Pesquisar este blog

quarta-feira, 24 de junho de 2026

O Brasil quer turbinar seu poder de fogo e negocia mais 20 caças Gripen para levar a frota da Força Aérea a 56 aeronaves

 

José Múcio anuncia na Suécia a intenção de comprar mais 20 caças Gripen da Saab, ampliando a frota da FAB para 56 aeronaves, mas sem contrato nem cronograma.
José Múcio anuncia na Suécia a intenção de comprar mais 20 caças Gripen da Saab, ampliando a frota da FAB para 56 aeronaves, mas sem contrato nem cronograma.

O ministro da Defesa, José Múcio, anunciou na Suécia que o Brasil pretende adquirir mais 20 caças Gripen da Saab, ampliando a frota da FAB para 56 aeronaves. Não há acordo fechado nem cronograma, mas a compra é vista como urgente diante de uma frota que envelhece e encarece.

O Brasil quer reforçar sua aviação de combate. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, anunciou nesta quinta-feira (4), durante visita à Suécia, que o país pretende adquirir mais 20 caças Gripen, fabricados pela Saab, em um movimento que ampliaria a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) de 36 para 56 aeronaves.

O anúncio, feito em declaração conjunta com o ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, ainda é uma manifestação de intenção: não há contrato fechado, valor definido nem cronograma. Mesmo assim, a ampliação é tratada como urgente, já que a atual esquadra de caças da FAB fica a cada ano mais obsoleta, difícil de manter e cara.

O que José Múcio anunciou sobre os caças Gripen

Saab/Divulgação
Saab/Divulgação

Em Estocolmo, ao lado do colega sueco, José Múcio afirmou que o Brasil tem interesse em comprar até mais 20 caças Gripen, nas versões E e F, o que levaria a frota encomendada de 36 para 56 aeronaves


Os dois governos, porém, não se comprometeram com prazos. “Em Defesa, tudo é demorado”, resumiu o ministro, deixando claro que se trata de uma intenção, e não de um negócio fechado.

Um ponto chamou atenção: segundo os ministros, esses novos caças Gripen deveriam ser fabricados no Brasil, o que exigiria a expansão da capacidade produtiva nacional.

A revelação surpreendeu pessoas ligadas ao programa, até porque o cenário orçamentário é apertado. Por ora, a Saab, fabricante sueca do avião, e o governo brasileiro seguem sem divulgar quanto custaria o segundo lote.

O contrato atual da FAB e a produção no Brasil

Brasil assina acordo para comprar mais 20 caças Gripen — Foto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance
Brasil assina acordo para comprar mais 20 caças Gripen — Foto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance

A encomenda em andamento vem do contrato assinado em 2013 e 2014, de cerca de US$ 4,5 bilhões, para 36 aeronaves: 28 caças Gripen E, de um assento, e oito Gripen F, de dois assentos. Até agora, 11 unidades já foram entregues à FAB, com as entregas tendo começado em 2020.

O primeiro Gripen montado em solo brasileiro ficou pronto em março, na linha de produção de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

Caças F-39 Gripen da FAB — Foto: Reprodução/SO Johnson/Força Aérea Brasileira
Caças F-39 Gripen da FAB — Foto: Reprodução/SO Johnson/Força Aérea Brasileira

Essa estrutura faz do Brasil o único país, fora da Suécia, com uma linha de produção do caça. A cooperação entre a Saab e a Embraer também resultou no Gripen F, versão de dois lugares apresentada na terça-feira (2) em Linköping, na Suécia, depois de cinco anos de trabalho.

A FAB deve receber oito unidades desse modelo, enquanto a linha brasileira ainda vai produzir 15 caças Gripen E encomendados pela Colômbia.

Por que a ampliação é considerada urgente

O argumento central para a pressa é o envelhecimento da frota. A cada ano, os caças mais antigos da FAB ficam mais obsoletos, mais difíceis de manter e mais caros, diante da dificuldade de obter peças de reposição e da rápida evolução tecnológica, acelerada ainda mais pela inteligência artificial.

Embora o Gripen E, combinado ao míssil Meteor, seja hoje o caça mais avançado em serviço na América Latina, a quantidade contratada é considerada insuficiente para um território de dimensões continentais.

Até pouco tempo, a FAB trabalhava com a meta de ter 66 aeronaves Gripen E/F, número bem acima dos 56 que o anúncio desta semana permitiria alcançar.

