Ordem do Dia da Aviação de Caça
Brasília, 22 de abril de 2026.
Há datas que não apenas marcam o calendário, elas definem identidade. Não se limitam a recordar um acontecimento, elas revelam quem somos, transformam-se em referência moral, em ponto de convergência entre passado, presente e futuro.
São marcos que atravessam gerações, preservando valores que o tempo não desgasta, como a coragem diante da adversidade, a lealdade entre companheiros e o compromisso absoluto com a missão. Datas assim não sobrevivem por mera formalidade, sobrevivem porque foram escritas com muita dor e sacrifício.
O 22 de abril é uma dessas datas!!
Não nasceu de cerimônia e muito menos foi instituído por conveniência. Nasceu do fogo, nasceu do aço, nasceu da decisão consciente de homens que aceitaram enfrentar a guerra longe de casa para honrar, nos céus da Europa, a confiança que a Pátria neles depositou.
Quando o então Major Aviador Nero Moura assumiu a missão de comandar o 1º Grupo de Aviação de Caça, ele sabia que não se tratava apenas de organizar uma unidade aérea. Era preciso forjar espírito, construir confiança, preparar brasileiros para um conflito real, onde cada decolagem poderia ser a última. Ele próprio fez questão de voar em combate, liderando pelo exemplo, porque, como defendia, o comandante que exige coragem deve ser o primeiro a demonstrá-la.
No dia 22 de abril de 1945, já no auge da Ofensiva da Primavera, o Grupo de Caça foi chamado a intensificar ataques contra alvos estratégicos que sustentavam a retirada das forças inimigas. Com apenas 22 pilotos disponíveis, muitos desgastados por meses de combate e pela perda de companheiros, a unidade realizou 44 surtidas em um único dia.
Alguns voaram mais de uma vez naquela jornada. Reabasteciam, rearmavam e decolavam novamente. Os pilotos sabiam que o êxito da ofensiva terrestre dependia da eficácia dos ataques aéreos.
Os resultados obtidos nas semanas finais da campanha confirmaram a dimensão da contribuição brasileira. Mesmo integrando uma estrutura maior, o 1º Grupo de Aviação de Caça destacou-se de maneira proporcionalmente superior na neutralização de alvos estratégicos, enfraquecendo de forma decisiva a capacidade logística do inimigo.
Mas guerra não se faz apenas no ar.

Por trás de cada decolagem havia o esforço silencioso e incansável dos mantenedores de solo. Mecânicos, armeiros, especialistas em suprimento, comunicações e inúmeras outras áreas trabalharam sob frio, chuva e constante ameaça, garantindo que cada aeronave estivesse pronta para cumprir a sua missão. Sem substituições, com recursos limitados e submetidos às mesmas privações da guerra, esses homens foram parte decisiva do êxito alcançado.
O reconhecimento internacional veio na forma da Presidential Unit Citation, distinção concedida apenas às unidades que demonstram heroísmo extraordinário em combate.
Entretanto, mais do que condecorações, o que se consolidou foi uma herança moral.
O 22 de abril tornou-se o Dia da Aviação de Caça porque, naquele dia, evidenciou-se algo maior que estatísticas. Revelaram-se caráter e profunda abnegação. Confirmou-se a maturidade de uma Força Aérea, que ainda jovem, demonstrou ser capaz de operar com eficiência, coragem e profissionalismo no cenário mais exigente possível.
Hoje, ao olharmos para nossos esquadrões, para nossas aeronaves e para nossos homens e mulheres, pilotos e mantenedores, reconhecemos a mesma essência. A tecnologia evoluiu, os cenários mudaram, mas o espírito permanece idêntico: estar prontos, estar presentes, onde o Brasil precisar.
Dos P-47 Thunderbolt aos F-5M, A-1M, A-29 e F-39 Gripen, permanece inalterado o compromisso com a soberania do espaço aéreo e com a defesa da Pátria.
Que o exemplo de Nero Moura e de seus comandados nos recorde que liderança se exerce com presença, que excelência se constrói com preparo diário e que o espírito da caça não se improvisa, cultiva-se.
Que cada piloto sinta o peso honroso dessa tradição ao ajustar o seu capacete. Que cada mantenedor reconheça que sua dedicação silenciosa sustenta a soberania do espaço aéreo brasileiro. Que cada integrante da Aviação de Caça compreenda que é herdeiro de uma linhagem iniciada sob fogo real, e que o exemplo daqueles jovens de 1945 continue a ecoar, inspirando a nossa gloriosa Força Aérea na arte de bem servir o nosso País.
Viva a Aviação de Caça Brasileira!
Senta a Púa!
Brasil!