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domingo, 12 de julho de 2026

FAB descarta compra de substituto para o AMX e aposta todas as fichas no Gripen


A decisão da FAB de não substituir o AMX por um caça intermediário concentra a capacidade de combate no F-39 Gripen e levanta discussões sobre o futuro da defesa aérea do Brasil, a ampliação da frota e os desafios logísticos.

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A decisão da Força Aérea Brasileira (FAB) de descartar a aquisição de um caça intermediário para substituir os veteranos AMX A-1M representa uma das mudanças mais significativas na estrutura da aviação de combate nacional das últimas décadas. Em vez de manter uma frota diversificada, a Aeronáutica concentrará sua capacidade de superioridade aérea e ataque praticamente em um único vetor de combate: o F-39 Gripen.

A medida ocorre em um cenário de fortes restrições orçamentárias, no qual a prioridade passou a ser a continuidade do Programa Gripen e a modernização gradual da força. Embora a decisão permita concentrar investimentos em uma plataforma de última geração, ela também desperta debates sobre a capacidade da FAB de atender simultaneamente às diversas demandas operacionais de um país com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território e cerca de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres.

Os AMX A-1M, desenvolvidos em parceria entre Brasil e Itália, entraram em serviço no fim da década de 1980 e, por mais de 30 anos, desempenharam missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, reconhecimento armado e treinamento operacional. A modernização para o padrão A-1M incorporou novos aviônicos, sistemas de navegação, guerra eletrônica e armamentos inteligentes, prolongando sua vida útil. No entanto, o envelhecimento das células, o aumento dos custos de manutenção e a dificuldade para obtenção de componentes tornaram inviável uma nova extensão do programa.

Com a retirada gradual dos AMX e, posteriormente, dos F-5M Tiger II, o Gripen passa a ocupar uma posição central dentro da estrutura operacional da FAB.

Atualmente, o Brasil possui contrato para 36 caças Gripen, sendo 28 monopostos F-39E e oito bipostos F-39F. As entregas seguem em andamento e parte da produção já ocorre em território nacional, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), resultado do amplo programa de transferência de tecnologia firmado entre Brasil e Saab.

O primeiro Gripen produzido no Brasil foi apresentado oficialmente em 2026, simbolizando um novo estágio da participação da indústria nacional no programa. Além da fabricação de estruturas e montagem final, empresas brasileiras passaram a produzir componentes, desenvolver software e participar da integração de sistemas, ampliando significativamente a capacidade tecnológica do setor aeroespacial brasileiro.

O governo brasileiro também iniciou negociações para um segundo lote de até 20 aeronaves. Caso a aquisição seja confirmada, a frota poderá alcançar 56 caças, número superior ao previsto inicialmente, mas ainda distante das necessidades estimadas pela própria FAB durante os estudos do Programa F-X2.

O comandante da Aeronáutica reconheceu recentemente que a quantidade atualmente contratada não é suficiente para atender plenamente às demandas operacionais do país. Segundo ele, uma frota em torno de 66 Gripen representaria um patamar mais adequado para garantir a cobertura das diversas missões atribuídas à força.

Mesmo com um eventual segundo lote, a FAB continuará operando uma frota relativamente pequena quando comparada à extensão territorial brasileira. Diferentemente de outras forças aéreas, que distribuem suas missões entre diferentes categorias de aeronaves, o Brasil caminha para concentrar praticamente toda sua capacidade de combate em um único modelo.

Sob o ponto de vista tecnológico, porém, o Gripen está entre os caças mais avançados de sua categoria. A aeronave reúne radar AESA Raven ES-05, sensor infravermelho IRST Skyward-G, suíte integrada de guerra eletrônica, enlace de dados de alta velocidade e arquitetura aberta que facilita futuras modernizações. O modelo também apresenta um dos menores custos operacionais entre os modernos caças multifuncionais ocidentais, fator considerado decisivo durante o processo de seleção do Programa F-X2.

Outro diferencial é a filosofia de operação do Gripen. Projetado para exigir reduzido efetivo de manutenção, o caça pode ser reabastecido e rearmado rapidamente, permitindo elevada disponibilidade operacional. Essa característica foi concebida originalmente para atender às necessidades da Força Aérea Sueca, que prioriza dispersão de aeronaves e rápida retomada das operações em cenários de conflito.