Ainda assim, o reforço com mais caças Gripen abriria espaço para uma segunda base de operação, possivelmente em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para substituir os antigos AMX A-1.

A própria Saab e o governo não descartam novos lotes no futuro para chegar ao patamar considerado ideal.

Cooperação com a Suécia e o desafio do orçamento

A parceria entre Brasil e Suécia vai além da compra de aviões. Os dois países confirmaram a criação de um centro de inovação e pesquisa em São José dos Campos, em São Paulo, dedicado ao desenvolvimento, à manutenção e à modernização das aeronaves, reforçando o amplo programa de transferência de tecnologia que marca o acordo desde o início, quando o Brasil escolheu o Gripen em vez do Rafale e do F/A-18.

Resta, porém, o maior obstáculo: o dinheiro. O anúncio de José Múcio acontece em meio a um forte aperto no orçamento, e o Ministério da Defesa foi a pasta mais atingida pelo recente bloqueio de gastos, perdendo R$ 4,36 bilhões neste ano.

O tema também é politicamente delicado em ano de eleição presidencial. Ou seja, a intenção de comprar mais caças Gripen da Saab está clara, mas como e quando ela sairá do papel ainda é uma incógnita.

Ampliar a frota de caças Gripen pode modernizar a defesa do Brasil, mas esbarra num orçamento cada vez mais apertado.

Mais rápido que o Concorde: surge no Brasil o primeiro caça supersônico para dois pilotos capaz de atingir 2.470 km/h, voar a duas vezes a velocidade do som

 

Gripen F da FAB, caça supersônico de dois lugares, atinge 2.470 km/h e será usado em treinamento e missões de combate no Brasil.
Gripen F da FAB, caça supersônico de dois lugares, atinge 2.470 km/h e será usado em treinamento e missões de combate no Brasil.

Gripen F foi apresentado pela Saab na Suécia com participação brasileira no desenvolvimento, dois assentos, desempenho supersônico e previsão de uso pela Força Aérea Brasileira em treinamento avançado e missões operacionais dentro do programa de renovação da aviação de caça.

A Saab apresentou em 2 de junho de 2026, em Linköping, na Suécia, o primeiro Gripen F, versão biposto do caça F-39 desenvolvida para a Força Aérea Brasileira com participação da indústria nacional.

Com capacidade para dois tripulantes, a aeronave poderá ser usada em treinamento e em missões operacionais, dentro do programa de renovação da aviação de caça da FAB firmado com a fabricante sueca.

O modelo atende a uma demanda brasileira prevista no contrato assinado com a Saab para a aquisição de 36 caças Gripen, distribuídos entre versões monoposto e biposto.

Ao todo, o acordo inclui 28 unidades do Gripen E, projetado para um piloto, e oito unidades do Gripen F, configurado para a atuação simultânea de dois militares a bordo.

A cerimônia de apresentação reuniu o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, além de executivos da Saab envolvidos no programa.

O evento marcou mais uma etapa do cronograma do Gripen brasileiro, que envolve transferência de tecnologia, treinamento de profissionais e participação de empresas nacionais no desenvolvimento e na produção de componentes.

Gripen F terá uso em treinamento e missões operacionais

Projetada com dois assentos, a versão Gripen F permite que pilotos em formação passem por treinamento em uma aeronave operacional, e não apenas em simuladores ou equipamentos de solo.

Gripen F da FAB, caça supersônico de dois lugares, atinge 2.470 km/h e será usado em treinamento e missões de combate no Brasil.
Gripen F da FAB, caça supersônico de dois lugares, atinge 2.470 km/h e será usado em treinamento e missões de combate no Brasil.

Durante o voo, um tripulante pode ficar responsável pela condução da aeronave, enquanto o outro acompanha navegação, sensores, sistemas embarcados e informações ligadas ao cenário da missão.

Essa configuração permite à FAB empregar o caça em etapas de formação de pilotos e também em operações que exigem divisão de tarefas dentro da cabine.

Além de ser usado no treinamento de novos pilotos, o Gripen F também foi projetado para missões de combate, mantendo características técnicas da família Gripen E/F, incluindo desempenho supersônico e integração com sistemas de guerra aérea.

De acordo com a Saab, a versão biposto combina treinamento avançado e capacidade operacional, com um segundo cockpit independente para acompanhamento das atividades em voo.

