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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Turboélice russo Il-114-300 encara frio extremo na Sibéria a –30°C e avança rumo à certificação

 

 

O novo turboélice regional russo Il-114-300 iniciou uma importante etapa de ensaios em voo ao chegar ao Aeroporto Internacional de Yakutsk, na Sibéria, onde temperaturas próximas de –30°C servem como cenário real para validar a operação da aeronave em ambientes extremos.

A campanha faz parte da fase final de testes antes da certificação, considerada crucial para comprovar a confiabilidade do modelo em regiões remotas do Extremo Norte russo, onde aeroportos isolados e clima severo fazem parte da rotina operacional.

Engenheiros e especialistas acompanham de perto o comportamento dos sistemas, da estrutura e dos motores TV7-117ST-01 durante partidas em solo, taxiamento e voos sob frio intenso, avaliando desde o desempenho dos componentes eletrônicos até a resposta aerodinâmica em condições de gelo natural. Embora a temperatura já esteja em níveis extremos, a equipe aguarda períodos ainda mais frios para registrar os limites mínimos operacionais e ampliar o envelope de certificação da aeronave.

O Il-114-300 representa uma modernização significativa do clássico Il-114, com aviônicos digitais atualizados, cabine revisada e maior uso de materiais compostos.

Projetado para transportar cerca de 68 passageiros, o modelo foi pensado para rotas regionais de baixa densidade, especialmente em áreas com infraestrutura limitada, pistas curtas ou até não pavimentadas. A aeronave também recebeu novas hélices de seis pás e melhorias estruturais destinadas a aumentar a eficiência e reduzir custos operacionais em ambientes severos.

Nos últimos anos, o programa ganhou importância estratégica dentro da indústria aeronáutica russa, principalmente após as restrições internacionais que afetaram a disponibilidade de aeronaves estrangeiras e peças importadas.

O Il-114-300 surge como parte de um esforço maior para substituir modelos antigos como o An-24 e diminuir a dependência de turboélices ocidentais utilizados por companhias domésticas. Autoridades do setor consideram o projeto essencial para revitalizar a malha aérea regional, conectando comunidades isoladas e fortalecendo a aviação civil em regiões árticas.

A campanha de testes em Yakutsk ocorre paralelamente a uma fase avançada do processo de certificação, que já acumulou centenas de voos experimentais em diferentes cenários climáticos, incluindo calor extremo e operações em aeroportos desafiadores.

A expectativa da indústria é concluir as etapas finais e abrir caminho para o início das entregas comerciais na segunda metade da década, com planos de produção em série para atender à demanda interna por aeronaves regionais fabricadas localmente.

Mais do que um simples ensaio em clima frio, a presença do Il-114-300 na Sibéria simboliza a tentativa da Rússia de reconstruir sua autonomia na aviação regional, apostando em um turboélice projetado para enfrentar temperaturas extremas e operar onde poucos aviões comerciais conseguem atuar com regularidade. 

Embraer acelera parceria com Mahindra e avança com o C-390 Millennium para substituir cargueiros da Força Aérea Indiana

 


A Embraer e o grupo indiano Mahindra deram novos passos no desenvolvimento conjunto da proposta do C-390 Millennium para o programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Índia, considerado uma das maiores oportunidades atuais do mercado de transporte militar.

Reuniões realizadas em Bengaluru reuniram executivos e equipes técnicas das duas empresas para alinhar estratégias industriais, requisitos operacionais e o planejamento de produção local da aeronave, reforçando a aposta em uma parceria que combina transferência de tecnologia, fortalecimento da indústria nacional indiana e expansão internacional da fabricante brasileira.

O projeto prevê que o C-390 seja fabricado em território indiano para atender às necessidades da Força Aérea Indiana, que busca substituir parte de sua frota envelhecida e ampliar sua capacidade logística estratégica.

O programa MTA pode envolver a aquisição de dezenas de aeronaves ao longo dos próximos anos, em um processo que inclui avaliação técnica, competitividade de custos e o nível de participação da indústria local, fator decisivo dentro das políticas “Make in India” e “Atmanirbhar Bharat”, voltadas à autossuficiência em defesa.

A cooperação entre Embraer e Mahindra evoluiu rapidamente desde o memorando de entendimento assinado para explorar a produção do cargueiro no país asiático. O objetivo é criar uma cadeia industrial robusta que inclua montagem, manutenção e suporte logístico, além de desenvolver fornecedores locais capazes de integrar o ecossistema global do C-390.

