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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CX-HLS, o programa que ajudou a Boeing a desenvolver o 747

 

Aeronave 747 chegou a ser designada 757 pela Boeing ainda durante a fase conceitual.


No próximo dia 31, a Boeing entregará o último 747. Mas antes da história de 55 anos do jumbo ser iniciada, a Boeing havia sofrido uma derrota com uma aeronave semelhante no programa CX-HLS da USAF.

Os cerca de 50.000 funcionários da Boeing, na década de 1960, levaram apenas 1.033 dias para construir e colocar no ar uma aeronave totalmente nova.

O CEO da Pan Am na época, Juan Trippe, notou que o número de voos estava aumentando porque cada vez mais pessoas viajavam de avião. Sobrecarregando os aeroportos e com poucos assentos disponíveis para os voos, Trippe queria uma aeronave maior que pudesse transportar o dobro de passageiros que o Boeing 707. Do ponto de vista da companhia aérea, ela precisava de um avião que pudesse transportar mais passageiros em rotas populares como Londres-Nova York e Paris-Nova York.

A diferença de tamanho do 747 com o 707.

Foi assim que em 13 de abril de 1966 a Boeing anunciou que lançaria um avião com até 490 assentos. Já em 1967, operários, mecânicos e engenheiros começaram a trabalhar na recém-construída fábrica de Everett, perto de Seattle. E em 30 de setembro de 1968, eles terminaram o primeiro Boeing 747 foi lançado do hangar.

Iniciava então a história do 747. Mas antes do primeiro roll out do jumbo, a fabricante de aeronaves Boeing teve uma grande derrota, quando o governo dos EUA concedeu o lucrativo contrato de uma nova aeronave de transporte militar de tamanho grande para Lockheed, embora o conceito da Boeing fosse superior.

O PROGRAMA CX-HLS DA USAF

Durante a Guerra do Vietnã na década de 1960, a Força Aérea dos EUA, encarregada de transportar um grande número de tropas e suprimentos para o front, enfrentou um grande problema. O Vietnã, com seu terreno complexo de selvas e rios, carecia de uma rede rodoviária absoluta. Uma grande quantidade de suprimentos necessários para o front é descarregada nos portos e depois transportada por ferrovia ou rodovia, mas não foi o caso do Vietnã. Assim, havia a necessidade de aeronaves para transportar tropas e suprimentos para as unidades localizadas na linha de frente.

C-130 Hercules realiza lançamento de carga em pista improvisada no Vietnã.

Os Estados Unidos mobilizaram navios e aeronaves para transportar tropas e suprimentos pelo Pacífico e, após chegarem ao Vietnã, transportaram-nos para as linhas de frente usando pequenos aviões de transporte ou helicópteros. Em particular, o transporte aéreo foi usado principalmente para transportar tropas em vez da longa rota marítima.

Vista frontal ar-ar de duas aeronaves C-141 Starlifter em esquema de pintura de camuflagem, da 437ª Ala de Transporte Aéreo Militar.

Ao realizar essas operações de transporte aéreo, a Força Aérea dos EUA enfrentou limitações no manuseio de quantidades normais com aeronaves de transporte convencionais C-130 e C-141. O modelo C-130 era a melhor aeronave de transporte tático da época, e o modelo C-141 era o modelo mais recente e a melhor aeronave de transporte estratégico capaz de voar para o Vietnã via Havaí e Guam. No entanto, o problema era que era difícil lidar com todo o afluxo de tropas e cargas, mesmo que todos os aviões de transporte que estavam de posse na época fossem mobilizados. Além disso, equipamentos pesados, como tanques e canhões autopropulsados, eram difíceis de montar diretamente na aeronave de transporte C-130.

Projeto CX-HLS.

Portanto, a Força Aérea dos EUA precisava de uma aeronave de transporte muito grande, capaz de transportar muita carga e grandes equipamentos de uma só vez. Em 1964, a Força Aérea dos EUA lançou o projeto CX-HLS (Cargo Experimental, Heavy Logistic Support), uma aeronave de transporte muito grande capaz de transportar 80 toneladas de carga diretamente através do Oceano Atlântico ou chegando ao Vietnã via Havaí.

