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sábado, 13 de junho de 2026

CEO de aérea asiática destaca Embraer E195-E2 como “caçador de lucros” e ressalta eficiência econômica

 



Barathan Pasupathi, CEO da Jazeera Airways, elogiou o desempenho e a proposta econômica do Embraer E195-E2 após visitar as instalações da Embraer em São José dos Campos, interior de São Paulo.

Em postagem no LinkedIn, Pasupathi relatou sua experiência de voo a bordo do E195-E2 em São José dos Campos, além de conhecer o centro de atendimento ao cliente e as linhas de produção da fabricante brasileira.

O executivo destacou o conforto, o baixo nível de ruído e a configuração interna 2-2, sem assentos centrais, que garantem uma experiência diferenciada aos passageiros. No entanto, o principal destaque foi a eficiência econômica do avião.

“Num setor em que a rentabilidade é construída assento por assento, rota por rota e quilograma por quilograma de combustível, o E195-E2 é um verdadeiro ‘caçador de lucros’”, escreveu Pasupathi. Ele ressaltou que a combinação do alcance, consumo eficiente de combustível e capacidade adequada permite atender mercados grandes demais para aviões regionais convencionais, mas que não justificam o uso de jatos narrowbody maiores.

Para Pasupathi, o sucesso de uma aeronave não está apenas no tamanho, mas em sua capacidade de gerar resultados financeiros consistentes diante dos desafios operacionais e restrições da cadeia global de suprimentos.

Pasupathi também elogiou a excelência industrial da Embraer. O CEO agradeceu à equipe da Embraer pela recepção e pelas discussões técnicas durante a visita, além do apoio de Felix Baes de Faria.

Jatos Embraer E2 são “a opção mais promissora” para renovação da frota da Air Nostrum


Fotomontagem

A companhia aérea regional espanhola Air Nostrum está revisando o futuro de sua frota diante do aumento de seu papel dentro da rede da Iberia. A empresa analisa a possibilidade de substituir seus 31 jatos Bombardier CRJ-1000 por uma nova geração de aeronaves, com destaque para a família E2 da Embraer como uma das opções mais promissoras.

Embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, a avaliação ocorre em um momento de mudanças estratégicas, com a Iberia transferindo rotas domésticas de menor demanda para seus parceiros regionais, como a Air Nostrum.

A adoção da família Embraer E2 representaria uma alternativa moderna, eficiente e com maior capacidade para atender a essas rotas, oferecendo melhorias em desempenho e economia operacional em comparação com os modelos atuais.

A substituição da frota é um projeto de longo prazo, especialmente diante dos atrasos nas entregas pelas fabricantes. Além disso, a recente nomeação de Guillermo González Vallina, ex-executivo da Iberia, como CEO da Air Investment, empresa controladora da Air Nostrum, reforça a intenção de alinhar a estratégia de crescimento e modernização da frota.

Atualmente, a Air Nostrum opera uma frota composta por 31 CRJ-1000 e sete ATR 72-600, com idade média de 11,5 anos. A empresa, fundada em Valência em 1994, transporta mais de 5,5 milhões de passageiros por ano e realiza cerca de 80 mil voos anuais.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Força Aérea Real Australiana dá adeus aos F/A-18A/B Classic Hornets

 F/A-18A and F/A-18A/B Hornet Departure

A Royal Australian Air Force F/A-18A Hornet soars above RAAF Base Tindal, Northern Territory.

Após mais de 30 anos de serviço dedicado à Força Aérea Real Australiana, a frota australiana de F/A-18A/B Classic Hornets aposentou-se para dar lugar ao caça F-35A Lightning II de quinta geração.

Os poucos Classic Hornets que estavam em atividade – que têm sido empregados na defesa da nação desde 1985 – foram retirados de serviço. A cerimônia ocorreu no dia 29 de novembro na Base de Williamtown e contou com a participação do Ministro da Defesa, Hon Peter Dutton MP, o Chefe da Força Aérea, Marechal do Ar Mel Hupfeld, aviadores da força e parceiros da indústria.