Para a Embraer, o avanço do projeto representa uma oportunidade estratégica de ampliar sua presença na Ásia, enquanto para a Mahindra significa fortalecer sua atuação no setor aeroespacial e expandir capacidades tecnológicas.

O C-390 Millennium tem sido apresentado como uma plataforma multimissão capaz de executar transporte de cargas e tropas, evacuação aeromédica, reabastecimento em voo e operações humanitárias, além de atuar em pistas semipreparadas e ambientes operacionais complexos. Com capacidade de carga próxima a 26 toneladas e velocidade superior à de cargueiros turboélice tradicionais, a aeronave se posiciona como uma alternativa moderna para forças aéreas que buscam maior eficiência operacional e custos de manutenção reduzidos.

O avanço das negociações ocorre em um cenário de forte competição internacional, já que a Índia avalia opções consagradas no mercado global. Ainda assim, o foco na produção local e na transferência de conhecimento tecnológico pode representar um diferencial importante para a proposta liderada pela Embraer.

A empresa brasileira também vem ampliando sua presença no país com investimentos em engenharia e suporte, sinalizando que vê o mercado indiano como peça-chave em sua estratégia de crescimento global.

Caso o projeto avance para as próximas fases, a produção do C-390 na Índia poderá se tornar um marco na cooperação industrial entre Brasil e Índia, com potencial para gerar empregos qualificados, impulsionar a indústria aeroespacial local e consolidar o cargueiro brasileiro como um dos principais protagonistas no segmento de transporte militar de médio porte nas próximas décadas.

A Embraer revela detalhes sobre um possível novo jato executivo antes do anúncio oficial em 24 de fevereiro.

 Especulações de mercado apontam para aeronaves maiores que o Praetor 600, enquanto fabricante brasileira sinaliza uma “nova era”.

Teaser da Embraer
Teaser da Embraer (Embraer)

Um breve vídeo publicado nas redes sociais mostra a silhueta de uma aeronave sob baixa luminosidade, com as janelas da cabine iluminadas e um efeito de contagem regressiva. O link direciona os espectadores para uma página de inscrição para um evento virtual agendado para 24 de fevereiro às 16h GMT, onde a Embraer promete um anúncio que “marca uma nova era da aviação privada”.

A imagem usada para promover o evento mostra o perfil sombreado de uma aeronave, mas não indica claramente se a empresa está se preparando para apresentar um modelo totalmente novo ou uma evolução significativa de uma plataforma existente.


Observadores do setor especulam há tempos que a Embraer poderia expandir seus horizontes além da atual família Praetor. O Praetor 600 é atualmente o maior jato executivo em produção da empresa, posicionado na categoria supermédio. A Embraer deixou o segmento de cabine grande em 2020, quando a produção do Lineage 1000E foi encerrada .

Embraer Lineage 1000E (Markus Eigenheer)

Em seu encontro com investidores em Nova York, em outubro de 2025, o CEO da Embraer Executive Jets, Michael Amalfitano, não descartou a entrada no mercado de jatos executivos de grande porte, embora tenha enfatizado que qualquer ingresso exigiria uma clara diferenciação. Ele afirmou que a empresa não lançaria um produto "igual aos outros" caso decidisse competir com empresas já consolidadas como Gulfstream, Bombardier e Dassault.

Analistas de mercado argumentam que existe uma lacuna na extremidade inferior do segmento de cabine grande, onde algumas aeronaves mais antigas ainda estão em serviço. A Embraer não confirmou se o evento de 24 de fevereiro abordará esse segmento.

O momento é notável, visto que a divisão de jatos executivos da Embraer fortaleceu sua posição financeira nos últimos anos, beneficiando-se da demanda sustentada nas categorias de jatos leves e médios. No entanto, o desenvolvimento de um jato de cabine grande totalmente novo exigiria investimentos substanciais e competiria por capital com outras iniciativas estratégicas, incluindo estudos relacionados a futuros programas de aeronaves comerciais.

A Embraer se prepara para entregar os primeiros A-29 Super Tucanos ao Uruguai.

 A Força Aérea Uruguaia inicia o processo de aceitação no Brasil; encomenda totaliza seis aeronaves.