Projeto da Douglas no CX-HLS.
Projeto da Boeing.

Na época, grandes fabricantes de aeronaves americanas, como Boeing, Douglas e Lockheed, assumiram o desafio do projeto CX-HLS, um projeto de grande escala que desafiava as limitações técnicas. Após uma competição acirrada, a Lockheed acabou vencendo e, finalmente, uma aeronave de transporte supergrande chamada C-5 Galaxy apareceu. Como a Boeing, que construiu um desempenho estável no campo de aeronaves de passageiros, estava confiante na vitória ao desafiar o projeto CS-HLS da Força Aérea dos EUA. No entanto, a Lockheed, que tem um histórico de desenvolvimento do transporte tático C-130 e do transporte estratégico C-141 no setor de aeronaves militares, que é diferente do setor de aeronaves civis, também foi um oponente formidável.

Diferenças entre o C-5 Galaxy e o então Boeing C-5A.

A Boeing apresentou um plano de projeto para a proposta do CX-HLS para montar equipamentos como tanques, veículos blindados e caminhões no compartimento de carga da aeronave e instalar uma cabine no topo da aeronave para permitir o embarque das tropas. Isso é resultado de refletir a inconveniência das aeronaves de transporte C-130 e C-141 na época, quando o equipamento era carregado, o espaço para as tropas embarcarem era apertado. Sua concorrente, Lockheed, também incluiu essa ideia. A aeronave de dois andares foi uma ideia muito inovadora na época.

A vencedora aeronave do CX-HLS, o C-5 Galaxy da Lockheed.

A aeronave de transporte Lockheed C-5 Galaxy, que conquistou o mercado ao derrotar a Boeing, sofreu grandes dificuldades durante o processo de desenvolvimento atual. Acima de tudo, porque havia muitas dificuldades com o motor de alto desempenho que fazia o avião de transporte supergrande flutuar no céu. Desenvolvido através de um processo difícil, o motor turbofan TF39 chamou a atenção como um motor altamente inovador e de alto desempenho na época. Na verdade, foi um grande desafio cruzar o Oceano Pacífico com colossais 80 toneladas de carga no nível técnico, na época em que apenas 20 a 40 toneladas de carga eram transportadas por via aérea.

A aeronave CX da Boeing chegou a receber a designação 757 e possuía dois andares completos, com a cabine em um então terceiro andar.

Mas foi sobre este projeto militar CX-HLS, uma aeronave quadrimotora de 70 metros e asa alta com envergadura de 65,5 metros, que os engenheiros da Boeing se basearam para usar duas coisas no 747. Eles implementaram o nariz dobrável no Boeing 747 cargueiro, bem como o cockpit localizado na parte protuberante no topo da fuselagem. E assim a nova aeronave de passageiros também se parecia um pouco com o CX-HLS em tamanho e forma.

O engenheiro chefe da Boeing, Joe Sutter.

“O projeto do Boeing CX-HLS teria sido um avião muito ruim”, disse certa vez o engenheiro-chefe Joe Sutter. Com os motores, porém, a Boeing pôde se beneficiar da experiência. A General Electric e a Pratt & Whitney desenvolveram motores novos e mais potentes para o grande avião de transporte, o que tornou possível uma aeronave tão grande.

O risco financeiro foi enorme e a Boeing contraiu empréstimos de sete bancos apenas para o projeto do 747. Havia também uma escassez de talentos de engenharia. O líder do projeto, Sutter, teve que lutar para conseguir que os engenheiros trabalhassem no 747.

Primeiro voo do 747, modelo 747-121.

Ele prevaleceu e a Boeing fez bem em ouvi-lo. O primeiro jato jumbo decolou em seu voo inaugural em 9 de fevereiro de 1969. E os clientes adoraram. Em janeiro de 1971, a Pan Am iniciou voos regulares no jato de dois andares na rota Nova York-Londres.

