e Transbrasil firmaram um acordo com a Varig, que cederia os aviões e pilotos. O número de assentos disponível para cada empresa do pool que operava a rota foi proporcionalmente dividido de acordo com a participação de cada empresa no mercado. A empresa que operava o voo era responsável apenas pelo pessoal de cabine.

Entre 1975 e 1979, quatro Electra II (PP-VJN/VJU/VJE/VLC) voaram na ponte aérea ostentando apenas a pintura básica da Varig, sem o nome nem o logotipo da empresa. O objetivo era não destacar individualmente o nome de nenhuma operadora do pool, visto que o serviço era realizado em conjunto entre as quatro companhias aéreas.

Posteriormente, alegando problemas de logística, os quatro aviões receberam a pintura completa da Varig. Em 1977, visando atender à crescente demanda da ponte, a Varig adquiriu da colombiana Aerocondor mais dois aviões. Essas aeronaves estavam em péssimas condições e foram completamente reformadas nas oficinas da Varig, em Porto Alegre.

Os dois últimos Electra adquiridos pela Varig foram recebidos em abril de 1986. Estes dois exemplares pertenciam à Tame (Transportes Aéreos Militares Equatorianos) e não tinham condições de voo. A Varig tinha localizado um lote de quatro aviões da Tame e propôs realizar a manutenção completa dos aparelhos, deixando-os em excelentes condições de uso. Como forma de pagamento, a Tame entregaria dois aviões para a Varig. Os equatorianos aceitaram.

Fim de uma Era

Electra Varig

A introdução dos Boeing 737-300 na ponte aérea, em 6 de dezembro de 1991, marcou o fim da brilhante carreira do Electra no Brasil. Exatamente 29 dias depois, em 5 de janeiro de 1992, o PP-VLX realizou o voo VP651 (Rio–São Paulo) e, ao cortar seus motores no pátio de Congonhas, encerrou o último voo de passageiros pagantes no Brasil.

No entanto, o Electra ganharia ainda uma série de homenagens jamais prestadas a um avião no Brasil. Em respeito a sua invejável ficha de serviço, a Varig realizou, no dia 6 de janeiro, quatro voos oficiais de despedida que contaram com a presença de personalidades, jornalistas, políticos e empresários, além da diretoria da Varig, da Vasp e da Transbrasil.

Estes voos foram realizados pelos aviões PP-VJN e PP-VJO, que decolaram do Rio com destino a São Paulo, retornando depois à capital carioca. A imprensa noticiou com destaque o fim dos voos do Electra e uma série de empresas prestou homenagens em campanhas publicitárias. Diversos passageiros foram se despedir do avião e muitos se emocionaram com o fim das operações.

Por ter sido um avião que teve uma carreira respeito e ganhou a admiração de todos que vivenciaram seus 30 anos de carreira, a Varig cedeu ao Museu Aeroespacial, da Força Aérea Brasileira, o PP-VJM, o primeiro Electra II a chegar ao Brasil. Trata-se do único modelo preservado no mundo todo.

Apesar de todos os demais Electras da Varig terem deixado o Brasil em excelentes condições, nenhum encontra-se em condições de voo, alguns foram perdidos em acidentes e outros acabaram sucateados. Um final inglório para aeronaves que representam uma parte da memória da aviação brasileira.

LOCKHEED L-188 ELECTRA II

 

Logo acima, o Lockheed Electra nas cores da Varig, a principal companhia aérea brasileira nas décadas de 1970 e 1980, uma das principais operadoras desse modelo de aeronave. Um dos maiores clássicos da aviação civil mundial, o substituto natural do clássico Douglas DC-6 na frota de várias companhias aéreas domésticas e regionais em várias partes do planeta. Logo abaixo, a confortável cabine de passageiros dos Lockheed Electra operados no Brasil pela Varig, principalmente na ponte aérea Rio-São Paulo, a principal rota aérea nacional.

