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sábado, 7 de março de 2026

Um segundo avião Embraer E195 chega na frota da nigeriana Enugu Air, que se aproxima da autorização para voar

 

Divulgação – Enugu Air

A companhia aérea nigeriana Enugu Air recebeu sua segunda aeronave Embraer E195, que chegou ao seu hub no Aeroporto Internacional de Enugu em 5 de março, aproximando-se da obtenção do seu próprio Certificado de Operador Aéreo (AOC) previsto para o fim do primeiro trimestre do ano, segundo fonte interna.

Como reporta o Newsaero, o avião, um Embraer E195AR (MSN 19000244, registro 5N-ENP), tem cerca de 17 anos e fazia parte da frota da americana Regional One. Assim como as demais aeronaves da companhia, ele opera atualmente sob o AOC da aérea nigeriana XeJet.

Dados ADS-B indicam que a aeronave partiu de Teterboro, nos EUA, em 3 de março, com escalas técnicas em St. John’s (Canadá), Santa Maria (Açores) e Dakar (Senegal), chegando a Lagos em 5 de março. Em seguida, realizou o voo final de Lagos a Enugu, com duração aproximada de 50 minutos, pousando às 13h53 no horário local.

Esta entrega sucede a chegada, em 8 de fevereiro, do primeiro Embraer E195 (MSN 19000196, registro 5N-ENO) da empresa. Atualmente, a frota da Enugu Air é composta por cinco aeronaves Embraer: dois E170 (5N-ENU e 5N-ENR), um E190 (5N-ENS) e os dois E195.

Controlada pelo governo do estado de Enugu, a companhia foi fundada em novembro de 2024 e iniciou operações comerciais em julho de 2025. Enquanto aguarda a emissão do seu próprio AOC, opera sob o certificado da XeJet.

Baseada no Aeroporto Internacional de Enugu, a empresa atende a diversas rotas domésticas na Nigéria, incluindo Lagos, Abuja, Owerri e Port Harcourt, com o objetivo de fortalecer a conectividade aérea no sudeste do país e expandir gradualmente sua frota e rede.

Brasil organiza treinamento para guerra com 15 países e diversas aeronaves militares em Campo Grande-MS

 

Imagem: Sargento Müller Marin/ CECOMSAER

Durante a Final Planning Conference (FPC), realizada entre os dias 23 e 27/02, 15 delegações do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) confirmaram presença no Exercício Cooperación XI, que será realizado de 16 a 27/03, na Base Aérea de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Esta será a primeira vez que o Brasil sediará o exercício multinacional, que reúne Forças Aéreas do continente em um treinamento conjunto voltado à resposta a desastres provocados por incêndios florestais.

Além do Brasil, Forças Aéreas ou equivalentes da Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai mobilizarão centenas de militares e diversas aeronaves para atuar em missões de transporte, busca e salvamento e combate a incêndios, operando a partir de Campo Grande ao longo das duas semanas de atividades.

Contexto fictício do Cooperación XI – O cenário simulado do exercício terá como foco o enfrentamento a incêndios florestais e será conduzido no âmbito do Comando e Controle (C2), com o objetivo de aprimorar o apoio mútuo entre essas Forças Aéreas e a capacidade de coordenação de ações de ajuda humanitária pela Força Aérea anfitriã.

O Ministério da Defesa (MD) participará do treinamento com funções de enlace de comando e controle típicas do nível setorial, além de contribuir para a consolidação das lições aprendidas. A Marinha do Brasil (MB) e o Exército Brasileiro (EB) integrarão o esforço multinacional com o emprego de helicópteros.

O Exercício tem como foco o Comando e Controle para que possamos empregar o poder aeroespacial com rapidez e salvar mais vidas. No momento inicial, é muito importante que as decisões sejam corretas, mesmo com pouco tempo e, mais ainda, com a segurança jurídica adequada. Por isso, trabalhamos de forma intensa o processo decisório em ambiente controlado e multinacional”, explica o coordenador do exercício, Coronel Aviador Bruno Pedra.

Aeronaves empregadas no treinamento – No contexto do exercício, a Força Aérea Brasileira (FAB) empregará as aeronaves KC-390 Millennium, H-60L Black Hawk, SC-105 Amazonas, C-98 Caravan e RQ-900, ampliando a capacidade de combate a incêndios dos órgãos governamentais. Também serão realizadas missões de Busca e Salvamento (SAR) e Evacuação Aeromédica (EVAM).