Vários outros modelos seguiram o modelo 747-100 original. O Boeing 747 SP, com fuselagem encurtada, certamente foi especial. Ele foi projetado para combater os novos modelos concorrentes McDonnell Douglas DC-10-10 (máximo de 300 passageiros) e o Lockheed L-1011-1 Tristar (máximo de 400 passageiros).

Os primeiro 747-121 e 747SP.

No entanto, o 747-400 significativamente melhorado teve muito mais sucesso com quase 700 exemplares vendidos. Foi usado no tráfego regular a partir de 1989 e voa até hoje.

747 usado para testes de arma a laser, o ABL.
O VC-25, o Boeing 747-200 usado com avião presidencial nos EUA.

O Boeing 747 outras vezes tentou entrar na Força Aérea dos EUA. Chegou a ser testado para reabastecimento em voo e foi usado como plataforma de testes de uma arma a laser. Na NASA, foi usado para transportar as Space Shuttle entre as bases especiais em Houston e no Cabo Canaveral e foi usado como telescópio no projeto SOFIA. E até hoje é usado como aeronave presidencial nos EUA, designado VC-25.

O primeiro e último 747.

Em novembro de 2005, a Boeing introduziu a família 747-8, que oferecia 30% menos ruído, uma redução de 15% nas emissões de dióxido de carbono durante as operações, peso mais leve, menor consumo de combustível, menos peças e menos manutenção. Foram construídos apenas 157 exemplares, um pouco mais da metade do que a Boeing esperava.

A última aeronave 747 homenageia o engenheiro Joe Sutter com um adesivo especial.

Em 2020, a Boeing anunciou o fim da produção. No geral, porém, o jato jumbo foi uma história de sucesso. Em 55 anos, a Boeing produziu 1.574 exemplares para mais de cem clientes.

A última aeronave 747 produzida, durante testes de voo em Everett, dias antes da entrega para Atlas Air.

Em 31 de janeiro, será entregue o último exemplar, o 747-8F com o número de série 67150. Ele irá para a Atlas Air, que o operará para a gigante logística suíça Kuehne + Nagel. Um adesivo especial foi aplicado na frente da aeronave, agradecendo o engenheiro Joe Sutter pelo seu excelente trabalho.

Lockheed Martin desafia empresas portuguesas a produzir partes do F-35

 Linha de produção do F-35

Linha de produção do F-35

Caça é um dos concorrentes à substituição da frota de F-16. Quatro empresas nacionais, da área de compósitos e estruturas, serão convidadas a apresentar propostas para produzirem equipamento no país

A Lockheed Martin vai convidar formalmente quatro empresas portuguesas a apresentar propostas para fabricar duas estruturas do caça F-35 Lightning II. O pedido de propostas deve ser enviado até o fim de novembro. A iniciativa foi anunciada na quarta-feira (21) a jornalistas portugueses que visitavam a linha de montagem do caça em Fort Worth, no Texas. O movimento ocorre num momento em que o fabricante americano disputa com concorrentes europeus a substituição dos F-16 da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Segundo Lisa Herrmann, responsável pelo Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Lockheed Martin e principal interlocutora da empresa com o governo, a FAP e a indústria de Portugal, o programa F-35 identificou a necessidade de uma segunda fonte de fornecimento para dois componentes estruturais da aeronave. Ao longo dos últimos dois anos, a empresa trabalhou com a Força Aérea, com o AED Cluster Portugal (que reúne mais de 170 entidades dos setores aeronáutico, espacial e de defesa), com a holding estatal IdD Portugal Defence e com o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) para mapear capacidades industriais no país.

As quatro empresas portuguesas atuam no segmento de materiais compósitos e estruturas aeronáuticas e vão concorrer com outras seis companhias estrangeiras, num total de dez candidatas. Nem os nomes das empresas nem as peças em disputa foram revelados. Herrmann justificou o sigilo com a necessidade de preservar a neutralidade do processo competitivo. O valor do contrato também não foi divulgado, e a Lockheed apontou a redução de custos como um dos motivos para buscar novos fornecedores.

Concurso independe da compra

A Lockheed Martin afirma que o concurso não está condicionado à escolha do F-35 por Lisboa. A empresa o apresenta, no entanto, como amostra do que poderia ser a cooperação industrial caso Portugal adquira o caça, cenário em que a participação portuguesa na cadeia de produção do programa tenderia a crescer. O programa F-35 tem vida útil prevista até 2070.