O Lockheed L-188 Electra II é uma antiga aeronave quadrimotor turboélice de médio porte, com capacidade para transportar entre 80 e 100 passageiros em viagens intermunicipais e interestaduais, dependendo da versão e da configuração de assentos adotada, projetada, desenvolvida e fabricada em larga escala nos Estados Unidos, a partir da década de 1950, pela então fabricante americana Lockheed Corporation, na época uma das maiores fabricantes de aeronaves civis e militares do mundo.

Os seus principais concorrentes no mercado mundial de transporte aéreo doméstico e regional de passageiros e cargas durante as décadas de 1960 e 1970 foram o clássico quadrimotor turboélice britânico Vickers 700 Viscount / Vickers 800 Viscount e o quadrimotor a pistão americano Douglas DC-6, ambos sucessos de vendas.

LOCKHEED MARTIN

A Lockheed Martin é uma gigante americana dos ramos aeroespacial, espacial, aeronáutico, de defesa, de equipamentos médicos, de sistemas de energia solar e de sistemas nucleares, criada em 1995 a partir da fusão de duas grandes empresas dos ramos aeroespacial, espacial, aeronáutico e de defesa, a Lockheed Corporation e a Martin Marietta, se tornando a partir de então a maior contratante de defesa do mundo, com receita bruta de cerca de US$ 53 bilhões em 2018, por exemplo, graças, em grande parte, a contratos militares com o Governo dos Estados Unidos e com nações amigas, com mais de 105.000 empregados em várias partes do mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Entre os seus principais produtos e empreendimentos estão o míssil Lockheed Trident, lançado a partir de submarinos; o avião de patrulha militar Lockheed P-3 Orion, ainda em operação em várias forças armadas; o caça de altíssima performance Lockheed F-16 Falcon, um grande sucesso operacional e de vendas; o caça de altíssima tecnologia Lockheed F-35 Lightning II, um dos aviões militares mais avançados do mundo; o turboélice militar quadrimotor Lockheed C-130 Hercules, também um sucesso operacional e de vendas; a empresa de lançamentos de satélites ULA – United Launch Alliance, em parceria com a Boeing Company; e a fabricante de helicópteros Sikorsky Aircraft, uma das maiores do mundo; entre outros.

Além disso, a empresa foi a fabricante de alguns dos mais tecnológicos produtos militares de suas respectivas épocas, dentre eles o bombardeiro stealth Lockheed F-117 Nighthawk e o caça semi-stealth Lockheed F-22 Raptor, dentre outros.

Já a Lockheed Corporation foi uma das duas grandes empresas antecessoras da Lockheed Martin, fundada em 1932, a partir da Alco Company, da Loughead Aircraft e da Detroit Aircraft. Entre seus produtos civis e militares mais tecnológicos de suas respectivas épocas estiveram os aviões de reconhecimento (espionagem, na verdade) Lockheed U-2 Utility e Lockheed SR-71 Blackbird, o caça a jato Lockheed P-180 Shooting Star, o cargueiro militar Lockheed C-5 Galaxy e o avião comercial de grande porte Lockheed L-1011 Tristar, um dos wide-bodies mais icônicos de sua época.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Logo acima, o Lockheed Electra, um quadrimotor turboélice para transporte doméstico e regional de passageiros. Ele foi usado intensivamente na Oceania e no continente africano também, principalmente nas décadas de 1960, 1970 e 1980, principalmente por pequenas companhias aéreas domésticas, regionais e internacionais, atraídas pelos bons preços dos modelos usados colocados à venda por companhias aéreas europeias e americanas. Logo abaixo, o Lockheed Electra nas cores da companhia aérea americana American Airlines.

O Lockheed L-188 Electra II é uma antiga aeronave quadrimotor turboélice de médio porte, com pressurização e com construção convencional em alumínio e ligas metálicas, com asas baixas e retas e com trem de pouso retrátil, com capacidade para transportar entre 80 e 100 passageiros em viagens intermunicipais e interestaduais, dependendo da versão e da configuração de assentos adotada, projetada, desenvolvida e fabricada em larga escala nos Estados Unidos, a partir da década de 1950, pela então fabricante americana Lockheed Corporation, na época uma grande fabricante de aeronaves militares e comerciais para transporte regional, doméstico, internacional e intercontinental de passageiros e de carga.

