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domingo, 18 de janeiro de 2026

Conheça os 10 aviões comerciais mais produzidos da história

 Ranking mostra os dez aviões mais fabricados na história da aviação mundial




O E-Jet é o único representante brasileiro no Top 10, que tem modelos dos EUA, Europa, Canadá e União Soviética como outros destaques - Embraer

A produção de um avião comercial envolve muito estudo de mercado, viabilidade técnica e financeira. Um projeto que não reverta em boas vendas pode levar uma fabricante à falência, ou mesmo revelar-se uma grande frustração de mercado, como ocorreu com o Airbus A380 por exemplo, que gerou expectativas além do esperado e encerrou com menos de um quarto dos pedidos planejados.

Aviões bem dimensionados para as necessidades da maioria das companhias aéreas podem trazer bons frutos ao fabricante, como gerar bom caixa, elevar a empresa à referência global, aumentar o valuation, etc.

Neste quesito, Airbus e Boeing são os destaques, onde os A320 e 737 respectivamente, são considerados best sellers do mercado mundial.

Ainda assim, a Airbus e Boeing não estão sozinhas no ranking de maiores fabricantes de aviões comerciais, disputando o mercado com outras marcas. A seguir, listamos as dez aeronaves comerciais mais produzidas de todos os tempos, incluindo modelos históricos que marcaram a aviação mundial.

Uma vez que vários destes modelos também tiveram versões para uso militar, o número dessas variantes não influenciaram de forma significativa o valor total, entrando, dessa maneira, como número absoluto para a confecção do ranking abaixo. A lista considerou os exemplares produzidos desde seus respectivos início de produção até o seu fim, ou mesmo, até o ano consolidado de 2022.

10º - Antonov An-24 (1959 – 1979)

  • Total de aviões produzidos: 1.367

An-24

O avião fez seu primeiro voo em 1959 e entrou em serviço apenas em 1962, mas permanecendo ativo até hoje em diversas empresas aéreas e forças militares do mundo.

A UTair Cargo, Angara Airlines, IrAero, Yakutia Airlines e Air Koryo são algumas das empresas que utilizaram o An-24 ao longo dos anos. Há uma versão do An-24 projetado para o transporte de cargas, batizado de An-26 e que vendeu 1.403 unidade até o ano de 1986.

9º - Boeing 747 (1968 – 2023)

  • Total de aviões produzidos: 1.574

747

Conhecido como Jumbo Jet ou “Rainha dos Ares” o icônico quadrimotor fabricado pela Boeing realizou seu voo em 9 de fevereiro de 1969 e transformou o transporte aéreo. Com capacidade quase duas vezes maior que qualquer avião da época, o 747 permitiu a popularização das viagens aéreas internacionais.

A então Pan American World Airways foi a primeira companhia a receber um 747, em 22 de janeiro de 1970, iniciando na sequências os primeiros voos entre Nova York e Londres.

A origem do Jumbo Jet estava relacionada com um projeto militar para um supercargueiro, que foi vencido pela Lockheed com o C-5 Galaxy. Com as bases gerais para um avião de grande porte, a Boeing ofereceu o conceito básico ao mercado, o que agradou o então presidente da Pan American,Juan Trippe, que esteve envolvido em todo o processo de desenvolvimento. O pedido inicial ocorreu em 1966, quando a empresa encomendou 25 unidades do 747-100, com valor total de US$ 525 milhões (mais de US$ 3,2 bilhões atualmente).

O modelo tornou-se símbolo de prestígio e foi operado por grande parte das empresas aéreas no mundo. No Brasil a Varig foi a única a voar com o 747, em suas versões -200, -300 e 400.

O último modelo, o 747-8 foi lançado nos anos 2000 e obteve vendas modestas, agradando principalmente ao mercado cargueiro por sua fuselagem ligeiramente alongada e a maior capacidade de carga e alcance. O último avião foi entregue em 2023.

8º - Airbus A330 (1992 - Atualmente)

  • Total de aviões produzidos: +1.600

A330

O Airbus A330 é um avião do tipo widebody de longo alcance desenvolvido pela Airbus como resposta ao crescente mercado de voos internacionais de média capacidade e longo alcance.

O avião foi lançado como parte de uma família, que teve como irmão mais velho o A340. Um dos diferenciais do projeto foi criar dois aviões com capacidade e alcance similares, mas com foco em operações ligeiramente diferentes. O A340 nasceu como um quadrimotor, enquanto o A330 um bimotor. Ambos compartilham basicamente tudos os sistemas e estruturas, incluindo as asas.