A MB contribuirá com o helicóptero UH-12 Esquilo, enquanto o EB participará com o helicóptero HM-3 Cougar, reforçando as ações de resposta a emergências. Entre os países participantes, a Argentina empregará aeronaves C-130 Hercules e helicópteros Bell 412.

O Canadá enviará a aeronave C-130H, enquanto a Colômbia participará com a aeronave C-295. O Paraguai contribuirá com aeronaves C-208 e helicópteros UH-1H, o Peru enviará a aeronave C-27 e o Uruguai participará com aeronaves KC-130 e Bell 212, além de drones DJI M300RTK e M350

O fim dos A-4 se aproxima e a Marinha precisa decidir o futuro de sua aviação de caça

 


Com a frota de A-4 Skyhawk se aproximando do limite operacional até 2030, a Marinha do Brasil (MB) precisa definir se manterá sua aviação de caça e como essa capacidade poderá apoiar a esquadra.

Em um cenário internacional marcado pelo rápido avanço tecnológico, proliferação de drones e mísseis de longo alcance e o aumento da competição estratégica entre potências (nem sempre leais), o poder naval depende cada vez mais da integração entre forças de superfície e seus meios aéreos de combate. Nesse ambiente, marinhas que perdem sua aviação de combate reduzem significativamente sua capacidade de projeção de poder e de proteção de suas forças no mar.

A aviação de caça da MB se aproxima de um ponto de decisão estratégico. O 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1), o “Esquadrão Falcão”, opera o veterano McDonnell Douglas A-4KU Skyhawk (designados AF-1 Falcão). Uma aeronave projetada na década de 1950, cuja vida útil está cada vez mais próxima do fim. A Marinha precisa decidir se pretende preservar sua capacidade de aviação de combate ou permitir que essa competência, que foi recuperada com muito esforço, desapareça nos próximos anos.

Para proteger um litoral tão vasto quanto o do Brasil, a aviação naval de asa fixa é uma necessidade real (Foto: MB)

NO LIMITE OPERACIONAL

Os A-4 foram adquiridos do Kuwait no final da década de 1990 e desempenharam um papel importante ao longo das últimas décadas, capacitando toda uma geração de pilotos navais, mantendo viva a doutrina de aviação de caça e oferecendo capacidade de ataque contra alvos de superfície. Entretanto, mesmo com programas de modernização e revitalização realizados nos últimos anos, trata-se de uma aeronave concebida há mais de sete décadas, cuja manutenção se torna cada vez mais complexa e onerosa. Apesar das melhorias introduzidas na modernização, os limites estruturais da aeronave são inevitáveis. Avaliações indicam que a frota dificilmente poderá operar além do ano 2030.

Enfrentando baixa disponibilidade operacional, a manutenção dessas aeronaves tornou-se progressivamente mais difícil devido à escassez de peças, à idade das estruturas e à necessidade de intervenções técnicas cada vez mais frequentes. Além do impacto financeiro, a continuidade da operação de uma aeronave tão antiga também levanta preocupações naturais relacionadas à segurança de voo.

Diante desse cenário, a discussão sobre a substituição do A-4 não é apenas uma questão de modernização tecnológica ou aumento da capacidade operacional (como deveria ser), mas de sobrevivência da aviação de asa fixa naval. A MB precisa decidir – e logo – se pretende preservar essa capacidade ou aceitar sua perda, que reduziria significativamente a possibilidade de, no futuro, voltar a operar um navio-aeródromo. Por essa razão, a manutenção da doutrina de aviação de caça naval continua sendo um elemento importante para a evolução do poder naval brasileiro.

Desde a desativação do NAe São Paulo, a aviação de caça naval opera exclusivamente de bases terrestres (Foto: MB)

BASES AERONAVAIS E APOIO ÀS FORÇAS DE SUPERFÍCIE

A discussão sobre o futuro da aviação de caça naval muitas vezes é associada exclusivamente à existência de um porta-aviões. No entanto, essa é visão uma limitada.

Em um país com mais de 7.400 quilômetros de litoral e uma vasta área marítima de responsabilidade, aeronaves de combate podem desempenhar um papel fundamental operando a partir de bases aéreas e aeronavais distribuídas ao longo da costa brasileira.