Embora o Lockheed L-188 Electra II tenha apresentado graves problemas técnicos de confiabilidade logo após o início da sua produção seriada, o que, inclusive, prejudicou a continuidade da produção, com o passar dos anos, após ter sido submetido a um programa de retrofit da fabricante Lockheed Corporation para corrigir as suas falhas estruturais, ele se tornou um dos mais icônicos clássicos mundiais da aviação comercial, usado intensivamente na América do Sul, principalmente no Brasil, no continente africano e na Ásia durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, em rotas domésticas e regionais para transporte de passageiros e cargas.

Em alguns casos, ele foi usado intensivamente também para transporte internacional de passageiros e cargas dentro de um mesmo continente, como na Europa, por exemplo.

O seu projeto só não foi um grande sucesso de vendas porque apresentou uma falha estrutural gravíssima, corrigida de forma satisfatória por meio de um retrofit implementado pela própria fabricante Lockheed Corporation, após ter sido identificada a causa do problema. Foram fabricadas mais de 170 unidades do Lokheed L-188 Electra II, principalmente para companhias aéreas americanas, europeia, australianas e asiáticas, dentre elas a American Airlines, a Eastern Airlines, a TWA – Trans World Airlines, a United Airlines, a KLM Royal Dutch, a Northwest Airlines, a Braniff Airways, a Ansett Austrália, a National Airlines e a Qantas Airways, todas fabricadas nos Estados Unidos, em apenas três anos de fabricação seriada. Aqui na América do Sul, ele foi usado por várias companhias, entre elas a LAP – Líneas Aéreas Paraguayas, o LAB – Lloyd Aéreo Boliviano e, é claro, pela brasileira Varig – Viação Aérea Riograndense.

Na década de 1960, ele era considerado um dos mais modernos modelos de aviões comerciais para transporte de passageiros e carga, com a então inovadora motorização turboélice, mais potente e mais confiável que as motorizações radiais a pistão da época, e com a introdução da tecnologia de pressurização de fuselagem (cabine de passageiros e cabine de comando), permitindo a operação em altitudes de cerca de 8.500 metros, superior às altitudes padrão da época para aviões radiais a pistão, de cerca de 5.000 metros, embora alguns modelos de aviões com motores radiais já conseguissem voar a 7.000 metros, lembrando que quanto mais alto o avião voa menos sujeito ao mau tempo ele é.

Entre as suas características mais marcantes estiveram a sua performance excepcional, com alta altitude de voo de cruzeiro, considerando os padrões da época; a sua ótima flexibilidade operacional para operar em pistas de pouso de comprimento limitado e em aeroportos de altitude elevada; a pressurização da cabine de passageiros e do cockpit, que proporcionava mais conforto biológico aos passageiros e à tripulação; o amplo espaço interno, com espaço suficiente para passageiros com até 1,75 metro de altura, em média densidade;  e o cockpit moderno, para os padrões da época, homologado para voos por instrumentos.

CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Logo acima, a cabine de passageiros do turboélice doméstico e regional para transporte de passageiros Lockheed Electra, atualmente exposto em vários museus aeronáuticos. Logo abaixo, o então moderno cockpit do mesmo modelo de aeronave, atualmente aberto à visitação pública no Museu Aeroespacial da Aeronáutica, mantido pela Força Aérea Brasileira, no Rio de Janeiro.

O clássico quadrimotor a pistão Douglas DC-6 foi um grande sucesso de vendas da fabricante americana Douglas Aircraft durante as décadas de 1940 e 1950, fabricado em larga escala principalmente para atender as encomendas de companhias aéreas americanas, desempenhando um importante papel no transporte aéreo de passageiros e de carga aérea nessas décadas. Entretanto, a partir da década de 1950, as tecnologias de motorização turboélice e motorização a jato, que, na verdade, não são muito diferentes entre si, começavam a se tornar tecnicamente e economicamente viáveis, com os primeiros representantes dessas duas categorias, o de Havilland Comet e o Vickers 700 Viscount, nascendo do outro lado do Oceano Atlântico, na Europa Ocidental, o que praticamente obrigou os fabricantes americanos de aviões a reagirem ao avanço dos europeus nesse mercado.

