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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Mudanças nos caças Gripen E de série e diferenças entre as versões da FAB e da Força Aérea Sueca

 Gripen E da FAB e da Suécia

Gripen E do Brasil e da Suécia

Com a divulgação das imagens dos primeiros caças Gripen E de série da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Força Aérea Sueca, muitos notaram mudanças sutis entre as aeronaves e em comparação com as aeronaves pré-série.

O Poder Aéreo apurou com a FAB as razões das mudanças e as respostas seguem abaixo.

A primeira mudança percebida ocorreu no nariz da aeronave, que no Gripen E de série é um pouco mais inclinado para baixo. A mudança ocorreu também nos exemplares destinados à Força Aérea Sueca.

Segundo a FAB, o radome foi ligeiramente modificado para melhorar a desempenho do radar. Por conta da modificação, o IRST (Infra-Red Search and Track), sistema de busca e rastreio por infravermelho, também obteve melhora na eficiência.

A outra mudança ocorreu nos pilones de mísseis das pontas das asas, que também abrigam as antenas do sistema de Guerra Eletrônica (EW). Os pilones no Gripen E brasileiro têm volume menor que os do Gripen E sueco.

Segundo a FAB, o sistema de EW do Gripen E brasileiro tem uma pequena diferença apenas no Sistema de Alerta Radar (RWR), que cobre bandas de frequência ligeiramente diferentes, por requisitos de ameaças diferentes.

Por exemplo, o sistema sueco foi projetado para enfrentar o sistema de defesa aérea russo S-400 e o novo caça Su-57, ameaças ainda inexistentes na América Latina.

O sistema por ser modular, pode ser modificado quando surgirem novas ameaças.

Observar a diferença do radome mais inclinado do Gripen E de série 4101 (acima, em captura de vídeo) e do pré-série 4100 em baixo (foto de Juliano Lisboa)

O trilho da ponta da asa do Gripen E 4100 e suas antenas do RWR (acima) e o Gripen E sueco abaixo

Quando o primeiro Gripen brasileiro voou, ele usava os trilhos das pontas das asas do modelo sueco. Posteriormente os trilhos foram modificados para a versão brasileira

Como o caça Gripen se sai contra o F-15, F-16, F-18, F-22, Rafale e Eurofighter?

 Tiger Meet 2013 - Gripen - Rafales - Typhoon e Tornado - foto via Força Aérea Francesa

Exercício Tiger Meet 2013: Gripen, Rafales, Typhoon e Tornado. Foto via Força Aérea Francesa

Por Stefan Englund – ex-tenente de engenharia da Força Aérea Sueca (1986-1991)

Falando apenas sobre as versões operacionais, o Gripen não tem problemas em enfrentar qualquer um dos caças americanos F-18, F-16 ou F-15, sendo o F-22 o único caça americano operacional que pode dar ao Gripen algum problema substancial. Como o Gripen se posiciona contra os caças europeus?

Desconfio que caças como Typhoon e Rafale, dependendo do papel de um e de outro, tenham alguma vantagem, mas devem ser bastante semelhantes em geral. Olhando para os caças contra o Gripen, um a um, começando pelos americanos, os resultados de exercícios internacionais mostram uma imagem bastante clara. Abaixo, não abordarei o F-35 ou o Gripen E, uma vez que não estão operacionais e, portanto, qualquer comparação é pura especulação.

Contra o F-16, que mais se encontrou com o Gripen em exercícios, muitas vezes durante o Red Flag, mas também na Noruega, Tailândia e exercícios europeus. Mesmo com pilotos muito inexperientes do Gripen, com poucas horas de voo, o Gripen tem vantagem. O Gripen no Red Flag Alaska 2006 mostrou o quão superior ele pode ser, mesmo com o mínimo de apoio, com poucas pessoas e longe de casa. Os pilotos de Gripen ainda não tinham treinado com a sonda de reabastecimento aéreo (eram os primeiros Gripen C/D entregues), por isso foi uma grande aventura ir da Suécia ao Alasca e permanecer operacional em um nível muito elevado.

