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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Fim da era dos "Baby Bus": Air France vende um de seus últimos Airbus A318.

 




A Air France concluiu a venda de uma de suas poucas aeronaves Airbus A318 restantes , reduzindo ainda mais a já pequena frota global da menor variante da família A320. A aeronave foi transferida em fevereiro de 2026 como parte de um acordo de múltiplas aeronaves com a FTAI Aviation. A transação marca mais um passo na estratégia de longo prazo da Air France para a simplificação da frota, ressaltando a relevância cada vez menor de jatos comerciais de pequeno porte. Com poucos operadores restantes, o Airbus A318 está se aproximando do fim de seu ciclo de vida comercial.

Frequentemente apelidado de "Baby Bus", o Airbus A318 foi projetado para oferecer as mesmas características da família A320 em um pacote menor, mas as condições de mercado acabaram por prejudicá-lo. O aumento dos preços dos combustíveis, a mudança na demanda de passageiros e a maior eficiência dos modelos de aeronaves mais modernos reduziram seu apelo econômico.

A Air France abandona o Airbus A318

Air France A318Crédito: Shutterstock

Airbus A318 vendido pela Air France fazia parte de um pacote maior de sete aeronaves de corredor único da Airbus transferidas para a FTAI Aviation. O A318, equipado com motores CFM56, é agora mais valioso por seus componentes e potencial para suporte de motores do que para a continuidade de operações de passageiros. Apenas cerca de 80 A318 foram produzidos em todo o mundo, tornando-o o membro mais raro da família A320 por uma ampla margem. Acredita-se que menos de um quarto dessas aeronaves ainda estejam em condições de voo atualmente.

A decisão da Air France reflete uma mudança mais ampla na indústria em direção a um menor número de subtipos de aeronaves e uma maior média de assentos. Comparado a um A320, o A318 normalmente transporta de 25% a 30% menos passageiros, consumindo apenas uma pequena redução de combustível, o que resulta em uma rentabilidade por assento inferior. Aeronaves de nova geração, como o A220 e a família Embraer E-Jet, oferecem menor consumo de combustível por assento e maior flexibilidade operacional. Para empresas de leasing como a FTAI Aviation, aeronaves em fim de vida útil agora representam um ativo estratégico, e não apenas um ativo operacional. Stacy Kuperus, diretora de operações da FTAI Aviation, afirmou:

“Temos o prazer de firmar parceria com a Air France e garantir o fornecimento adicional de motores e módulos para nossas plataformas de Produtos Aeroespaciais e Energia. À medida que a demanda por nossas soluções de manutenção, reparo e troca continua a crescer, expandir o acesso aos motores CFM56 é fundamental. Valorizamos nossa parceria de longa data e esperamos apoiar a estratégia de frota em constante evolução da Air France no futuro.”

Por que o 'ônibus infantil' teve dificuldades para encontrar um mercado de longo prazo?

Um Airbus A318 da Air France aterrissando.Crédito: Shutterstock

Quando o A318 entrou em serviço no início dos anos 2000, ele foi projetado para substituir aeronaves de curto alcance mais antigas, mantendo a padronização da frota. No entanto, o rápido avanço dos jatos regionais e o surgimento de aeronaves de corredor único mais eficientes pressionaram o A318 em ambas as extremidades do mercado. As companhias aéreas perceberam cada vez mais que aeronaves ligeiramente maiores proporcionavam margens significativamente melhores. Isso fez com que o A318 ficasse restrito a missões de nicho, em vez de ser amplamente adotado.

Em contraste, o A319 registrou mais de 1.400 entregas, enquanto o A320 ultrapassou 10.000 encomendas em diversas variantes. Essa disparidade destaca como a demanda das companhias aéreas é sensível à quantidade de assentos e ao custo unitário, e não ao tamanho absoluto da aeronave. Ao longo do tempo, as operadoras priorizaram aeronaves que pudessem absorver as flutuações da demanda sem sacrificar a eficiência. A limitada capacidade de carga e alcance do A318 reduziu ainda mais sua competitividade.

Diversos A318 aposentados foram convertidos para funções corporativas, governamentais ou VIP, onde o espaço da cabine e o desempenho na pista são priorizados em detrimento da economia de assentos. No entanto, essas conversões representam um nicho de mercado e não conseguem absorver o restante da frota em larga escala.

O que acontecerá com os Airbus A318 restantes no mundo?

Air France A318Crédito: Shutterstock

Em seu auge, o Airbus A318 serviu a menos de 20 companhias aéreas em todo o mundo. A idade média da frota desse modelo agora ultrapassa 18 anos, o que coloca a maioria das aeronaves restantes em fase avançada de aposentadoria. A compatibilidade dos motores com aeronaves maiores da família A320 tornou-se sua característica mais valiosa. Isso faz com que o desmanche e a reutilização de componentes se tornem cada vez mais atraentes para gestores de ativos.

O declínio do A318 também reflete uma tendência mais ampla de abandono de jatos de grande porte "de tamanho ideal" em favor de famílias de aeronaves escaláveis. As companhias aéreas agora priorizam modelos que podem suportar múltiplas configurações de cabine e perfis de rota com custos adicionais mínimos. À medida que as pressões por sustentabilidade se intensificam, a eficiência por assento tornou-se uma métrica dominante. Aeronaves que não conseguem atender a esses padrões enfrentam aposentadoria acelerada.

Com a Air France deixando de utilizar este modelo, o Airbus A318 passa de uma aeronave comercial ativa para uma plataforma predominantemente histórica e especializada, uma nota de rodapé incomum em uma família de aeronaves de grande sucesso.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

P-15E Lockheed Neptune P2V-5

 História e Desenvolvimento. 




