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sexta-feira, 6 de março de 2026

FAB pode manter caças F-5M em operação até 2035 e decisão levanta debate sobre riscos e estratégia

 


O F-5 ocupa um lugar singular na história da aviação de caça do Brasil. Muitos dos atuais comandantes e pilotos experientes da FAB iniciaram suas carreiras voando o Tiger II, aeronave que durante décadas representou a espinha dorsal da defesa do espaço aéreo nacional. Agora a possibilidade da Força Aérea Brasileira manter seus caças F-5EM/FM em operação até aproximadamente 2035 reacendeu o debate sobre os limites operacionais de uma aeronave cuja concepção remonta à década de 1960.

Embora o F-5 tenha sido, por décadas, um dos pilares da defesa aérea brasileira, a extensão de sua vida útil levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre necessidade estratégica, custos operacionais e riscos associados ao envelhecimento da frota, conforme relatou o site DefesaNet.

Sua longevidade operacional é resultado de uma combinação de características de projeto — simplicidade, robustez e baixo custo de operação — e de programas de modernização bem-sucedidos conduzidos ao longo do tempo.

A história da aeronave no Brasil começou em meados da década de 1970, quando o país adquiriu seus primeiros F-5E Tiger II e F-5B da Northrop para substituir vetores mais antigos e reforçar a capacidade de interceptação da FAB durante a Guerra Fria.

O caça foi projetado como uma plataforma leve, supersônica e relativamente econômica, baseada em conceitos derivados do treinador T-38 Talon. Essa filosofia permitia manter uma capacidade de defesa aérea eficaz sem depender de caças mais pesados e caros.

Com o passar das décadas, no entanto, tornou-se necessário atualizar a aeronave para enfrentar um ambiente operacional cada vez mais complexo. No início dos anos 2000, a FAB iniciou um amplo programa de modernização conduzido pela Embraer em parceria com a empresa israelense Elbit Systems. O projeto transformou os antigos F-5E/F no padrão F-5EM/FM, incorporando um pacote significativo de melhorias tecnológicas.

Entre as atualizações estavam um novo radar multimodo Grifo-F, computadores de missão mais avançados, cockpit digital com telas multifuncionais, integração com capacete designador de alvos, sistemas de guerra eletrônica e datalink tático. A modernização também permitiu a integração de armamentos mais modernos, incluindo o míssil ar-ar Derby de médio alcance e os mísseis infravermelhos Python IV.

Essas melhorias deram ao F-5 modernizado capacidades significativamente superiores às da versão original, permitindo que a aeronave continuasse relevante em cenários de combate contemporâneos de média intensidade. Durante anos, o caça desempenhou papel central em missões de policiamento do espaço aéreo brasileiro e participou de exercícios internacionais e treinamentos multinacionais.

Pilotos da FAB operando o F-5 também obtiveram desempenhos respeitáveis em exercícios de grande escala, incluindo treinamentos Red Flag realizados nos Estados Unidos e as edições do exercício Cruzex, que reúne diversas forças aéreas da América Latina e de países parceiros. Nessas operações, o caça frequentemente esteve no centro da doutrina de emprego da aviação de caça brasileira.

Apesar dessa trajetória bem-sucedida, a discussão atual gira em torno de um fator inevitável: o tempo. Mesmo com modernizações eletrônicas e reforços estruturais, a base do projeto continua sendo uma célula concebida há mais de seis décadas. O desgaste estrutural acumulado ao longo de milhares de horas de voo passa a exigir inspeções cada vez mais rigorosas, enquanto o suporte logístico tende a se tornar mais complexo e caro.

À medida que uma frota envelhece, a disponibilidade operacional tende a diminuir. Componentes tornam-se mais difíceis de obter, processos de manutenção tornam-se mais intensivos e o planejamento logístico passa a exigir soluções cada vez mais especializadas. Esse fenômeno não é exclusivo do F-5, mas se torna particularmente relevante quando se trata de aeronaves projetadas em outra era tecnológica.

Ao mesmo tempo, o ambiente de combate aéreo evoluiu de forma significativa nas últimas décadas. Sensores mais sofisticados, radares AESA, integração de dados em tempo real e mísseis de longo alcance transformaram profundamente a dinâmica das operações aéreas modernas. Em cenários de conflito de alta intensidade, aeronaves projetadas em gerações anteriores enfrentam desafios crescentes em termos de sobrevivência no campo de batalha.