Gripen no Red Flag Alaska, em 2006

O Red Flag 2006 foi a estreia da Suécia com o Gripen nesse tipo de exercício. Com um apoio aéreo e por radar reduzido, o Gripens conectaram seus sistemas de data-links e agiram como um mini-AWACs, tendo a consciência do campo de batalha que, em alguns aspectos, era melhor que o oponente. Sem grande esforço evitando toda a defesa do solo, marcaram 10 kills no primeiro dia, incluindo um Typhoon. Sem perdas e eles permaneceram sem serem detectados, a suíte EW (Electronic Warfare) mostrou-se muito difícil de penetrar.

Um piloto do Gripen derrubou cinco F-16 Block 50+ durante combate aéreo no Red Flag Alaska. E os Gripens nunca perderam nenhum encontro aéreo ou falharam em seus objetivos de missão. Foi o único caça que realizou a maioria das surtidas planejadas, enquanto outros ficaram no chão esperando a meteorologia melhorar. A avaliação foi de que a capacidade dos Gripens precisava ser reavaliada. O Gripen pode ser favorecido com kill rate de até 15:1 contra o F-16. E com nenhum desrespeito aos outros pilotos de caça: com os papéis trocados, eles teriam a mesma pontuação.

Durante um exercício de combate com a Força Aérea Real Norueguesa, 3 Gripens suecos enfrentaram 5 caças F-16 da RNAF. O resultado foi 5-0, 5-0, 5-1 depois de terem voado 3 surtidas.

Gripen sueco, F-16 norueguês e F-18 finlandês

O F-16 tem um TWR (Thrust-to-weight Ratio – Razão empuxo-peso) mais alta que o Gripen, mas é preciso considerar o arrasto e a carga alar também. O Gripen tem um arrasto muito menor. E carga alar muito mais baixa. Ele pode atingir velocidades supersônicas em empuxo seco enquanto carrega um armamento completo de quatro AMRAAMs, dois Sidewinders e um tanque de combustível externo. Mesmo que o Gripen não tenha a TWR do F-16, ele pode quase igualá-lo na taxa de subida graças ao arrasto menor.

A diferença no papel pode não parecer muita coisa, mas, olhando para a eficácia do campo de batalha, é um mundo à parte. O Gripen é um caça moderno, de projeto mais recente que o F-16.

Exercícios com o F-18 não são tão comuns, mas ocorrem com mais frequência durante operações com a Força Aérea Finlandesa. Em BVR nem o F-16 e o F-18 chega perto, mas parece que o F-18 em um merge se sai muito bem em grandes altitudes, mas isso muda com a altitude decrescente e abaixo de 2.000 metros não é páreo para o Gripen. Não tenho pontuações, mas suspeito que o Gripen tenha pontuado um pouco menos contra o F-18 do que contra o F-16, dependendo da altitude, mas não com muito.

Gripen sueco e F-18 finlandês no Artic Challenge 2013 – foto Força Aérea Sueca

O avião que parece capaz de manter distância é o F-15. Os F-15 também têm a vantagem de poder desengajar se a situação for desfavorável.

O único encontro entre F-15 e Gripen que eu conheço foi durante o exercício Loyal Arrow na Suécia, no qual 3 caças F-15C da USAF foram interceptados por um único Gripen agindo como agressor. O resultado foi o abate de dois F-15 e um conseguiu escapar devido usando sua melhor razão empuxo-peso. Para a defesa dos F-15, eles estavam no quintal dos Gripens. O F-15 pode ficar de fora de um combate com um Gripen, mantendo-o à distância, usando BVR se eles puderem detectá-lo e evitando os Meteors do Gripen, mas não é uma estratégia sábia engajar.

O F-22 é o único caça que tem vantagem sobre o Gripen. Em relação a outros caças, o Gripen tem uma das pontuações mais altas contra o Raptor. Em comparação com o Typhoon, a diferença não é grande, mas o Raptor ainda está em vantagem. Por sua idade, o F-22 é um avião mais do que impressionante em muitos aspectos. O que afeta o Raptor negativamente nesse contexto é a idade do avião e a necessidade de atualização do conjunto de sensores para mantê-lo superior na arena de superioridade aérea.

