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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O “gigante” brasileiro de 26 toneladas que pousa na terra batida e reabastece caças em voo

 A aviação militar brasileira vive um momento histórico com o Embraer C-390 Millennium. Este avião militar brasileiro de 26 toneladas de carga útil combina a robustez de um cargueiro tático com a tecnologia de um jato comercial moderno, superando lendas como o C-130 Hércules e conquistando forças aéreas da OTAN.



O que torna o C-390 Millennium um avião tão versátil?

Projetado pela Embraer Defense & Security e operado pela FAB como KC-390, o Millennium é um cargueiro tático multimissão. Segundo a Embraer, ele transporta até 26.000 kg de carga útil, incluindo viaturas blindadas, tropas, equipamentos e até tanques de água para combate a incêndios.


Sua capacidade de operar em pistas curtas e não preparadas, como terra batida e cascalho, o torna ideal para missões na Amazônia ou em zonas de desastre. O site da Força Aérea Brasileira destaca que a aeronave mantém desempenho mesmo com peso máximo, operando em infraestrutura degradada.

ua capacidade de operar em pistas curtas e não preparadas, como terra batida e cascalho, o torna ideal para missões na Amazônia ou em zonas de desastre

O canal Aeropedia, com 307 mil inscritos, preparou um vídeo detalhado mostrando as capacidades do C-390 Millennium. Confira:

Embraer C-390 Millennium - El moderno carguero brasilero

Como o sistema fly-by-wire transforma a pilotagem do C-390?

O C-390 utiliza um sistema de controle eletrônico de voo (fly-by-wire) de quarta geração. Diferente dos sistemas mecânicos tradicionais, ele substitui cabos e hastes por sinais elétricos entre os comandos dos pilotos e as superfícies de controle, como ailerons e estabilizadores.

Segundo a FAB, o sistema proporciona estabilidade e proteção de envelope, impedindo manobras perigosas. A Embraer explica que a pilotagem se torna mais leve e precisa, filtrando turbulências e compensando automaticamente assimetrias de carga.


Por que o C-390 é considerado uma aeronave multimissão?

A verdadeira força do C-390 está em sua modularidade. O interior é totalmente reconfigurável, com trilhos e pontos de fixação que permitem trocar a função da aeronave em poucas horas. Essa flexibilidade reduz custos de frota, já que um único modelo cumpre funções que exigiriam várias aeronaves diferentes.

Entre as configurações possíveis estão transporte tático, MEDEVAC com módulos aeromédicos, combate a incêndios com tanques de água e reabastecimento em voo (REVO) com pods subalares. Na versão KC-390, a aeronave reabastece caças em velocidade de jato, mantendo estabilidade graças ao fly-by-wire.

A tabela abaixo resume as principais capacidades do C-390 Millennium:

CapacidadeDetalhamento
Carga útil máxima26.000 kg, incluindo viaturas blindadas e helicópteros leves
Velocidade de cruzeiro870 km/h (Mach 0,80), superior aos turboélices tradicionais
Reabastecimento em vooPods subalares e tanques internos para reabastecer caças
Operação em pistas rústicasPousa e decola em terra batida e cascalho
Na versão KC-390, a aeronave reabastece caças em velocidade de jato, mantendo estabilidade graças ao fly-by-wire

Como o C-390 conquistou forças aéreas da OTAN?

O sucesso de exportação do C-390 não é por acaso. Países da OTAN como Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Suécia e Lituânia já encomendaram a aeronave. Portugal abriu opções de compra que podem ser usadas por outros aliados, consolidando o cargueiro como referência dentro da Aliança.

Embraer ressalta que o pacote tecnológico inclui suíte de autodefesa moderna e padrões OTAN de carga e comunicação. O menor custo por tonelada-quilômetro transportada convenceu forças aéreas que buscavam substituir frotas envelhecidas de C-130.

Qual é o impacto do C-390 para a indústria aeroespacial brasileira?