Como consequência disso, muitas novas companhias aéreas, em quase todas as regiões do planeta, principalmente na Europa Ocidental, passaram a usar de forma intensiva o Vickers 700 Viscount e seu irmão maior Vickers 800 Viscount para ligar grandes centros urbanos a localidades médias no interior dos estados ou províncias, de modo que se algum outro fabricante quisesse colocar no mercado, durante a década de 1950, um novo modelo de aeronave para competir com esse clássico quadrimotor turboélice então teria que fazê-lo com o mesmo nível de tecnologia.

A primeira fabricante americana com coragem de desafiar o Vickers 700 Viscount / Vickers 800 Viscount foi justamente a Lockheed Corporation, que já possuía um fornecedor confiável de motor turboélice para fazer frente a esse desafio, a americana Allison Company, com o seu motor Allison 501, uma versão civil do motor turboélice Allison T-56, por sua vez usado para tracionar o quadrimotor para transporte militar Lockheed C-130 Hercules, um dos cargueiros militares mais vendidos do mundo.

Apesar das duas tragédias causadas por falhas estruturais durante os primeiros anos de uso do Lockheed L-188 Electra II, a grande maioria dos pilotos que operaram o modelo após a implementação do retrofit para corrigir o erro de projeto ressaltavam as características de performance, flexibilidade operacional e confiabilidade (sim, acredite, confiabilidade) da aeronave, com capacidade para pousar e decolar em pistas de pouso de comprimento limitado, transportar passageiros com bons níveis de conforto e modernidade (para os padrões da época, é claro) e a boa capacidade de transportar cargas, introduzidas pela sua ampla porta de carga na lateral dianteira, nas versões cargueiras.

Os primeiros acidentes envolvendo o Lockheed L-188 Electra II foram ocasionados por um fenômeno físico chamado ressonância, uma espécie vibração originada pela rotação dos motores e das hélices, que, em casos extremos, pode ocasionar o colapso estrutural das asas em que estão fixados. Após a identificação do problema a ser resolvido, todas as unidades de fabricação seriada foram submetidas a retrofits com reforços estruturais nos suportes dos motores e nas asas, uma solução definitiva.

A capacidade do quadrimotor turboélice Lockheed L-188 Electra II variava conforme o perfil de cada companhia aérea, com opções de configurações mistas e configurações de classe única, começando com duas classes, para 70 passageiros, até chegar às opções de classe única, para 80, 90 e 100 passageiros, em baixa, média e alta densidades, respectivamente, com toalete, inclusive.

A fabricante americana Lockheed Corporation projetou o Lokheed L-188 Electra II com capacidade para pousar e decolar em pistas de pouso pavimentadas com comprimento limitado a cerca de 1.500 metros, mesmo lotado de passageiros. Uma prova inquestionável de sua flexibilidade operacional foi a sua operação intensiva, por cerca de 30 anos seguidos, ininterruptos, pela companhia aérea brasileira Varig – Viação Aérea Riograndense na ligação Rio de Janeiro / Aeroporto Santos Dumont e São Paulo / Aeroporto de Congonhas, com absoluto sucesso, sem nenhum acidente grave registrado, lembrando que a pista do aeroporto carioca tem apenas 1.400 metros de comprimento. Essa é uma das explicações para o grande sucesso do modelo no Brasil.

O quadrimotor Lockheed L-188 Electra II era superior ao Douglas DC-6 em quase tudo. Ele voava mais alto e mais veloz, tinha capacidade de passageiros e carga superior, era mais confortável e mais moderno.

O nome Lockheed L-188 Electra II foi uma homenagem do fabricante americano a outro modelo de aeronave, o Lockheed L-10 Electra, um bimotor a pistão, com capacidade para até 15 passageiros.