Bases localizadas no Nordeste, Sudeste e Sul do país — além de posições estratégicas como Fernando de Noronha — poderiam apoiar operações navais em amplas áreas do Atlântico Sul. Esse modelo ampliaria significativamente o alcance das forças de superfície, permitindo cobertura aérea, vigilância e capacidade de ataque em apoio direto à esquadra. Assim, a aviação de combate continuaria sendo um importante multiplicador de poder naval, ampliando a capacidade de vigilância marítima, oferecem proteção aérea para navios e permitem o engajamento de alvos de superfície a grandes distâncias.

Nesse contexto, a integração de novos armamentos também representa um fator estratégico relevante. O desenvolvimento do míssil antinavio MARSUP – versão ar-superfície do MANSUP – e sua integração em caças navais, mesmo que operando de bases costeiras ou insulares, ampliaria de forma substancial o poder ofensivo da esquadra.

A partir dessas bases poderiam realizar ataques “stand-off” contra alvos de superfície a grande distância, aumentando a capacidade de dissuasão naval brasileira e, em um cenário de crise ou conflito, essa capacidade permitiria conduzir operações de negação de área no Atlântico Sul, dificultando a aproximação de forças hostis em regiões de interesse estratégico.

Além disso, aeronaves armadas com mísseis antinavio poderiam operar de forma integrada com navios da esquadra, executando ataques coordenados contra forças navais adversárias, aumentando a complexidade tática enfrentada pelo inimigo.

Outro aspecto cada vez mais relevante é a defesa contra drones. A proliferação de veículos aéreos não tripulados armados e de baixo custo já demonstrou seu impacto em conflitos recentes, e aeronaves de caça podem atuar como uma camada adicional de defesa da esquadra, interceptando drones e outras ameaças aéreas antes que se aproximem dos navios, como já foi demonstrado pela própria MB no ano passado.

Além disso, aeronaves de combate desempenham um papel fundamental em missões de reconhecimento armado e designação de alvos a longa distância, ampliando a consciência situacional e a eficácia das forças navais.

Diversas marinhas ao redor do mundo continuam investindo na integração entre forças navais, aviação de combate e sistemas não tripulados. Países como Estados Unidos, França, Reino Unido, Índia e China mantêm ou ampliam suas aviações embarcadas, enquanto outras marinhas operam aeronaves de combate a partir de bases costeiras para apoiar suas esquadras.

O poder naval moderno depende cada vez mais da integração entre diferentes domínios — submarino, superfície, ar, espaço e ciberespaço — formando uma arquitetura de combate cada vez mais conectada.

A Marinha já opera drones, mas os atuais ScanEagle nem se aproximam das capacidades operacionais de uma avião de caça (Foto: MB)

Índia aprova aquisição de 60 aviões de transporte militar e abre disputa entre Embraer C-390 e C-130J

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Embraer C-390 com as cores indianas

O Conselho de Aquisições de Defesa da Índia autorizou o avanço do programa para adquirir 60 aeronaves de transporte médio (Medium Transport Aircraft – MTA) para a Força Aérea Indiana (IAF), em um projeto que visa modernizar a capacidade de transporte tático do país e substituir aeronaves mais antigas de origem soviética. O plano prevê a compra inicial de 12 aviões prontos de fábrica, enquanto 48 unidades serão produzidas localmente na Índia, no âmbito da política industrial “Make in India”.

A disputa pelo contrato deverá ocorrer principalmente entre duas propostas: o Embraer C-390 Millennium, do Brasil, apresentado em parceria com o grupo indiano Mahindra, e o Lockheed Martin C-130J Super Hercules, dos Estados Unidos, oferecido em parceria com a Tata Advanced Systems. Ambas as propostas incluem planos de produção local, transferência de tecnologia e desenvolvimento de capacidades industriais no país.

A Airbus propôs o A400M Atlas, uma plataforma maior com capacidade de carga superior a 30 toneladas. Ele combina funções de transporte tático e estratégico, embora sua maior capacidade o coloque acima da faixa de requisitos estabelecida pela Força Aérea Indiana (IAF), tornando-o menos adequado às necessidades atuais.