As aeronaves pertenciam ao No. 75 Squadron, baseado em Tindal, perto de Katherine no Território do Norte; e foi o último esquadrão de Classic Hornet a mudar para o F-35A.

O marechal do ar Hupfeld, piloto de F/A-18A/B e instrutor de combate de caça, elogiou a capacidade extraordinária que os Classic Hornets proporcionaram ao poder aéreo australiano e a contribuição que eles deram em tantos teatros de combate.

“É bastante apropriado que no ano do Centenário da Força Aérea nós possamos nos despedir do Classic Hornet, um caça a jato que tem sido parte integrante da capacidade de defesa da Austrália por mais de três décadas”, disse ele.

“À medida que o tempo do Classic Hornet chega ao fim após quase 408.000 horas de voo no total, é hora de fazer a transição para a letalidade avançada, capacidade de sobrevivência e suporte entregues pelo F-35A Lightning II

O marechal Hupfeld também observou que o Classic Hornet foi uma aeronave especial para a Força Aérea e uma peça importante da história da aviação australiana.

“O primeiro desdobramento operacional do Hornet ocorreu entre novembro de 2001 e maio de 2002 sob a Operação Slipper, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Aeronaves Hornet F/A-18A da Força Aérea Real Australiana voam em formação sobre a Base da RAAF em Tindal, Território do Norte
F/A-18A Hornet com pintura especial

“O governo australiano concordou em desdobrar os F/A-18A/B para proteger a principal base aérea da Força Aérea dos Estados Unidos na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, que estava sendo usada para realizar operações no Afeganistão, disse o marechal Hupfeld.

“Em fevereiro de 2003, tive o privilégio e a honra de comandar pessoalmente o contingente de 14 Hornets e o pessoal do Esquadrão No. 75 que foi desdobrado no Iraque sob a Operação Falconer como parte da contribuição da Austrália para a guerra contra o terrorismo.

Este foi o primeiro desdobramento operacional de combate de caças australianos desde a Guerra da Coreia, e nossos aviadores e aeronaves tiveram um desempenho acima das expectativas.”

O Comandante da RAAF, Vice-Marechal Joe Iervasi, AM, CSC, também um experiente piloto de F/A-18A/B, refletiu sobre o emprego operacional mais recente do Classic Hornet e o futuro da capacidade de combate aéreo da Austrália.

“De 2014 a 2018, os esquadrões de F/A-18A/B Hornet foram desdobrados na Operação Okra como parte da Coalizão Global para derrotar o Daesh.

“Mais uma vez com desempenho acima das expectativas, na Okra, os Classic Hornets voaram em 1.937 missões, acumulando 14.780 horas de voo e lançando aproximadamente 1.600 munições”, disse o vice-marechal Iervasi.

“Embora eu esteja triste por ver esta incrível aeronave encerrar seu papel de sentinela dos céus australianos, é um momento emocionante para a Força Aérea ao entrarmos em nosso segundo século com o F-35A entregando poder aéreo de combate como parte de uma força conjunta em rede, para assegurar a capacidade da ADF de deter ou derrotar ameaças aos interesses da Austrália.”

F/A-18B Hornet

Grécia decide adquirir três aeronaves C-390 Millennium da Embraer

 

País avança na compra de três aeronaves avaliadas em até 600 milhões Jude euros e reforça a presença do C-390 entre as forças aéreas da OTAN.


A Grécia está prestes a se tornar mais um operador do C-390 Millennium, consolidando a trajetória de crescimento internacional do cargueiro militar desenvolvido pela Embraer. O governo grego encaminhou ao Parlamento um programa de aquisição de três aeronaves avaliado entre 550 milhões e 600 milhões de euros, incluindo treinamento, suporte logístico, infraestrutura e serviços associados.

A iniciativa faz parte de um amplo plano de modernização das Forças Armadas da Grécia, que prevê investimentos estimados em cerca de 28 bilhões de euros até 2036.