A Lockheed Aircraft Manufacturing Company, uma das mais emblemáticas empresas do setor aeronáutico dos Estados Unidos, foi fundada em 1912 pelos irmãos Allan e Malcolm Lockheed, na cidade de San Diego, Califórnia. Inicialmente, a empresa dedicava-se à fabricação de aeronaves de pequeno porte, voltadas para o turismo e o treinamento civil, destacando-se pela inovação e qualidade de seus projetos. Com o passar dos anos, a empresa experimentou um crescimento significativo em suas vendas, consolidando sua posição no mercado aeronáutico. Contudo, o término da Primeira Guerra Mundial, em novembro de 1918, trouxe desafios consideráveis. A desmobilização de milhares de aeronaves militares, que inundaram o mercado de aviação civil, provocou uma crise que dificultou a comercialização de novos modelos, resultando no encerramento de diversas fabricantes, incluindo a Lockheed Aircraft Manufacturing Company. Diante desse cenário, os irmãos Lockheed buscaram novos caminhos, direcionando seus esforços para outros setores do mercado. Em 1926, Allan Lockheed, em parceria com os engenheiros John Northrop, Kenneth Kay e Fred Keeler, fundou a Lockheed Aircraft Company, com sede em Hollywood, Califórnia. Com o suporte de investidores, a nova empresa desenvolveu o Lockheed Vega, utilizando a tecnologia do Modelo S-1 como base. O sucesso comercial do Vega foi notável: em 1928, a companhia transferiu sua sede para Burbank na California, alcançando vendas superiores a um milhão de dólares e empregando mais de trezentos colaboradores, com uma linha de produção capaz de finalizar até cinco aeronaves por semana. Em julho de 1929, Fred Keeler, então acionista majoritário, negociou 87% das ações da empresa com a Detroit Aircraft Corporation, visando financiar um plano de expansão. No entanto, a Grande Depressão, impactou gravemente o setor, levando a empresa à insolvência. Em 1932, durante o processo de liquidação judicial, a companhia foi adquirida por um grupo de investidores liderado pelos irmãos Robert e Courtland Gross, em conjunto com Walter Varney. Essa transação marcou o início de uma fase de recuperação, impulsionada pelo desenvolvimento de novas aeronaves. O sucesso do Lockheed Modelo 10 Electra, uma aeronave totalmente metálica com capacidade para até dez passageiros, foi fundamental para a retomada da empresa. Esse modelo conquistou a confiança do mercado civil e comercial dos Estados Unidos, solidificando a reputação da empresa. A partir de meados de 1934, uma significativa oportunidade comercial se apresentaria à Lockheed Aircraft Corporation, pois surgia a percepção crescente entre diversos governos europeus, de que a deflagração de um novo conflito com a Alemanha no continente seria apenas uma questão de tempo. Em resposta aos extensos programas de rearmamento iniciados pela Alemanha e pela Itália fascista, nações como França, Reino Unido e, de maneira mais limitada, Bélgica e Países Baixos começaram, ainda que tardiamente, a modernizar e expandir suas forças armadas. 

Contudo, as indústrias de defesa desses países não estavam preparadas para atender a estas urgentes demandas militares, especialmente no que tange ao poder aéreo, ainda mais em um curto período. Diante desse cenário, os governos desses países europeus passaram a buscar equipamentos de defesa produzidos predominantemente nos Estados Unidos. Nesse contexto, o governo britânico destacou-se como o mais empenhado nesse esforço, buscando emergencialmente renovar sua frota de aeronaves principalmente as dedicadas as tarefas de bombardeio, transporte, guerra antissubmarino e patrulha marítima. Entre os modelos a serem substituídos na Força Aérea Real (RAF) estavam os já obsoletos bimotores leves Avro Anson Model 18, utilizados em missões de patrulhamento marítimo e reconhecimento. Essa demanda  foi rapidamente identificada pelos diretores da Lockheed Aircraft Corporation que vislumbraram um gigantesco mercado potencial neste segmento, e assim em fevereiro de 1938, autorizaram, com recursos próprios, o início do desenvolvimento de uma aeronave militar destinada a missões de reconhecimento, patrulha e bombardeio. Para acelerar o projeto e otimizar os investimentos, a nova aeronave foi concebida com base na plataforma do bimotor civil Lockheed Model 14 Super Electra. O programa recebeu a designação Lockheed Model B-14, e os trabalhos de desenvolvimento foram prontamente iniciados, culminando na construção de um modelo em madeira (mock-up). Esses esforços coincidiram com a visita de uma comissão britânica de compras aos Estados Unidos, que prontamente foi convidada para uma reunião nas instalações da Lockheed Aircraft Corporation. Durante o encontro, uma apresentação detalhada foi