VERSÕES DA FAMÍLIA ELECTRA

De modo geral, os aviões da família Lockheed L-188 Electra II são clássicos projetos de quadrimotores de propulsão turboélice de médio porte, com trem de pouso triciclo retrátil, com asas baixas e retas e cabines pressurizadas de construção semimonocoque convencional em alumínio e ligas metálicas, com capacidade para transportar entre 80 e 100 passageiros em viagens intermunicipais, interestaduais e internacionais dentro de um mesmo continente. Eles estiveram entre os primeiros modelos de aviões da década de 1950 com motorização turboélice, de performance superior aos motores radiais a pistão, muito comuns na década anterior, usados até mesmo para tracionar os aviões intercontinentais da época.

Os pioneiros motores turboélice britânicos da família Rolls-Royce Dart fazem parte da primeira geração de motores turboélice da história da indústria aeronáutica, eles estão na raiz da então inovadora tecnologia do motor a jato usado para impulsionar aviões. Pra quem não sabe, a tecnologia dos motores a reação ou motores a jato é semelhante à tecnologia dos motores turboélice. Basicamente, de forma resumida e didática, usando uma linguagem simples, para facilitar o entendimento do leitor / internauta, o motor turboélice é, na verdade, um motor a jato com uma hélice acoplada. Então, em vez dos gases queimados gerarem o maior impulso para movimentar o avião são as hélices acopladas ao motor a jato que geram a maior parte da tração.

Na sequência, vieram os motores turboélice americanos, neste caso os motores Allison T-56, para uso militar, e Allison 501, para uso civil, o que tornou possível também a criação, o desenvolvimento e a fabricação seriada de um modelo de avião turboélice essencialmente americano, com fuselagem, asas e motores e sistemas elétrico, hidráulico, eletrônico e mecânico majoritariamente americanos.

L-188A ELECTRA II

Esse é o modelo original da família Lockheed L-188, com capacidade entre 80 e 100 passageiros em classe única, com alcance de cerca de 3.500 quilômetros, com 98 passageiros a bordo. Foi o modelo mais fabricado, com fabricação em série iniciada em 1958 e encerrada precocemente em 1961. A sua fuselagem possui cerca de 3,5 metros de largura, o suficiente para a fixação de até cinco assentos por fileira, separados por um corredor central.

A sua tração é fornecida por quatro motores turboélice Allison 501-D13, com hélices Hamilton Standard de metal, com quatro pás, com 3.750 shp de potência em cada motor, totalizando 15.000 shp de potência, o suficiente para que o avião possa operar em pistas de pouso de apenas 1.500 metros de comprimento, mesmo com sua cabine lotada de passageiros, com velocidade de cruzeiro de cerca de 600 km/h.

O seu sistema hidráulico é responsável pelo acionamento dos ailerons, dos profundores, do leme e do trem de pouso. O sistema anticongelamento é do tipo convencional, por meio de ar quente extraído dos motores. O reabastecimento de combustível é realizado por meio de um ponto único, o que reduz o tempo total de reabastecimento e torna os procedimentos de solo mais seguros.

Foi um dos primeiros modelos de aviões para transporte doméstico de passageiros a dispensar o engenheiro de voo na cabine de comando, graças aos seus aviônicos modernos no cockpit.

Uma sub-versão do Lockheed L-188A Electra II também foi fabricada, chamada Lockheed L-188AF, exclusivamente para transporte de carga.

LOCKHEED L-188C ELECTRA II

Versão melhorada da família Lockheed L-188, como alcance aumentado, com poucas unidades fabricadas, compradas pela companhia aérea holandesa KLM Royal Dutch, utilizado principalmente para fazer ligações internacionais dentro do continente europeu.

Uma sub-versão do Lockheed L-188C Electra II também foi fabricada, chamada Lockheed L-188CF, exclusivamente para transporte de carga.

LOCKHEED L-188PF ELECTRA II

Versão quick change da família Lockheed L-188, com a possibilidade de ser rapidamente convertido em avião de transporte de carga, com a retirada de todos os assentos da cabine de passageiros em apenas 45 minutos. Após o cumprimento da missão de transporte de carga, a aeronave pode novamente receber os assentos para cumprir missão de transporte de passageiros.