O objetivo é renovar capacidades estratégicas consideradas essenciais para atender às exigências operacionais da OTAN e responder aos desafios de segurança no Mediterrâneo Oriental.

A futura aquisição do C-390 surge como resposta aos problemas enfrentados pela envelhecida frota de transporte da Força Aérea Helênica. Os C-130H Hercules atualmente em operação acumulam décadas de serviço e sofrem com baixos índices de disponibilidade, altos custos de manutenção e dificuldades para obtenção de peças de reposição. Embora a Grécia também opere aeronaves C-27J Spartan, a necessidade de uma plataforma com maior capacidade de carga, alcance e versatilidade tornou-se prioridade nos últimos anos.

O interesse grego pelo cargueiro brasileiro ganhou força após uma série de avaliações técnicas e visitas de autoridades militares a países que já operam a aeronave. Em maio deste ano, durante uma visita oficial a Portugal, o ministro da Defesa da Grécia, Nikos Dendias, confirmou publicamente o interesse na aquisição do C-390, destacando a experiência positiva dos operadores europeus e a crescente integração da aeronave às operações da OTAN.

Portugal desempenha um papel relevante no programa, já que a OGMA, empresa portuguesa controlada pela Embraer, fabrica componentes estruturais importantes do C-390. A participação industrial portuguesa e os resultados operacionais obtidos pela Força Aérea Portuguesa ajudaram a fortalecer a credibilidade da aeronave junto às autoridades gregas.

Paralelamente às negociações, a Embraer também ampliou sua cooperação com a indústria de defesa da Grécia. A fabricante brasileira assinou recentemente um Memorando de Entendimento com a Hellenic Aerospace Industry (HAI), estabelecendo as bases para futuras atividades de manutenção, reparo e suporte da aeronave em território grego. O acordo permitirá que a indústria local participe diretamente do ciclo de vida da frota e contribua para a autonomia operacional do país.

O avanço das negociações representa mais uma conquista para o programa C-390 Millennium, que vem registrando uma sequência de vitórias no mercado internacional. Caso o contrato seja concluído, a Grécia se tornará o 13º país a selecionar a aeronave, reforçando ainda mais sua presença na Europa.

O crescimento do número de operadores europeus tem sido um dos principais fatores de sucesso do programa. Além de Brasil, Portugal e Hungria, o C-390 já foi escolhido por Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Eslováquia, Lituânia e Emirados Árabes Unidos. Essa expansão fortalece a interoperabilidade entre aliados da OTAN e cria uma rede internacional de suporte logístico e operacional.

Um diferencial que tem atraído novos clientes para o C-390 é o elevado índice de disponibilidade operacional apresentado pelos operadores atuais. A Embraer destaca que a aeronave foi projetada para reduzir o tempo de manutenção e aumentar a prontidão das frotas, um aspecto cada vez mais valorizado pelas forças aéreas que precisam manter altos níveis de operacionalidade.

O cenário internacional também favorece a expansão do programa. O aumento das tensões geopolíticas na Europa, aliado à necessidade de substituição de centenas de aeronaves de transporte que se aproximam do fim de sua vida útil, está impulsionando novos investimentos em capacidade logística militar. Diversos países buscam alternativas modernas para substituir frotas antigas de C-130 Hercules e outros cargueiros desenvolvidos durante a Guerra Fria.

Além da Europa, a Embraer continua promovendo o C-390 em campanhas estratégicas na Ásia, Oriente Médio e América Latina. A recente encomenda dos Emirados Árabes Unidos abriu uma importante porta de entrada para a região, enquanto negociações seguem em andamento com diversos países interessados em renovar suas capacidades de transporte aéreo militar.

