Unidade da FAB no Rio Grande do Sul foi considerada adequada para operar o caça sueco e poderá passar por adaptações para receber uma nova geração de aeronaves de combate.
A Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, está cada vez mais próxima de entrar na nova era da aviação de combate da Força Aérea Brasileira. Informações recebidas nesta semana indicam que a unidade foi considerada adequada para operar os caças F-39 Gripen e poderá ser escolhida para receber parte da frota nos próximos anos, substituindo os A-1M atualmente empregados na base.
Embora a FAB ainda não tenha confirmado oficialmente a implantação dos Gripen para Santa Maria, a própria Força Aérea reconheceu que a base foi considerada adequada para a operação do caça multimissão. A definição sobre quais unidades receberão as aeronaves, entretanto, permanece dentro do planejamento estratégico da FAB, que atualmente concentra a operação do F-39 no 1º Grupo de Defesa Aérea, na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.
A possibilidade representa uma mudança significativa para Santa Maria, que há décadas possui uma importante tradição na operação de aeronaves de combate. Atualmente, a base gaúcha abriga o esquadrão Poker, responsável por missões que incluem ataque e reconhecimento com os A-1M. De acordo com a FAB, aspectos relacionados ao ciclo de vida da frota apontam para a manutenção dos A-1 em operação até 2027. Já havíamos comentado anteriormente que a FAB está priorizando todos seus investimentos no caça Gripen.
A eventual substituição dos A-1M pelos F-39 Gripen elevaria consideravelmente as capacidades disponíveis na região Sul do Brasil. O Gripen é um caça supersônico multimissão equipado com radar de varredura eletrônica, sistemas avançados de guerra eletrônica, modernos recursos de comunicação e enlace de dados, além de capacidade para empregar diferentes tipos de armamentos. A aeronave foi concebida para executar missões de defesa aérea, ataque, reconhecimento e outras operações de combate.
A escolha de Santa Maria também faria sentido do ponto de vista estratégico. A unidade já possui uma longa experiência na operação de aeronaves de combate e está inserida em uma região de importância para a defesa do espaço aéreo brasileiro. A infraestrutura existente, a presença de pessoal especializado e a experiência operacional acumulada ao longo de décadas podem facilitar a transição para um novo vetor, embora adaptações sejam necessárias para atender aos requisitos específicos do Gripen.
Informações extraoficiais apontam ainda para a possibilidade de uma equipe da Saab realizar uma avaliação da infraestrutura da Base Aérea de Santa Maria. O objetivo seria identificar eventuais adequações necessárias para a operação dos novos caças, incluindo instalações de manutenção, apoio logístico e demais estruturas utilizadas pelo sistema de armas. A realização de uma avaliação desse tipo seria um indicativo importante de que a possibilidade de transferência deixou de ser apenas uma hipótese de longo prazo.
O momento também coincide com uma nova etapa do programa brasileiro do Gripen. Em agosto de 2026, a Saab realizou em Linköping, na Suécia, o primeiro voo do Gripen F, versão biposta desenvolvida em parceria com o Brasil. A aeronave permaneceu 40 minutos no ar e contou com a participação do tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB, ao lado do piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg.
O Gripen F é particularmente importante para o programa brasileiro porque foi desenvolvido com participação direta da indústria e de profissionais do país. A versão de dois lugares deverá ampliar as possibilidades de treinamento e conversão operacional, além de manter capacidade de emprego em missões de combate. A aeronave agora entra em uma campanha de ensaios que antecederá sua aceitação e posterior entrega à Força Aérea Brasileira.
A expansão da frota também pode contribuir para uma futura distribuição dos Gripen por mais de uma base aérea. O projeto F-X2 prevê originalmente 36 aeronaves, sendo 28 F-39E monopostos e oito F-39F bipostos. Paralelamente, Saab e Embraer estabeleceram em 2026 as bases para ampliar a capacidade de produção e trabalham com a previsão de mais 20 aeronaves Gripen adicionais para o Brasil, caso o acordo seja concluído conforme planejado.
O programa já alcançou uma etapa operacional importante. Em fevereiro de 2026, o Gripen foi empregado pela primeira vez em uma missão de Alerta de Defesa Aérea no Brasil, demonstrando que o caça deixou de ser apenas um projeto de renovação da frota e passou a desempenhar funções permanentes dentro do sistema de defesa aeroespacial brasileiro.
Para Santa Maria, a chegada do F-39 representaria também uma transformação tecnológica profunda. Os A-1M são derivados do programa binacional AMX desenvolvido por Brasil e Itália a partir dos anos 1980. A aeronave recebeu uma modernização que atualizou seus sistemas de navegação, comunicação e ataque, mas continua baseada em um projeto concebido há várias décadas. A transição para o Gripen, portanto, não seria apenas uma substituição de aeronaves. Seria a passagem de uma geração de caças projetada durante a Guerra Fria para uma plataforma desenvolvida para operar em ambientes de combate conectados, com forte integração entre sensores, aeronaves, sistemas de comando e controle e armamentos modernos.
O cronograma exato ainda não foi definido publicamente. Com os A-1M previstos para permanecer em operação até 2027, uma eventual chegada dos Gripen a Santa Maria poderá ocorrer posteriormente, possivelmente entre 2028 e 2029, caso o planejamento da FAB avance nessa direção. Até que uma decisão oficial seja anunciada, entretanto, a transferência deve ser tratada como uma possibilidade em estudo.
Se confirmada, a mudança colocará Santa Maria entre as principais bases de operação do caça mais avançado atualmente em serviço na FAB e garantirá a continuidade da aviação de combate na unidade. Para a Força Aérea, será uma oportunidade de substituir gradualmente os veteranos A-1M por uma plataforma capaz de oferecer maior consciência situacional, conectividade e flexibilidade operacional, fortalecendo a defesa aérea brasileira na região Sul.











