Pesquisar este blog

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Taiwan conclui produção dos 66 T-5 Brave Eagle

 

Últimas duas aeronaves foram entregues à Força Aérea de Taiwan sete anos após a apresentação do primeiro protótipo e encerram um dos principais programas aeronáuticos militares desenvolvidos no país.


A Taiwan concluiu em 24 de setembro de 2026 a produção dos 66 T-5 Brave Eagle encomendados pela Força Aérea da República da China. As duas últimas aeronaves, com os números de série 1165 e 1166, decolaram da Base Aérea de Ching Chuan Kang, em Taichung, sobrevoaram em baixa altitude a fábrica da Aerospace Industrial Development Corporation (AIDC), em Shalu, e foram entregues à Academia da Força Aérea em Gangshan, Kaohsiung. O encerramento do programa marca uma etapa importante para a capacidade industrial de defesa de Taiwan e para a renovação da formação de seus futuros pilotos de caça.

A entrega das duas aeronaves ocorreu exatamente sete anos depois da apresentação do primeiro protótipo, em 24 de setembro de 2019. O projeto foi lançado em 2017 com a participação da AIDC, da Força Aérea e do National Chung-Shan Institute of Science and Technology, tendo como objetivo desenvolver no país um novo treinador avançado capaz de substituir aeronaves mais antigas e reduzir a dependência de plataformas de treinamento envelhecidas. A cerimônia final também teve um caráter simbólico, com o presidente da AIDC, Tsao Chin-ping, voando a bordo do T-5 número 1166 acompanhado por um piloto de testes da empresa.

O Brave Eagle foi desenvolvido a partir da experiência adquirida por Taiwan com o caça F-CK-1 Ching-kuo, mas não é simplesmente uma derivação direta daquela aeronave. A AIDC informa que mais de 80% do projeto foi redesenhado, incluindo elementos aerodinâmicos, estrutura e detalhes da fuselagem. A empresa também conseguiu elevar para aproximadamente 55% o índice de conteúdo produzido domesticamente, enquanto mais de 200 empresas taiwanesas participaram da cadeia industrial associada ao programa.

O primeiro protótipo saiu da linha de produção em setembro de 2019 e realizou seu primeiro voo em junho de 2020. A velocidade de desenvolvimento foi considerada um marco pela indústria taiwanesa, já que o projeto foi levado da fase inicial à primeira decolagem em pouco mais de três anos. Para isso, a AIDC utilizou ferramentas digitais de engenharia, integração de sistemas e produção, além de tecnologias associadas a modelos digitais e gêmeos digitais.

A produção em série começou em 2021 e avançou nos anos seguintes, mas enfrentou dificuldades relacionadas à pandemia de Covid-19, conflitos internacionais e problemas nas cadeias globais de fornecimento. A AIDC afirma que alguns componentes e sistemas que apresentavam dificuldades de aquisição no exterior passaram a ser desenvolvidos ou fabricados localmente em cooperação com instituições de pesquisa e fornecedores nacionais. Nos dois últimos anos do programa, 14 aeronaves foram entregues em cada período anual, permitindo que a empresa atingisse a meta de 66 exemplares dentro do cronograma estabelecido.

O T-5 foi concebido principalmente para modernizar a formação de pilotos militares. A aeronave substitui progressivamente os treinadores AT-3 e assume parte das missões anteriormente realizadas pelos F-5E/F em funções de instrução. Com aviônicos digitais e cockpit moderno, o Brave Eagle permite aproximar o treinamento das características encontradas nas aeronaves de combate mais recentes operadas por Taiwan, facilitando a transição dos pilotos para os caças de linha de frente.

O programa também tem importância além da própria aeronave. Ao longo de seu desenvolvimento e produção, Taiwan ampliou a qualificação de engenheiros, técnicos e fornecedores locais, acumulando experiência em projeto aeronáutico, integração de sistemas, fabricação, testes, gestão de produção e suporte logístico. Esse conhecimento representa um dos principais ativos deixados pelo programa para futuros projetos da indústria de defesa taiwanesa.