O programa faz parte do esforço da Índia para renovar sua frota de transporte militar, atualmente composta em grande parte por aeronaves Antonov An-32 e Ilyushin Il-76, que enfrentam limitações operacionais e dificuldades de manutenção. As novas aeronaves deverão preencher o espaço entre os aviões de transporte leve e as plataformas de grande porte da força aérea, além de operar em condições exigentes, como pistas curtas ou não preparadas e bases de alta altitude nas regiões de Ladakh e no nordeste do país.

Além de fortalecer a logística militar da Índia, o projeto também é visto como um importante impulso para a indústria aeroespacial doméstica, uma vez que a produção local de 48 aeronaves poderá criar cadeias de suprimento, centros de manutenção e novas capacidades tecnológicas no país. A decisão final sobre qual aeronave será escolhida deverá ocorrer após a fase de propostas formais, testes e negociações contratuais conduzidos pelo Ministério da Defesa indiano.

Embraer registra receita recorde em 2025 e projeta crescimento nas entregas para 2026

 Embraer

A Embraer divulgou os resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 e do acumulado do ano, reportando o maior nível anual de receita de sua história. A fabricante brasileira alcançou R$ 41,9 bilhões em receitas em 2025, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior, superando o limite superior das projeções divulgadas pela companhia. Somente no 4º trimestre, a empresa registrou R$ 14,3 bilhões em receitas, impulsionadas principalmente pelos segmentos de Defesa & Segurança e de Aviação Executiva, que cresceram 36% e 24%, respectivamente.

O desempenho operacional também apresentou avanço. O EBIT ajustado atingiu R$ 1,2 bilhão no quarto trimestre, com margem de 8,7%, enquanto, no acumulado de 2025, o resultado operacional ajustado chegou a R$ 3,6 bilhões, com margem de 8,6%, ambos acima das estimativas iniciais. O fluxo de caixa livre ajustado, sem Eve, totalizou R$ 4 bilhões no trimestre e R$ 2,3 bilhões no ano, resultado associado ao aumento no volume de entregas. Com isso, a empresa encerrou o ano com caixa líquida de R$ 601 milhões e ampliou significativamente o prazo médio de vencimento de suas dívidas, que passou de 3,7 anos para 9,1 anos.

Em termos operacionais, a Embraer entregou 91 aeronaves no quarto trimestre de 2025, incluindo 32 jatos comerciais, 53 executivos e 6 aeronaves militares. No acumulado do ano, foram entregues 244 aeronaves, um crescimento de 18% em comparação com 2024, com destaque para 78 jatos comerciais, 155 executivos e 11 aeronaves do segmento de defesa, incluindo KC-390 Millennium e A-29 Super Tucano. A companhia também alcançou um recorde histórico na carteira de pedidos, que chegou a US$ 31,6 bilhões, mais de 20% acima do registrado no ano anterior, com forte demanda pelas famílias E175 e E2.

Para 2026, a Embraer projeta entregas de 80 a 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos, além de receita anual estimada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões. A empresa também espera manter a margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3% e gerar fluxo de caixa livre de pelo menos US$ 200 milhões, mesmo considerando o impacto das tarifas de importação de 10% nos Estados Unidos.

Fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves e permanece como uma das principais fabricantes mundiais de jatos comerciais de até 150 assentos, além de ser líder entre as exportadoras brasileiras de produtos de alto valor agregado.

sexta-feira, 6 de março de 2026

FAB pode manter caças F-5M em operação até 2035 e decisão levanta debate sobre riscos e estratégia

 


O F-5 ocupa um lugar singular na história da aviação de caça do Brasil. Muitos dos atuais comandantes e pilotos experientes da FAB iniciaram suas carreiras voando o Tiger II, aeronave que durante décadas representou a espinha dorsal da defesa do espaço aéreo nacional. Agora a possibilidade da Força Aérea Brasileira manter seus caças F-5EM/FM em operação até aproximadamente 2035 reacendeu o debate sobre os limites operacionais de uma aeronave cuja concepção remonta à década de 1960.

Embora o F-5 tenha sido, por décadas, um dos pilares da defesa aérea brasileira, a extensão de sua vida útil levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre necessidade estratégica, custos operacionais e riscos associados ao envelhecimento da frota, conforme relatou o site DefesaNet.

Sua longevidade operacional é resultado de uma combinação de características de projeto — simplicidade, robustez e baixo custo de operação — e de programas de modernização bem-sucedidos conduzidos ao longo do tempo.