O A330-300, versão de maior capacidade, realizou seu primeiro voo em 2 de novembro de 1992 e entrou em operação em 17 de janeiro de 1994 com a Air Inter. Na sequência a Airbus lançou o A33-200, que tinha capacidade ligeiramente menor, mas quase o dobro do alcance.

O A330 é amplamente utilizado por diversas companhias aéreas, incluindo Turkish Airlines, Cathay Pacific, China Eastern Airlines e Delta Air Lines, entre outras. No Brasil a TAM iniciou sua relação com a Airbus com os A330, que permitiram a empresa voar pela primeira vez para os Estados Unidos e logo depois Europa. O A330 também se tornou o maior avião já operado pela FAB.

7º - Boeing 777 (1993 - Atualmente)

  • Total de aviões produzidos: +1.677

Boeing 777X

Conhecido como “Triplo Sete”, o 777 é uma aeronave widebody de longo alcance, desenvolvido pela Boeing no final dos anos 1980. O avião foi criado como uma resposta ao crescente mercado de grance capacidade e longo alcance, visando preencher a lacuna entre o 767 e o 747, com potencial para substituir os McDonnell Douglas DC-10 e Lockheed L-1011. Lançado oficialmente em outubro de 1990, o 777 se tornou o maior bimotor já fabricadoe teve a United Airlines como cliente de lançamento.

O protótipo foi apresentado em abril de 1994, realizando seu primeiro voo em 12 de junho. O 777-200 foi inicialmente lançado com alcance para voar  nos voos costa a costa nos Estados Unidos e nas rotas do Atlântico Norte, mas logo a Boeing introduziu o 777-200ER, de alcance estendido. Na sequência foram lançados os 777-300, com fuselagem alongada e voltado para voos de média distância e grande capacidade; o 777-300ER voltado para voos de longo alcance e alta capacidade; assim como o 777-200LR para voos de ultralongo alcance e média capacidade. Em 2005, a Boeing lançou a versão cargueira derivada do 777-200LR, com a primeira unidade sendo entregue à Air France.

Em novembro de 2013 a Boeing lançou a família 777X, composta pelos 777-8 e 777-9, para disputar o mercado com os então recém-lançados A350-900 e A350-1000, além de ser um substituto para os 747-400 e A380.

O 777-8 tem capacidade para 395 passageiros e alcançe de 16.200 quilômetros, enquanto o 777-9 em configuração padrão acomoda até 426 assentos e o alcance é de 13.490 quilômetros. Todavia, ambos aviões enfrentam atrasos na produção e certificação, sem data prevista para entrar em serviço. A previsão inicial era 2020.

6º - Embraer E-Jet Family (2001 – Atualmente)

  • Total de aviões produzidos: +1810

E2

Lançados durante o Paris Air Shoe de 1999, o E-Jets foi a primeira família de jatos regionais da Embaer lançados como um projeto totalmente novo, já que os ERJ eram derivados do projeto básico do EMB-120 Brasília. A família E-Jet é composta pelos E170, E175, E190 e E195 voltados para o mercado regional de curto e médio alcance, com média capacidade.

Os aviões têm capacidade para transportar entre 72 e 124 passageiros e entraram em produção em 2002. A primeira entrega foi realizada em 17 de março de 2004 para a LOT Polish Airlines.

Com a remotorização dos aviões de fuselagem estreita, a Embraer seguiu a tendência do mercado e lançou no Paris Air Show de 2013 a família E-Jet E2, que conta com novas asas, motores, aviônica e capacidade ampliada. Embora oficialmente composto pelos E175 E2, E190 E2 e A195 E2, o primeiro ainda não foi certificado e aguarda a definição do futuro do mercado de aviação comercial regional dos Estados Unidos. A justificativa é o avião ser ligeiramente mais pesado do que prevê as regras da aviação regional.

5º - Boeing 727 (1962 – 1984)

  • Total de aviões produzidos: 1.832

727

O Boeing 727 foi desenvolvido pela Boeing no início dos anos 1960 para atender voos de grande capacidade em etapas curtas e média, podendo inclusive operar em aeroportos menores que o 707, seu antecessor. O programa foi lançado após as encomendas da United Airlines e Eastern Airlines.

O primeiro voo ocorreu em fevereiro de 1963, e, um ano depois, o modelo entrou em operação pela Eastern Airlines. Foram lançadas duas versões, o 727-100 para até 126 lugares e alcance de 4.100 quilômetros; e o 727-200 para 189 assentos, em configuração de alta densidade, e alcance de 3.500 quilômetros. A série Advanced ampliou o alcance do 727-200 para 4.700 quilômetros. A produção do 727 durou mais de 20 anos, com a última unidade sendo fabricada em setembro de 1984, quando totalizou 1.832 aeronaves construídas.