Um dos aviões A-29 Super Tucano do Uruguai.
Um dos aviões A-29 Super Tucano do Uruguai (FAU)

A FAU publicou uma imagem de duas aeronaves nas instalações da Embraer no Brasil e afirmou: “Desde ontem, o processo formal de aceitação da aeronave A-29 Super Tucano teve início oficialmente na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, Brasil.”

As aeronaves receberão os números de série FAU 250 e FAU 251. A previsão é que entrem em serviço no Esquadrão Aéreo nº 2 da Brigada Aérea II em Durazno.


Atualmente, a unidade opera jatos Cessna A-37B Dragonfly, que serão substituídos com a entrada em operação das aeronaves turboélice.

A-29 Super Tucano da Força Aérea Uruguaia (Embraer)

 O A-29 é utilizado em missões de vigilância, patrulha, reconhecimento e ataque leve, incluindo operações contra voos ilícitos ligados ao contrabando e ao tráfico de drogas. A aquisição pelo Uruguai segue-se a entregas recentes do mesmo modelo ao Paraguai e a Portugal.

O Uruguai estruturou a aquisição em duas etapas. Em agosto de 2024, assinou um contrato para uma aeronave com opções para mais cinco unidades. Em janeiro de 2025, a Força Aérea exerceu essas opções , confirmando um pedido total de seis A-29 Super Tucanos.

A Spirit Airlines busca aprovação judicial para leiloar 20 jatos Airbus A320.

 A oferta inicial avalia a aeronave em US$ 533,5 milhões, com o leilão previsto para abril como parte do processo de reestruturação da empresa sob o Capítulo 11.

Airbus A320neo da Spirit Airlines
Airbus A320neo da Spirit Airlines (Spirit Airlines)

A companhia aérea de baixo custo entrou com um pedido na corte federal de falências buscando aprovação para prosseguir com a venda. De acordo com documentos judiciais citados pela Reuters, a gestora de ativos de aviação CSDS Asset Management apresentou uma oferta inicial de aproximadamente US$ 533,5 milhões pelas 20 aeronaves.

Nos termos do acordo proposto, a Spirit solicitará ofertas concorrentes a partir de cerca de 554 milhões de dólares. O leilão e a audiência final de venda deverão ocorrer em abril, sujeitos à aprovação do tribunal.


A companhia aérea afirmou que as aeronaves estão à venda há algum tempo e que a maioria não está atualmente em serviço comercial. Se aprovadas, as aeronaves começarão a ser retiradas da frota a partir de abril de 2026.

A Spirit declarou que os recursos da transação serão utilizados para amortizar dívidas relacionadas às aeronaves e para melhorar a liquidez. A companhia aérea acrescentou que não espera que a venda afete sua programação de voos a curto prazo, visto que a maioria dos 20 A320 não está em operação.

A venda ocorre em um momento em que a Spirit enfrenta seu segundo pedido de falência em menos de dois anos. A companhia aérea buscou proteção contra falência (Capítulo 11) pela primeira vez em novembro de 2024 e concluiu uma reestruturação em março de 2025, antes de entrar com um novo pedido em agosto de 2025, em meio à contínua pressão financeira e à redução da capacidade.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Índia amplia vigilância marítima com encomenda de oito aeronaves Dornier 228 para a Guarda Costeira

 


A Índia segue fortalecendo suas capacidades de patrulha aérea marítima após o Ministério da Defesa confirmar a assinatura de um contrato com a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) para a produção de oito aeronaves Dornier 228 destinadas à Guarda Costeira Indiana.

Avaliado em cerca de 280 milhões de dólares, o acordo faz parte da política de aquisições “Make in India”, que prioriza a produção local e exige alto índice de conteúdo nacional, estimado em mais de 70%.

A fabricação das aeronaves será realizada pela divisão de transporte da HAL em Kanpur, reforçando a estratégia do governo indiano de ampliar a autonomia industrial no setor de defesa e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. O programa também impulsiona a cadeia produtiva doméstica ao envolver diversos fornecedores locais responsáveis por sistemas eletrônicos, estruturas e equipamentos de missão.

Projetado para operar em ambientes marítimos exigentes, o Dornier 228 é um biturboélice leve reconhecido pela capacidade de decolagem e pouso curtos, o que permite missões a partir de pistas remotas e bases avançadas ao longo da extensa costa indiana.

As novas unidades deverão incorporar sensores modernos, incluindo radar marítimo multimodo, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos e equipamentos de identificação automática de embarcações, aumentando a eficiência na vigilância da zona econômica exclusiva e no monitoramento de atividades ilegais.

