Empresa afirma que capacidade atual atende às necessidades dos Estados Unidos e de aliados, enquanto carteira de pedidos recorde garante estabilidade do programa por muitos anos.
O programa do caça furtivo F-35 Lightning II continuará operando em um ritmo de produção de 156 aeronaves por ano, segundo confirmou o presidente e CEO da Lockheed Martin, Jim Taiclet. A decisão reflete a confiança da fabricante de que a demanda dos Estados Unidos e de países aliados será suficiente para manter a linha de montagem plenamente ocupada no longo prazo, sem necessidade de ampliar a capacidade industrial.
A declaração foi feita durante a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, quando o executivo destacou que o atual ritmo representa o melhor equilíbrio entre eficiência de produção, estabilidade da cadeia de suprimentos e previsibilidade para os clientes. Embora a empresa tenha condições de aumentar a fabricação caso seja necessário, Taiclet afirmou que a capacidade instalada atende às necessidades previstas para os próximos anos.
De acordo com a Lockheed Martin, a proposta orçamentária do Departamento de Defesa dos Estados Unidos prevê a aquisição de 85 F-35 para as Forças Armadas norte-americanas, enquanto as demais aeronaves produzidas anualmente serão destinadas aos clientes internacionais que integram o programa.
A estratégia é sustentada por uma carteira de pedidos considerada uma das maiores da indústria de defesa. A empresa encerrou o trimestre com um backlog de aproximadamente US$ 230 bilhões, impulsionado não apenas pelo F-35, mas também por programas de mísseis, sistemas de defesa aérea e outras plataformas militares. O desempenho financeiro acima das expectativas levou a Lockheed Martin a elevar suas projeções de receita e lucro para 2026.
O F-35 continua sendo o principal caça de quinta geração do Ocidente. Atualmente, mais de 20 países operam ou já encomendaram a aeronave, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Japão, Austrália, Noruega, Países Baixos, Polônia, Finlândia, Alemanha, Bélgica, Suíça, República Tcheca, Canadá e Romênia. A crescente deterioração do cenário de segurança na Europa e no Indo-Pacífico tem impulsionado novas encomendas e acelerado programas de modernização das forças aéreas.
A frota mundial do F-35 já ultrapassa 1.300 aeronaves em operação e acumula mais de um milhão de horas de voo. O programa também segue avançando na implementação do pacote Technology Refresh 3 (TR-3), atualização que amplia a capacidade de processamento da aeronave e prepara o caça para receber o futuro conjunto de melhorias conhecido como Block 4, que adicionará novos sensores, armamentos e capacidades de guerra eletrônica.
Apesar de manter a produção em 156 unidades anuais, a Lockheed Martin registrou um número muito superior de entregas em 2025, quando repassou 191 aeronaves aos clientes. O resultado foi possível graças à liberação de caças que haviam permanecido armazenados durante a certificação do pacote TR-3, representando um recorde de entregas, mas não um aumento permanente da capacidade produtiva.
Enquanto diversos países anunciam novos investimentos em defesa e ampliam seus pedidos de aeronaves de combate, a fabricante norte-americana aposta que a combinação entre a demanda doméstica dos Estados Unidos e as exportações manterá o F-35 como o principal programa aeronáutico militar do mundo durante a próxima década.