O C-390 Millennium é o maior avião já projetado e produzido no Brasil. Para a Força Aérea Brasileira, a aeronave já é peça-chave em missões na Antártida, transporte de suprimentos e ajuda humanitária, demonstrando sua versatilidade em condições extremas.

Mais do que um cargueiro, o C-390 é uma vitrine de capacitação tecnológica nacional. Com a crescente base de operadores internacionais, o suporte logístico e a troca de experiências entre países fortalecem o ecossistema em torno da aeronave, gerando empregos e conhecimento no Brasil.

AMX – A lacuna perigosa: a urgente substituição e o equívoco de tratar o Gripen como solução

Imagem gerada por IA representa um AMX A-1 lançando uma Bomba Guiada por Laser (GBU) desde um Designador de Alvos Litening

Fiel Observador
Fevereiro 2026

Nota DefesaNet

Abaixo nesta página há vários links para matérias com vários testes recentes de armas no F-39E Gripen pela FAB.
Também uma Thread publicada com intuito de mostrar composição de armamentos.
Recomendamos a leitura da matéria Fumaça nos Pampas – O A-29 substituindo o AMX seria retrocesso e sinal de que algo está errado na FAB

O Editor

Força Aérea Brasileira vive um momento de transição delicado. A retirada do AMX — designado na FAB como A-1M— encerra um capítulo fundamental da aviação de combate nacional, mas também abre uma lacuna operacional que ainda não foi devidamente preenchida.

O problema não é apenas substituir uma aeronave. É substituir uma capacidade.

O legado do AMX para a FAB e para a indústria nacional

O AMX foi resultado de um projeto binacional entre Brasil e Itália, envolvendo as empresas italianas: Aeritalia, Aermacchi e Alenia. Hoje estas empresas integram a Leonardo S.p.A. A brasileira Embraer completava o consórcio. Para o Brasil, o programa representou muito mais do que a aquisição de um vetor de ataque leve.

Ele foi:

  • Plataforma de consolidação tecnológica;
  • Escola de engenharia aeronáutica de combate;
  • Base para o amadurecimento da cadeia industrial nacional, e,
  • Laboratório real de integração de armamentos e sistemas.

A análise do impacto do Programa AMX na indústria nacional é sempre focada no resultado da aeronave militar. O resultado foi profundamente afetado pela queda do Muro de Berlin. No Salão de Le Bourget, junho de 1989, foi lançado pelo consórcio AMX International o primeiro tour internacional para potenciais clientes. No fim daquele ano o Muro de Berlin caia e o império Soviético começa a se desintegrar. O mercado internacional militar encolhe e ao mesmo tempo a Embraer e o Brasil sofrem grave crise econômica.

Assim o AMX no Brasil sofreu com estes impactos. Um dos maiores ganhos foi na área civil com a os sistemas de controle de voo introduzidos nos ERJ-145 e especialmente nos EMB-170-190.


NA FAB

Na FAB, o A-1 foi a espinha dorsal da aviação de ataque por décadas. Atuou em missões de interdição, apoio aéreo aproximado, reconhecimento armado e ataque de precisão. Sua modernização para o padrão A-1M trouxe radar multimodo, novos aviônicos e capacidade de emprego de armamentos guiados, elevando significativamente sua relevância operacional.

A retirada do AMX não elimina apenas uma aeronave antiga — elimina uma função específica: ataque dedicado e custo operacional intermediário.

Gripen: caça multirole (multimissão) não é substituto de ataque dedicado

SAAB JAS 39 Gripen E é, sem dúvida, um caça moderno, tecnologicamente avançado e essencial para a renovação da defesa aérea brasileira. Porém tratá-lo como substituto natural do AMX pode ser um erro conceitual e estratégico.

Há três fatores centrais:

1. Custo por hora de voo e racionalidade de emprego

Empregar um caça de superioridade aérea de última geração para missões de apoio aproximado ou interdição tática de baixa ameaça é financeiramente ineficiente. O Gripen foi concebido para:

  • Defesa aérea;
  • Superioridade aérea, e,
  • Ataque de precisão em ambientes contestados.