conduzida, destacando as características da aeronave proposta para missões de patrulha e guerra antissubmarino. A exposição impressionou positivamente os oficiais britânicos, resultando em um convite formal à diretoria da empresa para uma visita à Inglaterra, onde o projeto poderia ser discutido de maneira mais aprofundada. Durante as fases iniciais do conflito, mais de oitocentas aeronaves seriam adquiridas pela Força Aérea Real (Royal Air Force), com outras centenas de aeronaves sendo operadas pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) e  a Aviação Naval da Marinha do Estados Unidos (US Navy). Pouco antes do envolvimento dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o exército transferiu a marinha  a responsabilidade pela execução das missões de guerra antissubmarino ao longo do litoral norte-americano. Em decorrência dessa decisão, a Marinha buscou aprimorar seus recursos aéreos de patrulha, o que resultou na transferência de todos os contratos de produção existentes. Para atender de forma mais eficaz aos requisitos técnicos das missões de patrulha, as aeronaves a serem fabricadas passaram por uma série de modificações estruturais e funcionais. 
No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a Lockheed Aircraft Corporation introduziu, a partir de 1942, os modelos Lockheed-Vega PV-1 Ventura B-34 e, em 1943, os Lockheed-Vega PV-2 Harpoon B-34A. Essas aeronaves, projetadas para missões especializadas, substituíram gradualmente o Lockheed A-28 Hudson, utilizado extensivamente em operações de patrulha marítima e bombardeio leve pela Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Com desempenho superior e maior capacidade de carga, os novos modelos atenderam às demandas imediatas do conflito, mas ainda enfrentavam limitações devido à sua origem em projetos de aeronaves civis ou bombardeiros estratégicos, especialmente no que dizia respeito à autonomia de combate, essencial para missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino contra submarinos alemães e japoneses. Para superar essas deficiências, a Lockheed, sob a liderança do engenheiro John B. Wassal, iniciou, em 1942, o desenvolvimento de uma aeronave projetada especificamente para essas funções. Contudo, o envolvimento intensivo da empresa na produção de aeronaves como o P-38 Lightning e o B-17 Flying Fortress, cruciais para o esforço de guerra, levou à suspensão temporária do projeto. A retomada ocorreu em maio de 1944, quando o Comando da Aviação Naval da US Navy emitiu requisitos para uma nova aeronave de patrulha marítima e combate antissubmarino, no âmbito de uma concorrência governamental. Aproveitando os estudos preliminares, a Lockheed apresentou sua proposta em tempo recorde, garantindo uma vantagem competitiva. Em 4 de abril de 1944, foi formalizada uma carta de intenção para a construção de dois protótipos, designados XP2V-1. Concluídos em março de 1945, os protótipos realizaram seu primeiro voo em 17 de maio de 1945, logo após a rendição da Alemanha nazista (8 de maio de 1945). Os ensaios em voo demonstraram resultados altamente satisfatórios, levando à aprovação de um contrato de pré-produção para quinze aeronaves ainda em 1945. Com o fim da guerra, após a rendição do Japão em 2 de setembro de 1945, foi assinado o primeiro contrato de aquisição em larga escala, com a produção iniciada em abril de 1946. A aeronave, posteriormente batizada P2V-1 Neptune, possuía configuração bimotora, trem de pouso triciclo e um amplo raio de ação, permitindo operações em quaisquer condições climáticas. Seu projeto priorizava baixo custo operacional, com inovações que reduziam o tempo de manutenção em solo, aumentando a disponibilidade para missões. A primeira versão operacional o P2V-1 Neptune, entrou em operação na Marinha dos Estados Unidos (US Navy), e estava equipada dois motores radiais Wright R-3350-8 com 1.700 hp de potência cada, seu armamento defensivo era composto por três torretas de metralhadoras calibre .50, sendo uma dorsal, uma traseira e uma frontal.  Em termos de carga ofensiva o Neptune podia transportar até 3.630 kg de bombas e foguetes, dispostos em cabides subalares ou no bomb bay. Um total de quatorze células seriam entregues, sendo esta versão substituída a partir de 1949 pelo P2V-2, que passava a contar com motores mais potentes Wright R-3350-24W com 2.800 hp de potência cada, sendo entregues oitenta células.  A aeronave impressionaria os meios aeronáuticos no dia 1º de outubro de 1946, quando o terceiro P2V-1 produzido (e especialmente moficado) completou um voo sem escalas de três dias de duração, entre Perth (Austrália) e Columbus (Estados Unidos), num trajeto de 11.235 milhas, quebrando o recorde de voo em distância. 