Na avaliação apresentada pela fabricante, essa configuração permite ao instrutor atuar em condições reais de missão, sem transformar a aeronave apenas em uma plataforma dedicada ao treinamento.

Participação brasileira envolveu empresas e engenheiros nacionais

O desenvolvimento do Gripen F contou com engenheiros e técnicos brasileiros, além da participação de empresas como Embraer, Akaer e AEL Sistemas em diferentes etapas do programa.

Parte dos profissionais brasileiros trabalhou na Suécia durante o projeto, em um intercâmbio tecnológico previsto no acordo firmado entre o Brasil e a Saab.

Apesar da semelhança visual com a versão para um piloto, o Gripen F exigiu alterações estruturais em relação ao Gripen E, principalmente pela inclusão do segundo assento.

A aeronave é 66 centímetros mais longa que o Gripen E, com 15,9 metros de comprimento e 8,6 metros de envergadura, segundo dados divulgados pela fabricante.

A velocidade máxima informada para a família Gripen E/F chega a aproximadamente 2.470 km/h, marca equivalente a cerca de duas vezes a velocidade do som.

Fredrik Gustafson, diretor global de desenvolvimento de negócios e vendas da Saab, afirmou que a diferença de tamanho obrigou a reavaliação de áreas essenciais do projeto.

Segundo o executivo, em uma aeronave militar, uma mudança de 66 centímetros exige novos estudos de carga estrutural, redistribuição de equipamentos internos, revisão de tubulações, fiação e sistemas.

Gripen F da FAB, caça supersônico de dois lugares, atinge 2.470 km/h e será usado em treinamento e missões de combate no Brasil.
Gripen F da FAB, caça supersônico de dois lugares, atinge 2.470 km/h e será usado em treinamento e missões de combate no Brasil.

A Saab informou que o desenvolvimento da versão biposto levou cerca de três anos e teve participação relevante de profissionais brasileiros em atividades de engenharia.

Conforme dados apresentados pela fabricante durante a divulgação do caça, parte expressiva do trabalho técnico do Gripen F foi conduzida por equipes ligadas ao programa brasileiro.

Contrato do Gripen prevê produção parcial em São Paulo

O programa Gripen brasileiro avançou após a escolha da Saab no processo F-X2, concorrência aberta para renovar a frota de caças da Força Aérea Brasileira.

A decisão foi anunciada em 2013, e o contrato entrou em vigor no ano seguinte, com previsão de transferência de tecnologia e produção de parte das aeronaves no Brasil.

Pelo acordo, 15 dos 36 caças contratados serão produzidos na linha instalada no complexo da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

A linha brasileira foi inaugurada em maio de 2023 e passou a integrar a estrutura industrial ligada ao Gripen fora da Suécia, em cooperação com a Saab.

Em 25 de março de 2026, Saab, Embraer e FAB apresentaram o primeiro Gripen E produzido no Brasil, também nas instalações de Gavião Peixoto.

Na ocasião, as empresas informaram que a aeronave fazia parte do cronograma de produção nacional previsto no contrato assinado com o governo brasileiro.

Embora o Gripen E tenha produção prevista no Brasil, a versão F não deverá ser fabricada no país neste primeiro contrato, de acordo com informações apresentadas pela Saab.

A justificativa da empresa está relacionada à escala industrial, já que o número de unidades biposto encomendadas pela FAB é menor do que o da versão monoposto.

Centro de pesquisa é discutido em São José dos Campos

Durante a agenda relacionada à apresentação do Gripen F, autoridades brasileiras e representantes da Saab também trataram da criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em São José dos Campos, no interior paulista.

A proposta, formalizada por meio de memorando de entendimento, prevê ampliar a cooperação tecnológica em torno do programa Gripen e de atividades ligadas à indústria de defesa.


O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a receber o Gripen F, a versão de dois lugares do caça da Saab

 

O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.

A entrega oficial ainda virá depois de uma fase de testes, mas a apresentação já coloca o país na dianteira da nova variante. O detalhe que mais importa para o Brasil não é o segundo assento em si, e sim a transferência de tecnologia que treinou centenas de engenheiros brasileiros e leva parte da produção para São Paulo.