Exercício Pitch Black 2014: Hornet, Super Hornet, Mirage 2000-9, Gripen, F-15 e F-16
F-22 Raptor

O F-22 é, no meu ponto de vista, o único avião que tem um potencial de atualização superior se ele fosse objeto de uma atualização equivalente ao Gripen E. Significando fuselagem semelhante, mas nova, interior e arquitetura completamente novos, suíte de sensores e aviônicos.

Observando a arquitetura usada no Gripen E, um custo de atualização do Raptor “NG” seria menor do que qualquer um pode imaginar e se tornaria um caça em potencial da 6ª Geração a um custo relativamente baixo. Provavelmente se tornaria mais ou menos intocável, que não é o caso do já existente. Não entenda mal, o F-22 é superior ou, como um piloto do Gripen disse no Red Flag 2013, “o F-22 funciona como anunciado”. Apenas é triste ver que o número desses aviões é limitado.

Contra o Rafale e o Typhoon, não tenho registros, mas o que sei é que os pilotos dos caças Typhoon chamavam o Gripen de “bucha de canhão” na chegada ao Red Flag Alaska, mas mudaram de ideia muito rapidamente e ficaram muito mais humildes depois de alguns combates.

Caça Saab Gripen C armado com mísseis Meteor e AMRAAM

Não há caças operacionais superiores ao Gripen, exceto o F-22. Mas o Gripen tem limites, é um avião pequeno e com isso possui radar menor, leva menos carga e combustível. Mas o baixo custo de voo, manutenção, acessibilidade e retorno superiores compensam muito isso.

O Gripen está entre os caças mais subestimados que voam hoje. Durante a campanha da Líbia foi usado inicialmente como recurso tático, mas logo depois foi atualizado como um recurso estratégico. Também na Líbia, nenhuma missão foi cancelada devido a problemas técnicos no Gripen. E não, ele não é invencível, apenas subestimado.

Então, acima, quando falo do Gripen, não apenas quero dizer o avião, mas como ele é conectado em rede, a fusão exclusiva de sensores que lhe confere uma consciência situacional superior no campo de batalha, flexibilidade, acessibilidade e outras habilidades. E ainda estou falando do Gripen C/D, única versão operacional. Não há caça, exceto o F-22, hoje operacional que seja superior ao Gripen em rede. E todos os que voaram contra ele sabem disso

China detalha evolução do J-20, com motores nacionais, novos sensores e versão biposto para coordenar drones

 China detalha evolução do J-20

Reportagem da televisão estatal destaca as melhorias do J-20A e o papel do J-20S em futuras operações em rede com aeronaves tripuladas e não tripuladas

A televisão estatal chinesa CCTV divulgou novos detalhes sobre a evolução da família de caças furtivos J-20, destacando a adoção de motores desenvolvidos no país, modificações aerodinâmicas e melhorias nos sensores. A reportagem também apresentou as funções previstas para o J-20S biposto, concebido para ampliar a coordenação de operações aéreas e a integração com aeronaves não tripuladas.

Motores nacionais ampliam autonomia tecnológica

A reportagem aponta a substituição da motorização importada por motores chineses como um dos principais marcos do programa. Uma configuração do J-20 com propulsão nacional foi apresentada publicamente no Salão Aeronáutico de Zhuhai, em 2021.

Segundo o comentarista militar Wang Mingliang, ouvido pela CCTV, a evolução da propulsão oferece maior potência e favorece o desempenho supersônico e a manobrabilidade. Ele também destacou a autonomia sobre uma tecnologia crítica e sua importância para o desenvolvimento de futuras aeronaves de combate chinesas.