Os modelos P2V-3 e P2V-3B passaram a ser produzidos em seguida, incorporando motores Wright R-3350-26W com 3.600 hp de potência cada, representando cinquenta e três aeronaves produzidas. Uma versão de bombardeio nuclear de queda livre designada P2V-3C para operação em porta aviões resultaria na produção de onze células para avaliação, a este se seguiria o modelo P2V-3W de alerta aéreo antecipado, portando um radar de busca AN/APS-20, recebendo contratos para a entrega de trinta células. O novo P2V-4 passou a dispor do novo radar ASW AN/APS-20 alojado sob a fuselagem, receberia um sistema de sonoboias e também um holofote na ponta de um dos tanques suplementares das asas. Em 1951 surgia a variante P2V-5 que seria a versão mais produzida do Neptune,  trazia um novo nariz envidraçado para o observador com a remoção do armamento frontal, a torreta da cauda também foi removida visando a instalação do equipamento de Detecção de Anomalias Magnéticas (MAD), também houve significativo aumento na capacidade de transporte de combustível dos tanques das pontas das asas, além da instalação de radar NA/APS-8 na ponta de um destes tanques.  Seu batismo de fogo se daria durante a Guerra da Coreia (1950 - 1953), onde diversa variantes foram empregadas ao longo do conflito, sua capacidade de voo de longa duração frequentemente excedendo dez horas com uma tripulação de nove a onze membros  permitiu que cobrisse vastas áreas oceânicas, contribuindo significativamente para a vigilância estratégica e o apoio às forças aliadas.  Ao todo, sete esquadrões de patrulha da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) empregaram o Neptune durante o conflito, com emprego em missões de  patrulhas marítimas, guerra antissubmarino, lançamento de minas, busca e salvamento e inteligência Eletrônica (ELINT). A Guerra da Coreia expôs o Neptune a perigos significativos, especialmente em missões de inteligência próximas a territórios soviéticos e chineses. Um dos incidentes mais trágicos ocorreu em 6 de novembro de 1951, quando um P2V-3W do Esquadrão VP-6, em missão de reconhecimento meteorológico sobre águas internacionais próximo a Vladivostok, foi abatido por caças soviéticos MiG-15, resultando na perda de todos os dez tripulantes. Em 18 de janeiro de 1953, um P2V-5 foi abatido por fogo antiaéreo chinês próximo a Swatow, levando a uma operação de resgate envolvendo um hidroavião PBM-5 Mariner e o destróier USS Halsey Powell, com baixas adicionais e danos às embarcações. Incidentes pós-armistício (julho de 1953), mas relacionados ao teatro coreano, incluíram a perda de um P2V-5 próximo a Dairen em 4 de janeiro de 1954, possivelmente por falha mecânica ou fogo amigo, e outro que escapou de MiGs soviéticos em 4 de setembro de 1954, amerissando no Mar do Japão com nove dos dez tripulantes resgatados. Em 22 de junho de 1955, um P2V-5 foi alvejado sobre o Estreito de Bering, forçando um pouso de emergência na Ilha de Saint Lawrence, com sete feridos entre os onze tripulantes; os soviéticos posteriormente pediram desculpas e pagaram reparações.
Em 1952 seria desenvolvida a versão P2V-6 projetada para guerra antissubmarino com melhorias incrementais em relação à P2V-5, incluindo sistemas eletrônicos aprimorados e maior capacidade de carga de armamentos. Foram produzidas 67 unidades, focadas em operações de patrulha marítima e reconhecimento. A última variante de patrulha, a P2V-7, foi equipada com motores Wright R-3350-32W de 3.500 hp e introduzida em meados da década de 1950. Incorporava avanços em sistemas de navegação, radar e contramedidas eletrônicas, além de maior confiabilidade operacional. A subvariante P2V-7S incluía sistemas ASW aprimorados, como sonoboias avançadas e radar atualizado. Um total de 287 unidades foi contratado, com 48 unidades montadas sob licença pela Kawasaki, no Japão, refletindo a expansão internacional do programa. O P2V-7 foi amplamente utilizado na Guerra Fria, incluindo missões de vigilância contra a União Soviética, e permaneceu em serviço até a década de 1980 em algumas forças armadas. Entre 1945 e 1957, foram produzidas 1.181 unidades do Lockheed P2V Neptune, incluindo todas as variantes, com a maioria destinada à Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Algumas unidades foram exportadas para aliados, como Austrália, Reino Unido, Japão e Argentina, onde operaram até o final da década de 1970 e início da 1980.  Na década de 1960, com a intensificação da Guerra do Vietnã, a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) identificou a necessidade de uma aeronave capaz de realizar missões noturnas de interdição contra alvos móveis, como caminhões e tropas, ao longo da trilha Ho Chi Minh, uma rede logística crucial para os norte-vietnamitas. Em 1966–1967, quatro aeronaves da variante SP-2H (designação posterior do P2V-7) foram selecionadas e submetidas a modificações extensivas pela empresa E-Systems para o projeto TRIM. Essas aeronaves, redesignadas AP-2H, foram adaptadas para operar como “gunships” (aeronaves de ataque armado) e plataformas de vigilância, equipadas com sensores avançados e armamento pesado. As quatro unidades AP-2H foram operadas pelo Esquadrão de Ataque Pesado 21 (VAH-21), baseado em Cam Ranh Bay, Vietnã do Sul, entre 1968 e 1969. As missões do AP-2H focavam na interdição noturna ao longo da trilha Ho Chi Minh, no Laos e no Vietnã, onde os sensores avançados permitiam detectar e atacar alvos móveis com alta precisão, mesmo em condições de escuridão total. A entrada em operação dos novos Lockheed P-3 Orion a partir de 1962, determinou a retirada gradual dos Neptune das missões navais na Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Fora de seu país de origem os Neptune foram empregados pela Argentina, Holanda, Austrália, Portugal, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Brasil e Taiwan.  Durante a Guerra das Malvinas (Falklands War, abril a junho de 1982), a Força Aérea Argentina (Fuerza Aérea Argentina - FAA) empregou os Lockheed P2V Neptune, especificamente a variante SP-2H (designação pós-1962 do P2V-7), em um papel crítico de reconhecimento marítimo e vetorização de alvos contra a Força-Tarefa Britânica.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), o Brasil emergiu como um ator estratégico no conflito, fornecendo matérias-primas essenciais aos Aliados, como borracha, minérios e alimentos, por meio de rotas marítimas vitais no Atlântico Sul. Essa posição, no entanto, atraiu a atenção dos submarinos do Eixo, particularmente os U-boats alemães, que intensificaram ataques contra a navegação brasileira. Entre 1941 e 1942, antes mesmo da declaração oficial de guerra, 21 navios mercantes brasileiros foram afundados, resultando na perda de mais de 600 vidas civis. A escalada culminou em 22 de agosto de 1942, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália, após o torpedeamento de cinco navios em apenas quatro dias, elevando o total de afundamentos para 36 embarcações e mais de 1.000 vítimas até o final do conflito. Nesse contexto de ameaça submarina, nasceu a aviação de patrulha e guerra antissubmarino (ASW) da Força Aérea Brasileira (FAB), criada oficialmente em 20 de janeiro de 1941. Inicialmente, as forças armadas dos Estados Unidos estabeleceram uma infraestrutura complexa para operações de patrulha e guerra antissubmarino (ASW) no litoral brasileiro, incluindo bases em Natal, Recife e Salvador, e comboios navais protegidos por aeronaves. Com o tempo, essa responsabilidade foi gradualmente transferida para a Força Aérea Brasileira (FAB), que, apesar de sua juventude, demonstrou notável capacidade de adaptação. Um marco inicial ocorreu em 31 de maio de 1942, quando um bombardeiro B-25 Mitchell brasileiro realizou o primeiro ataque aéreo contra o submarino italiano Barbarigo, no litoral baiano, embora o inimigo tenha escapado. Até o final da guerra, unidades brasileiras contribuíram para o afundamento de 11 submarinos inimigos, acumulando milhares de horas de voo em missões de patrulha e escolta de comboios. Ao longo dos anos subsequentes, a Força Aérea Brasileira (FAB) desenvolveu uma expertise significativa na arte da guerra antissubmarino, operando com aeronaves e equipamentos de ponta para a época. Grande parte desse avanço foi impulsionado pelo Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), promulgado pelos Estados Unidos em março de 1941 e estendido ao Brasil a partir de 1943, que forneceu mais de US$ 372 milhões em material militar, incluindo aeronaves. Entre os modelos cedidos pela Lockheed Aircraft Corporation estavam o A-28 Hudson (uma variante bombardeiro do Lockheed Hudson, com cerca de 20 unidades entregues), o PV-1 Ventura (aproximadamente 19 unidades) e o PV-2 Harpoon (cerca de 18 unidades). Essas aeronaves, equipadas com radares primitivos como o ASV Mk II e armadas com cargas de profundidade e metralhadoras, permitiram à Força Aérea Brasileira (FAB) realizar operações eficazes, protegendo rotas comerciais e contribuindo para a vitória aliada no Atlântico Sul.