O 727 é o único trijato produzido pela Boeing e foi equipado com motores Pratt & Whitney JT8D localizados na parte traseira, com cauda em formato de "T". O avião tinha como plataforma a estrutura básica do 707.

4º - CRJ Series (1991 – 2020)

  • Total de aviões produzidos: 1.945

CRJ

A série Canadair Regional Jet, conhecida como CRJ, foi lançada pela Bombardier Aerospace logo após assumir a Canair no final dos anos 1980. O primeiro modelo, o CRJ100 foi lançado em 1991, como um derivado direto do jato de negócios Challenger, oferecendo um avião de médio alcance e capacidade para até 50 lugares, tendo como cliente de lançamento a Lufthansa CityLine. O CRJ200 foi desenvolvido na sequência e logo se tornou o maior rival da recém-lançada família ERJ da Embraer, com ambos os fabricantes protagonizando diversos embates internacionais sobre uso indevido de subsídios.

Com o crescimento do mercado regional a Bombardier anunciou, em 1999, o lançamento do CRJ700 Series, uma nova família com maior capacidade e alcance. O CRJ1000 o maior membro da família tem 39,1 metros de comprimento e capacidade para até 104 passageiros. Como comparação, o pioneiro CRJ100 tem 26,77 metros de comprimento e cinquenta assentos

Após uma série de disputas por espionagem contra a Bombardier, que enfrentava uma situação de pré-falência, Mitsubishi Heavy Industries adquiriu o programa após a entrega de 1.945 aeronaves CRJ. O fabricante japonês passou a ser responsável pelo pós-venda, sem no entando dar continuidade ao programa.

3º - Airbus A320 (1986 - Atualmente)

  • Total de aviões produzidos: +11.600

A321XLR

Após o desenvolvimento dos modelos A300 e A310, a Airbus direcionou sua atenção ao mercado de aeronaves de corredor único, que era dominado pelo Boeing 737 e pelo Douglas DC-9.

Assim, a família A320 foi a primeira familía de aviões de corredor único desenvolvida pela Airbus e que de destacava pelo amplo uso de tecnologia embarcada, inclusive pelo pioneiro emprego de fly-by-wire na categoria.

O protótipo do A320 realizou o primeiro voo em 22 de fevereiro de 1987 e foi entregue para a Air France em 18 de abril de 1988.

Criado sob o conceito de família, o A321 foi o segundo avião lançado, ganhando uma fuselagem alongada e de maior capacidade de transporte. O objetivo era atender rotas de curta distância e alta demanda. No lado inverso, foram lançadas versões com a fuselagem encurtada, com o A319 e o A318 também foram desenvolvidas para competir no mercado de jatos regionais, com capacidade entre 100 e 130 lugares.

Com o surgimento de uma nova geração de motores a Airbus lançou no final de 2010 o A320neo, acrônimo em inglês de nova opção de motores. A nova família recebeu motores mais eficientes e silenciosos, além de alguns refinamentos aerodinâmicos, como os chamados sharklets, nas pontas das asas. A nova família se tornou a mais bem-sucedida da história, acumulando centenas de pedidos no lançamento. Além disso, marcou uma mudança conceitual no mercado.

O A321 ganhou três novas versões: O A321neo voltado para o mercado de médio alcance e alta capacidade; o A321LR, de longo alcance e média capacidade; e o A321XLR, criado para rotas de ultralongo alcance e média capacidade. A expectativa é que o modelo possa competir até mesmo com os A330 e 787-8 em rotas com menor demanda de passageiros. Já o A319neo obteve vendas tímidas, com menos de setenta encomendas e deixou de ser prioridade, com a Airbus apostando nas vendas do A220.

Por fim, o A318 que acumulou apenas oitenta pedidos foi descontinuado e não foi incluido série Neo.

2º - Boeing 737 (1967 - Atualmente)

  • Total de aviões produzidos: +11.870

737-800

O 737 destaca como o avião mais produzido da história da aviação comercial, com mais de 11.870 unidades entregues até agosto de 2024. O voo inaugural do pioneiro 737-100 ocorreu em 9 de abril de 1967, com a primeira entrega feita para a alemã Lufthansa em 10 de fevereiro de 1968. 