Nesse contexto surge o programa do F-39 Gripen, a nova geração de caças da Força Aérea Brasileira. Desenvolvido pela Saab em cooperação com a indústria nacional, o Gripen E/F representa um salto significativo em capacidade tecnológica. A aeronave incorpora radar AESA, sensores avançados, integração de sistemas e capacidade de combate em rede, além de uma arquitetura digital que permite atualizações contínuas ao longo de sua vida útil.

O contrato assinado em 2014 prevê a aquisição de 36 aeronaves, parte delas produzidas no Brasil dentro de um amplo programa de transferência de tecnologia. A produção local e a participação da indústria brasileira são consideradas elementos estratégicos do projeto, com impacto direto na capacitação tecnológica do setor aeroespacial nacional.

Entretanto, a transição entre uma geração de caças e outra é um processo naturalmente gradual. A introdução de uma nova aeronave envolve treinamento de pilotos, formação de equipes de manutenção, adaptação de infraestrutura e desenvolvimento de doutrina operacional. Enquanto esse processo ocorre, a FAB precisa manter capacidade mínima de defesa aérea distribuída pelo território nacional.

É nesse ponto que o F-5 continua desempenhando um papel importante como vetor de transição. Mesmo não sendo comparável aos caças mais modernos em todos os aspectos, ele ainda pode cumprir missões de patrulha aérea, treinamento avançado e defesa de áreas específicas enquanto a frota de Gripen cresce gradualmente.

Ainda assim, a possibilidade de manter essas aeronaves em operação até 2035 levanta questionamentos sobre até que ponto a extensão da vida útil permanece economicamente e operacionalmente sustentável. Quanto mais uma plataforma envelhece, maior tende a ser o esforço necessário para mantê-la segura e disponível.

Independentemente do desfecho desse planejamento, uma coisa é certa: o F-5 já garantiu seu lugar na história da aviação militar brasileira. Durante mais de meio século, o caça formou gerações de pilotos, sustentou a defesa aérea nacional e demonstrou a durabilidade de um projeto que se tornou um dos mais longevos da aviação de combate mundial.

Se a previsão de operação até meados da década de 2030 se confirmar, o Tiger II encerrará sua carreira na FAB como um dos caças mais emblemáticos já operados pelo país. E sua aposentadoria definitiva marcará não apenas o fim de uma aeronave histórica, mas também a consolidação de uma nova fase para a aviação de caça brasileira, cada vez mais baseada em plataformas digitais, sensores avançados e guerra aérea em rede.

PAMA SP entrega F-5EM ao Esquadrão Jambock após inspeção programada

 Caça passou por Inspeção de Nível Parque de 1.200 horas e retorna ao Esquadrão Jambock, na Base Aérea de Santa Cruz, reforçando a prontidão operacional da FAB


O Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP) entregou, no dia 12/02, a aeronave F-5EM (FAB 4827) ao Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GavCa) Esquadrão Jambock, sediado na Base Aérea de Santa Cruz (BASC). O caça retornou à Unidade após passar pela Inspeção de Nível Parque Programada (INPP), correspondente à inspeção de 1.200 horas.

Realizada no PAMA SP, a inspeção mobilizou militares da Linha de Revisão e das oficinas de apoio, que atuaram de forma integrada e coordenada, cumprindo rigorosamente os procedimentos técnicos e padrões de qualidade estabelecidos. Ao longo de todo o processo, a Inspetoria Técnica acompanhou cada etapa, assegurando a conformidade das atividades e o elevado nível de excelência na execução dos trabalhos.

Após a conclusão da montagem, foram realizados testes operacionais e o giro dos motores, etapas essenciais para verificar o pleno funcionamento dos sistemas. Na fase final, a Seção de Pintura executou o acabamento da aeronave, garantindo não apenas a apresentação visual adequada, mas também a proteção necessária para o retorno seguro às operações. O cuidado minucioso em cada detalhe assegurou que o F-5EM retornasse ao Esquadrão em plenas condições de segurança, confiabilidade e desempenho.

"A entrega do F-5EM 4827 representa mais do que a conclusão de uma inspeção, simboliza o resultado do trabalho sério, responsável e dedicado de todos os profissionais envolvidos, homens e mulheres do PAMA SP, que se dedicam e reforçam o nosso compromisso no cumprimento da missão institucional da FAB. O empenho coletivo evidenciou não apenas a elevada competência técnica da equipe, mas também o espírito de corpo e o firme comprometimento com a missão da Força Aérea, na prontidão operacional e na sustentação do poder aéreo. O excelente trabalho realizado reforça o padrão de qualidade, eficiência e compromisso”, ressaltou o Diretor do PAMA SP, Coronel Aviador Wagner Takemi Motoyama,

Northrop F-5 Tiger II

O Northrop F-5 Tiger II é um caça tático empregado em missões de defesa aérea, combate ar-ar e ataque ar-solo. Integrante da frota de defesa aérea do País, o “Tigre” consolidou-se como um dos pilares da aviação de caça da FAB, contribuindo para o adestramento de pilotos e para o desenvolvimento de táticas e procedimentos que mantêm a Instituição preparada para a defesa da soberania do espaço aéreo brasileiro.