Com o fim da produção, a AIDC agora deverá concentrar esforços no suporte de longo prazo da frota Brave Eagle, incluindo manutenção, logística, fornecimento de peças e serviços de atualização. A empresa também pretende aproveitar a experiência adquirida para ampliar sua atuação em manutenção e apoio a outras aeronaves militares, transformando a conclusão da fabricação em uma nova etapa para seus negócios de defesa.

Airbus prepara oferta do Eurofighter para substituir F-16 de Portugal

 Leonardo E-scan Typhoon

Proposta prevista para outubro ou novembro incluirá financiamento e participação industrial; país ainda não abriu licitação formal

A Airbus anunciou em 24 de setembro que pretende apresentar a Portugal uma proposta não solicitada de fornecimento do Eurofighter Typhoon, entre o fim de outubro e o início de novembro. Segundo a Reuters, a empresa defende o caça europeu como mais adequado às necessidades portuguesas do que o F-35, da Lockheed Martin.

Portugal busca substituir 28 F-16M modernizados, mas ainda não lançou uma licitação formal. Ivan González Expósito, responsável pela campanha do Eurofighter no país, afirmou que a oferta deverá combinar financiamento público e privado, participação industrial e cooperação militar.

O executivo apontou o policiamento aéreo, a prontidão de reação rápida da OTAN e a proteção do espaço aéreo e das águas nacionais como argumentos a favor do Typhoon. Essa avaliação representa a posição comercial da Airbus, sem constituir uma conclusão das autoridades portuguesas.

Capacidades do caça europeu

Novo Large Area Display (LAD) do cockpit atualizado do Eurofighter

Desenvolvido por Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha, o Eurofighter utiliza dois motores EJ200 e pode executar missões de combate aéreo e ataque ao solo durante uma mesma saída. A plataforma dispõe de 13 pontos externos para diferentes configurações de armamentos e equipamentos.

Em sua apresentação do avião, a Airbus destaca recursos como radar de varredura eletrônica ativa, sensores infravermelhos e fusão de dados. A configuração específica de uma eventual frota portuguesa dependerá, porém, da proposta e das negociações. O Typhoon já é empregado em missões de policiamento aéreo e alerta de reação rápida no flanco oriental da OTAN.

 

Disputa também envolve a indústria portuguesa

Além do F-35, Rafale e Gripen E disputam espaço nas discussões sobre a renovação da frota. O ministro da Defesa, Nuno Melo, defende a competição para ampliar os benefícios ao país e à indústria nacional.

A movimentação da Airbus ocorre após um avanço da campanha francesa. Em 23 de setembro, a Dassault Aviation anunciou um memorando de entendimento com o AED Cluster Portugal, associação das indústrias de aeronáutica, espaço e defesa, para explorar oportunidades de cooperação relacionadas à substituição dos F-16.

Segundo a Dassault, que também representou Thales e Safran no acordo, uma oferta do Rafale foi apresentada ao governo e à Força Aérea Portuguesa em julho de 2026. O memorando busca desenvolver parcerias com empresas locais; conforme esclareceu a agência portuguesa AICEP, sua assinatura não significa que Portugal tenha escolhido o caça francês.■

PODER AÉREO · FICHA TÉCNICA

Eurofighter Typhoon

Tranche 4 · Principais características

Referência: Quadriga / Halcón I. Dados gerais da plataforma e equipamentos sujeitos à configuração nacional.