A família 737 continua bastante popular entre companhias aéreas em todo o mundo, em especial entre operadores de baixo e ultrabaixo custo, como a Southwest Airlines e Ryanair. No Brasil a Gol Linhas Aéreas se tornou o maior operador da família 737 em toda a história, tendo voado com modelos das séries Classic, NG e MAX.

O desenvolvimento do 737 foi motivado pela necessidade do mercado em operar em rotas curtas e de baixa demanda, o que exigia uma aeronave menor que o 727. A Douglas foi a primeira a responder a demanda com o Douglas DC-9, que entrou em serviço em 1965.

A primeira geração do 737 inclui os 737-100 e 737-200, seguidos pela segunda geração, conhecida como 737 Classic, que trouxe melhorias significativas, como novos motores e nova aviônica.

A terceira geração, designada como 737 Next Generation (737 NG), incluiu os 737-600 até o 737-900 e são a maioria dos 737 atualmente em operação. O 737-800 se tornou o modelo mais produzido da história, com 4.991 aviões entregues, seguido de longe pelo 737-700 que com 1.130 unidades fica no segundo lugar, seguido do 737-300 com 1.113 entregas.

A mais nova geração, o 737 MAX, lançado em 2011, é a mais recente e avançada, recebendo uma série de melhorias, inclusive novos motores mais eficientes. O modelo ainda ficou marcado como o primeiro da Boeing a ser impedido de voar, onde obteve o nada honrado recorde de proibição de voo, quando ficou quase dois anos fora de serviço em todo o mundo.

1º – Douglas DC-3/C-47 (1936 – 1942)

  • Total de aviões produzidos: ~16.079

DC-3 TWA

O Douglas DC-3 foi inicialmente projetado como um avião de passageiros, mas após a produção de apenas 607 variantes civis, foi redirecionado para atuar também como transporte de tropas e cargas militares, onde foi designado como C-47 na força aérea do exército (USAAF, na sigla em inglês) e R4D-8 na marinha (US. Navy). Como modelo militar recebeu algumas mudanças estruturais, incluindo uma ampla porta de cargas. Seu uso em larga escala na II Guerra Mundial foi a chave para o sucesso e a longevidade do modelo.

A produção total do DC-3 inclui apenas 607 unidades, que se somam a aproximadamente 10.074 C-47, mais de cem R4D-8 (alguns forma convertidos de C-47) que foram fabricados nas unidades da Douglas Aircraft em Santa Monica e Long Beach, ambas na Califórnia. Porém, quase metade da produção ocorreu em Oklahoma City, no estado de Oklahoma, onde mais de 5.300 foram fabricados.

Também foram produzidas entre 4.937 e 6.157 unidades sob licença pela GAZ/State Aircraft Plant No. 84 na União Soviética até 1950, conhecidas como Lisunov Li-2, com o nome de relatório da OTAN como "Cab". Além disso, outros 487 aviões no Japão, onde foram designados como L2D, sendo 71 unidades montadas pela Nakajima e os demais pela Showa Aircraft.

O total de aviões derivados do DC-3 é incerto, com pouca confiabilidade nos dados soviéticos e sofrendo algumas pequenas variações, conforme a fonte, no total produzido nos Estados Unidos.

A evolução das aeronaves comerciais: do Wright Flyer aos jatos modernos

 Quem olha para o céu e observa uma linda e moderna aeronave comercial voando pelos ares talvez não imagine o quão incrível foi a jornada de evolução pela qual passou a aviação comercial, no mundo e no Brasil. São histórias incríveis, que começam com a construção do Wright Flyer e vão até os dias atuais, com jatos ultramodernos e tecnológicos. 


A evolução das aeronaves: onde tudo começou 


Podemos começar esta jornada de evolução das aeronaves comerciais pelo ano de 1903, quando os irmãos americanos Orville e Wilbur Wright construíram a sua primeira aeronave, chamada de Wright flyer, a primeira registrada na história da aviação.

Quanto ao primeiro voo registrado, há dois momentos importantes na história da aviação, que merecem destaque e que até hoje geram conversas e debates.

Temos o primeiro voo dos irmãos Wright, datado de 1903, que contou com a ajuda de uma catapulta para impulsionar a aeronave.

E temos também o voo realizado pelo brasileiro Santos Dumont, considerado o pai da aviação, em 1906, que é visto como o primeiro voo público a bordo do icônico 14 Bis. 

Uma grande diferença em relação ao voo lançado pelos irmãos é que Dumont não usou nenhum recurso, como rampa ou catapulta, para pôr o avião no ar.