MERCADO

Embora não tenha sido um sucesso de vendas, o Lockheed L-188 Electra II é considerado, no meio aeronáutico, o sucessor natural do Douglas DC-6, um dos modelos de aviões comerciais para transporte internacional, doméstico e regional de passageiros mais bem sucedidos da década de 1950. O projeto do Lockheed L-188 Electra II tem uma importância histórica no contexto da aviação doméstica e regional pelo mérito de ter possibilitado a integração em diversos países de grandes dimensões, incluindo o Brasil, onde foi largamente utilizado para transporte de passageiros e de cargas, transportando milhões de passageiros.

Atualmente, há cerca de 10 unidades da família Lockheed L-188 ainda em atividade, a maioria versões cargueiras e de combate a incêndios florestais.

Durante a década de década de 1960, o projeto do Lockheed L-188 Electra II foi utilizado como base para a criação e o desenvolvimento do turboélice militar de patrulhamento marítimo Lockheed P-3 Orion, um sucesso de vendas, com mais de 750 unidades fabricadas, inclusive mais de 100 unidades fabricadas sob licença no Japão, pela Kawasaki Heavy Industries.

A FAB - Força Aérea Brasileira é uma das operadoras militares do Lockheed P-3 Orion.

NO BRASIL

Aqui no Brasil, o Lockheed L-188 Electra II foi muito bem sucedido. Ele foi utilizado intensivamente, por cerca de 30 anos, na chamada ponte aérea Rio-São Paulo e em outras rotas da companhia aérea Varig – Viação Aérea Riograndense, que, por sua vez, não existe mais. Por algum tempo eles foram utilizados também para ligações internacionais entre o Brasil e os Estados Unidos e Brasil e Portugal, também pela Varig.

Os aviões foram comprados na década de 1960 pela Real Aerovias, uma companhia aérea brasileira da época, por sua vez comprada, posteriormente, pela Varig, que decidiu manter as unidades de Lockheed L-188 Electra II em sua frota.

Foram 15 aeronaves no total, todas usadas pela Varig, totalizando mais de 500.000 viagens realizadas, com mais de 217.000.000 de quilômetros voados e mais de 33.000.000 de passageiros transportados, totalizando mais de 55.000 horas de voo por aeronave, sem acidentes graves com vítimas fatais registrados, o que, mais vez, comprova a robustez e confiabilidade do projeto, após, é claro, o trabalho de retrofit realizado pela própria Lockheed Corporation para corrigir as falhas estruturais detectadas durante a produção seriada.

A partir da década de 1990, a ponte aérea Rio - São Paulo passou a ser operada com aeronaves a jato Boeing 737-300 e Boeing 737-400, dotados de novas tecnologias de motorização turbofan com alta taxa de bypass. Então maioria das unidades de Lockheed L-188 Electra II foi vendia pela Varig para companhias aéreas africanas.

FICHA TÉCNICA
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

LOCKHEED L-188A ELECTRA II
  • Capacidade: Até 98 passageiros (alta densidade);
  • Tripulação de cockpit: 1 piloto, 1 co-piloto e 1 mecânico de voo;
  • Velocidade de cruzeiro: Aprox. 600 km / h;
  • Comprimento: Aprox. 32 metros;
  • Envergadura: Aprox. 30 metros;
  • Altura: Aprox. 10 metros;
  • Motorização: 4 X Allison 501-D13 (3.750 shp / cada);
  • Hélices: Hamilton Standart de 4 pás metálicas;
  • Teto de serviço: Aprox. 8.500 metros;
  • Vida útil da célula: Aprox. 60.000 horas ou ciclos;
  • Pista de pouso: Aprox. 1.500 metros (lotado / dias quentes);
  • Alcance: Aprox. 3.500 quilômetros (lotado / 75% potência / com reservas);
  • Peso máximo de decolagem: Aprox. 51.000 kg;