CARACTERÍSTICADADOS E OBSERVAÇÕES
01 · PROGRAMA E CONFIGURAÇÃO
Tipo e empregoCaça bimotor multifunção: defesa aérea, interceptação, escolta e ataque ao solo; capacidade de alternar funções durante a missão. [2, 10]
Origem e fabricantesAlemanha, Reino Unido, Itália e Espanha. Consórcio industrial: Airbus, BAE Systems e Leonardo. [2]
Referência Tranche 4Programas Quadriga, da Alemanha (38 aeronaves), e Halcón I, da Espanha (20). Equipamentos e software variam conforme o cliente e o estágio de entrega. [1, 2]
Principal evoluçãoRadar E-Scan/AESA e atualização de hardware e software. A Airbus identifica aprimoramentos Phase 3 Enhancement (P3E) no Quadriga. [1]
Tripulação1 piloto na versão monoposto; 2 pilotos na versão biposto. [3]
02 · DIMENSÕES E DESEMPENHO
Comprimento15,96 m. [3]
Envergadura10,95 m — dimensão básica de referência da plataforma. [3]
Altura5,28 m. [3]
Área alar50 m². [8]
Peso máximo de decolagem23.500 kg — valor público de referência do Typhoon. [7]
Propulsão2 turbofans Eurojet EJ200. [7]
Empuxo por motor60 kN sem pós-combustão; 90 kN com pós-combustão. Empuxo total máximo: 180 kN. [4, 7]
Velocidade máximaMach 2,0 em altitude; Mach 1,25 ao nível do mar, segundo o consórcio Eurofighter. [4]
SupercruzeiroCapacidade de voo supersônico sem pós-combustão; desempenho depende da carga externa e do perfil de voo. [5]
Teto de serviçoCerca de 16.760 m (55.000 pés), como referência publicada para a plataforma. [8]
Reabastecimento em vooSistema de sonda e cesta. [8]
03 · SENSORES, AVIÔNICOS E AUTOPROTEÇÃO
RadarAESA da família Captor-E / E-Scan, com evolução ECRS Mk1 para Alemanha e Espanha. O padrão de hardware e as funções liberadas dependem da etapa de integração. [1, 6]
Capacidades do radarModos ar-ar e ar-solo; antena reposicionável para ampliar a cobertura angular. O ECRS Mk1 prevê avanços no rastreamento, na classificação de alvos e na proteção eletrônica. [5, 6]
Sensor infravermelhoPIRATE (IRST/FLIR), quando contratado: busca e acompanhamento passivos de alvos. A instalação depende da configuração nacional. [5]
AutoproteçãoSuíte Praetorian DASS; recursos de alerta e contramedidas eletrônicas, com configuração variável por operador. [5, 10]
Cabine e conectividadeHUD, telas multifuncionais, comandos HOTAS, mira no capacete e intercâmbio de dados táticos via MIDS. [5]
04 · ARMAMENTO E CARGAS EXTERNAS
Pontos de fixação13 estações externas para armamentos, tanques e equipamentos de missão. [10]
Canhão1 canhão Mauser de 27 mm. [7, 8]
Mísseis ar-arMeteor e AIM-120 AMRAAM; IRIS-T ou ASRAAM, conforme operador e integração. [7, 8]
Armamento ar-soloBombas guiadas da família GBU/Paveway. Brimstone e Storm Shadow integram o catálogo da plataforma em configurações nacionais específicas. [7, 8]

Embraer entrega o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão

 Embraer delivers first C-390 Millennium to the Uzbekistan Air force (1)

Entrega da primeira aeronave de última geração faz parte dos esforços contínuos do Uzbequistão para modernizar e aprimorar suas capacidades operacionais. País se torna o primeiro operador do C-390 Millennium na Ásia Central

Gavião Peixoto, Brasil, 25 de setembro de 2026 — A Embraer (NYSE: EMBJ/ B3: EMBJ3) entregou hoje a primeira aeronave de transporte multimissão C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão durante uma cerimônia realizada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, Brasil, que contou com a presença do Major-General Akhmad Jamolovich Burkhonov, Comandante da Força Aérea, e Olimkhon Bakiyevich Rustamov, Diretor da empresa estatal “O‘ztextreyd”, representando a República do Uzbequistão. O contrato, assinado no final de 2024, também inclui um abrangente pacote de treinamento e suporte, além do fornecimento de peças de reposição.

O Uzbequistão se torna o primeiro operador do C-390 Millennium na Ásia Central, assinalando um marco importante nos esforços do país para modernizar e fortalecer suas capacidades de mobilidade aérea.

