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sexta-feira, 3 de julho de 2026

OTAN deve confirmar na próxima semana o Saab GlobalEye como seu novo avião AWACS

 

Aliança prepara anúncio histórico que pode transformar sua capacidade de alerta aéreo antecipado e fortalecer a indústria de defesa europeia


A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está prestes a anunciar uma das maiores mudanças em sua estrutura de vigilância aérea desde o fim da Guerra Fria. Durante a cúpula da aliança, que será realizada nos dias 7 e 8 de julho em Ancara, na Turquia, os países-membros deverão confirmar a seleção do Saab GlobalEye como substituto da envelhecida frota de aeronaves Boeing E-3A Sentry, utilizadas há mais de 40 anos nas missões de alerta aéreo antecipado (AWACS).

Caso seja oficializada, a decisão marcará a primeira vez que a OTAN adota uma plataforma de alerta aéreo desenvolvida fora da Boeing, encerrando uma era iniciada no início da década de 1980. A escolha também representa uma importante vitória para a indústria europeia de defesa em um momento em que diversos países buscam ampliar sua autonomia estratégica.

Atualmente, a OTAN opera 14 aeronaves E-3A Sentry baseadas em Geilenkirchen, na Alemanha. Esses aviões participaram de praticamente todas as grandes operações da aliança nas últimas quatro décadas, incluindo a Guerra do Golfo, os conflitos nos Bálcãs, as campanhas no Afeganistão e no Oriente Médio, além das atuais missões de vigilância reforçada sobre o flanco leste europeu após a invasão russa da Ucrânia.

Atual Boeing E-3 Sentry da OTAN.

Apesar de continuarem operacionais, os E-3A enfrentam desafios crescentes relacionados ao envelhecimento da célula, altos custos de manutenção e à obsolescência de diversos sistemas eletrônicos. O Boeing 707, plataforma sobre a qual o AWACS foi desenvolvido, deixou de ser produzido há décadas, tornando cada vez mais complexa a obtenção de peças de reposição.

A substituição faz parte do programa Alliance Future Surveillance and Control (AFSC), criado para desenvolver a próxima geração das capacidades de vigilância, comando e controle da OTAN. O conceito não prevê apenas uma nova aeronave, mas uma arquitetura integrada composta por satélites, sensores terrestres, sistemas não tripulados, inteligência artificial e aeronaves tripuladas trabalhando de forma coordenada para gerar um quadro operacional em tempo real.

Inicialmente, a OTAN havia escolhido o Boeing E-7 Wedgetail como sucessor do E-3A. Entretanto, o cenário mudou radicalmente após o Departamento de Defesa dos Estados Unidos cancelar seu programa de aquisição da aeronave durante a revisão orçamentária de 2025. Embora o Congresso norte-americano ainda discuta alternativas para restaurar parte do financiamento, a decisão obrigou a aliança a reavaliar suas opções e abriu caminho para a proposta da Saab.

O GlobalEye é considerado uma das mais avançadas plataformas de vigilância aérea atualmente disponíveis. Desenvolvido sobre o moderno jato executivo Bombardier Global 6500, o sistema reúne sensores capazes de monitorar simultaneamente alvos no ar, em terra e no mar.

Seu principal equipamento é o radar Erieye ER, de varredura eletrônica ativa (AESA), que utiliza tecnologia baseada em nitreto de gálio (GaN), proporcionando maior potência, melhor resistência à guerra eletrônica e alcance superior a 550 quilômetros para alvos aéreos em grandes altitudes. A aeronave também incorpora o radar marítimo Leonardo Seaspray 7500E, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas avançados de inteligência eletrônica e enlaces de dados que permitem compartilhar informações em tempo real com caças, navios, centros de comando e outras plataformas militares.

Diferentemente dos tradicionais AWACS, cuja principal função é detectar aeronaves, o GlobalEye foi concebido como uma plataforma multimissão. Além de acompanhar centenas de aeronaves simultaneamente, o sistema pode localizar embarcações, veículos terrestres, mísseis de cruzeiro e outros alvos de pequenas dimensões, mesmo em ambientes altamente contestados por guerra eletrônica.