Para a indústria aeroespacial brasileira, a possível entrada da Grécia no programa representa mais uma demonstração da competitividade internacional do C-390 Millennium, que vem se consolidando como uma das principais aeronaves de transporte militar do mundo e um dos maiores sucessos de exportação da história da Embraer

A Embraer já faz jatos na metade do tempo. O desafio agora é dobrar a receita até 2030

 Fabricante brasileira projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões neste ano, para chegar a US$ 10 bilhões no início da próxima década




SÃO JOSÉ DOS CAMPOS — A Embraer reduziu em até 50% o tempo necessário para fabricar alguns de seus modelos de jatos executivos desde 2021 e agora quer transformar essa eficiência em combustível para dobrar sua receita até o final da década.

Para isso, a empresa tem atacado a redução do chamado lead time de produção, que é o tempo entre o início e a conclusão de uma aeronave. Desde 2021, a companhia aplica uma metodologia chamada VSEM (Value Stream Mapping), que mapeia cada etapa do processo produtivo e elimina atividades que não agregam valor.

Os resultados aparecem nos números: o tempo de fabricação dos jatos executivos caiu 45% no período. No modelo Praetor, o corte foi ainda mais acentuado, de 17 meses para 8,5 meses, uma redução de 50%. Na divisão de defesa, o ganho foi de 34%; na aviação comercial, de 28%.

“Queremos ser o fabricante original de equipamentos (Original Equipment Manufacturer) mais eficiente do mundo”, disse Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, durante evento para veículos nacionais e internacionais, entre eles o InvestNews, realizado na sede da empresa, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (10).

Gomes Neto e o CFO Felipe Santana apresentaram detalhes da carteira de pedidos recorde que a companhia registrou no primeiro trimestre, mostrando que não restam nem sombras da tentativa frustrada de aquisição feita pela Boeing, que colocou a empresa brasileira em certa letargia entre 2018 e 2020. “A Embraer está mais forte do que nunca”, resume o CEO.

Desafios na fábrica

A iniciativa de diminuir o tempo de produção tem efeito direto na capacidade industrial. Ao fazer mais aeronaves nos mesmos espaços e com os mesmos ativos, a empresa aumenta o volume sem precisar expandir proporcionalmente a estrutura física, embora também invista em novos equipamentos, como cabines de pintura e áreas de preparação de estruturas.

O segundo desafio operacional é o nivelamento das entregas ao longo do ano. Historicamente, a Embraer concentra grande parte de suas entregas no quarto trimestre, especialmente em dezembro, o que pressiona margens e fluxo de caixa.

A empresa trabalha para distribuir melhor essa produção, com 2027 sendo o ano-alvo para uma mudança mais significativa nesse padrão. “Nosso CFO está sorrindo porque espera isso há muitos anos”, brincou Gomes.

Carteira de pedidos

A carteira de pedidos firmes, o chamado backlog (termo em inglês para o total de encomendas já contratadas e ainda não entregues) encerrou o primeiro trimestre de 2026 em US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde consecutivo e 22% acima do mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela companhia em maio. O valor equivale a quatro ou cinco anos de produção.

Incluindo opções e direitos de compra, o número sobe para US$ 52 bilhões. Ainda não estão contabilizados nessa cifra os 10 aviões cargueiros KC-390 anunciados para os Emirados Árabes Unidos nem os 15 jatos E2 para a Azorra.

O backlog está distribuído entre todos os segmentos: aviação comercial, executiva, defesa e serviços. A divisão executiva, sozinha, soma US$ 7,6 bilhões em pedidos, também um recorde histórico.

Projeções

Para 2026, a Embraer projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, cerca de US$ 1 bilhão acima do recorde registrado em 2025 (US$ 7,6 bilhões). A empresa espera uma margem de lucro operacional entre 8,7% e 9,3%, com ponto médio de 9%. O fluxo de caixa livre, ou seja, o dinheiro que entra de fato, deve superar US$ 200 milhões no ano.

O CFO Felipe Santana destacou a transformação da estrutura financeira da companhia nos últimos anos. A Embraer encerrou 2025 com caixa líquido, ou seja, com mais recursos em caixa do que dívidas, pela primeira vez em 12 anos. Além disso, o prazo médio da dívida passou de 3,7 anos em 2021 para mais de 9 anos, reduzindo a pressão de pagamentos no curto prazo. A alavancagem líquida (indicador que mede o nível de endividamento em relação à geração de caixa) caiu a zero.

