A limitada presença de caças iranianos nos céus durante os primeiros dias da campanha aérea conhecida como Operação Epic Fury chamou a atenção em todo o mundo. Enquanto aeronaves dos Estados Unidos e de Israel rapidamente estabeleceram superioridade aérea sobre amplas áreas do território iraniano, a Força Aérea da República Islâmica do Irã (IRIAF) apareceu muito pouco nos combates, levantando questionamentos sobre a real capacidade operacional da aviação de combate de Teerã.
Relatos iniciais indicam que os primeiros ataques da campanha tiveram como alvo prioritário bases aéreas, centros de comando e sistemas de defesa aérea do país. Com parte dessas instalações atingidas nas primeiras horas do conflito, vários aviões foram destruídos ainda no solo ou ficaram impossibilitados de operar.
Além disso, a presença constante de aeronaves furtivas e sistemas avançados de guerra eletrônica da coalizão tornou extremamente arriscada qualquer tentativa de interceptação por parte dos pilotos iranianos.
A atual situação representa um contraste marcante com o passado. Antes da Revolução Islâmica de 1979, o Irã possuía uma das forças aéreas mais modernas do Oriente Médio. Durante o governo do xá Mohammad Reza Pahlavi, o país investiu pesadamente na compra de aeronaves dos Estados Unidos e tornou-se um dos principais operadores de equipamentos militares americanos fora da OTAN.
A frota incluía grandes quantidades de F-4 Phantom II, F-5 Tiger II e o avançado F-14 Tomcat. O Irã foi o único país estrangeiro autorizado a operar o F-14, um interceptador de longo alcance projetado para defender grandes áreas do território contra bombardeiros e aeronaves inimigas. Equipado com radar poderoso e mísseis de longo alcance, o Tomcat era considerado um dos caças mais sofisticados do mundo na década de 1970.
A Revolução Islâmica mudou completamente esse cenário. Com a ruptura das relações entre Teerã e Washington, o país passou a enfrentar sanções severas e perdeu acesso tanto a novas aeronaves quanto a peças de reposição e suporte técnico para os aviões já existentes. Sem acesso ao fabricante original, o Irã precisou recorrer a soluções improvisadas para manter parte da frota operacional.
Ao longo das últimas décadas, técnicos iranianos passaram a utilizar engenharia reversa, produção doméstica de componentes e até a desmontagem de aeronaves fora de serviço para obter peças de reposição. Em alguns casos, equipamentos foram adquiridos no mercado internacional por meio de intermediários ou redes clandestinas de suprimentos.
Apesar desses esforços, o envelhecimento da frota tornou-se inevitável. Grande parte das aeronaves da IRIAF foi projetada durante a Guerra Fria e muitas já ultrapassaram meio século de serviço. Mesmo com modernizações locais, esses aviões enfrentam uma enorme desvantagem tecnológica quando comparados a caças de quinta geração como o F-35 ou o F-22, que operam com sensores avançados, integração de dados em rede e baixa observabilidade radar.
Estima-se que o inventário total da força aérea iraniana inclua pouco mais de duzentas aeronaves de combate. No entanto, apenas uma parte delas esteja realmente pronta para operações de combate devido às dificuldades de manutenção e à escassez de peças.
Entre os principais modelos ainda em serviço estão cerca de quarenta F-14 Tomcat, que fazem do Irã o último operador do famoso caça no mundo. Alguns desses aviões receberam modernizações domésticas e passaram a utilizar o míssil ar-ar Fakour-90, desenvolvido localmente. Mesmo assim, o projeto básico da aeronave remonta à década de 1970, e sua capacidade de sobrevivência em um ambiente de combate moderno é limitada.
Outro pilar da aviação iraniana é o F-4 Phantom II, com aproximadamente sessenta unidades ainda em operação. Esses aviões desempenham principalmente missões de ataque ao solo e bombardeio. O Phantom foi amplamente utilizado durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980 e continua sendo um dos principais vetores de ataque da IRIAF décadas depois.
O Irã também mantém em serviço cerca de trinta e cinco F-5 Tiger II, caças leves que hoje são utilizados em missões de defesa aérea limitada, treinamento de pilotos e ataques leves. O país também empregou o projeto do F-5 como base para o desenvolvimento de variantes produzidas localmente.