Com o término da guerra em 1945, a Força Aérea Brasileira (FAB) contava com uma frota robusta de aeronaves produzidas pela Lockheed Aircraft Corporation, que ainda possuíam suítes eletrônicas avançadas para aquele período, incluindo radares de busca de superfície e detectores de anomalias magnéticas. No entanto, as rápidas inovações tecnológicas pós-guerra como o desenvolvimento de radares mais sofisticados (ex.: AN/APS-20), sonoboias acústicas e aeronaves com maior autonomia, impulsionadas pela Guerra Fria entre os blocos ocidentais e orientais, rapidamente tornaram obsoletas essas plataformas de geração anterior. No início da década de 1950, apenas os Lockheed PV-2 Harpoon, operados pelo 1º/7º Grupo de Aviação (1º/7º GAv), Esquadrão Orungan, baseado em Salvador, mantinham alguma capacidade combativa nesse novo cenário. Contudo, desafios logísticos aceleraram seu declínio. A produção do PV-2 foi descontinuada em 1945, complicando a aquisição de peças de reposição, especialmente em um contexto de restrições orçamentárias no pós-guerra brasileiro. Problemas crônicos de manutenção reduziram a disponibilidade operacional, levando à desativação completa das células em 1956. Este cenário crítico, levaria o Ministério da Aeronáutica (MAer) a buscar soluções emergenciais visando o reequipamento de sua estrutura de patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW), objetivando assim em curto espaço de tempo recompor sua capacidade operacional neste segmento de missão.  Assim no início do ano de 1957 fazendo uso dos termos do programa MAP- Military Assistence Program (Programa de Assistência Militar), o governo brasileiro negociou aquisição de novas aeronaves de patrulha com a escolha lógica recaindo sobre células usados do modelo Lockheed P2V Neptune. Objetivava-se adquirir de 10 a 15 aeronaves, estas conversações se materializariam em uma oferta para aquisição de aeronaves da versão Neptune MR.1 (Lockheed P2V-5), pertencentes a um lote de 52 que foram cedidas em 1951 a Força Aérea Real (RAF - Royal Air Force) para uso junto ao Comando Costeiro. Estas células haviam sido recentemente desativadas após serem substituídos pelos novos Avro Shackleton MR.1, sendo logo devolvidas aos Estados Unidos e armazenadas na Base Aérea de Davis Montain no estado do Texas. Em maio de 1957, uma comitiva de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) seria enviada a esta localidade,  para assim proceder a escolha de um certo numéro de células em melhores condições de conservação. Com a definição deste processo, as 14 aeronaves selecionadas, seriam transladadas por pessoal norte-americano para a cidade de Fresno na Califórnia, onde seriam recondicionadas e revisadas pela empresa Grand Central Aircraft Corporation. 
Nesse cenário, o acordo  previa a transferência de 14 aeronaves, com este pacote incluindo um  abrangente programa de instrução e treinamento, ministrado por pessoal técnico e operacional da Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). O treinamento envolveria 27 oficiais e 56 graduados brasileiros, refletindo o compromisso em capacitar equipes nacionais para operar uma plataforma de vanguarda na época, capaz de voos de longa duração e equipada com radares avançados como o AN/APS-20 e sistemas de detecção de anomalias magnéticas (MAD). Iniciado em julho de 1958, o processo de capacitação desenrolou-se em duas fases distintas. A primeira etapa ocorreu na Base Aeronaval de Jacksonville, na Flórida, onde os brasileiros concentraram-se em procedimentos operacionais, estágio de adaptação e treinamentos em solo, utilizando aeronaves dos modelos P2V-2, P2V-3 e P2V-4. A segunda etapa, realizada na Base Naval de Norfolk, na Virgínia, focou nas técnicas avançadas de guerra antissubmarino e patrulha marítima, empregando o modelo P2V-5 — o mesmo que seria entregue ao Brasil.  Paralelamente ao treinamento, o processo de recondicionamento das aeronaves  avançava conforme o cronograma estabelecido, com estas células sendo  pintadas com as marcações nacionais brasileiras, passando a ser designadas como P-15. Em 15 de dezembro de 1958, as primeiras cinco aeronaves iniciaram o translado para o Brasil, com destino à Base Aérea de Salvador (BASV), na Bahia, chegando em 30 de dezembro. No entanto, o voo não transcorreu sem incidentes. Ao aproximar-se do espaço aéreo da República Dominicana, o P-15 FAB 7009, comandado pelo Capitão-Aviador Santiago, foi interceptado por dois caças North American F-51 Mustang e um de Havilland Vampire da Força Aérea Dominicana. Os interceptores abriram fogo com metralhadoras, forçando o pouso forçado na Base Aérea de Santo Isidoro. Após explicações do comandante brasileiro, que esclareceu se tratar de um translado pacífico de aeronaves a tripulação foi autorizada a prosseguir.. Para acomodar a nova aeronave, a Base Aérea de Salvador passou por significativas adaptações em sua infraestrutura, incluindo o reforço e extensão das pistas de pouso e decolagem para suportar o peso e as dimensões do P-15 (com envergadura de 31,7 metros e peso máximo de decolagem de cerca de 36.000 kg). Além disso, foram instalados laboratórios especializados para testes e calibração dos sistemas eletrônicos, essenciais para as missões de ASW. As manutenções de nível IRAN (Inspection and Repair as Necessary) seriam realizadas pelo Parque de Aeronáutica de São Paulo (PASP), enquanto o Centro de Manutenção da Varig, com vasta experiência nos motores Wright R-3350  os mesmos utilizados em sua frota de Lockheed Constellation para transporte de passageiros —, prestaria apoio técnico crucial. As aeronaves adquiridas eram do modelo Lockheed P2V-5 Neptune, uma variante amplamente produzida entre 1951 e 1954,  