Outro fator decisivo para a possível escolha da OTAN é o custo operacional. Baseado em um jato executivo moderno, o GlobalEye apresenta consumo de combustível significativamente menor, maior disponibilidade operacional e custos de manutenção reduzidos quando comparado aos antigos quadrimotores Boeing E-3A. Fontes ligadas ao programa indicam ainda que versões destinadas à aliança poderão incorporar capacidade de reabastecimento em voo, ampliando o tempo de permanência em missões de vigilância estratégica.

A plataforma também vem conquistando espaço entre operadores ocidentais. Os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro cliente do GlobalEye e atualmente operam cinco aeronaves. A Suécia adquiriu o sistema para substituir seus Saab 340 AEW&C e expandiu recentemente sua encomenda para três unidades. Em junho deste ano, o Canadá anunciou a compra de seis aeronaves para reforçar a vigilância do Ártico, enquanto a França selecionou o GlobalEye para substituir seus Boeing E-3F Sentry, consolidando a aeronave como uma das principais soluções de alerta aéreo do mercado.

Caso a aquisição pela OTAN seja confirmada, o contrato deverá superar o pedido canadense e se tornar a maior encomenda da história do programa GlobalEye.

A decisão também possui forte peso político. Pouco mais de dois anos após a entrada oficial da Suécia na OTAN, a escolha de um sistema desenvolvido pela Saab reforçaria o papel crescente da indústria europeia dentro da aliança e reduziria a dependência de fornecedores norte-americanos em um segmento historicamente dominado pelos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o projeto mantém um elevado grau de integração internacional. A aeronave utiliza a plataforma Bombardier Global 6500, fabricada no Canadá, além de diversos sistemas produzidos por empresas europeias e norte-americanas, preservando a interoperabilidade entre os países aliados.

França conclui modernização dos caças Mirage 2000D e garante operação da frota até a próxima década

 

Programa amplia as capacidades de combate da aeronave com novos armamentos, aviônicos digitais e arquitetura aberta, consolidando o Mirage 2000D como um dos principais vetores de ataque da Força Aérea Francesa até a chegada do FCAS.


A França concluiu oficialmente um dos mais importantes programas de modernização de sua aviação de combate ao entregar a 50ª e última aeronave atualizada do caça Mirage 2000D dentro do programa Rénovation Mi-Vie (RMV). O marco foi anunciado pela Direção Geral de Armamentos (DGA), encerrando um projeto iniciado há quase uma década para prolongar a vida operacional do principal caça de ataque ao solo da Força Aérea e Espacial Francesa.

A modernização garante que a frota permaneça em operação pelo menos até 2035, período em que continuará dividindo responsabilidades com o Rafale enquanto a França desenvolve o Future Combat Air System (FCAS), programa europeu de caça de sexta geração conduzido em parceria com Alemanha e Espanha.

O Mirage 2000D entrou em serviço em 1993 como uma evolução convencional do Mirage 2000N, originalmente destinado à missão nuclear. Desenvolvido para realizar ataques de precisão em qualquer condição meteorológica, o modelo acumulou uma extensa experiência operacional ao longo de mais de três décadas, participando de praticamente todas as grandes campanhas militares francesas.

Os caças foram empregados nos conflitos dos Bálcãs, Afeganistão, Líbia, Mali, Chade, Níger, Iraque e Síria, além das operações antiterrorismo conduzidas no Sahel. Sua elevada disponibilidade operacional em ambientes desérticos e em condições climáticas extremas tornou a aeronave uma das principais plataformas de apoio aéreo aproximado da França.

O programa RMV representa a mais profunda modernização já realizada no Mirage 2000D. Entre as mudanças mais importantes está a incorporação da cápsula de canhão CC422 equipada com o canhão DEFA 550 F3 de 30 mm. Até então, o Mirage 2000D era uma das poucas aeronaves de combate ocidentais sem qualquer armamento interno, característica herdada da versão nuclear Mirage 2000N.