Além das aeronaves de origem americana, a frota inclui modelos adquiridos após o fim da Guerra Fria. Entre eles estão cerca de vinte caças MiG-29 Fulcrum e aproximadamente vinte bombardeiros táticos Su-24 Fencer de origem soviética. Mais recentemente, o Irã também recebeu aeronaves de treinamento avançado Yak-130, destinadas a preparar pilotos para futuras aeronaves de combate mais modernas.
Frota de aeronaves de combate da Força Aérea Iraniana
| Aeronave | Origem | Tipo | Quantidade estimada | Observações |
|---|---|---|---|---|
| F-4 Phantom II (D/E/RF) | Estados Unidos | Caça-bombardeiro | ~63 | Principal vetor de ataque da IRIAF desde a guerra Irã-Iraque |
| F-14A/AM Tomcat | Estados Unidos | Interceptor / superioridade aérea | ~41 | Irã é o último operador mundial do F-14 |
| F-5E/F Tiger II | Estados Unidos | Caça leve | ~35 | Usado em defesa aérea leve, treinamento e ataque |
| MiG-29 Fulcrum | Rússia/URSS | Caça multirole | ~18–24 | Principal caça de origem russa da IRIAF |
| Su-24MK Fencer | Rússia/URSS | Bombardeiro tático | ~21–23 | Capacidade de ataque profundo e missões de interdição |
| Chengdu F-7 | China | Caça leve | ~17 | Versão chinesa do MiG-21 |
| Mirage F1EQ | França / Iraque | Caça multirole | ~12 | Aviões iraquianos que fugiram para o Irã em 1991 |
| HESA Saeqeh | Irã | Caça leve (derivado do F-5) | ~12 | Desenvolvimento doméstico com dupla deriva |
| HESA Azarakhsh | Irã | Caça leve | ~6 | Primeiro caça produzido localmente baseado no F-5 |
| HESA Kowsar | Irã | Caça leve / treinador | ~4–5 | Versão modernizada produzida no Irã |
| Yak-130 Mitten | Rússia | Treinador avançado / ataque leve | ~2–6 | Usado para treinamento avançado e preparação para futuros caças |
Total estimado do inventário: cerca de 230 aeronaves de combate e ataque, embora o número realmente operacional seja menor devido à idade da frota, dificuldades de manutenção e disponibilidade de peças.Mesmo com essa variedade de modelos, a capacidade real da IRIAF é limitada por fatores estruturais. A falta de sistemas modernos de alerta aéreo antecipado, armamentos guiados de última geração e integração avançada entre sensores reduz significativamente a eficácia da força aérea iraniana em um cenário de guerra moderna.
Outro problema é a baixa taxa de disponibilidade das aeronaves. Manter aviões com mais de quarenta ou cinquenta anos em condições de voo exige manutenção intensiva e peças cada vez mais raras. Isso significa que, embora o inventário oficial possa parecer relativamente grande, apenas uma fração desses aviões pode ser mobilizada rapidamente para operações de combate.
Nos últimos anos, o Irã tentou modernizar sua aviação militar negociando a compra de novos caças russos, incluindo o Sukhoi Su-35. Essas aeronaves seriam capazes de substituir parte da frota envelhecida e melhorar significativamente a capacidade de defesa aérea do país. No entanto, as negociações avançaram lentamente e ainda não resultaram em uma modernização ampla da força aérea.
Diante dessas limitações, Teerã passou a investir fortemente em outras áreas de poder militar, especialmente mísseis balísticos, drones de ataque e sistemas de defesa aérea de longo alcance. Esses sistemas se tornaram elementos centrais da estratégia militar iraniana, oferecendo uma forma de compensar parcialmente as limitações de sua aviação de combate.
Ainda assim, a atual campanha militar evidenciou uma realidade difícil de ignorar. A força aérea que um dia esteve entre as mais avançadas da região hoje depende de aeronaves envelhecidas mantidas em operação por meio de soluções improvisadas e grande esforço técnico e em alguns casos localizadas em bases subterrâneas.