Fotos: PAMA SP

Da tecnologia de ponta ao veterano que resiste: conheça os caças da FAB que protegem o espaço aéreo brasileiro com F-39 Gripen, F-5 modernizado e A-1 AMX

 

A Força Aérea Brasileira mantém uma combinação de tecnologia de última geração e aeronaves veteranas em sua aviação de caça, reunindo o moderno F-39 Gripen, o histórico F-5 Tiger II e o A-1 AMX em um sistema estratégico de defesa do espaço aéreo.

Da tecnologia de ponta ao veterano que resiste: conheça os caças da FAB que protegem o espaço aéreo brasileiro com F-39 Gripen, F-5 modernizado e A-1 AMX
Do moderno F-39 Gripen ao veterano F-5 e ao A-1 AMX, conheça os caças que formam o sistema de defesa aérea da FAB e protegem o espaço aéreo. (Imagem: Reprodução/FAB)

Em um mundo onde crises internacionais ganham manchetes em horas, a defesa do espaço aéreo vira assunto até para quem nunca acompanhou aviação militar.

Segundo informações divulgadas pelo portal Band, a Força Aérea Brasileira mantém atualmente um mix de aeronaves que combina tecnologia de ponta com modelos veteranos modernizados para proteger o espaço aéreo do país.

E, nos últimos meses, um detalhe passou a chamar atenção fora do meio militar: o caça mais moderno da Força Aérea Brasileira entrou oficialmente no “plantão” de defesa aérea 24 horas por dia a partir do Centro-Oeste.

Desde 24 de fevereiro de 2026, o F-39 Gripen passou a cumprir, pela primeira vez, o Alerta de Defesa Aérea do Planalto Central a partir da Base Aérea de Anápolis (GO), sob responsabilidade do 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA).

Essa mudança simboliza um passo importante dentro do Programa Gripen (FX-2), que vem trocando uma frota baseada em aeronaves modernizadas por uma geração nova, com sensores avançados, guerra eletrônica e armamentos de maior alcance.

Ao mesmo tempo, a FAB ainda opera caças veteranos que carregam décadas de experiência, como o F-5M.

E, na ala do ataque ao solo, o A-1 AMX segue em atividade em Santa Maria (RS), em um momento descrito por analistas e reportagens especializadas como fase final de operação e

Gripen em alerta 24 horas e o salto tecnológico da FAB

O F-39 Gripen é um caça multimissão desenvolvido pela Saab, com participação industrial brasileira no programa e transferência de tecnologia.

O contrato brasileiro prevê a aquisição de 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E (monoposto) e 8 Gripen F (biposto).

Ao entrar no Alerta de Defesa Aérea em 24 de fevereiro de 2026, o Gripen passou a integrar a rotina de prontidão armada para proteger o espaço aéreo do Planalto Central.

Na prática, isso significa manter aeronaves e equipes prontas para decolar em poucos minutos, caso haja acionamento para interceptação e identificação.

Nos meses anteriores, a FAB divulgou marcos de certificação e testes que ajudam a explicar por que a aeronave ganhou espaço na linha de frente.

Em novembro de 2025, a FAB anunciou o primeiro lançamento do míssil Meteor pelo F-39E Gripen em teste realizado no Brasil.

Em dezembro de 2025, a FAB também divulgou o primeiro tiro aéreo com o canhão Mauser BK-27, de 27 mm, a partir do Gripen.

E, no fim de 2025, a Força informou ainda a conclusão de campanha de certificação de reabastecimento em voo entre o F-39 e o KC-390 Millennium, ampliando alcance e permanência em missão.

Esses marcos ajudam a compor a imagem do Gripen como o vetor mais moderno hoje em operação na aviação de caça brasileira.

F-5 modernizado segue como pilar em duas bases estratégicas

Se o Gripen representa a nova fase, o F-5M continua sendo uma peça central da aviação de caça por um motivo simples: ainda entrega disponibilidade e treinamento diário com custo e logística conhecidos.