Ele pode cumprir missões de ataque tático? Sim.

Mas isso não significa que seja o vetor economicamente ideal para substituir uma plataforma de ataque leve.

2. Cadência de entrega

A incorporação do Gripen ocorre em ritmo gradual, condicionado a cronogramas industriais complexos e limitações orçamentárias. A frota prevista não é numericamente suficiente para absorver, sem impacto, todas as missões antes atribuídas ao AMX.

Criar uma sobrecarga operacional em uma frota ainda em consolidação é um risco estratégico.

3. Estrutura de força equilibrada

Forças aéreas modernas operam com camadas de capacidade:

  • Caças de superioridade;
  • Vetores multirole;
  • Plataformas dedicadas de ataque leve ou intermediário, e,
  • Aeronaves de treinamento avançado com capacidade de combate.

Eliminar uma dessas camadas compromete a elasticidade operacional.

Na foto um teste de Gripen C da Força Aérea da Hungria armado com duas Bombas Guiadas por Laser GBU-12, dois mísseis AGM-65G-2 Mavericks e o designador de alvo laser Litening III. Foto web Força Aérea Hungria

O vácuo operacional

A desativação do AMX criou uma lacuna entre o turboélice de ataque leve e o caça supersônico de ponta. Essa lacuna impacta:

  • Treinamento de transição operacional;
  • Doutrina de ataque;
  • Disponibilidade para missões de baixa e média intensidade, e,
  • Capacidade de resposta prolongada em cenários assimétricos.

Num país com dimensões continentais e desafios na Amazônia, fronteiras extensas e áreas marítimas estratégicas, a ausência de um vetor dedicado de ataque intermediário não é trivial.

A importância industrial da reposição

A história do AMX mostra que programas bem estruturados geram externalidades positivas para a indústria nacional. O aprendizado adquirido pela Embraer no projeto contribuiu para o salto tecnológico que consolidou o Brasil como ator relevante no setor aeroespacial mundial e colocou a Embraer ao lado da Boeing e Airbus no mercado internacional de jatos civis.

A substituição do AMX pode — e deveria — ser vista como oportunidade estratégica:

  • Desenvolvimento ou coprodução de novo vetor;
  • Integração de armamentos nacionais;
  • Ampliação de competências industriais, e,
  • Fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

Aeronave AMX A-1 com Bomba Guiada a Laser, bomba série Mk-80 e Pod Designador de Alvo Laser Litening Foto CECOMSAER

O que está em jogo?

Não se trata de questionar o Gripen. Ele é essencial e deve continuar sendo prioridade na defesa aérea brasileira.

A questão é outra: ele não foi concebido para ser o substituto natural das missões do AMX.

Persistir nessa lógica pode levar a redução da disponibilidade; aumento de custos operacionais; perda de especialização doutrinária e de capacidade operacional. Além disso, hoje todos os AMX da FAB, menos de cinco voando, estão sediados na Base Aérea de Santa Maria (BASM), um dos mais estratégicos aeródromos da FAB. A necessidade de substituição da frota de AMX garante que a base aérea não seja fechada após sua desativação, já que lá só restariam um esquadrão de ARPs e outros de helicópteros.

A FAB precisa urgentemente definir qual será o vetor que preencherá essa lacuna — seja por meio de uma solução de prateleira, seja por desenvolvimento próprio ou através de uma parceria estratégica.

O que não pode acontecer é permitir que a lacuna se consolide por inércia dos decisores, já que quando falamos em defesa, capacidade perdida raramente é recuperada com rapidez — e quase nunca sem custo elevado.