Segundo o CFO, o avanço das vendas veio acompanhado de ganhos de rentabilidade. Na prática, a cada US$ 1 bilhão adicional de receita, a Embraer acrescentou mais de US$ 100 milhões ao lucro operacional – o Ebit, aquele que vem antes do pagamento de impostos e de juros de dívida.

A companhia também recuperou sua classificação de crédito para um nível acima do grau de investimento, selo concedido a empresas consideradas de baixo risco de inadimplência, ficando em linha ou acima de concorrentes globais do setor aeroespacial, segundo o executivo.

Meta de longo prazo

O horizonte mais ambicioso é chegar a uma receita de dois dígitos em bilhões de dólares, ou seja, acima de US$ 10 bilhões, antes de 2030, com base no portfólio atual. Após essa data, o crescimento seria turbinado por novos produtos, incluindo o eVTOL da subsidiária EVE, cujo primeiro voo ocorreu em dezembro de 2025 e cuja entrada em serviço está prevista para até o final de 2028.

Para sustentar esse crescimento, a Embraer diz investir em sete frentes tecnológicas: emissão zero, voo autônomo, competitividade de estruturas, Indústria 4.0, cibersegurança, inteligência artificial e experiência do passageiro.

Apesar do cenário favorável, analistas do Itaú BBA recomendam compra das ações da Embraer e têm preço-alvo de US$ 70, acima dos níveis atuais de negociação. Na avaliação do banco, o principal risco para a tese é uma deterioração do cenário geopolítico global, que poderia manter os preços dos combustíveis elevados por mais tempo e levar companhias aéreas a adiar ou cancelar pedidos.

Gomes, CEO da Embraer, reconheceu a preocupação, mas afirmou que ainda não há sinais concretos de impacto sobre a demanda da fabricante.

“Vemos uma forte inquietação entre as aéreas por causa do preço do combustível”, disse o executivo. “Mas, por enquanto, nenhum cliente pediu para atrasar entregas.”

Voa o primeiro Kfir C12 modernizado da Força Aérea do Sri Lanka

 Voa o primeiro Kfir C12 modernizado da Força Aérea do Sri Lanka

A Força Aérea do Sri Lanka realizou com sucesso o primeiro voo de teste de seu caça Kfir C12 modernizado, marcando uma etapa importante no retorno à operação da frota de combate do país. O voo ocorreu na Base Aérea de Katunayake, após a conclusão de uma fase de validação em solo, integração de sistemas e testes técnicos do programa de modernização.

A aeronave modernizada recebeu aviônicos avançados e capacidades multimissão aprimoradas, fortalecendo a defesa aérea do Sri Lanka e a prontidão futura da força. Segundo a SLAF, o Kfir C12 atualizado terá capacidades ampliadas em missões ar-ar e ar-solo, transformando a frota em uma plataforma de combate multimissão mais versátil, adequada a um espectro mais amplo de requisitos operacionais.

O voo de teste representa um marco no programa de atualização dos Kfir, conduzido em cooperação com a Israel Aerospace Industries. O acordo, anunciado em 2021 e avaliado em US$ 50 milhões, prevê a modernização das aeronaves Kfir da Força Aérea do Sri Lanka, com substituição dos aviônicos básicos por sistemas equivalentes aos de caças de geração 4+, além da integração de radar avançado, sensores, comunicações e novos capacetes.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, o programa abrange quatro caças Kfir C2/C7 e um treinador TC2, todos sendo atualizados para o padrão avançado Kfir C12. A modernização também envolve a participação de técnicos da Força Aérea do Sri Lanka ao lado de especialistas da IAI, em atividades de integração, testes, validação e preparação para manutenção de longo prazo.