Apesar dessas vantagens, especialistas apontam que nenhuma força aérea moderna depende exclusivamente do desempenho da aeronave. A disponibilidade logística torna-se um fator igualmente estratégico.

Embora boa parte da produção esteja sendo nacionalizada, diversos componentes críticos continuam sendo fornecidos por empresas estrangeiras. O motor F414 é fabricado pela norte-americana GE Aerospace, enquanto o radar AESA e diversos sensores eletrônicos envolvem fornecedores europeus. Em um cenário de crises internacionais, sanções econômicas ou interrupções prolongadas nas cadeias globais de suprimentos, a reposição desses sistemas pode sofrer impactos, como ocorreu em diversos setores da indústria durante a pandemia de COVID-19 e em consequência dos conflitos recentes na Europa.

Ao mesmo tempo, a transferência de tecnologia prevista no contrato brasileiro reduz parte dessa dependência. O domínio de processos industriais, desenvolvimento de software, fabricação estrutural e integração de sistemas amplia a autonomia nacional para manutenção e futuras evoluções da aeronave.

Outro desafio envolve a formação de pilotos.

Durante décadas, o AMX funcionou como uma importante etapa intermediária entre os treinadores avançados e os caças de primeira linha. Com sua aposentadoria, a FAB precisará adaptar sua doutrina operacional.

Nesse contexto, o Gripen F assume papel estratégico. A versão biposta, desenvolvida especificamente para atender aos requisitos brasileiros, não se limita ao treinamento. Diferentemente de muitos caças de dois assentos utilizados apenas para instrução, o Gripen F mantém plena capacidade de combate e poderá desempenhar missões complexas de guerra eletrônica, coordenação tática e emprego operacional.

Paralelamente, a FAB continua investindo em simuladores de alta fidelidade e em novos métodos de formação para reduzir custos de treinamento e acelerar a transição dos pilotos para o novo caça.

A opção brasileira reflete uma tendência observada em diversas forças aéreas contemporâneas: privilegiar plataformas altamente capazes em detrimento da quantidade de aeronaves. No entanto, esse modelo exige elevado índice de disponibilidade, planejamento logístico eficiente e investimentos contínuos para evitar que uma frota numericamente reduzida comprometa a capacidade de resposta em cenários de múltiplas ameaças simultâneas.

Nos próximos anos, à medida que os AMX e os F-5M forem retirados de serviço, o F-39 Gripen deixará de ser apenas o mais moderno caça da FAB para se tornar o principal responsável pela defesa aérea e pela capacidade de ataque da aviação de combate brasileira. O sucesso dessa estratégia dependerá não apenas do desempenho da aeronave, mas também da ampliação da frota, da consolidação da produção nacional e da continuidade dos investimentos na Base Industrial de Defesa.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Força Aérea Brasileira chega ao Chile em grande estilo e impressiona; 6 Gripens em formação.

 






Número de caças J-20 na China já é maior que a frota de F-35A da USAF

 

A produção acelerada do caça stealth chinês marca uma mudança histórica no equilíbrio da aviação militar e reforça a crescente capacidade industrial de Pequim diante dos Estados Unidos.


A rápida modernização da aviação militar chinesa atingiu um marco histórico. Pela primeira vez, a frota operacional do caça furtivo Chengdu J-20 da Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLAAF) ultrapassou o número de caças F-35A Lightning II em serviço na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). O feito simboliza o avanço da indústria aeroespacial chinesa e evidencia uma mudança importante no equilíbrio do poder aéreo entre as duas maiores potências militares do mundo.

Estimativas de analistas internacionais apontam que a China já opera mais de 330 J-20, enquanto a USAF mantém pouco mais de 300 F-35A em suas unidades operacionais. Embora o programa F-35 continue sendo o maior do mundo quando consideradas todas as suas variantes e os operadores internacionais, a comparação direta entre as duas forças aéreas revela que Pequim passou a liderar em quantidade de caças furtivos de quinta geração voltados para superioridade aérea.