Imagem gerada por IA com o objetivo meramente de representar a função de ataque do AMX A-1 

Mesmo com contrato de US$ 40 bi para 114 caças Rafale, França restringe transferência de tecnologia para Índia

 


A possível aquisição de 114 caças Rafale pela Índia, avaliada em cerca de US$ 40 bilhões, avança para uma nova fase após a aprovação inicial do programa Multi-Role Fighter Aircraft (MRFA), mas já desperta discussões sobre limitações tecnológicas impostas por Paris. Relatos recentes indicam que a França não pretende transferir o código-fonte de sistemas eletrônicos considerados sensíveis, incluindo o conjunto de guerra eletrônica SPECTRA, peça central da capacidade de sobrevivência e consciência situacional da aeronave.

A decisão ocorre em um momento estratégico para Nova Délhi, que busca ampliar rapidamente sua frota de combate diante da redução no número de esquadrões operacionais e do aumento das tensões regionais. O MRFA é visto como a maior aquisição militar já planejada pelo país e dá continuidade à parceria iniciada com o contrato de 36 Rafales firmado em 2016, além do acordo posterior para variantes navais destinadas ao porta-aviões INS Vikrant.

A aprovação recente pelo Conselho de Aquisição de Defesa apenas abre caminho para negociações governamentais, e não representa ainda um contrato definitivo com a Dassault Aviation.

O novo pacote prevê uma forte participação industrial local dentro da política “Make in India”. A proposta atual indica que cerca de 18 aeronaves seriam produzidas diretamente na França, enquanto a maioria das unidades seria montada em território indiano com participação crescente da indústria nacional.

A cooperação envolve empresas locais e acordos já assinados para fabricação de estruturas do Rafale, incluindo seções de fuselagem, o que representa a primeira vez que partes estruturais completas do caça são produzidas fora da França. Os indianos defendem níveis ainda maiores de conteúdo local para garantir soberania industrial e reduzir a dependência externa em programas futuros.

Apesar da expansão da produção local, a possível restrição ao acesso ao código-fonte do SPECTRA e de outros aviônicos críticos levanta preocupações sobre o grau de autonomia operacional que a Índia terá após a entrega das aeronaves. O sistema é responsável por gerenciamento de radar, contramedidas eletrônicas e fusão de dados de missão, sendo considerado um dos diferenciais do Rafale no cenário global.

Sem acesso completo à arquitetura interna, modificações profundas de software ou integração independente de determinados sensores e armas podem depender de autorização e suporte técnico franceses, ainda que interfaces limitadas possam ser oferecidas para permitir adaptações específicas.

O acordo surge em meio a um crescimento expressivo do orçamento de defesa indiano, que continua aumentando os investimentos em modernização militar, aquisição de aeronaves e desenvolvimento de tecnologias avançadas. A Índia busca equilibrar compras externas com projetos domésticos, como o Advanced Medium Combat Aircraft (AMCA), cujo cronograma aponta para entrada em serviço apenas na próxima década. Nesse contexto, a versão F4 do Rafale é vista como uma solução intermediária para manter a superioridade aérea até que programas nacionais estejam plenamente operacionais.

A negociação também acontece em um ambiente altamente competitivo no mercado indiano de defesa. Plataformas americanas, russas e europeias continuam sendo oferecidas ao país, enquanto a França tenta consolidar sua posição como principal parceira estratégica de longo prazo.

Durante encontros recentes entre líderes dos dois países, autoridades destacaram que a cooperação pode se estender além do Rafale, abrangendo produção conjunta de equipamentos e novas iniciativas industriais voltadas ao setor aeroespacial e militar.

Paralelamente, Nova Délhi avalia aprofundar laços com a França em projetos de próxima geração, incluindo discussões sobre uma possível participação no Future Combat Air System (FCAS), programa europeu que busca desenvolver um caça de sexta geração conectado a drones e redes digitais de combate. O projeto enfrenta divergências internas entre os países parceiros europeus, o que abre espaço para novos participantes.

Para a Índia, a eventual colaboração poderia acelerar o acesso a tecnologias como inteligência artificial embarcada, integração homem-máquina, propulsão avançada e capacidades furtivas, reforçando sua ambição de se tornar uma potência aeroespacial independente nas próximas décadas.