“A entrega do primeiro C-390 Millennium representa um passo significativo para a modernização da Força Aérea do Uzbequistão. O desempenho excepcional, a versatilidade e as capacidades multimissão da aeronave nos permitirão executar uma ampla gama de missões com maior eficiência e prontidão. Estamos ansiosos para introduzir esta plataforma de última geração em serviço e fortalecer ainda mais nossas capacidades operacionais”, disse o Major-General Akhmad Jamolovich Burkhonov, Comandante da Força Aérea do Uzbequistão.

“Estamos honrados em entregar o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea do Uzbequistão e dar as boas-vindas ao Uzbequistão à crescente comunidade de operadores do C-390 no mundo todo”, disse Bosco da Costa Júnior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “A escolha do C-390 confirma seu status como a solução de mobilidade aérea mais avançada disponível atualmente. Essa entrega reforça nosso compromisso de apoiar o Uzbequistão com capacidade incomparável e flexibilidade operacional para as próximas décadas.”

Com essa primeira entrega, o Uzbequistão se junta a um grupo crescente de nações que operam o C-390 Millennium, reforçando a posição da aeronave como o novo padrão no transporte aéreo tático de médio porte.

O C-390 Millennium, construído e projetado no século XXI, é a aeronave de transporte militar mais moderna de sua categoria. Ele pode transportar mais carga útil (26 toneladas) do que outras aeronaves militares de transporte de médio porte, voando mais rápido (470 nós) e mais longe. É capaz de executar uma ampla gama de missões, incluindo transporte de carga e tropas, lançamentos de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios e missões humanitárias, operando a partir de pistas temporárias ou não pavimentadas. Quando equipado com sistema de reabastecimento aéreo (AAR) de instalação rápida, pode atuar tanto como tanque, quanto como receptor.

Além da Força Aérea Brasileira, a aeronave multimissão de última geração foi selecionada pelas forças aéreas de Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, República do Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Colômbia e Lituânia. O C-390 Millennium oferece capacidade, confiabilidade, versatilidade e desempenho incomparáveis para atender às necessidades táticas e estratégicas das forças aéreas em todo o mundo com interoperabilidade entre seus operadores.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A Força Aérea da China possui mais caças pesados ​​do que a OTAN e a Rússia juntas.

 



ano de 2022 foi um dos mais marcantes para os assuntos militares desde o fim da Guerra Fria, não apenas devido ao início de uma guerra em grande escala entre a Rússia e a Ucrânia, esta última com amplo apoio e grande contribuição de pessoal de toda a aliança da OTAN, mas também devido a desenvolvimentos paralelos em todo o mundo, talvez mais notavelmente no Leste Asiático. O Exército de Libertação Popular da China (ELP) continuou a consolidar sua posição como um concorrente de nível equivalente ao das Forças Armadas dos Estados Unidos – uma posição que a Rússia está perdendo rapidamente em muitas áreas de suas capacidades convencionais. Embora a atenção ocidental tenha se concentrado fortemente no confronto com as forças russas no Leste Europeu, as tensões sino-americanas e, de forma mais ampla, sino-OTAN permaneceram significativas, com os EUA obtendo mais apoio do Japão e da Austrália e, em menor grau, de um novo governo na Coreia do Sul, em seus esforços para manter a hegemonia ocidental no Leste Asiático. Novas informações importantes vieram à tona sobre o desenvolvimento dos primeiros caças de sexta geração do mundo, tanto pela China quanto pelos Estados Unidos, com autoridades americanas continuando a expressar preocupações em relação ao programa rival chinês. Ambos os países parecem estar cada vez mais em uma categoria à parte em termos de aeronaves de combate que utilizam, e continuam sendo os únicos a operar esquadrões completos de caças de quinta geração e a desenvolver bombardeiros furtivos de última geração , que também devem entrar em serviço quase simultaneamente. Atrás dos dois líderes da indústria, a Rússia implantou pela primeira vez caças de quinta geração de produção em série para combate, enquanto a Coreia do Sul realizou o primeiro voo de seu caça de quinta geração em julho, tornando-se o quarto país a fazê-lo e consolidando-se como um dos principais exportadores de armas do mundo, com dezenas de bilhões de dólares em vendas para países da OTAN. 