Esse crescimento é resultado de uma estratégia industrial iniciada há mais de uma década. A Chengdu Aircraft Corporation ampliou significativamente sua capacidade de produção e hoje é capaz de fabricar entre 100 e 120 aeronaves por ano, um ritmo superior ao das aquisições anuais de F-35A pela USAF. A adoção do motor nacional WS-15 nas versões mais recentes do J-20 também representa um avanço importante, reduzindo a dependência chinesa de tecnologia estrangeira e aumentando o desempenho da aeronave.

Inicialmente destinado a poucas unidades de elite, o J-20 passou a equipar diversos comandos da PLAAF, incluindo bases estrategicamente posicionadas para operações no Estreito de Taiwan, no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional. A expansão demonstra que o caça atingiu um elevado grau de maturidade operacional e se tornou a principal plataforma de superioridade aérea da força chinesa.

Outro passo importante foi a introdução do J-20S, versão biposto da aeronave. EEsse modelo poderá desempenhar funções inéditas, como coordenação de aeronaves não tripuladas de combate, guerra eletrônica e missões de longo alcance, aproximando-se do conceito de combate colaborativo que também está sendo desenvolvido pelos Estados Unidos para sua futura geração de caças.

Projetado prioritariamente para missões de superioridade aérea, o J-20 combina grande autonomia, baixa assinatura radar e capacidade de transportar internamente mísseis ar-ar de longo alcance, incluindo o PL-15. O armamento é considerado um dos principais desafios para as forças aéreas ocidentais devido ao seu alcance e à capacidade de engajar alvos antes mesmo de entrar no envelope de disparo de muitos mísseis utilizados pela OTAN.

Enquanto isso, o F-35A continua sendo uma plataforma com características distintas. Desenvolvido para missões multifunção, o caça norte-americano se destaca pela fusão de sensores, pela capacidade de compartilhamento de dados em tempo real e pela integração com uma ampla rede de aeronaves, navios e sistemas terrestres aliados. Essas características fazem do Lightning II um dos principais multiplicadores de força da aviação ocidental.

Apesar da vantagem chinesa em quantidade de J-20, uma comparação baseada apenas no número de aeronaves não retrata completamente o equilíbrio militar. A USAF continua operando uma das forças aéreas mais completas do mundo, com caças F-22 Raptor, F-15EX Eagle II e F-16 modernizados, além de uma extensa frota de aeronaves de reabastecimento em voo, alerta aéreo antecipado, guerra eletrônica e transporte estratégico. A rede global de bases e a experiência operacional acumulada em décadas de missões também permanecem como diferenciais importantes.

Por outro lado, a China vem fortalecendo rapidamente sua estratégia de negação de acesso e área (A2/AD), integrando os J-20 a uma complexa rede de radares, aeronaves de alerta antecipado KJ-500, satélites militares, sistemas de defesa antiaérea e novos mísseis de longo alcance, como o PL-17. Essa combinação busca dificultar a atuação de forças estrangeiras, especialmente em um eventual conflito envolvendo Taiwan.

O cenário tende a se tornar ainda mais competitivo nos próximos anos. Além da continuidade da produção do J-20, Pequim já iniciou a introdução do J-35, um novo caça furtivo destinado tanto à Força Aérea quanto à aviação embarcada da Marinha chinesa. Nos Estados Unidos, o foco estratégico está migrando para o programa Next Generation Air Dominance (NGAD) e para aeronaves não tripuladas colaborativas, que deverão atuar em conjunto com os caças tripulados de sexta geração.

Se o atual ritmo de produção for mantido, a China poderá operar aproximadamente mil J-20 no início da próxima década. Caso essa previsão se confirme, a competição pela superioridade aérea no Indo-Pacífico entrará em uma nova fase, na qual a capacidade industrial, a velocidade de produção e a disponibilidade operacional poderão ser tão decisivas quanto a superioridade tecnológica.

Embraer conquista certificação na Índia e abre caminho para expansão dos E-Jets em um dos maiores mercados do mundo

 

Aprovação da autoridade de aviação civil indiana libera os modelos E190, E195 e E195-E2 para operações comerciais e fortalece a estratégia da fabricante brasileira no país asiático.