A história da aeronave no Brasil começou em meados da década de 1970, quando o país adquiriu seus primeiros F-5E Tiger II e F-5B da Northrop para substituir vetores mais antigos e reforçar a capacidade de interceptação da FAB durante a Guerra Fria.

O caça foi projetado como uma plataforma leve, supersônica e relativamente econômica, baseada em conceitos derivados do treinador T-38 Talon. Essa filosofia permitia manter uma capacidade de defesa aérea eficaz sem depender de caças mais pesados e caros.

Com o passar das décadas, no entanto, tornou-se necessário atualizar a aeronave para enfrentar um ambiente operacional cada vez mais complexo. No início dos anos 2000, a FAB iniciou um amplo programa de modernização conduzido pela Embraer em parceria com a empresa israelense Elbit Systems. O projeto transformou os antigos F-5E/F no padrão F-5EM/FM, incorporando um pacote significativo de melhorias tecnológicas.

Entre as atualizações estavam um novo radar multimodo Grifo-F, computadores de missão mais avançados, cockpit digital com telas multifuncionais, integração com capacete designador de alvos, sistemas de guerra eletrônica e datalink tático. A modernização também permitiu a integração de armamentos mais modernos, incluindo o míssil ar-ar Derby de médio alcance e os mísseis infravermelhos Python IV.

Essas melhorias deram ao F-5 modernizado capacidades significativamente superiores às da versão original, permitindo que a aeronave continuasse relevante em cenários de combate contemporâneos de média intensidade. Durante anos, o caça desempenhou papel central em missões de policiamento do espaço aéreo brasileiro e participou de exercícios internacionais e treinamentos multinacionais.

Pilotos da FAB operando o F-5 também obtiveram desempenhos respeitáveis em exercícios de grande escala, incluindo treinamentos Red Flag realizados nos Estados Unidos e as edições do exercício Cruzex, que reúne diversas forças aéreas da América Latina e de países parceiros. Nessas operações, o caça frequentemente esteve no centro da doutrina de emprego da aviação de caça brasileira.

Apesar dessa trajetória bem-sucedida, a discussão atual gira em torno de um fator inevitável: o tempo. Mesmo com modernizações eletrônicas e reforços estruturais, a base do projeto continua sendo uma célula concebida há mais de seis décadas. O desgaste estrutural acumulado ao longo de milhares de horas de voo passa a exigir inspeções cada vez mais rigorosas, enquanto o suporte logístico tende a se tornar mais complexo e caro.

À medida que uma frota envelhece, a disponibilidade operacional tende a diminuir. Componentes tornam-se mais difíceis de obter, processos de manutenção tornam-se mais intensivos e o planejamento logístico passa a exigir soluções cada vez mais especializadas. Esse fenômeno não é exclusivo do F-5, mas se torna particularmente relevante quando se trata de aeronaves projetadas em outra era tecnológica.

Ao mesmo tempo, o ambiente de combate aéreo evoluiu de forma significativa nas últimas décadas. Sensores mais sofisticados, radares AESA, integração de dados em tempo real e mísseis de longo alcance transformaram profundamente a dinâmica das operações aéreas modernas. Em cenários de conflito de alta intensidade, aeronaves projetadas em gerações anteriores enfrentam desafios crescentes em termos de sobrevivência no campo de batalha.

Nesse contexto surge o programa do F-39 Gripen, a nova geração de caças da Força Aérea Brasileira. Desenvolvido pela Saab em cooperação com a indústria nacional, o Gripen E/F representa um salto significativo em capacidade tecnológica. A aeronave incorpora radar AESA, sensores avançados, integração de sistemas e capacidade de combate em rede, além de uma arquitetura digital que permite atualizações contínuas ao longo de sua vida útil.

O contrato assinado em 2014 prevê a aquisição de 36 aeronaves, parte delas produzidas no Brasil dentro de um amplo programa de transferência de tecnologia. A produção local e a participação da indústria brasileira são consideradas elementos estratégicos do projeto, com impacto direto na capacitação tecnológica do setor aeroespacial nacional.