B-21 Raider - O bombardeiro estratégico de próxima geração da Força Aérea dos EUA revelado em outubro
B-21 Raider - O bombardeiro estratégico de próxima geração da Força Aérea dos EUA revelado em outubro

Enquanto a China e os Estados Unidos permanecem em pé de igualdade na competição por uma vantagem qualitativa na aviação de combate, bem como na capacidade de colocar novos sistemas em serviço mais rapidamente, novos detalhes sobre a frota chinesa, revelados em 2022, lançam luz considerável sobre suas enormes vantagens industriais e quantitativas. Atualmente, todos os caças produzidos em larga escala no mundo, com exceção do F-35 americano, estão sendo construídos na China, incluindo duas classes de caças pesados: o J-20 e o J-16. Embora a China já seja conhecida por ter uma proporção muito maior de caças pesados ​​em sua frota do que os EUA ou qualquer país alinhado aos EUA, com a exceção parcial da Arábia Saudita, o Salão Aeronáutico de Zhuhai de 2022 revelou que a frota chinesa de caças pesados ​​provavelmente supera não apenas a dos Estados Unidos, mas também as da OTAN e da Rússia juntas. Estima-se que a China possua aproximadamente 300 caças J-16 e mais de 200 J-20, além de modelos mais antigos, incluindo cerca de 350 J-11, 50 J-15 baseados em porta-aviões, 98 Su-30 fornecidos pela Rússia e 24 Su-35 russos. Acredita-se também que um pequeno número de Su-27 mais antigos, também fornecidos pela Rússia, ainda esteja em serviço. Assim, estima-se que a China possua entre 1.000 e 1.100 caças pesados ​​– o que, excluindo interceptadores e caças de ataque pesados, representa uma frota maior do que a de quaisquer outros dois países combinados. 

Estima-se que as Forças Armadas dos Estados Unidos possuam aproximadamente 510 caças pesados, dos quais apenas cerca de uma dúzia são os novos jatos F-15EX. Os demais são modelos F-15 da era da Guerra Fria, o último dos quais foi adquirido em 2001, além de aproximadamente 185 F-22, que devem começar a ser aposentados em 2023. Os F-22, embora utilizem fuselagens de quinta geração, como o J-20, ainda dependem de aviônicos da década de 1990, aguardando uma possível atualização futura. Fora da Força Aérea dos EUA, nenhum caça pesado está em serviço em qualquer lugar do mundo ocidental. Os únicos caças pesados ​​ocidentais a entrar em serviço, o F-14, o F-15 e o F-22, não são utilizados por membros da OTAN fora dos Estados Unidos. Embora amplamente considerados por clientes como Grã-Bretanha, Alemanha e França, a necessidade de proteger a indústria nacional na Europa, o alto custo dos caças de ponta americanos e a falta de programas viáveis ​​de caças pesados ​​europeus fizeram com que essas aeronaves não fossem amplamente utilizadas na OTAN. Embora a Dassault, da França, tenha iniciado o desenvolvimento de um equivalente de caça pesado ao F-15, o Mirage 4000, a aeronave nunca entrou em produção devido ao seu alto custo e às limitadas perspectivas de exportação. Assim, a produção de caças pesados ​​ficou restrita aos Estados Unidos, China e Rússia, sendo que essas aeronaves constituem a grande maioria das unidades de caça russas, embora ainda sejam relativamente poucas em número devido ao orçamento de defesa limitado do país. Estima-se que a Rússia possua cerca de 400 caças pesados, incluindo aproximadamente 110 a 130 unidades de cada um dos modelos Su-35, Su-30SM/SM2 e o Su-27 da era soviética. Cerca de 20 Su-33 baseados em porta-aviões também estão em serviço – uma versão navalizada do Su-27 –, além de aproximadamente seis caças de quinta geração Su-57. Assim, as frotas combinadas de caças pesados ​​da Rússia e da OTAN são significativamente superadas em número pela da China, um fenômeno ainda mais relevante pelo fato de que os caças pesados ​​chineses não só são, em média, décadas mais novos que os dos Estados Unidos, como também têm demonstrado consistentemente serem mais sofisticados que os russos. 