J-20A recebe alterações aerodinâmicas e nos sensores

A versão J-20A monoposto incorpora uma transição mais elevada e suave entre a parte traseira da cobertura da cabine e a fuselagem. Na avaliação de especialistas ouvidos pela mídia chinesa, essa alteração busca reduzir a separação do fluxo de ar e o arrasto, favorecendo o voo em alta velocidade.

Em uma análise divulgada anteriormente pela CCTV, o especialista Zhang Xuefeng afirmou que a modificação também proporciona espaço adicional para equipamentos e sistemas.

Outro detalhe destacado na nova reportagem é a alteração do conjunto óptico instalado sob o nariz. Segundo Wang, o número de janelas ópticas visíveis passou de seis para oito. O comentarista associou a mudança à ampliação das capacidades de detecção, consciência situacional e atuação em rede, incluindo operações contra alvos de baixa observabilidade.

J-20S amplia as funções do segundo tripulante

O J-20S biposto foi apresentado pela mídia oficial como uma expansão das possibilidades de emprego da família. Além das missões de superioridade aérea, as funções divulgadas incluem ataque de precisão contra alvos terrestres e marítimos, guerra eletrônica e comando e controle tático.

A presença de um segundo tripulante permite distribuir a carga de trabalho. Enquanto o piloto se concentra na condução da aeronave e no combate, o ocupante da cabine traseira pode gerenciar sensores, comunicações e a coordenação com outras plataformas, incluindo drones.

Na concepção apresentada pela CCTV, essa divisão poderá transformar o caça em um elemento de coordenação de uma formação mais ampla, compartilhando informações, indicando alvos e distribuindo tarefas entre diferentes aeronaves. O enfoque está no emprego integrado de meios tripulados e não tripulados, e não apenas nas capacidades individuais do avião.

Evolução acompanha mudanças no emprego da força aérea

A mídia estatal apresenta a trajetória do J-20 como um símbolo da passagem da aviação militar chinesa de uma posição de acompanhamento das potências aeronáuticas para a disputa de liderança em determinadas tecnologias.

Essa evolução também aparece no treinamento. A CCTV já mostrou formações mistas de J-20, J-16 e J-10C em exercícios de combate aéreo, voltados à validação de novas táticas. A ampliação das funções da família J-20 acompanha, assim, o esforço chinês para combinar diferentes aeronaves, sensores e sistemas de comando em operações conjuntas.■


Grécia adquire até 6 aeronaves KC-390 Millennium da Embraer e amplia presença do cargueiro na Europa


Acordo firmado com Portugal prevê a aquisição inicial de três aeronaves, com opção para mais três unidades. Primeiro KC-390 da Força Aérea Helênica deverá ser entregue em 2027.


A Grécia assinou em 2 de novembro de 2026 um contrato para adquirir três aeronaves de transporte militar KC-390 Millennium da Embraer, com opção de compra de outras três unidades. O acordo foi firmado por meio de um entendimento governamental entre Grécia e Portugal e representa mais uma conquista internacional para o cargueiro brasileiro, que amplia sua presença entre as forças aéreas europeias e integrantes da OTAN.

O primeiro KC-390 da Força Aérea Helênica deverá ser entregue em 2027. A incorporação das aeronaves permitirá à Grécia ampliar suas capacidades de transporte aéreo militar, reabastecimento em voo e apoio logístico, além de fortalecer a interoperabilidade com os demais países da Aliança Atlântica. O acordo também abre caminho para o aproveitamento de estruturas europeias compartilhadas de treinamento, manutenção e suporte logístico.

Com a decisão grega, o KC-390 passa a contar com sete países europeus que selecionaram a aeronave. A Grécia se junta a Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia, consolidando uma presença cada vez mais significativa do modelo no mercado europeu de defesa.

A escolha também reforça a estratégia de expansão internacional da Embraer no segmento de transporte militar. Além dos operadores europeus, o KC-390 já foi adquirido por Brasil, Coreia do Sul, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos e Colômbia, demonstrando o alcance comercial da aeronave em diferentes regiões e cenários operacionais.