O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a ter um Gripen F, a versão de dois lugares do caça da fabricante sueca Saab. A aeronave foi apresentada em 2 de junho de 2026 numa cerimônia em Linköping, na Suécia, com participação direta de engenheiros brasileiros em seu desenvolvimento, num marco do programa que prevê a entrega de 36 caças para modernizar a Força Aérea Brasileira ao longo dos próximos anos.

É preciso, no entanto, ser preciso quanto à etapa: o evento de 2 de junho foi a apresentação oficial do primeiro Gripen F, conhecido no Brasil como F-39F, e não a entrega final. Antes de chegar ao país, a aeronave ainda passará por uma campanha de testes de voo no centro da Saab, na Suécia. Vale também esclarecer que esta reportagem trata do tema de forma informativa, sem caráter publicitário, e que parte das qualidades operacionais descritas a seguir parte da própria fabricante, devendo ser entendida nesse contexto.

O que é o Gripen F

O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
A nova variante tem uma diferença visível, mas vai além dela. 

O Gripen F é a versão biposto, ou seja, de dois assentos, do caça Gripen E, mantendo os mesmos sensores, sistemas de missão, motor e capacidade de armamento da versão de um lugar, mas acrescentando uma segunda cabine totalmente independente, o que muda a forma como a aeronave pode ser usada em treinamento e em operações.

Segundo informações técnicas divulgadas, o F-39F é cerca de 70 centímetros mais longo que o modelo de um assento e não traz o canhão interno de 27 milímetros presente no Gripen E, por causa das mudanças estruturais necessárias para acomodar o segundo posto de pilotagem.

A proposta da Saab é que ele sirva tanto como plataforma de treinamento avançado quanto como caça plenamente operacional, capaz de cumprir missões reais, e não apenas como um avião-escola.

Por que a versão de dois lugares importa

O Brasil é o primeiro país a ter o Gripen F, versão biposto do caça da Saab, apresentada na Suécia; programa prevê 36 aeronaves e transferência de tecnologia.
O segundo assento tem uma função estratégica no preparo dos pilotos. 

De acordo com a Saab, a segunda cabine permite que um instrutor acompanhe missões a bordo de um caça plenamente operacional, possibilitando que pilotos em formação treinem em condições reais de combate, o que, segundo a empresa, reduziria o tempo e o custo de preparação em comparação com o caminho tradicional de treinamento.

Historicamente, tornar-se piloto de caça exige passar por várias aeronaves diferentes, do treinador básico aos jatos intermediários, até chegar ao caça de linha de frente.

A fabricante argumenta que o Gripen F encurta esse percurso ao permitir que o piloto treine no mesmo modelo que usará em operações.

Em ambientes de maior risco, a empresa afirma ainda que dois tripulantes podem dividir tarefas, com apoio de inteligência artificial, embora esse tipo de vantagem operacional seja apresentado pela própria Saab e dependa de avaliação prática.

O contrato e o programa de modernização

A chegada do Gripen F se insere em um acordo de longo prazo. 

O programa nasce de um contrato assinado em 2014 entre a Saab e o governo brasileiro, que prevê 36 caças no total, sendo 28 da versão de um assento, o Gripen E, e oito da versão de dois assentos, o Gripen F, com valor estimado em torno de 5,4 bilhões de dólares, voltado à modernização da frota da Força Aérea Brasileira.

As entregas tiveram início em 2020 e, até o momento, 11 das 36 aeronaves já foram repassadas ao Brasil, segundo a Saab.

A apresentação do primeiro Gripen F inicia a próxima fase desse cronograma.

No Brasil, a aeronave recebe a designação F-39, substituindo gradualmente caças mais antigos e representando um dos maiores programas de reaparelhamento militar do país nas últimas décadas, conduzido ao longo de vários anos.

A participação brasileira e a transferência de tecnologia

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Este é, possivelmente, o ponto mais relevante para o país. 

Mais do que comprar caças prontos, o Brasil participou ativamente do desenvolvimento do Gripen F como cliente lançador, e o contrato inclui um amplo programa de transferência de tecnologia que treinou centenas de engenheiros e técnicos brasileiros na Suécia, com o objetivo de capacitar o país a manter, modificar e até produzir sistemas derivados do caça internamente.

A Embraer, principal parceira local da Saab, monta aeronaves Gripen em sua fábrica de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e em março de 2026 apresentou o primeiro Gripen E montado em solo brasileiro.