Entretanto, a transição entre uma geração de caças e outra é um processo naturalmente gradual. A introdução de uma nova aeronave envolve treinamento de pilotos, formação de equipes de manutenção, adaptação de infraestrutura e desenvolvimento de doutrina operacional. Enquanto esse processo ocorre, a FAB precisa manter capacidade mínima de defesa aérea distribuída pelo território nacional.

É nesse ponto que o F-5 continua desempenhando um papel importante como vetor de transição. Mesmo não sendo comparável aos caças mais modernos em todos os aspectos, ele ainda pode cumprir missões de patrulha aérea, treinamento avançado e defesa de áreas específicas enquanto a frota de Gripen cresce gradualmente.

Ainda assim, a possibilidade de manter essas aeronaves em operação até 2035 levanta questionamentos sobre até que ponto a extensão da vida útil permanece economicamente e operacionalmente sustentável. Quanto mais uma plataforma envelhece, maior tende a ser o esforço necessário para mantê-la segura e disponível.

Independentemente do desfecho desse planejamento, uma coisa é certa: o F-5 já garantiu seu lugar na história da aviação militar brasileira. Durante mais de meio século, o caça formou gerações de pilotos, sustentou a defesa aérea nacional e demonstrou a durabilidade de um projeto que se tornou um dos mais longevos da aviação de combate mundial.

Se a previsão de operação até meados da década de 2030 se confirmar, o Tiger II encerrará sua carreira na FAB como um dos caças mais emblemáticos já operados pelo país. E sua aposentadoria definitiva marcará não apenas o fim de uma aeronave histórica, mas também a consolidação de uma nova fase para a aviação de caça brasileira, cada vez mais baseada em plataformas digitais, sensores avançados e guerra aérea em rede.

PAMA SP entrega F-5EM ao Esquadrão Jambock após inspeção programada

 Caça passou por Inspeção de Nível Parque de 1.200 horas e retorna ao Esquadrão Jambock, na Base Aérea de Santa Cruz, reforçando a prontidão operacional da FAB


O Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP) entregou, no dia 12/02, a aeronave F-5EM (FAB 4827) ao Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GavCa) Esquadrão Jambock, sediado na Base Aérea de Santa Cruz (BASC). O caça retornou à Unidade após passar pela Inspeção de Nível Parque Programada (INPP), correspondente à inspeção de 1.200 horas.

Realizada no PAMA SP, a inspeção mobilizou militares da Linha de Revisão e das oficinas de apoio, que atuaram de forma integrada e coordenada, cumprindo rigorosamente os procedimentos técnicos e padrões de qualidade estabelecidos. Ao longo de todo o processo, a Inspetoria Técnica acompanhou cada etapa, assegurando a conformidade das atividades e o elevado nível de excelência na execução dos trabalhos.

Após a conclusão da montagem, foram realizados testes operacionais e o giro dos motores, etapas essenciais para verificar o pleno funcionamento dos sistemas. Na fase final, a Seção de Pintura executou o acabamento da aeronave, garantindo não apenas a apresentação visual adequada, mas também a proteção necessária para o retorno seguro às operações. O cuidado minucioso em cada detalhe assegurou que o F-5EM retornasse ao Esquadrão em plenas condições de segurança, confiabilidade e desempenho.

"A entrega do F-5EM 4827 representa mais do que a conclusão de uma inspeção, simboliza o resultado do trabalho sério, responsável e dedicado de todos os profissionais envolvidos, homens e mulheres do PAMA SP, que se dedicam e reforçam o nosso compromisso no cumprimento da missão institucional da FAB. O empenho coletivo evidenciou não apenas a elevada competência técnica da equipe, mas também o espírito de corpo e o firme comprometimento com a missão da Força Aérea, na prontidão operacional e na sustentação do poder aéreo. O excelente trabalho realizado reforça o padrão de qualidade, eficiência e compromisso”, ressaltou o Diretor do PAMA SP, Coronel Aviador Wagner Takemi Motoyama,

Northrop F-5 Tiger II

O Northrop F-5 Tiger II é um caça tático empregado em missões de defesa aérea, combate ar-ar e ataque ar-solo. Integrante da frota de defesa aérea do País, o “Tigre” consolidou-se como um dos pilares da aviação de caça da FAB, contribuindo para o adestramento de pilotos e para o desenvolvimento de táticas e procedimentos que mantêm a Instituição preparada para a defesa da soberania do espaço aéreo brasileiro.

Fotos: PAMA SP