“Estamos honrados com a decisão da Grécia de adquirir o KC-390 Millennium. Essa escolha ressalta a confiança que importantes membros da OTAN possuem em nossa aeronave. Este marco extremamente relevante consolida ainda mais a posição do Millenium como a solução adequada para transporte aéreo entre os aliados da OTAN. O desempenho comprovado, a confiabilidade e a eficiência operacional do KC-390 fazem dele a escolha ideal para países que buscam aprimorar suas capacidades operacionais”, afirmou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Desenvolvido para atender às necessidades militares do século XXI, o KC-390 foi concebido desde o início com foco na interoperabilidade. Sua arquitetura digital integra sistemas de missão, comunicações avançadas e recursos que permitem operações conjuntas com forças aéreas de diferentes países, facilitando sua utilização em missões multinacionais e coalizões militares.

Em termos de desempenho, o cargueiro brasileiro possui capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil, podendo atingir velocidade de até 470 nós. Essas características permitem transportar mais carga e voar mais rápido do que outras aeronaves militares de transporte de médio porte, oferecendo flexibilidade para operações que exigem rapidez na movimentação de tropas, equipamentos e suprimentos.

A versatilidade do Millennium também permite sua utilização em missões de lançamento de paraquedistas e cargas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndios e operações humanitárias. A aeronave pode operar inclusive em pistas temporárias e não pavimentadas, ampliando as possibilidades de emprego em ambientes com infraestrutura limitada.

Outro recurso importante é sua capacidade de reabastecimento em voo. Quando equipado com o sistema de instalação rápida AAR (Air-to-Air Refueling), o KC-390 pode atuar tanto como avião-tanque, abastecendo outras aeronaves, quanto como receptor de combustível. Essa característica amplia seu potencial operacional e representa um diferencial para forças aéreas que precisam integrar diferentes plataformas em operações de longo alcance.

A entrada da Grécia no grupo de operadores reforça a posição do KC-390 Millennium como um dos principais projetos brasileiros de defesa no mercado internacional. Com novas encomendas e uma presença crescente entre países da OTAN, a Embraer amplia as perspectivas de consolidação da aeronave como alternativa aos tradicionais cargueiros militares de transporte médio.

sábado, 31 de outubro de 2026

Peru avança em acordo de R$ 18 bilhões para ter 24 unidades do F-16 Block, mais avançados do que os caças comprados pela Argentina, e vai contar com apoio logístico completo e cooperação com fabricante

 

Versão adquirida pelo governo peruano será entregue direto de fábrica e tem vantagens em relação aos F-16 argentinos comprados da Dinamarca


Peru avança em acordo de R$ 18 bilhões para ter 24 unidades do F-16 Block, mais avançados do que os caças comprados pela Argentina, e vai contar com apoio logístico completo e cooperação com fabricante
F-16 Block, conhecido como "Viper", é a versão mais moderna do caça mais difundido do mundo. Foto: Lockheed Martin

O Congresso da República do Peru aprovou a destinação de mais US$ 346,9 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) para que a Força Aérea do país dê continuidade ao processo de aquisição de um novo lote de 12 caças F-16 Block 70. O Peru pretende adquirir 24 unidades do F-16 Block, a versão mais recente e avançada do caça F-16 Fighting Falcon, produzida pela Lockheed Martin, em um acordo que muda completamente o patamar do país no cenário de Defesa na América do Sul.

O acordo firmado pelo Peru para as 24 unidades do caça tem valor total aproximado de US$ 3,5 bilhões (mais de R$ 18,7 bilhões, na cotação atual), e foi assinado em 2025, prevendo duas fases, com a aquisição de 20 unidades monopostos (F-16 C) e quatro bipostos (F-16 D) para a Força Aérea do Peru.

O contrato para o primeiro lote de 12 F-16 Block 70 foi assinado em 22 de abril, prevendo um valor de R$ 1,54 bilhão (R$ 5,40 bilhões), que inclui US$ 460 milhões para a aquisição de equipamentos de apoio em solo, peças de reposição e suporte logístico, capacitação e treinamento, documentação, manuais e publicações técnicas, além de um simulador de voo e um lote de armamentos.