A lógica do programa é evitar uma dependência permanente do apoio sueco e fortalecer a indústria aeroespacial nacional, deixando no país conhecimento e capacidade técnica de longo prazo, algo considerado estratégico para a soberania na área de defesa.

Como o caça surgiu e quem mais o adota

Curiosamente, a própria existência do Gripen F tem origem nas necessidades brasileiras. 

A Suécia não planejava inicialmente desenvolver uma versão de dois assentos do Gripen E, pretendendo usar os antigos Gripen D para o treinamento, mas os requisitos da Força Aérea Brasileira foram determinantes para que a variante biposto fosse criada, o que reforça o papel do Brasil no projeto.

Desde então, o modelo passou a despertar interesse de outros países.

Segundo a Saab, além do Brasil, que é o cliente lançador, o Gripen F também já foi encomendado pela Tailândia e pela Colômbia, ampliando a base de operadores da aeronave.

Ainda assim, é o programa brasileiro, pela escala e pela profundidade da parceria industrial, que aparece como o carro-chefe dessa nova fase do caça sueco.

A apresentação do primeiro Gripen F marca um momento importante para a Força Aérea Brasileira e para a indústria de defesa do país, que deixa de ser apenas compradora para se tornar parte ativa do desenvolvimento de um caça de última geração.

Com a entrega final ainda dependente de uma fase de testes, o que se destaca não é apenas a aeronave em si, mas o conhecimento transferido a engenheiros brasileiros e o fortalecimento da produção nacional.

Mais do que um avião de combate, o programa é acompanhado de perto por quem se interessa por tecnologia, defesa e pela autonomia do Brasil em um setor estratégico.


Governo brasileiro prevê investir 2,1 bilhões de reais em caças Gripen em 2026

 

Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.

O jato foi apresentado em cerimônia de rollout em Linköping, na Suécia, em 2 de junho, e seguirá para testes em voo antes de chegar ao país. O orçamento de 2026 prevê 2,1 bilhões de reais para os caças Gripen, em meio à queda contínua da frota da Força Aérea Brasileira.

O governo brasileiro prevê investir 2,1 bilhões de reais nos caças Gripen em 2026, no mesmo período em que a fabricante sueca Saab apresentou o primeiro exemplar de uma versão criada por exigência da Força Aérea Brasileira. Segundo o orçamento do Ministério da Defesa, divulgado pela CNN Brasil, o valor é destinado ao projeto de aquisição dos caças F-X2, o F-39 Gripen, e deve financiar a entrega de duas aeronaves e o avanço da montagem de outras unidades. A apresentação do novo jato ocorreu em 2 de junho de 2026.

É preciso, porém, separar duas coisas que foram noticiadas juntas, pois o avião não foi entregue ao Brasil. No dia 2 de junho, a Saab realizou uma cerimônia de apresentação, o chamado rollout, do primeiro Gripen F em sua fábrica em Linköping, na Suécia, e a aeronave ainda passará por uma campanha de ensaios em voo antes da entrega definitiva à Força Aérea Brasileira, prevista para os próximos meses. O caça integra o Projeto F-X2, contrato assinado em 2014 que prevê 36 aeronaves até 2032.

Os 2,1 bilhões de reais previstos para os caças Gripen em 2026

Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
O número que dá a dimensão financeira do projeto está no orçamento da Defesa para 2026. 

De acordo com o Ministério da Defesa, são 2,1 bilhões de reais reservados ao projeto de aquisição dos caças F-X2, o F-39 Gripen.

Desse total, 1,357 bilhão de reais já constava na Lei Orçamentária Anual de 2026, e outros 739,5 milhões de reais foram previstos na portaria nº 184, publicada em maio de 2026 pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.

Os recursos têm destino definido dentro do cronograma do programa. 

Segundo a pasta, o dinheiro deve viabilizar a entrega de duas aeronaves e o avanço das etapas de montagem de unidades previstas para os anos seguintes.

Há ainda um reforço maior no horizonte, pois o Congresso aprovou a Lei Complementar nº 221, de 2025, que assegura 30 bilhões de reais a projetos estratégicos de defesa em seis anos, dos quais a Aeronáutica recebeu 840 milhões de reais em 2026, valores que serão incorporados ao orçamento dentro do Programa Novo PAC.