O F-5 Tiger II é um projeto clássico, mas a frota brasileira passou por modernizações que resultaram nas versões F-5EM e F-5FM, com novos aviônicos, radar e sistemas atualizados ao longo dos anos.

Hoje, os F-5M operam em pontos considerados estratégicos, como Canoas (RS), no 1º/14º GAV, e Santa Cruz (RJ), no 1º Grupo de Aviação de Caça.

Esses esquadrões mantêm a rotina de missões de defesa aérea e treinamento de combate aproximado, o que preserva uma camada de prontidão enquanto o F-39 amplia sua presença operacional.

Na prática, o cenário atual combina o novo e o veterano, com o Gripen avançando para tarefas de maior prioridade estratégica e o F-5 sustentando parte do volume diário de operações e capacitação.

A-1 AMX e o papel de ataque ao solo em uma frota em transição

Diferente de F-39 e F-5, que têm forte foco em defesa aérea, o A-1 AMX foi concebido como caça de ataque, voltado a missões ar-solo e reconhecimento tático.

No Brasil, a operação do AMX está concentrada na Base Aérea de Santa Maria (RS), vinculada ao 1º/10º GAV, unidade frequentemente citada como a responsável pelos últimos AMX em serviço no mundo.

Nos últimos meses, notícias de incidentes e análises sobre manutenção e suporte reforçaram a percepção de que a aeronave está em uma etapa final de ciclo.

Em fevereiro de 2026, por exemplo, veículos especializados relataram um incidente no pouso envolvendo duas aeronaves A-1 em Santa Maria, sem feridos, o que voltou a colocar o modelo no noticiário.

O ponto central, porém, é que a FAB atravessa uma transição em que capacidades precisam ser mantidas sem depender indefinidamente de aeronaves antigas.

Isso ajuda a explicar por que o debate sobre “mix de caças” costuma aparecer junto com temas de orçamento, cronograma de entregas e ritmo de incorporação de novas unidades.

Um tripé que protege o país, mas com mudanças aceleradas

Quando se olha a aviação de caça da FAB em 2026, a fotografia mais fiel é a de uma frota em camadas.

O F-39 Gripen representa a modernização e já entrou em alerta 24 horas no Planalto Central.


O F-5M segue como pilar de presença e treinamento em bases tradicionais, sustentando parte do volume operacional.

E o A-1 AMX permanece associado ao ataque ao solo e reconhecimento, mas em um contexto de transição e redução gradual de disponibilidade.

terça-feira, 3 de março de 2026

F-39 Gripen é empregado, pela primeira vez, em Alerta de Defesa Aérea

 F-39 Gripen é empregado, pela primeira vez, em Alerta de Defesa Aérea

Marco consolida a aeronave em sua plena capacidade operacional no sistema de defesa aeroespacial do País

Por Tenente Myrea Calazans / CECOMSAER

A Força Aérea Brasileira (FAB) alcançou, nesta terça-feira (24/02), um novo patamar de capacidade operacional, poder aéreo e fortalecimento da soberania nacional. A partir da Base Aérea de Anápolis (BAAN), o caça F-39 Gripen foi empregado, pela primeira vez, em uma missão de Alerta de Defesa Aérea, marco que consolida a aeronave em sua plena capacidade operacional no sistema de defesa aeroespacial do País.

A ação integrou as atividades permanentes de policiamento do espaço aéreo brasileiro e foi coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE). A missão foi executada pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) – Jaguar, responsável pela operação das aeronaves F-39 Gripen da FAB, cumprindo missões de defesa aérea nacional, com foco na proteção da capital federal.

Hoje é o dia em que a aeronave F-39 inicia o serviço de alerta de defesa aeroespacial brasileiro. Essa missão consiste em fazer a defesa do espaço aéreo brasileiro. A aeronave está pronta para decolar, caso seja acionada, tendo como finalidade a missão-fim da nossa Força, que é garantir a soberania do espaço aéreo. Devido à tecnologia embarcada nessa aeronave, ela tem alto poder dissuasório e coloca o Brasil na vanguarda em termos de capacidade de defesa aérea”, destacou o Comandante da BAAN, Tenente-Coronel Aviador André Navarro de Lima Guimarães.

O emprego da aeronave supersônica em Alerta de Defesa Aérea ocorre após uma sequência de certificações estratégicas concluídas no fim de 2025 e início de 2026: reabastecimento em voo (REVO) entre o F-39 Gripen e o KC-390 Millennium, lançamento real do míssil de longo alcance Meteor e a realização do primeiro Tiro Aéreo com canhão do F-39 Gripen em território nacional. Já neste início de 2026, ainda foi testada a separação segura de bombas do vetor. Esses feitos asseguraram à aeronave todas as condições necessárias para o cumprimento pleno das missões de defesa aérea.