Estes foram os primeiros de muitos momentos que transformaram a aviação e ajudaram a aperfeiçoar o processo de construção de aeronaves. O próprio Wright Flyer passou por um processo de melhorias e, pouco tempo depois, surgiu o Wright Flyer II, que teve uma vida mais produtiva e bem-sucedida.

Primeira aeronave projetada para uso comercial

Menos de uma década após o surgimento do Wright Flyer, foi a vez da história dar início a jornada rumo ao primeiro voo de uma aeronave comercial.

Podemos considerar o Sikorsky Ilya Muromets como sendo o primeiro avião projetado para uso comercial.

Ele foi desenvolvido no antigo império russo, podendo transportar 16 pessoas, em cabines de luxo, realizando viagens de até 1.000 km, voando a uma velocidade média de 110 km/h. 

Explorando os avanços tecnológicos na aviação: do passado ao futuro

Tudo caminhava para o sucesso do avião como uso comercial, porém estávamos em 1913 e o mundo estava prestes a viver a sua primeira grande guerra mundial.

Assim, a aeronave acabou sendo melhor aproveitada na função de bombardeiro durante o período da guerra, já que ele era capaz de voar carregando até 800 kg de bombas, ou passageiros. 

O primeiro voo comercial


Em 1914 tivemos, enfim, o primeiro voo de natureza comercial.

O voo foi realizado no dia 01/01/1914, marcando o início de um ano inesquecível e ligando as cidades de Saint Petersburg e Tampa, ambas na Flórida. 

O voo, de 23 minutos, percorreu 17 milhas de distância e foi feito em um hidroavião. Ele foi pilotado por Tony Jannus, que entrou para a história da aviação comercial.

Como curiosidade, vale o registro de que o voo teve apenas um passageiro: o então prefeito da cidade de Saint Petersburg, Abram Pheil.

As primeiras companhias aéreas e suas aeronaves


Estamos em 7 de outubro de 1919, data que marca a fundação da primeira companhia aérea do mundo, a KLM. 

A década seguinte foi marcada pela fundação de novas companhias aéreas, que realizavam voos domésticos com uma estrutura que se mostrava ainda tão desconfortável que as empresas acabavam contratando enfermeiras para reduzir os danos e tratar da ansiedade dos passageiros.

Em 1935, a Qantas operou o primeiro voo internacional de passageiros, indo de Brisbane, na Austrália, até a Singapura, marcando uma nova era para a aviação comercial.

Logo em seguida, a famosa companhia aérea americana Pan Am operou o primeiro voo transatlântico, entre San Francisco, nos Estados Unidos, e Manila, capital das Filipinas.

O Boeing 274


É preciso dizer que esta época (década de 1930) é marcada pelo surgimento do Boeing 274, o primeiro avião comercial moderno.

Foi a partir dele que a aviação comercial evoluiu para estágios próximos aos de hoje.

Ele possuía trem de pouso retrátil, fuselagem e asas de alumínio, era rápido, alcançando 320 km/h, e vinha equipado até mesmo com sistema de piloto automático.

A aeronave voou em terras brasileiras, na década de 1940, com a companhia Viação Aérea Bahiana.

O Douglas DC-3 


A aeronave Douglas DC-3 foi construída para ser rival do Boeing 247 e entrar no mundo da aviação comercial, que ficava cada vez mais competitivo.

O grande fato relacionado à sua jornada pelo planeta é que ele foi um dos grandes responsáveis pela expansão da aviação comercial no mundo.

Isso porque ele teve mais de 10 mil aeronaves produzidas, permitindo que alçasse voos por diversos países mundo afora.

Sua capacidade era de 28 passageiros e certamente foi a primeira aeronave de muitas companhias aéreas ao redor do planeta.

No Brasil, voou com tradicionais empresas como a VASP e a Varig. 

Boeing 307 Stratoliner


O Boeing 307 trouxe uma grande novidade para o mercado de aeronaves comerciais e entrou para a história como o primeiro avião comercial com cabine pressurizada.

Ele podia voar a mais de 6.000 metros de altitude, o que permitia voos mais seguros e rápidos, porém, foi um fracasso comercial retumbante, sendo produzidas somente 10 unidades, em contraste com as 10.000 unidades produzidas do Douglas DC-3.

Concorde, o avião que mudou a aviação


O Concorde foi a aeronave que nos trouxe de fato para a era moderna da aviação comercial.

