Dhaka prepara acordo para aquisição de caças multifuncionais chineses em um dos maiores programas de modernização da Força Aérea de Bangladesh.
Bangladesh está avançando nas negociações para adquirir caças multifuncionais Chengdu J-10CE da China em um movimento que poderá representar a maior modernização de sua aviação de combate em décadas. O governo de Dhaka já preparou uma minuta de acordo para a compra das aeronaves e de helicópteros de ataque, enquanto o documento passa por análise das autoridades responsáveis pela aprovação. A aquisição deverá fortalecer ainda mais os laços militares entre Bangladesh e China, atualmente o principal fornecedor de equipamentos de defesa para o país asiático.
Embora o governo ainda não tenha divulgado oficialmente a quantidade definitiva de aeronaves, documentos e reportagens locais indicam que o plano mais recente prevê a compra de 20 J-10CE por aproximadamente US$ 2,3 bilhões. Informações anteriores chegaram a apontar para uma possível encomenda de até 24 aeronaves. O valor estimado inclui não apenas os caças, mas também treinamento de pilotos e equipes de manutenção, equipamentos operacionais, suporte técnico e logístico, transporte, seguros, impostos, infraestrutura e outros custos associados ao programa.
O preço básico de cada J-10CE foi estimado em cerca de US$ 62,7 milhões, mas o custo efetivo por aeronave aumenta consideravelmente quando são incorporados os serviços e equipamentos necessários para colocar toda a frota em operação. O pacote completo de aproximadamente US$ 2,302 bilhões representaria, na prática, cerca de US$ 115 milhões por caça, considerando todos os componentes do programa. O planejamento financeiro prevê que os pagamentos possam ser distribuídos por vários anos, reduzindo o impacto imediato sobre o orçamento de defesa de Bangladesh.
A necessidade de modernização é evidente na atual composição da Bangladesh Air Force. A força ainda utiliza uma frota significativa de caças chineses F-7, derivados do antigo MiG-21 soviético, além de aeronaves de outras origens. Segundo dados divulgados pela imprensa local, a força aérea possui aproximadamente 212 aeronaves, incluindo 44 caças, dos quais 36 são F-7 de fabricação chinesa. A introdução do J-10CE representaria, portanto, uma mudança tecnológica de grande escala para a capacidade de combate do país.
O J-10CE é a versão de exportação do J-10C operado pela Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China. Trata-se de um caça monomotor multifuncional equipado com aviônicos modernos, radar de varredura eletrônica ativa e capacidade de empregar armamentos ar-ar e ar-superfície de última geração. Sua principal vantagem para Bangladesh estaria na possibilidade de introduzir uma capacidade de combate além do alcance visual muito mais avançada do que a disponível nos antigos F-7, além de melhorar significativamente a consciência situacional e a capacidade de defesa aérea.
O interesse de Bangladesh pelo J-10CE também ganhou impulso após o confronto entre Índia e Paquistão em maio de 2025. O Paquistão afirmou que seus J-10C participaram dos combates e derrubaram aeronaves indianas, enquanto a Índia contestou parte das alegações e não confirmou publicamente a perda de um Rafale para um J-10. Apesar da controvérsia sobre os resultados do confronto, o episódio aumentou a atenção internacional sobre o caça chinês e passou a ser considerado por autoridades de Bangladesh como um dos fatores que influenciaram a escolha da aeronave.
A relação custo-benefício também aparece como um dos argumentos favoráveis à escolha chinesa. Autoridades de Bangladesh afirmaram que o J-10CE oferece uma capacidade considerada competitiva em relação a caças ocidentais mais caros, como o Dassault Rafale e o Eurofighter Typhoon. Para Dhaka, a possibilidade de adquirir uma quantidade relevante de aeronaves modernas sem assumir os custos de aquisição e sustentação associados a alguns modelos ocidentais pode ser determinante para a renovação de sua frota.
A aquisição dos J-10CE faz parte de um programa mais amplo de modernização da Bangladesh Air Force. O governo também avalia a compra de helicópteros de ataque, helicópteros para transporte de autoridades e diferentes sistemas de aeronaves não tripuladas. A intenção é criar uma estrutura de combate mais moderna e diversificada, aumentando não apenas o número de plataformas disponíveis, mas também as capacidades de vigilância, reconhecimento, ataque e defesa aérea.
O Paquistão é atualmente o único operador estrangeiro confirmado do J-10CE, e a entrada de um segundo usuário internacional reforçaria a posição do caça no mercado global. Além disso, uma nova venda poderia ampliar a influência chinesa sobre treinamento, manutenção, armamentos e infraestrutura da força aérea de Bangladesh por várias décadas.
A minuta do acordo precisa passar pelas etapas administrativas e orçamentárias antes que um contrato definitivo seja assinado. O governo indicou que a aquisição poderá avançar ainda no atual ano fiscal caso os recursos sejam disponibilizados. Caso contrário, o programa poderá ser transferido para o próximo orçamento. A quantidade final de aeronaves, o valor definitivo e o cronograma de entrega também dependerão das negociações formais com Pequim.
