Além das duas estruturas, a fabricante diz ter identificado 17 projetos potenciais em Portugal, nas áreas de coprodução, transferência de tecnologia, exportação, integração na cadeia de suprimentos, manutenção e pesquisa e desenvolvimento. Esses projetos envolveriam 23 empresas e três universidades. Em maio, durante outra visita de jornalistas portugueses a Fort Worth, a empresa falava em 16 projetos. Segundo relatos da imprensa portuguesa, a Lockheed estima que o pacote poderia gerar mais de mil empregos e um retorno econômico superior a 1 bilhão de euros, números que teriam sido apresentados ao governo português.

A empresa também mencionou o desenvolvimento de um sistema de vigilância e monitoramento do domínio marítimo, chamado Dragon, e destacou o histórico de cooperação com Portugal, que opera ou operou outros aviões da fabricante, como o C-130 e o P-3. Em paralelo, a empresa de drones portuguesa Tekever, sediada em Ponte de Sor, trabalha para integrar a uma de suas aeronaves não tripuladas o Perceptor, sensor eletro-óptico e infravermelho da Lockheed destinado a drones de pequeno porte. Uma demonstração para um cliente comum está prevista para a primavera europeia de 2027.

Há precedente recente de participação europeia na cadeia do F-35. A Finlândia, que comprou 64 caças, fornece desde março a fuselagem dianteira da aeronave, fabricada pela Patria.

Disputa com europeus

A oferta industrial é também uma resposta aos concorrentes. Além do F-35, disputam a substituição dos F-16 portugueses o Gripen E, da sueca Saab, o Eurofighter Typhoon, do consórcio liderado pela Airbus, e o Rafale, da francesa Dassault.

Todos firmaram memorandos com o AED Cluster Portugal para contrapartidas industriais. A Saab admite instalar em Portugal uma linha de montagem final do Gripen E.

A Airbus já tem acordos com dezenas de empresas portuguesas e prometeu entregar uma proposta até o início de novembro. A Dassault, por sua vez, entra na disputa com parceiros como Thales e Safran.

O governo português tem defendido que a compra dos novos caças se traduza em retorno direto para a economia nacional, por meio da integração de empresas em cadeias globais de fornecimento e da criação de empregos qualificados.

O investimento total pode chegar a 5 bilhões de euros ao longo do ciclo de vida de cerca de 30 aeronaves, incluindo logística, treinamento de pilotos e manutenção. O número de caças, porém, ainda não foi definido.

O F-35 parte com vantagem técnica. Em maio, o jornal Expresso revelou um estudo interno da FAP no qual o caça americano superou os concorrentes na maioria dos 20 critérios avaliados. O general João Cartaxo Alves, que comandava a Força Aérea antes de assumir em março a chefia do Estado-Maior-General das Forças Armadas, defendeu publicamente a transição direta para um caça de quinta geração, em nome da interoperabilidade com os aliados da OTAN.

A pressão política de Washington também se intensificou. Em visita a Lisboa no início de outubro, o secretário de Estado Marco Rubio disse considerar o F-35 o melhor avião do mundo e afirmou que os Estados Unidos fariam a Portugal uma oferta muito competitiva, ressalvando que a escolha caberá aos portugueses. O chanceler Paulo Rangel respondeu que nenhuma decisão foi tomada e que o Estado português decidirá de acordo com o interesse nacional.

A concorrência para a aquisição ainda não foi aberta. Ela deverá ser incluída na revisão da Lei de Programação Militar, instrumento que planeja os investimentos das Forças Armadas, a ser apresentada ao Parlamento até o fim do ano.

Coincidentemente, nesta quinta-feira (22) a Lockheed Martin e o Departamento de Defesa dos EUA anunciaram um acordo preliminar para a produção e o suporte de pelo menos 850 F-35 ao longo dos próximos dez anos, mantendo a cadência de 156 aeronaves por ano. O acordo abrange também encomendas internacionais