Além da função de patrulha costeira, o modelo desempenha tarefas de busca e salvamento, evacuação médica, monitoramento ambiental e apoio a operações de segurança marítima. As versões mais recentes contam com cockpit digital e sistemas integrados de missão capazes de transmitir dados em tempo real para centros de comando e unidades navais, ampliando a consciência situacional e a rapidez na tomada de decisões durante operações.

Atualmente, a Guarda Costeira Indiana opera uma frota de cerca de 38 aeronaves Dornier 228, consideradas um dos pilares da vigilância aérea de curto alcance do país. A chegada dos novos exemplares deverá ampliar a cobertura operacional em regiões estratégicas do Oceano Índico, especialmente diante do aumento das demandas por monitoramento de rotas comerciais e resposta a emergências marítimas.

A iniciativa também se encaixa na estratégia nacional conhecida como Aatmanirbhar Bharat, voltada para fortalecer a indústria de defesa local e estimular o desenvolvimento tecnológico interno.

Com a incorporação dessas aeronaves, a Índia busca não apenas elevar sua capacidade de resposta a incidentes marítimos, mas também consolidar uma base industrial aeroespacial mais robusta, capaz de sustentar futuros programas militares e civis nos próximos anos.

Índia aprova megacontrato bilionário para 114 caças franceses Rafale

 


A Índia deu um passo estratégico para reforçar sua superioridade aérea ao aprovar a compra de 114 caças Dassault Rafale em um programa avaliado em cerca de US$ 39 bilhões, considerado um dos maiores investimentos militares da história recente do país.

A decisão foi tomada pelo Conselho de Aquisição de Defesa sob liderança do ministro Rajnath Singh e integra um pacote mais amplo voltado à modernização das forças armadas, incluindo novos mísseis e sistemas avançados de combate. O anúncio da aquisição surge poucos dias antes da chegada do presidente francês Emmanuel Macron à Índia, onde ele deverá cumprir uma visita oficial de três dias, reforçando o peso político e estratégico das negociações entre os dois países.

O projeto faz parte do programa Multi-Role Fighter Aircraft (MRFA), criado para preencher lacunas operacionais da Força Aérea Indiana e expandir suas capacidades em missões de domínio aéreo, ataques de precisão e operações de longo alcance.

Autoridades militares veem o Rafale como uma plataforma essencial para enfrentar desafios estratégicos na região, oferecendo alta capacidade de sobrevivência em cenários contestados e integração com armamentos modernos, incluindo mísseis além do alcance visual.

Um dos pontos centrais do acordo é a forte participação da indústria local, alinhada à política “Make in India”. A maior parte das aeronaves deverá ser fabricada em território indiano com significativa transferência de tecnologia, permitindo que empresas nacionais participem da produção e manutenção da frota. A previsão é que apenas uma parcela inicial seja entregue pronta, enquanto a maioria será montada localmente para fortalecer a autonomia estratégica do país e estimular o desenvolvimento da base industrial de defesa.

A nova encomenda também reflete a preocupação crescente com o número reduzido de esquadrões ativos da Força Aérea Indiana, atualmente abaixo da meta considerada necessária para enfrentar possíveis cenários de conflito em duas frentes. Com a aposentadoria gradual de aeronaves mais antigas, a introdução de novos Rafale é vista como uma solução rápida para restaurar a capacidade operacional enquanto projetos nacionais continuam em desenvolvimento.

O histórico do Rafale na Índia remonta a um longo processo iniciado em 2007, quando o país buscava substituir parte de sua frota com um novo caça multifunção. Após anos de negociações complexas sobre produção local e transferência tecnológica, Nova Délhi assinou em 2016 um contrato menor para 36 aeronaves, cuja entrega foi concluída em 2022. Desde então, a expansão da frota permaneceu como prioridade estratégica, culminando agora na aprovação do maior pacote já associado ao caça francês.

Além do impacto militar, o anúncio reforça os laços entre Índia e França em um momento de crescente cooperação estratégica e industrial. O acordo pode consolidar a França como um dos principais parceiros de defesa de Nova Délhi e acelerar a diversificação de fornecedores militares, reduzindo a dependência histórica de equipamentos russos.

A expectativa é que as negociações contratuais avancem nos próximos meses, com potencial para transformar a Índia em um dos maiores operadores do Rafale no mundo e elevar significativamente o poder de dissuasão do país nas próximas décadas.