Essas plataformas, representavam um avanço significativo na capacidade de patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW) do país. Equipadas com uma suíte eletrônica sofisticada para a época, as aeronaves incluíam o radar de longo alcance General Electric AN/APS-20, capaz de detectar alvos de superfície a distâncias superiores a 200 milhas náuticas; sistemas de contramedidas eletrônicas (CME) para evadir radares inimigos; o radar de precisão AN/APS-8 para identificação detalhada; o detector de anomalias magnéticas (MAD) AN/ASQ-8, essencial para localizar submarinos metálicos submersos; e os sistemas de sonoboias acústicas passivas e ativas "Julie" e "Jezebel", que permitiam a detecção de ruídos submarinos por meio de boias lançadas ao mar. Para buscas visuais noturnas, contavam ainda com um poderoso farol de busca de 80 milhões de lúmens, instalado no tanque da asa esquerda, iluminando vastas áreas oceânicas em condições de baixa visibilidade. Essa configuração elevou substancialmente a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira (FAB) permitindo missões de longa duração em um período marcado pela tensão geopolítica. Uma vez plenamente operacionais, os P-15, matriculados de FAB 7000 a FAB 7013 e alocados ao 1º/7º Grupo de Aviação "Esquadrão Orungan", assumiram a responsabilidade pelo patrulhamento da zona econômica exclusiva de 200 milhas náuticas ao longo da costa brasileira. Essa área, equivalente a cerca de 3,6 milhões de km², era dividida em duas operações principais: "Norte", cobrindo do litoral baiano até o Norte do país, e "Sul", estendendo-se para o litoral meridional, totalizando uma extensão monitorada de aproximadamente 2.780.000 km². As missões envolviam o despacho das aeronaves mar adentro para esclarecimento e acompanhamento de embarcações suspeitas, margeando a costa brasileira com escalas técnicas em bases como Santa Cruz (Rio de Janeiro), Canoas (Rio Grande do Sul), Belém (Pará) ou Natal (Rio Grande do Norte). Essas operações de longa duração não apenas garantiam a soberania marítima, mas também estabeleceram recordes notáveis para a aviação militar brasileira: em 1961, uma missão registrou 24 horas e 35 minutos de voo contínuo, superada em 1967 por outra de 25 horas e 15 minutos. Um episódio emblemático ocorreu em março de 1972, quando um P-15 interceptou o navio soviético de rastreamento espacial "Yuri Gagarin", ancorado irregularmente no Atol das Rocas, a cerca de 260 km da costa potiguar, para monitorar lançamentos de foguetes do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), estabelecido em 1965 como parte do programa espacial brasileiro. Após várias passagens baixas sobre a embarcação, os soviéticos optaram por abortar a missão e deixar a área, evitando uma escalada diplomática naquela região em plena Guerra Fria.
Para adicionar um toque de identidade algumas aeronaves foram batizadas com nomes de aves marítimas ou peixes, como "Martin", "Giant Petrel" ou "Tubarão", pintados na porção inferior da fuselagem, à frente do emblema do 1º/7º GAV.  Ao longo de sua carreira na Força Aérea Brasileira (FAB), os Lockheed P-15 Neptune participaram de inúmeras operações aeronavais, entre estas mais proeminentes estavam os exercícios multinacionais UNITAS, iniciados em 1960 como uma iniciativa anual liderada pelos Estados Unidos para fomentar a cooperação naval na América Latina . O Brasil, como participante fundador ao lado de países como Argentina, Uruguai e Estados Unidos, integrou os P-15 em diversas edições, realizando treinamentos conjuntos de guerra antissubmarino (ASW), patrulha marítima e manobras anfíbias. No início da década de 1970, restavam apenas dez células operacionais, três aeronaves haviam sido perdidas em acidentes trágicos: o FAB 7001 caiu em 31 de julho de 1962, em Viçosa (Alagoas), durante um voo de treinamento, resultando na morte de todos os nove tripulantes; o FAB 7007 sofreu um acidente em 21 de maio de 1962, logo após a decolagem em uma missão de busca e resgate (SAR) para localizar uma aeronave civil desaparecida (PP-CEO); e o FAB 7008 foi perdido em 29 de agosto de 1963, em circunstâncias operacionais no litoral brasileiro. Os índices de disponibilidade começaram a declinar devido a graves problemas no suprimento de peças de reposição muitos componentes, como os motores Wright R-3350, tornaram-se escassos, levando à canibalização de aeronaves inoperantes para manter as restantes voando. Esse cenário, agravado pelas restrições orçamentárias, culminou na decisão de iniciar um processo gradual de desativação, priorizando a transição para plataformas mais modernas. A última missão de um Lockheed P-15 Neptune na FAB ocorreu em 3 de setembro de 1976, uma patrulha marítima emblemática realizada pela tripulação composta pelo Tenente-Coronel-Aviador Lott, Major-Aviador Beuthner e Capitão-Aviador Nilson, a bordo do FAB 7009. Esse voo marcou o fim de uma era de 18 anos de serviço, durante os quais os P-15 acumularam mais de 22.000 horas de voo, protegendo a soberania brasileira no Atlântico Sul e estabelecendo recordes de endurance. Das aeronaves restantes, oito foram vendidas como sucata,  enquanto duas foram preservadas para honrar seu legado: o FAB 7009 foi colocado em exposição na Base Aérea de Salvador (BASV), onde serviu como monumento à dedicação das tripulações; e o FAB 7010 encontra-se no Museu Aeroespacial (Musal), no Rio de Janeiro. Seu sucessor, o Embraer EMB-111 Bandeirante Patrulha (P-95 "Bandeirulha") apesar de mais sofisticado, não possuía a mesma autonomia de voo ou capacidade de transporte de armamentos. Essa deficiência só seria plenamente sanada a partir de 2011, com a incorporação dos Lockheed P-3AM Orion, modernizados pela EADS (atual Airbus Defence and Space) na Espanha. 