Com a modernização bilionária de sua capacidade de defesa aérea, o Peru vai ingressar no rol sul-americano de operadores ativos do F-16, que atualmente conta com o Chile, maior operador do caça na região, e a Argentina, que recebeu recentemente um segundo lote dos Fighting Falcon adquiridos da Dinamarca.

A Venezuela, que foi pioneira no ingresso dos F-16 na América do Sul, com aeronaves adquiridas dos EUA nos anos 1980, chegou a ter mais de 20 caças do modelo, mas com o embargo norte-americano aplicado nos últimos anos e a deterioração das relações com Washington, a manutenção das aeronaves foi seriamente prejudicada, e não há dados oficiais sobre quantas unidades permaencem em operação.

Com o novo acordo para a dquirir o caça, o Peru terá uma vantagem estratégica frente aos concorrentes regionais: das 46 aeronaves chilenas, apenas 10 são F-16 Block, versão mais moderna, enquanto na Argentina, o investimento é para 24 unidades o F-16AM/BM MLU, versão anterior do caça e comprados de segunda mão da Dinamarca.

F-16 Block “Viper” voando além de 2060

O modelo F-16 Block, conhecido como “Viper”, é a versão mais atualizada do caça militar de asa fixa mais numeroso e difundido em atividade no mundo, operado por 29 países, com mais de 2,8 mil unidades ativas.

O Viper é apresentado pela Lockheed Martin como uma aeronave de quarta geração que foi atualizada para alcançar características de quinta geração.

Entre as capacidades do F-16 Block, estão:


  • Radar Avançado: radar AESA, que permite rastreamento múltiplo de alvos e missões simultâneas ar-ar e ar-solo.
  • Guerra Eletrônica: sistema digital Viper Shield, projetado para proteção e contramedidas em ambientes contestados.
  • Aviônicos e Cabine: displays modernizados, computador de missão atualizado, visor frontal aprimorado e compatibilidade com o sistema de mira Sniper e sensores Legion-ES.
  • Armamentos Modernos: Suporta mísseis AIM-120D, AIM-9X, bombas guiadas JDAM/SDB e mísseis de cruzeiro JASSM, além de planos para integrar armamentos hipersônicos como o míssil Blackbeard.

O Viper é projetado para suportar um ciclo de cerca de 12.000 horas de voo, estendendo sua operação para além de 2060, segundo dados da fabricante.

Em comparação, os F-16 mais antigos adquiridos pela Argentina não contam com o radar AESA, usando radares de varredura mecânica, pertencentes a uma geração anterior. O Viper tem ainda arquitetura digital mais recente, enquanto a versão MLU depende de atualizações realizadas, incluindo sistemas de guerra eletrônica.

O “Viper” é a versao atualizada do F-16 e deve permanecer em voo ao menos até 2060. Foto: Divulgação

Peru investe em estrutura de ponta para receber F-16

Os caças adquiridos pelo Peru são novos de fábrica, construídos pela Lockheed Martin, com uma vida útil estrutural muito maior do que plataformas que já estão em operação há anos, como no caso argentino. O país também está implantando toda a estrutura necessária para dar suporte à operação da aeronave e ampliar a cooperação tecnológica com os EUA.

O Peru não está simplesmente comprando 24 caças F-16: está estruturando uma capacidade operacional e logística completa em torno da aeronave, com treinamento de pilotos e técnicos, armamentos, simuladores, infraestrutura de manutenção, apoio logístico e até oportunidades para a indústria nacional.


A Base Aérea La Joya, em Arequipa, foi escolhida como uma das instalações centrais para receber os novos aviões. O Peru prevê investir aproximadamente US$ 10,4 milhões em melhorias, incluindo pistas, cabeceiras, hangares de manutenção, abrigos e outras estruturas necessárias à operação do F-16.