Além de recuperar a capacidade operacional dos caças, o projeto busca fortalecer a base técnica local. Parte do trabalho vem sendo realizada no Sri Lanka, com transferência de conhecimentos essenciais para a manutenção e sustentação dos sistemas modernizados.

O Kfir, desenvolvido originalmente pela Israel Aircraft Industries, é um caça multifunção derivado do Mirage 5, equipado com aviônicos israelenses e motor General Electric J79. O modelo foi empregado pela Força Aérea do Sri Lanka em missões de ataque e defesa aérea, especialmente por meio do Esquadrão nº 10.■


Apresentação do primeiro F-39F Gripen, versão biposto desenvolvida com participação brasileira

 Gripen F

A Saab apresentou oficialmente no dia 2 de junho, em Linköping, na Suécia, o primeiro caça Gripen F destinado à Força Aérea Brasileira, marcando uma nova etapa do Programa Gripen e da cooperação estratégica entre Brasil e Suécia. A aeronave, designada F-39F pela FAB, é a versão biposto da família Gripen E/F e foi desenvolvida para combinar treinamento avançado, conversão operacional e capacidade de combate em uma mesma plataforma.

A apresentação do primeiro F-39F representa um marco especial para o Brasil, que atuou como cliente lançador da versão de dois lugares. Diferentemente de uma aeronave de treinamento convencional, o Gripen F mantém as principais capacidades operacionais do Gripen E, mas acrescenta um segundo cockpit totalmente funcional, permitindo a atuação de dois tripulantes em missões de instrução, avaliação, comando tático e emprego operacional.

Segundo a Saab, o novo modelo foi desenvolvido em parceria com a indústria brasileira e busca acelerar a formação de pilotos, ao mesmo tempo em que amplia a eficiência operacional em cenários complexos. A presença de um segundo tripulante permite dividir a carga de trabalho em missões de maior complexidade, especialmente em operações que envolvam múltiplos sensores, guerra eletrônica, emprego de armamentos inteligentes e coordenação com outras aeronaves e unidades em terra ou no mar.

O F-39F também tem papel importante na transição dos pilotos brasileiros para a nova geração de caças da FAB. A aeronave permitirá que instruções e missões de conversão sejam realizadas em um caça plenamente operacional, oferecendo ao piloto em formação condições reais de voo e emprego tático, com acompanhamento direto de um instrutor no segundo assento.

O programa brasileiro prevê a aquisição de 36 aeronaves Gripen, sendo 28 Gripen E monopostos e 8 Gripen F bipostos. As entregas começaram em 2020 e o caça já opera no Brasil a partir da Base Aérea de Anápolis, em Goiás, com o 1º Grupo de Defesa Aérea, Esquadrão Jaguar.

Além da modernização da aviação de caça da FAB, o Programa Gripen é considerado um dos mais abrangentes acordos de transferência de tecnologia já realizados pelo Brasil na área de defesa. A iniciativa envolveu a capacitação de centenas de engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros, bem como a participação de empresas nacionais em áreas de desenvolvimento, produção, ensaios em voo, manutenção e suporte ao longo do ciclo de vida da aeronave.

A indústria brasileira participa do programa por meio de empresas como Embraer, Akaer, Atech, AEL Sistemas e unidades da própria Saab no Brasil. Em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, a Embraer abriga a linha de produção do Gripen no país, o Centro de Ensaios em Voo do Gripen e o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen. Já em São Bernardo do Campo, a Saab mantém uma fábrica de aeroestruturas dedicada à produção de partes do caça.

Após a apresentação em Linköping, o primeiro Gripen F seguirá para o centro de ensaios em voo da Saab, na Suécia, onde iniciará uma campanha específica de testes antes da entrega definitiva à Força Aérea Brasileira. Essa fase será fundamental para validar a configuração biposto, os sistemas embarcados e a integração da aeronave aos requisitos operacionais da FAB.

Com a chegada do Gripen F, a FAB passará a contar com uma aeronave capaz de apoiar a formação de novos pilotos de caça e, ao mesmo tempo, executar missões operacionais de alta complexidade.■