Com capacidade de transportar até 100 pessoas, a aeronave nasceu de um acordo industrial estratégico entre os governos da Inglaterra e da França, que tinham o objetivo de conquistar o feito de criar uma aeronave supersônica para o transporte exclusivo de passageiros a uma velocidade supersônica Mach 2, cerca de 2.200 km/h.

O Concorde começou a operar comercialmente em 1976, sete anos depois de seu primeiro voo teste.

Sua velocidade era tão impressionante que em 1985 o supersônico conquistou um grande feito após decolar de Boston no mesmo momento em que um Boeing 747 da Air France decolou de Paris. O Concorde pousou em Paris, fez serviços de solo por cerca de uma hora, seguiu novamente para Boston e, ainda assim, pousou exatos 11 minutos antes do Boeing 747.

Boeing 747 e 777


Não é preciso nem ser um entusiasta da aviação para já ter ouvido falar do Boeing 747.

O Boeing 747 foi, durante quase 4 décadas, o maior avião de passageiros do mundo, superado apenas pelo Airbus A380. 

Ele também era conhecido como Jumbo ou ainda de Queen of the Skies (Rainha dos Céus).

Ele entrou para a história por ser um dos responsáveis por popularizar viagens internacionais, já que possuía assentos para mais de 400 passageiros, criando a possibilidade das empresas equilibrarem os preços das passagens e os custos de operação.

Já o Boeing 777 é a maior aeronave bimotor a jato da atualidade, com capacidade para mais de 350 passageiros.

Ele entrou para a história da aviação comercial por ter sido o primeiro avião comercial desenvolvido inteiramente por computador.

O Airbus A350


A nossa viagem chega ao fim com o Airbus A350, certamente um dos aviões mais modernos da atualidade. 

Ela teve seu primeiro voo comercial em 2015, operado pela Qatar Airways, entre Doha e Frankfurt. E tem capacidade para até 440 passageiros.

É o que existe de mais moderno na aviação comercial.

O lado oculto da Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962

 Myasishchev 3M - 3

Myasishchev 3M

Por Sérgio Santana*

Apesar de vários incidentes preocupantes durante a Guerra Fria, o mundo nunca esteve tão perto do Armagedom nuclear quanto durante a crise dos mísseis de Cuba em 1962, quando os Estados Unidos e a União Soviética se confrontaram como nunca. A Operação Anadyr, como os soviéticos a chamavam, consistiu no envio de mísseis balísticos e de bombardeiros táticos para a ilha caribenha de Cuba, após o fracasso da invasão da Baía dos Porcos no ano anterior, conduzida por exilados cubanos apoiados pelo governo dos EUA.

Contexto

A história registra a primeira evidência visual de uma presença militar soviética em larga escala no solo cubano em 14 de outubro de 1962, quando o então major Rudolf Anderson, pilotando uma aeronave Lockheed U-2 operada pela Agência Central de Inteligência (CIA), fotografou mísseis balísticos de médio alcance R-12 “Dvina” (codificado SS-4 Sandal pela OTAN).

Mísseis balísticos soviéticos fotografados em Cuba por um U-2

Publicamente, isso não apenas desencadeou a chamada “Crise dos Mísseis de Cuba”, mas também uma reação em cadeia no Alto Comando das Forças Armadas norte-americanas, após as imagens serem analisadas por analistas da CIA no dia seguinte.

A gravidade das evidências encontradas nas fotos de Anderson levou o presidente John Fitzgerald Kennedy a apresentá-las em 16 de novembro. Vinte e quatro horas depois, uma reunião convocada pelo então secretário de Defesa, Robert McNamara, com os secretários das Forças Armadas dos EUA e os comandantes do Estado-Maior Conjunto resultou em um imediato e maciço desdobramento de aeronaves: bombardeiros estratégicos foram transferidos de suas bases habituais para 32 aeródromos militares ou civis mais próximos de Cuba. Isso incluiu 183 bombardeiros Boeing B-47 Stratojet que foram “ativados”, enquanto 66 B-52 “Stratofortress” permaneceram em alerta aéreo constante, parte de uma iniciativa lançada em 1960, chamada “Operação Chrome Dome”, que permitia ataques da USAF em território soviético com aviso prévio relativamente curto.

Quando as forças americanas foram elevadas ao nível de alerta DEFCON 3, decretado em 22 de outubro de 1962, a postura de alerta constante existente se encaixou naturalmente nesse nível.

Além dos já mencionados mísseis balísticos de médio alcance R-12 Dvina/SS-4 Sandal, que totalizavam 24 lançadores, os militares soviéticos também levaram 16 mísseis balísticos de médio alcance R-14 Chusovaya (SS-5 Skean) para Cuba. Partindo de Cuba, todos esses mísseis poderiam transportar ogivas nucleares e termonucleares com um rendimento entre 1 e 2,3 megatons, para alvos a até 4.500 quilômetros de distância, nos Estados Unidos continentais.