Considerado um caça multimissão de última geração, o F-39 Gripen reúne sensores avançados, sistemas de armas modernos e elevada interoperabilidade, ampliando significativamente a capacidade de dissuasão do Brasil. Além do impacto operacional, o programa envolve um dos maiores processos de transferência de tecnologia já realizados no País, com participação direta da indústria nacional e formação de centenas de profissionais brasileiros, fortalecendo a Base Industrial de Defesa (BID).

O serviço de alerta de defesa aérea funciona durante todo o ano, sete dias por semana, 24 horas por dia. Temos uma equipe sempre preparada, com um piloto equipado e pronto para atender o chamado. Sempre que o sistema de defesa aérea detecta uma aeronave que, por algum motivo, não está cumprindo as regras de tráfego aéreo, uma ordem de acionamento é emitida. Em Anápolis, toca uma sirene nas proximidades onde a equipe de prontidão se encontra, e a partir daí, eles têm poucos minutos para virem correndo para a aeronave, para o piloto terminar de se equipar, colocar o capacete e fazer suas conexões com rádio de comunicação e sistema de oxigênio, por exemplo, fazer os checks, ligar a aeronave, verificar o funcionamento adequado de todo o avião e, a partir daí, solicitar autorização para os órgãos de controle e decolar”, ressaltou o Coordenador de Operações da BAAN, Tenente-Coronel Aviador Gustavo de Oliveira Pascotto.

Porém, para compreender como esse marco foi possível, é necessário também percorrer o caminho que levou à consolidação do Programa Gripen no Brasil — desde o Projeto F-X2, passando pela incorporação gradual das aeronaves, pela capacitação de pilotos, até a validação de cada capacidade que, agora, permite ao F-39 cumprir, de forma plena, a missão da Força Aérea: manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da pátria.

Como o Brasil chegou a este marco

O caminho até esse momento começou com o Projeto F-X2, que definiu a escolha do F-39 Gripen como o novo vetor de caça da FAB. Mais do que a aquisição de aeronaves, o programa foi concebido como uma iniciativa estratégica de longo prazo, voltada à modernização da defesa aérea brasileira, à ampliação da autonomia tecnológica e ao fortalecimento da BID. O contrato firmado com a fabricante sueca SAAB previa não apenas a entrega dos caças, mas um amplo pacote de transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e participação direta da indústria nacional no desenvolvimento do projeto.

A incorporação do F-39 Gripen à FAB teve início em 2022, com a chegada da primeira aeronave ao País. Desde então, o processo ocorreu de forma gradual e criteriosa, com foco na formação de pilotos, mantenedores e equipes técnicas, além da validação progressiva de cada sistema embarcado. Atualmente, o 1º GDA conta com dez aeronaves em operação, responsáveis por cumprir missões de defesa aérea e policiamento do espaço aéreo, especialmente na região central do País.

Paralelamente à incorporação operacional, o Brasil avançou de maneira consistente na absorção de tecnologias sensíveis. Engenheiros e técnicos brasileiros participaram de treinamentos na Suécia e atuam diretamente no desenvolvimento, na integração de sistemas e na certificação de capacidades do caça. Parte das aeronaves tem sua montagem final realizada em território nacional, sob supervisão conjunta, assegurando os mesmos padrões de desempenho, confiabilidade e qualidade dos vetores produzidos no exterior.

Capacidade plenamente validada

O amadurecimento operacional do F-39 Gripen foi consolidado no fim de 2025, quando a FAB concluiu uma sequência de campanhas de ensaios e exercícios no País. A certificação do reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium ampliou significativamente o alcance e a persistência do caça em missões de defesa aérea. Em seguida, os lançamentos reais do míssil Meteor elevaram o poder dissuasório nacional, enquanto o primeiro tiro aéreo com canhão validou a prontidão do vetor para situações reais de Alerta de Defesa Aérea. Já no início de 2026, os ensaios de separação segura de bombas reforçaram a capacidade multimissão da aeronave.

Com o F-39 Gripen plenamente integrado ao sistema de defesa aeroespacial, a Força Aérea Brasileira passa a dispor de um vetor moderno, interoperável e alinhado aos mais elevados padrões internacionais. O resultado é o aumento da capacidade de resposta do País diante de ameaças ao espaço aéreo, o fortalecimento da soberania nacional e a consolidação de um novo patamar de prontidão operacional.