F-15 lidera formação de F-16 leves
F-15 lidera formação de F-16 leves

Os caças pesados ​​são utilizados pela elite das principais forças aéreas do mundo atualmente e se beneficiam não apenas da capacidade de transportar muito mais armamentos e, na maioria dos casos, do melhor desempenho de voo, mas também de alcances muito maiores e da capacidade de transportar conjuntos de sensores muito maiores e, portanto, mais poderosos do que os jatos médios ou leves. Os caças pesados ​​são essenciais para missões de superioridade aérea, ataque e ataque marítimo, com capacidades que superam em muito seus equivalentes de categorias de peso mais baixas, embora seus custos operacionais e de fabricação muito mais elevados signifiquem que, geralmente, seu número de aeronaves em serviço seja mais limitado. A Força Aérea dos Estados Unidos, por exemplo, desenvolveu o caça leve monomotor F-16 para completar a maior parte de suas unidades depois que o muito mais capaz F-15, que entrou em serviço em 1975, se mostrou totalmente inviável para implantações em larga escala. O investimento no F-15 foi considerado vital, pois os caças soviéticos de ponta e médio porte, como o MiG-25 e o MiG-29, apresentavam vantagens de desempenho significativas em relação ao F-16. Para os Estados Unidos e seus aliados, a falta de frotas significativas de caças pesados ​​continua sendo um problema importante. Uma consequência recente disso foi a retirada, em outubro , de uma base permanente de F-15 em Okinawa, que durava quatro décadas, sem que  fosse anunciada a substituição do caça, já que não havia um sucessor direto para o F-15 considerado capaz de assumir essa função. Com os EUA tendo reduzido os planos de aquisição de seus dois últimos caças pesados ​​em produção, o problemático F-22 e o econômico, porém não furtivo, F-15EX, sua capacidade de dominar as futuras guerras aéreas dependerá fortemente do NGAD, seu caça de superioridade aérea de sexta geração atualmente em desenvolvimento. No entanto, com o NGAD tendo sido revelado em maio que deverá custar centenas de milhões de dólares por unidade, o sucessor do F-15 e do F-22 deverá, se possível, ficar ainda mais em desvantagem numérica .

Su-27SK Flanker: O caça mais antigo da China e a superação da tecnologia soviética e russa

 




OExército de Libertação Popular da China (ELP) possui um dos inventários de aeronaves de combate mais modernos do mundo, com a grande maioria dos jatos, tanto da Força Aérea quanto da Marinha, produzidos após o ano 2000. Essa tendência acompanhou a ascensão do país como a  maior economia  do mundo  em 2014, com um PIB aproximadamente seis vezes maior que o dos Estados Unidos no final de 2020, bem como sua  ultrapassagem  sobre  as Forças Armadas dos EUA em gastos com aquisição de armamentos em 2020, apesar de um orçamento de defesa muito menor. A China emergiu em 2016 como o primeiro país do mundo, além dos Estados Unidos, a implantar um caça de quinta geração desenvolvido internamente, cujas capacidades foram altamente valorizadas por figuras da liderança militar dos EUA , sendo o Chengdu J-20 o único caça não americano de sua geração implantado em nível de esquadrão em todo o mundo. Embora a Força Aérea do Exército de Libertação Popular opere variantes modernizadas de projetos mais antigos da Guerra Fria, nomeadamente o J-8 II e o J-7G, estes foram maioritariamente fabricados nos anos 2000 ou início dos anos 2010, com as linhas de produção do J-7 a permanecerem abertas até 2013 e as variantes fabricadas a beneficiarem de  tecnologias de quarta geração . 