Reforçando a ameaça representada pelos mísseis estratégicos, havia ogivas nucleares táticas instaladas em 80 mísseis de defesa costeira FKR-1 Komet (OTAN SSC-2a Salish); mísseis Luna-2 (Frog-5) e seis bombas de queda livre 407N, a serem lançadas por seis bombardeiros Ilyushin Il-28N “Beagle”.

Ilyushin Il-28N “Beagle”

A ameaça oculta

Enquanto os soviéticos construíam sua presença militar em Cuba, sua força de bombardeiros estratégicos oferecia uma alternativa discreta à Operação Anadyr.

Com os bombardeiros estratégicos da USAF dispersos para bases mais próximas de Cuba, a intensificação dos voos da Operação Chrome Dome e a reação dos EUA à Operação Anadyr, a liderança soviética reagiu de forma semelhante.

Duas Divisões de Bombardeiros Pesados ​​e um Regimento de Bombardeiros Pesados ​​da Guarda estavam preparados para uma possível onda de ataques contra alvos da OTAN na Europa e nos Estados Unidos, caso a espiral de ameaças se transformasse em um conflito nuclear.

Ativada em Dolon (atual Cazaquistão) em 1957, a 79ª Divisão de Aviação de Bombardeiros Pesados era, na época da Crise dos Mísseis de Cuba, uma divisão do 8º Corpo Independente de Aviação de Bombardeiros Pesados, composta por dois regimentos: o 1023º e o 1226º, ambos operando Tupolev Tu-95 “Bear” estratégicos”. Considerando que cada regimento de aviação soviético geralmente é dividido em três esquadrões, cada um com 12 aeronaves, estima-se que haveria 72 Bears em Dolon.

Enquanto isso, a 201ª Divisão de Aviação de Bombardeiros Pesados ​​em Engels, Rússia, operava sob o comando do 43º Exército Aéreo Soviético de Aviação de Longo Alcance. Também compreendia dois regimentos: o 1096º e o 1230º, ambos operando bombardeiros Myasishchev 3M (OTAN Bison-B). Pelo menos um dos esquadrões do 1230º operaria aeronaves-tanque baseadas no Bison-B.

Myasishchev 3M (OTAN Bison-B)

Outra unidade mobilizada para a operação, então envolta em segredo, era o 184º Regimento de Guarda de Bombardeiros Pesados. Fundado em 1939 em Priluki (atual Ucrânia), seu terceiro esquadrão realizava tarefas de guerra eletrônica com Tupolev Tu-16P (OTAN Badger-J), 145 dos quais foram construídos como plataformas de interferência eletrônica de longo alcance contra as defesas aéreas da OTAN.

Para atingir seus alvos e, simultaneamente, evitar que suas aeronaves fossem destruídas por um ataque preventivo contra suas bases, o Alto Comando Soviético de Aviação de Longo Alcance decidiu dispersar as unidades para aeródromos de desdobramento. O Bison-B e o avião-tanque convertido foram enviados para a Base Aérea de Siauliai, na então República Soviética da Lituânia, enquanto o avião Bear foi para a Base Aérea de Ukrainka, na Região Autônoma de Amur, no sudeste da Rússia.

O plano de ataque previa o uso dos bombardeiros Myasishchev 3M, apoiados por aviões-tanque, para atacar alvos da OTAN na Europa, enquanto os Tu-95 atacariam alvos no Alasca e nos Estados Unidos continentais. Em ambos os casos, suas tripulações dispunham das capacidades de interferência eletrônica do Badger-J.

Por outro lado, o Myasishchev 3M representava a segunda geração do bombardeiro M-4 anterior, que não tinha o alcance necessário para desempenhar a função pretendida de bombardeiro estratégico.

Com os motores Dobrynin RD-7 do M3, 25% mais eficientes em termos de combustível, apoiados por sua capacidade de reabastecimento em voo, ele podia voar aproximadamente 15.450 km com um único reabastecimento.

Voando em cruzeiro a 805 km/h, com velocidade máxima de 941 km/h em seu teto operacional de 12.192 metros, ele tinha uma tripulação de sete pessoas e era protegido por seis canhões AM-23 de 23 mm.