De 25 horas no ar com o avião P-15 ao voo direto Índia–Brasil, FAB soma marcos históricos com suas aeronaves

 

Imagem: Força Aérea Brasileira

No último dia 15 de fevereiro, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou o voo mais longo de sua história na Aviação de Transporte, fato apurado em primeira mão pelo AEROIN e confirmado dias depois pela instituição.

A missão foi conduzida pelo Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte (2º/2º GT) – Esquadrão Corsário, com a aeronave KC-30 (A330), que partiu de Nova Deli com destino a Brasília, cumprindo um voo direto de 18 horas e 45 minutos. O trajeto incluiu a travessia do Mar Arábico, do continente africano e do Oceano Atlântico.

Embora o marco na Aviação de Transporte seja recente e represente um feito inédito, a Aviação de Patrulha também acumula episódios históricos de extraordinária permanência no ar, que evidenciam, em seu tempo, elevados níveis de preparo, resistência e capacidade operacional.

As tripulações do Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV) – Esquadrão Orungan quebraram, por duas vezes, o recorde sul-americano de duração de voo.

Em 8 e 9 de dezembro de 1961, o FAB 7013, um avião de patrulha Lockheed P2V-5 Neptune, designado na FAB como P-15, realizou um voo de Porto Alegre (RS) a Belém (PA), permanecendo 24 horas e 35 minutos no ar. Poucos anos depois, em 22 e 23 de julho de 1967, outro P-15, o FAB 7011, cumpriu uma missão entre Porto Alegre (RS) e Santa Cruz (RJ), com duração de 25 horas e 15 minutos, estabelecendo um novo recorde.

Último voo do P-15 no Brasil – Em 3 de setembro de 1976, o Netuno de matrícula FAB 7009 realizou o último voo dos aparelhos P-15 no Brasil, na Base Aérea de Salvador (BASV).

Após o pouso, o FAB 7009 foi destinado a um monumento na BASV, onde permanece como símbolo da participação dos P-15 na história do 1º/7º GAV e da Aviação de Patrulha no Brasil. Durante sua operação na Força Aérea Brasileira, os P-15 acumularam um total de 22.761 horas de voo. O FAB 7009 foi a aeronave mais utilizada, com 2.790 horas ao longo de seus 18 anos de serviço.

Durante os 18 meses em que o 1º/7º GAV permaneceu sem material aéreo operacional, o então Comando Costeiro (COMCOS) determinou que suas atividades fossem temporariamente assumidas pelo Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), unidade de Busca e Salvamento (SAR) sediada, à época, na Base Aérea de Florianópolis (SC) e equipada com aeronaves Grumman SA-16A Albatroz. A medida permitiu suprir provisoriamente a ausência de equipamentos na unidade até a chegada das novas aeronaves.

Ainda em 1976, o Esquadrão recebeu dois C-95 executivos (FAB 2187 e 2188), utilizados no adestramento e na capacitação dos aeronavegantes. Os primeiros P-95 entraram em operação em setembro de 1977 e passaram a atuar no 1º/7º GAV em abril de 1978, trazendo novo impulso ao Esquadrão e ampliando a capacidade operacional e a independência tecnológica da Aviação de Patrulha brasileira.

Atualmente, a FAB opera dois modelos nessa função: o P-95 Bandeirulha e o P-3AM Orion, ambos reconhecidos por seu longo alcance e elevada autonomia, características essenciais para missões de patrulha de longa duração.

Aviação de Patrulha – Para monitorar a área de responsabilidade do Brasil no Oceano Atlântico, a FAB conta com três Esquadrões de Patrulha ao longo da costa. As aeronaves P-3AM Orion são operadas pelo Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV) – Esquadrão Orungan, sediado no Rio de Janeiro.

Já as aeronaves P-95M Bandeirulha são operadas pelo Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAV) – Esquadrão Phoenix, localizado em Canoas (RS), e pelo Terceiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (3º/7º GAV) – Esquadrão Netuno, sediado em Belém (PA).

O mais antigo dos Esquadrões de Patrulha, o Orungan, é responsável por realizar as Ações de Patrulha Marítima (PATMAR), Busca e Salvamento (SAR), Controle Aéreo Avançado (CAA), Posto de Comunicação Aeroespacial (P Com-Aepc), Reconhecimento Aeroespacial (Rec Aepc) e Antissubmarino (AS). Dentre essas atribuições, destaca-se a Guerra Antissubmarino (do termo em inglês Anti-Submarine Warfare – ASW), destinada a buscar, detectar, identificar, acompanhar, neutralizar ou destruir submarinos inimigos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

PORQUE A COMPANHIA AEREA THOMAS COOK FALIU!!!

 



Thomas Cook, organização enorme, com uma vasta rede de programas de férias e viagens e sua própria companhia aérea, faliu depois que não conseguiu um resgate de 200 milhões de libras. Mas o que eles fizeram de errado? Vamos dar uma olhada.

A dívida

A história de sua queda começa com uma dívida bem massiva.

Em 2011, a empresa recebeu uma dívida de 2 bilhões de libras esterlinas por inevitavelmente ter que obter um empréstimo de um consórcio de bancos, liderado pelo Banco da Escócia. Eles tentaram superar o atraso emitindo novas ações no valor de 425 milhões de libras. Mas, como mencionado neste resumo da BBC, alguns anos depois todo esse capital de giro foi queimado e a dívida foi reduzida para apenas 1,6 bilhão de libras.

Estranhamente, foram emitidos dividendos aos acionistas em 2017, praticamente distribuindo dinheiro para aqueles que compraram ações quando o dinheiro (e isso é subjetivo) deveria ter sido usado para o fluxo de caixa.

Mas mesmo com uma dívida enorme, a empresa ganhava mais de um bilhão de libras por ano em vendas anuais, então o que mais seria o culpado por ela não se recuperar o mais rápido o suficiente?