J-20 Caça de Superioridade Aérea de Quinta Geração
J-20 Caça de Superioridade Aérea de Quinta Geração

O inventário de aeronaves da China, desde plataformas de alerta aéreo antecipado e bombardeiros até caças terrestres e embarcados, é consideravelmente mais recente do que o da Rússia ou dos Estados Unidos. Isso se deve a múltiplos fatores, incluindo o tamanho menor de sua frota até os anos 2000 e a introdução relativamente tardia de aeronaves de quarta geração. Assim, os caças de combate mais antigos em serviço na China hoje são os primeiros caças de quarta geração do país, os Su-27SK. Com um pedido feito em 1990, o Su-27SK era, de longe, a aeronave de combate mais pesada, capaz e sofisticada da China quando três unidades foram entregues no ano seguinte. A União Soviética, cada vez mais sem recursos, inicialmente pretendia que suas plataformas de elite MiG-31 e Su-27 fossem destinadas apenas ao uso doméstico, exportando suas contrapartes mais leves e baratas, o MiG-25 e o MiG-29. Embora a China inicialmente tenha considerado a aquisição de MiG-29, acabou conseguindo permissão para comprar o superior, porém muito mais caro, Su-27.


Caça de superioridade aérea chinês Su-27SK Flanker
Caça de superioridade aérea chinês Su-27SK Flanker

A Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLA) rapidamente deixou o Su-27SK para trás, primeiro adquirindo uma licença para fabricar a aeronave internamente e produzindo em pequeno número como o J-11A, uma versão conservadoramente aprimorada, mas posteriormente produzindo o J-11B, significativamente modernizado . O J-11B entrou em serviço por volta de 2007 e permaneceu em produção até 2018, beneficiando-se de aviônicos mais modernos, uma fuselagem mais leve com maior uso de materiais compósitos, mísseis ar-ar PL-12 guiados por radar ativo de fabricação nacional e novos sensores e sistemas de guerra eletrônica. As capacidades do Su-27SK ficaram, portanto, muito para trás, e o jato é hoje um dos menos capazes em serviço na China. Embora pequenas atualizações tenham sido relatadas nos sensores e na eletrônica da frota, elas são prejudicadas pela idade de suas fuselagens e radares de baixa resistência e pela contínua dependência de mísseis R-27 guiados por radar semiactivo. Isso comprometeu sua capacidade de competir em  combates além do alcance visual  contra adversários modernos – a maioria dos quais está equipada com mísseis guiados por radar ativo. A frota de caças da China evoluiu muito além dos mísseis R-27 e PL-12, com suas aeronaves modernas utilizando mísseis PL-15 de alcance muito maior, radares AESA para guiamento e contramedidas de guerra eletrônica muito mais sofisticadas. Os mísseis de curto alcance também foram consideravelmente modernizados, com as novas classes de caças utilizando o PL-10, que possui um dos melhores desempenhos fora do eixo de mira do mundo.


Caça de Superioridade Aérea J-11B
Caça de Superioridade Aérea J-11B

Embora o Exército Popular de Libertação (PLA) tenha se mobilizado para aprimorar seus caças J-11 para o padrão J-11BG de "geração 4+" e esteja produzindo atualmente uma ampla gama de caças pesados ​​de alto desempenho, permanece incerto por quanto tempo o Su-27SK permanecerá em serviço. Por serem projetos antigos e pesados, esses caças impõem altos custos operacionais à frota, o que pode prenunciar sua aposentadoria em algum momento antes de meados da década. Isso faria dos caças de fabricação soviética as primeiras aeronaves de quarta geração a serem completamente aposentadas pela China, e tornaria a China o segundo país, depois de Belarus , a retirar o Su-27 de serviço. A Força Aérea Russa, por sua vez, investiu na modernização de suas antigas aeronaves Su-27 para o padrão de "geração 4+", integrando aviônicos, armamentos e sensores de última geração . A Força Aérea dos EUA investiu em atualizações semelhantes para seu análogo do Su-27, o F-15C/D, embora a classe esteja sendo aposentada em favor de seu sucessor, o F-15EX. O Su-27 continuará a ter um lugar importante na história do Exército Popular de Libertação (PLA) como o primeiro caça de quarta geração e o primeiro caça pesado a entrar em serviço, bem como a primeira classe de caça estrangeira adquirida em pouco mais de três décadas. Espera-se que derivados do projeto permaneçam em produção num futuro próximo e possivelmente até a década de 2030 com capacidades muito aprimoradas, incluindo, entre os modelos em produção atualmente, o J-16 , o caça de superioridade aérea embarcado J-15B e suas variantes de ataque eletrônico, o J-16D e o J-15D.