Tu-95

Em comparação, o Tu-95 era impulsionado por quatro motores turboélice Kuznetsov NK-12, o que lhe conferia uma velocidade máxima de 829 km/h, um teto operacional de pouco mais de 11.900 metros e um alcance sem reabastecimento de 13.200 km. Tinha uma tripulação de oito pessoas e o mesmo armamento defensivo do Bison-B.

Embora ambas as aeronaves pudessem transportar bombas convencionais de queda livre, essa situação específica exigia que ambos os bombardeiros fossem armados com bombas nucleares ou termonucleares de alta potência e queda livre. A maior delas era a RDS-37, com potência de 3 megatons.

Tanto o Bear quanto o Bison-B podiam transportar duas RDS-37; cada uma, dependendo da altitude de detonação, seria suficiente para destruir uma cidade, uma base militar ou uma zona industrial de médio porte.

O lançamento da arma teria sido o último de uma cadeia de eventos que seguiriam a ordem de decolagem. A preparação envolveria o abastecimento das aeronaves, o equipamento de armas nucleares armazenadas em um local remoto, longe da base aérea, e a transmissão das rotas, das coordenadas dos alvos e dos códigos de ativação das ogivas às tripulações. O tempo era essencial; mesmo um minuto poderia significar a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma missão; portanto, a ordem de lançar as bombas só seria dada quando estivesse a caminho dos alvos.

Entre os bombardeiros soviéticos, estariam os Tupolev Tu-16P Badger-J, que tinham velocidade máxima de 1.000 km/h, alcance máximo de 5.800 km e teto operacional de 13.100 metros. No entanto, seu principal recurso era o bloqueador de guerra eletrônica de longo alcance SPS-55 “Buket-5”, projetado para impedir a identificação e o rastreamento pelas forças da OTAN.

Tupolev TU-16

Os “Buket-5” eram instalados no compartimento de bombas pressurizado dos TU-16P, e sua presença era externamente identificável por uma carenagem em formato quase de canoa que se projetava sobre a linha central da fuselagem. Em teoria, a partir de altitudes acima de 9.144 metros, um Tu-16P poderia proteger um grupo de ataque de várias aeronaves entrando em ação, por uma área de mais de 482 quilômetros. A operação do Buket-5 era automatizada; seu equipamento de detecção e análise controlava até seis transmissores de interferência independentes, cada um capaz de gerenciar uma ameaça específica. Ele podia criar uma interferência autoprotetora ou de ataque (esta última, projetada para bloquear o equipamento do inimigo); uma escolha feita automaticamente, conforme o ambiente radioeletrônico do momento.

Se a radiação emitida pelo radar adversário fosse fixa, o analisador do “Buket-5” determinaria sua frequência e sua potência de operação. Os transmissores de interferência eram então acionados na potência necessária em determinada frequência. A interferência continuaria por até 3 minutos antes de pausar para reanalisar o sinal de radar novamente.

Caso os radares da OTAN alterassem sua frequência de radiação, o “Buket-5” monitoraria automaticamente as mudanças e recalcularia sua defesa de acordo. O analisador analógico determinava quantos sinais chegavam dentro de uma determinada faixa de frequência e, se, por exemplo, cinco sinais viessem de cinco radares, cada um com uma frequência diferente, o “Buket-5” criava cinco “áreas de detecção” de interferência, determinadas pela magnitude da ameaça. Se, após a próxima análise, fosse determinado que dois ou mais radares estavam operando em frequências semelhantes ou sobrepostas (gerando, assim, interferência mútua), eles seriam neutralizados por meio de uma “barreira geral” – transmitindo sinais de radiofrequência para sobrecarregar os radares inimigos. Os radares restantes seriam combatidos por meio de interferência direcionada.

Breves reflexões

Os Tu-16P soviéticos teriam permitido que os bombardeiros 3M e Tu-95 penetrassem os vários níveis dos sistemas de defesa aérea do NORAD e da OTAN e atingissem seus alvos?

Em parte, talvez, considerando que nem mesmo Oleg Penkovski (1919-1963), oficial do GRU – a inteligência militar – responsável por repassar à CIA detalhes dos sistemas de armas soviéticos durante a crise, comunicou (ou se comunicou não foi tornado público) aos espiões ocidentais da existência deste, digamos, “Plano B”, cujas algumas aeronaves chegaram a decolar, mas foram ordenadas a voltar às suas bases.

Mas felizmente isso foi evitado por um acordo firmado em novembro de 1962: os soviéticos concordaram em retirar seus mísseis nucleares de Cuba e o governo dos EUA retirou seus mísseis nucleares de médio alcance Júpiter das bases na Turquia.■