As entregas estão previstas para acontecer a partir de 2030. O contrato também inclui o fornecimento, sem custos adicionais, de um Boeing KC-135R Stratotanker usado, avaliado entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões, destinado ao reabastecimento em voo, que amplia a capacidade de alcance do F-16. O avião é o mesmo usado pela Força Aérea dos EUA (USAF) para operações de reabastecimento.

A atual frota de combate da Força Aérea Peruana hoje é compsota principalmente por caças Mirage 2000 e MiG-29, ambos enfrentando desafios de manutenção e capacidade nos últimos anos devido às décadas de operação.

Lockheed anunciou cooperação tecnológica com o país

A Lockheed Martin apresentou também um amplo pacote de colaboração industrial e social para o Peru, avaliado em US$ 1,8 bilhão em valor econômico, como parte de seu programa para fornecer os F-16 Block 70 ao país latino.

O objetivo é oferecer oportunidades de coprodução de equipamentos de defesa e sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, treinamento especializado em engenharia e uma nova grade curricular para uma academia espacial.

As iniciativas foram concebidas para integrar empresas peruanas à cadeia global de fornecimento da Lockheed Martin, acelerando o crescimento econômico sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecendo as bases industriais de defesa do Peru e dos Estados Unidos, conforme anunciou a fabricante em agosto de 2026.

Entre os projetos oferecidos pela Lockheed como parte da proposta do F-16 Block 70 estão a montagem nacional de uma aeronave não tripulada para o mercado latino-americano, a criação de centros conjuntos de pesquisa e de um Instituto Técnico de Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas (UAS).

Intercâmbio com os argentinos

Como parte do programa de adaptação para receber os primeiros F-16 em poucos anos, uma delegação da Força Aérea do Peru realizou uma visita técnica ao Centro de Instrução da VI Brigada Aérea, localizado na cidade de Tandil, na Argentina. O objetivo foi obter informações técnicas especializadas sobre a operação, manutenção, sustentação logística e emprego dos caças F-16.

A Argentina já conta com 12 unidades do F-16AM/BM MLU, recebidos a partir de 2025. O primeiro lote dos F-16 foi entregue em 2025, de um total de 24 aeronaves previstas no acordo feito pelo presidente Javier Milei com a Dinamarca e orçado em cerca de US$ 300 milhões.

Os caças argentinos passaram pelo Brasil, fazendo escala na da Base Aérea de Natal (BANT), durante as duas operações do complexo translado realizado desde a Europa, com travessia do Atlântico.

Chile recebeu o F-16 Block há vinte anos

Na América do Sul, somente o Chile opera a versão mais moderna do F-16, mas as primeiras aeronaves chegaram ao país há duas décadas, em 2006. Os F-16 Block representaram, à época, uma mudança radical no modelo de operação da Força Aérea Chilena (FACh).

A operação de um caça que até então era de última geração exigiu uma profunda adaptação no treinamento de pilotos, na manutenção, no planejamento de missões e, sobretudo, no sistema de comando e controle.

Vinte anos depois, o Chile tem uma cadeia de defesa aérea consolidada como uma das mais modernas do mundo, o que coloca o país em destaque no cenário da América do Sul, com exercícios frequentes de interoperabilidade com a USAF e com outras forças aéreas — incluindo a do Brasil.

O Exercício Salitre é a principal cooperação militar aérea da América do Sul. Realizado no Chile e organizado pela Força Aérea Chilena, o treinamento reúne forças aéreas de diferentes países para praticar operações combinadas, compartilhar conhecimentos e desenvolver procedimentos que permitam atuar em conjunto em situações de crise ou conflito.

A quinta edição, realizada entre 29 de junho e 11 de julho de 2026, reuniu seis forças aéreas: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Estados Unidos. Canadá, Equador e Uruguai participaram como observadores.

A edição de 2026 também marcou a estreia do F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) em um destacamento internacional, colocando a aeronave em combates simulados com os F-16 chilenos e outros meios aéreos em uma desmontração da maturidade operacional da plataforma que será a espinha dorsal da modernização da defesa área do país.