Após acidente e durante a modernização para o padrão B-52J, Força Aérea dos Estados Unidos avalia reativar aeronaves aposentadas para manter sua capacidade operacional
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) estuda retirar da aposentadoria alguns bombardeiros estratégicos B-52H Stratofortress armazenados no deserto do Arizona para reforçar sua frota operacional. A medida surge em meio ao amplo programa de modernização da aeronave para o padrão B-52J e após a perda de um exemplar utilizado em testes, reduzindo a disponibilidade de aeronaves para missões e desenvolvimento.
A possibilidade foi confirmada pelo comandante do Air Force Global Strike Command, general Thomas Bussiere, durante um encontro com jornalistas na conferência da Air & Space Forces Association. Segundo o oficial, a recuperação de aeronaves preservadas no complexo de armazenamento de Davis-Monthan está sendo analisada como uma alternativa para compensar perdas recentes e garantir que a frota mantenha sua capacidade operacional durante a transição para a nova versão do bombardeiro.
O tema ganhou destaque após o acidente ocorrido em junho deste ano com um B-52H empregado como plataforma de testes do novo radar AESA AN/APQ-188. A aeronave caiu durante um voo na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, resultando na morte dos oito tripulantes e afetando diretamente o cronograma de desenvolvimento dos novos sistemas. Apesar disso, a USAF afirma que o programa de modernização seguirá conforme o planejado.
Embora ainda não exista uma decisão oficial, a recuperação de bombardeiros aposentados é considerada tecnicamente viável. As aeronaves armazenadas em Davis-Monthan permanecem preservadas em excelentes condições graças ao clima seco do deserto e aos rigorosos procedimentos de conservação adotados pela Força Aérea norte-americana, permitindo que algumas delas possam voltar ao serviço após inspeções e revisões.

A necessidade de manter uma frota numerosa está diretamente ligada ao programa B-52J, a maior modernização já realizada no Stratofortress desde sua entrada em operação. O projeto substituirá os antigos motores Pratt & Whitney TF33 por modernos Rolls-Royce F130, além de incorporar um radar AESA de última geração, novos sistemas digitais de missão, comunicações, navegação e melhorias estruturais que permitirão manter a aeronave em serviço até pelo menos a década de 2050.
Nos últimos meses, o programa atingiu um marco importante com a conclusão da Critical Design Review (CDR), etapa que libera o início das modificações das primeiras aeronaves de teste. A expectativa é que toda a frota operacional seja convertida para o padrão B-52J ao longo da próxima década, reduzindo custos de manutenção, aumentando a confiabilidade e ampliando a disponibilidade operacional.
Atualmente, a USAF opera cerca de 75 B-52H. Mesmo tendo realizado seu primeiro voo em 1952 e entrado em serviço em 1955, o Stratofortress continua sendo um dos principais pilares da tríade nuclear dos Estados Unidos e também desempenha papel essencial em missões convencionais de longo alcance. A aeronave poderá empregar armamentos modernos, como os mísseis AGM-158 JASSM e futuras armas hipersônicas, garantindo sua relevância em cenários de alta intensidade.
Enquanto o novo bombardeiro furtivo B-21 Raider começa a ingressar lentamente na frota para substituir os B-1B Lancer e, futuramente, parte dos B-2 Spirit, não existe um sucessor direto para o B-52. Por isso, além da modernização da aeronave, a Força Aérea dos Estados Unidos já iniciou estudos para definir os requisitos de um futuro bombardeiro estratégico que possa assumir essa missão nas próximas décadas.
Caso a reativação dos exemplares armazenados seja aprovada, o Stratofortress reforçará ainda mais sua impressionante trajetória operacional. Projetado no início da Guerra Fria, o B-52 caminha para completar um século de serviço militar, consolidando-se como uma das aeronaves de combate mais longevas e bem-sucedidas da história da aviação.


