O que realmente aconteceu na Suécia em 2 de junho

O episódio que ganhou as manchetes foi a apresentação oficial do primeiro Gripen F, e não uma entrega. 

A Saab realizou o rollout da aeronave em sua sede em Linköping, na Suécia, em 2 de junho de 2026, revelando o jato designado F-39F no Brasil, com número de série 4000, o mais novo dos caças Gripen encomendados pelo país.

Pelo cronograma da própria fabricante, o avião segue agora para o Centro de Testes em Voo da Saab e só depois será entregue à Força Aérea Brasileira, o que está previsto para os próximos meses.

A cerimônia reuniu autoridades dos dois países. 

Estiveram presentes o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, e o presidente da Saab, Micael Johansson.

Lars Tossman, responsável pela área de Aeronáutica da empresa, descreveu o rollout como uma conquista compartilhada entre a Saab, a indústria brasileira e a Força Aérea Brasileira, segundo nota da companhia.

Um caça biposto desenhado a pedido do Brasil

Governo prevê 2,1 bilhões em caças Gripen no Projeto F-X2 em 2026, e a Saab apresenta o primeiro Gripen F biposto, sob requisito da Força Aérea Brasileira.
A grande particularidade do Gripen F é que ele nasceu de uma exigência específica da Força Aérea Brasileira. 

Trata-se da versão biposto da linha de caças Gripen E, com dois assentos, o que permite acomodar um piloto e um instrutor ou copiloto.

O Brasil foi o cliente que lançou essa configuração e participou do seu desenvolvimento, e por isso aparece como o primeiro operador do modelo no mundo, em um arranjo que envolveu transferência de tecnologia e o treinamento de centenas de engenheiros e técnicos brasileiros.

Apesar do segundo assento, o avião mantém a capacidade de combate. 

Segundo a Saab, o Gripen F preserva os sensores, os sistemas de missão, a aviônica e os pontos de armamento do monoposto Gripen E, acrescentando uma segunda cabine totalmente independente, útil tanto para acelerar o treinamento de pilotos quanto para dividir tarefas em situações de maior ameaça.

O contrato de 2014 prevê 28 unidades do Gripen E, monoposto e voltado ao combate, e 8 do Gripen F.

Versões biposto, vale notar, têm se tornado raras entre os caças modernos, e o modelo também foi escolhido por Tailândia e Colômbia.

Frota em queda, montagem no Brasil e a fila de novos caças

O investimento ocorre em um cenário de encolhimento da frota aérea brasileira. 

Segundo dados da própria Força Aérea Brasileira divulgados em setembro do ano passado, o número de aeronaves caiu 39,4% entre 2014 e 2025, enquanto o orçamento discricionário da FAB, voltado a investimentos e custeio, recuou cerca de 42% no mesmo intervalo.

O Projeto F-X2, programa dos caças Gripen, é apresentado como uma das respostas a esse quadro, ainda que sua execução se estenda por anos, com 11 das 36 aeronaves entregues até agora, segundo a Saab.

A participação industrial brasileira e a ampliação da frota seguem em andamento. 

Em 25 de março de 2026, foi apresentado o primeiro Gripen E montado no Brasil, na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, embora a produção do biposto tenha acabado concentrada na Europa.

Pela trajetória de desembolsos, o Brasil investe em média 2,26 bilhões de coroas suecas por ano, cerca de 1,2 bilhão de reais, e já gastou 28,27 bilhões de coroas, aproximadamente 15,3 bilhões de reais, conforme a CNN Brasil.

O governo ainda quer comprar mais 20 caças Gripen E, mas esse contrato não foi assinado, e a Saab afirmou estar pronta para negociar.

O cruzamento entre os 2,1 bilhões de reais do orçamento e a apresentação do primeiro Gripen F biposto mostra um programa militar caro, longo e ainda em curso. 

De um lado, há um marco tecnológico e industrial relevante para o Brasil, que ajudou a criar uma versão inédita do caça e treina sua própria mão de obra.

De outro, há uma frota que diminuiu, prazos que se estendem até 2032 e uma ampliação anunciada que ainda depende de um contrato por assinar.

E você, considera o investimento de 2,1 bilhões de reais nos caças Gripen acertado diante das prioridades do país? Acha que a modernização da Força Aérea Brasileira deveria ser acelerada ou que os recursos teriam melhor uso em outras áreas? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem acompanha defesa e geopolítica.