A empresa tentou vender sua companhia aérea no início deste ano. Foto: Thomas Cook

Alterando as condições do mercado

A empresa de turismo culpou o clima em 2018, alegando que a vasta onda de calor reduziu a demanda por viagens de verão de países do norte da Europa geralmente mais frios.

“Os primeiros seis meses deste ano foram caracterizados por um ambiente de consumo incerto em todos os nossos mercados”, disse o executivo-chefe Peter Fankhauser ao Independent em maio de 2019.

 

“A onda de calor prolongada no verão passado e os altos preços nas Canárias reduziram a demanda dos clientes por sol de inverno, particularmente na região nórdica, enquanto agora resta dúvidas de que o processo Brexit tenha levado muitos clientes do Reino Unido a adiar seus planos de férias para este verão”.

A incerteza contínua do Brexit (e o que isso significa para as companhias aéreas e turistas) fez com que alguns clientes regulares interrompessem seus planos normais de férias. Como você deve se lembrar, o Brexit deveria entrar em vigor várias vezes este ano, com uma série de atrasos quase cômicos. Cada data de vencimento está associada a uma queda nas viagens ao exterior da Inglaterra e a queda no poder da libra fez com que Thomas Cook se tornasse cada vez mais caro.

Além disso, houve uma tendência de mudança nos clientes que fazem seus próprios planos de viagem. Está muito mais fácil encontrar voos mais baratos de companhias aéreas europeias de baixo custo com ofertas de hotéis que passam por um vasto operador turístico, como Thomas Cook, à moda antiga. Isso vem se refletindo nos problemas contínuos das empresas com o fluxo de caixa ao longo dos anos.

 

As companhias aéreas de Thomas Cook foram afetadas pela incerteza política e econômica e pelos altos custos de combustível. Foto: Thomas Cook

Outras falhas incluem encontrar um comprador para sua companhia aérea interna e fundos adicionais, que fizeram a empresa lentamente se desfazer e acabar onde está hoje. E nem sequer mencionamos os mesmos problemas que afetam as companhias aéreas na Europa (e em todo o mundo), altos custos de combustível e concorrência de outras companhias aéreas de baixo custo.

Thomas Cook não falhou devido à má administração, às mudanças nas condições do mercado ou à instabilidade política, mas a milhares de pequenos problemas que foram ignorados ou até mesmo administrados bem lentamente, conforme o tempo passou tudo isso foi minando e por consequência, resultando num colapso estilo efeito dominó.

EMBRAER TEM SUA PROPRIA COMPANHIA AEREA A PIONEER AIRLINES?

 Soa um pouco estranho para uma fabricante de aeronaves ter sua própria companhia aérea, mas essa ideia parece ser o caso da fabricante Brasileira de aviões Embraer.



Parece estranho para um fabricante de aeronaves ter sua própria companhia aérea e, no entanto, a fabricante brasileira de aviões Embraer tem a “Pioneer Airlines”. Agora voando por cinco anos, para onde esta companhia aérea voa e para que tipo de passageiros ela é direcionada? Vamos descobrir!

Fundada em 2017

Há cinco anos, em 2017, a Embraer oficializou sua própria “companhia aérea” para acelerar a certificação da nova Família de E-Jets. A empresa usou essa companhia aérea interna para voar em operações aéreas simuladas, incluindo horários de alta frequência e ciclos altos, bem como voos em clima frio na América do Norte.

O objetivo, observa a Embraer em seu site, era que a Pioneer Airlines “garantisse uma suave entrada e bem-sucedida do E2 no mercado“. “Estamos construindo um rotina diária em nossa própria companhia aérea para garantir que esta aeronave chegue ao mercado super robusta e super madura”, diz Priscila Doro, gerente de marketing técnico da Embraer, em um vídeo. Carlos Silveira, Engenheiro de Testes de Voo da Embraer, acrescenta que, através da Pioneer, a fabricante de aviões vai poder dar ao seu cliente “um novo porém maduro E2, pronto pra funcionar, como já se estivesse operando numa companhia aérea .”

Mas é mesmo uma companhia aérea?

A Embraer afirma em seu marketing que a Pioneer é “uma companhia aérea dentro da Embraer com uma missão muito real”. Embora a missão possa ser muito real, parece que a companhia aérea não. De fato, se dermos um passo para trás e olharmos para as atividades da Pioneer Airlines, basicamente parece que este nome de companhia aérea é simplesmente um atribuído à equipe de testes de voo E2 da Embraer.

Embora a “companhia aérea” possa ter voado em operações aéreas simuladas, incluindo algumas operações de alta frequência, até então, não parece ter transportado nenhum público com reservas reais de voos e cartões de embarque. Diante desses detalhes, a Pioneer Airlines atenderia aos critérios para ser chamada de companhia aérea?

 

Embraer 4 pack

Pioneer Airlines é simplesmente o nome da equipe de testes de voo do E-Jet E2 da Embraer. Foto: Embraer

Então, o que faz uma companhia aérea?

O próprio documento de fundação da ICAO, muitas vezes referido como a “Convenção de Chicago”, afirma que “Companhia aérea” significa qualquer empresa de transporte aéreo que ofereça ou opere um serviço aéreo internacional, com “serviço aéreo” definido como voos regulares “realizados por aeronaves para o transporte público de passageiros, correio ou carga.” Para os propósitos da convenção, a palavra internacional foi incluída, mas a maioria concordaria que o serviço doméstico também contaria.

Sem se aprofundar muito nas definições específicas e nos detalhes técnicos legais, não parece que a Pioneer Airlines atenderia à própria definição de companhia aérea da ICAO.

Independentemente de onde esteja a legitimidade da Pioneer Airlines como companhia aérea, o time da Embraer parece ter cumprido com sucesso a missão de sua companhia aérea – entregar uma aeronave sólida e funcional para o cliente do Embraer E2. A transportadora regional norueguesa foi selecionada para ser o cliente de lançamento global do recém-desenvolvido carro-chefe da Embraer em 2017, com o avião entrando oficialmente em serviço em abril de 2018. A companhia aérea opera atualmente três aeronaves E190-E2.