A Embraer deu mais um passo importante em sua estratégia de expansão internacional ao obter a certificação de tipo da Direção Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA) para os jatos E190, E195 e E195-E2. A aprovação permite que as aeronaves sejam comercializadas e operadas por companhias aéreas indianas, ampliando significativamente as oportunidades da fabricante brasileira em um dos mercados de aviação que mais cresce no planeta.

A certificação complementa a autorização já existente para o E175, modelo que atualmente integra a frota da Star Air. Com isso, praticamente toda a família de jatos comerciais da Embraer passa a estar disponível para atender à crescente demanda por conectividade regional no país.

Segundo Raul Villaron, diretor de Vendas e Marketing da Embraer Aviação Comercial para a Ásia-Pacífico, a aprovação confirma a competitividade dos E-Jets em um mercado que busca aeronaves eficientes, econômicas e capazes de conectar cidades de médio porte. O executivo destacou que os modelos estão preparados para contribuir com os planos do governo indiano de ampliar a malha aérea regional.

A Índia vive um momento de forte expansão da aviação comercial. O aumento do número de passageiros, os investimentos em infraestrutura aeroportuária e programas governamentais voltados à integração de cidades menores criaram uma demanda crescente por aeronaves com capacidade intermediária, capazes de operar rotas que não justificam o emprego de grandes narrowbodies, mas que exigem desempenho superior ao oferecido por turboélices.

Nesse cenário, o E195-E2 desponta como uma das principais apostas da Embraer. Equipado com motores Pratt & Whitney PW1900G, nova asa de alta eficiência e avanços aerodinâmicos, o modelo oferece redução significativa no consumo de combustível, menores emissões de carbono e níveis de ruído inferiores aos da geração anterior. A fabricante o classifica como o narrowbody de pequeno porte mais eficiente em consumo de combustível disponível atualmente.

Além da eficiência operacional, os E2 também oferecem melhorias para os passageiros. A cabine mantém a configuração 2×2, eliminando os assentos centrais, enquanto os compartimentos superiores de bagagem foram ampliados para acomodar mais malas de mão. O interior também recebeu sistemas modernos de atendimento individual e maior conforto acústico durante o voo.

De acordo com Adity Shekhar, diretor regional de Vendas da Embraer, os E-Jets possuem autonomia para voos de até sete horas e conseguem operar com elevado desempenho em aeroportos com pistas curtas ou infraestrutura limitada. Essa flexibilidade permite que as companhias aéreas desenvolvam novas rotas regionais com custos reduzidos e elevada eficiência operacional.

A certificação também fortalece os planos industriais da Embraer na Índia. Em fevereiro deste ano, a empresa anunciou, em parceria com a Adani Defence & Aerospace, a ampliação de um Memorando de Entendimento para estudar a implantação de uma linha de montagem final do E175 no país. A iniciativa está alinhada ao programa Regional Transport Aircraft (RTA) e à política “Make in India”, voltada ao fortalecimento da indústria aeroespacial nacional.

A presença da Embraer no mercado indiano vem crescendo de forma consistente. Atualmente, aproximadamente 50 aeronaves da fabricante estão em operação no país, distribuídas entre os segmentos de aviação comercial, executiva e de defesa. A Star Air é a principal operadora dos jatos comerciais da empresa, utilizando uma frota composta por E175 e ERJ145 para conectar cidades de menor porte.

Com a aprovação dos modelos E190, E195 e E195-E2, a Embraer amplia seu portfólio disponível para clientes indianos e reforça sua posição em um mercado considerado estratégico para as próximas décadas. As previsões da indústria apontam que a Índia deverá se tornar um dos maiores mercados mundiais para aeronaves comerciais, impulsionada pelo crescimento econômico, pela expansão da classe média e pela necessidade de ampliar a conectividade entre centenas de cidades ainda pouco atendidas pelo transporte aéreo.

FAB afirma que 36 caças Gripen não bastam e aponta necessidade de 66 aeronaves para defender o Brasil

 

Força Aérea afirma que as 36 aeronaves contratadas não atendem às necessidades operacionais do país e reforça expectativa por um novo lote de caças.


A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou oficialmente que a frota de 36 caças F-39 Gripen adquirida pelo Brasil não é suficiente para atender às necessidades de defesa do espaço aéreo nacional. Segundo a instituição, a necessidade operacional é de 66 aeronaves, número considerado adequado para garantir a proteção de um território de dimensões continentais, manter elevados níveis de prontidão e assegurar a disponibilidade necessária para treinamento, manutenção e operações de defesa aérea.

A informação divulgada pelo jornal Metropolis, foi apresentada em resposta do Ministério da Defesa à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e representa a primeira manifestação oficial da FAB estabelecendo a quantidade de caças considerada ideal para cumprir suas missões estratégicas.

O contrato firmado entre Brasil e Saab em 2014 prevê a aquisição de 36 Gripen, sendo 28 monopostos F-39E e oito bipostos F-39F. Além da compra das aeronaves, o acordo incluiu um dos maiores programas de transferência de tecnologia já realizados pelo setor de defesa brasileiro, permitindo que centenas de engenheiros, técnicos e pilotos recebessem treinamento na Suécia e que parte da produção fosse nacionalizada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo.

Desde a entrada em serviço, o Gripen vem ampliando sua capacidade operacional na FAB. O caça já foi certificado para reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium, participou de campanhas de avaliação operacional e vem sendo empregado em exercícios de combate além do alcance visual (BVR), combate aproximado (WVR), defesa aérea e operações integradas com outras plataformas da Força Aérea. O desempenho apresentado durante essas atividades reforçou a confiança da FAB no potencial da aeronave como principal vetor de superioridade aérea do país nas próximas décadas.

Apesar desse avanço, a Aeronáutica destaca que uma frota de apenas 36 aeronaves limita a capacidade operacional da força. Em qualquer aviação militar moderna, parte dos caças permanece indisponível devido a inspeções, revisões programadas, atualizações de sistemas ou treinamento de pilotos e mecânicos. Como consequência, apenas uma parcela da frota permanece disponível para emprego imediato em missões reais, tornando necessária uma quantidade maior de aeronaves para garantir cobertura permanente do território nacional.

A necessidade é ainda mais evidente considerando as dimensões do Brasil. São cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, aproximadamente 7.400 quilômetros de litoral e uma extensa Zona Econômica Exclusiva no Atlântico Sul, conhecida como Amazônia Azul. Esse cenário exige elevada capacidade de resposta para missões simultâneas em diferentes regiões do país.

Nos últimos meses, o governo brasileiro voltou a discutir a ampliação da frota de Gripen. Durante visita oficial à Suécia, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou que o Brasil negocia a aquisição de aproximadamente 20 aeronaves adicionais. Caso a compra seja concluída, a FAB passaria a operar 56 caças Gripen, quantidade superior à prevista no contrato original, mas ainda abaixo da necessidade operacional de 66 aeronaves apontada pela própria instituição.

A expansão do programa também representa ganhos para a Base Industrial de Defesa. Empresas brasileiras já produzem componentes estruturais, sistemas eletrônicos e softwares para o Gripen, enquanto a Embraer participa da integração e da fabricação das aeronaves destinadas à FAB. O conhecimento adquirido durante o programa também fortalece a capacidade nacional de desenvolver tecnologias aeroespaciais avançadas e amplia as oportunidades de participação da indústria brasileira em futuros projetos internacionais.

Equipado com radar AESA Raven ES-05, sensor infravermelho IRST Skyward-G, modernos sistemas de guerra eletrônica, enlace de dados de alta velocidade e arquitetura aberta para integração de novos armamentos, o F-39 Gripen é considerado um dos caças mais avançados em operação na América Latina. Sua combinação de elevada capacidade tecnológica, baixo custo operacional e alta disponibilidade foi um dos fatores decisivos para sua escolha no Programa FX-2.

Embora a eventual aquisição de um segundo lote represente um importante avanço na modernização da aviação de caça brasileira, a posição oficial da FAB deixa claro que o programa Gripen ainda está longe de atingir sua configuração considerada ideal.

A meta de 66 aeronaves demonstra que a renovação da capacidade de defesa aérea do Brasil deverá continuar sendo uma prioridade estratégica ao longo dos próximos anos, dependendo da disponibilidade orçamentária e das decisões do governo federal.