A inclusão do canhão amplia significativamente sua capacidade de apoio aproximado às tropas terrestres, permitindo o emprego contra alvos de oportunidade sem depender exclusivamente de armamentos guiados.

Outra importante evolução foi a substituição dos antigos mísseis ar-ar Matra Magic II pelos modernos MBDA MICA IR, proporcionando uma capacidade de autodefesa muito superior diante das ameaças atuais. A aeronave continua compatível com os mísseis de cruzeiro SCALP-EG e passou a empregar plenamente as bombas guiadas GBU-48 e GBU-50 Enhanced Paveway II, capazes de utilizar guiagem a laser e GPS simultaneamente.

A cabine recebeu uma completa renovação, substituindo praticamente todos os instrumentos analógicos por telas multifuncionais digitais de última geração. O novo computador de missão utiliza arquitetura aberta, permitindo que novos softwares sejam desenvolvidos e integrados com muito mais rapidez e menor custo, característica considerada essencial para acompanhar a rápida evolução das tecnologias de combate.

Essa arquitetura também transformou o Mirage 2000D em uma plataforma de testes para futuras tecnologias que serão empregadas no Rafale F5 e no programa FCAS. O Centro de Guerra Aérea francês (CEAM) já utiliza a aeronave para validar aplicações envolvendo inteligência artificial embarcada, novos sistemas de apoio à decisão do piloto e desenvolvimento acelerado de softwares operacionais.

Outro destaque da modernização é a integração do pod eletro-óptico TALIOS, da Thales, que proporciona imagens de alta resolução, melhor identificação de alvos e maior alcance para designação de armamentos guiados. A aeronave também manteve compatibilidade com o sistema ASTAC de guerra eletrônica, utilizado para detectar, identificar e localizar radares inimigos durante operações de supressão das defesas antiaéreas.

Antes da entrada em serviço operacional, duas aeronaves modernizadas passaram por uma extensa campanha de testes em Djibouti, onde foram submetidas a temperaturas extremas e condições ambientais severas semelhantes às encontradas nas operações francesas na África e no Oriente Médio. Os ensaios validaram o desempenho da nova aviônica, dos sensores, do armamento e dos sistemas de navegação em cenários reais de emprego.

A entrada oficial da versão RMV em serviço ocorreu em abril de 2025, na Base Aérea 133 de Nancy-Ochey, sede da 3ª Ala de Caça. Atualmente, os três esquadrões da unidade operam exclusivamente aeronaves modernizadas.

Embora o Rafale continue ampliando sua participação na aviação de combate francesa, o Mirage 2000D permanece desempenhando um papel estratégico. Por ser uma aeronave totalmente amortizada e com custos operacionais significativamente menores, ela continuará executando missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado e operações expedicionárias, permitindo que os Rafale sejam priorizados para missões de superioridade aérea, dissuasão nuclear e operações de maior complexidade.

A conclusão do programa RMV também reforça uma tendência observada em diversas forças aéreas ao redor do mundo. Em vez de substituir imediatamente plataformas consagradas, diversos países têm optado por programas de modernização profunda para prolongar sua vida útil e incorporar capacidades digitais, reduzindo custos e preservando a capacidade operacional até a chegada de aeronaves de nova geração.

Embraer registra melhor segundo trimestre em 16 anos impulsionada pelo sucesso do KC-390 e da aviação executiva

 

Fabricante brasileira entrega 65 aeronaves entre abril e junho, mantém carteira recorde de pedidos e reforça crescimento nos mercados civil, executivo e de defesa.


A Embraer alcançou no segundo trimestre de 2026 seu melhor desempenho para o período em 16 anos, consolidando um momento de forte expansão impulsionado pelo aumento das entregas de aeronaves comerciais e executivas, além da crescente demanda internacional por seus produtos de defesa. Os resultados demonstram a recuperação da capacidade industrial da fabricante brasileira e reforçam sua posição entre as principais empresas aeroespaciais do mundo.

Entre abril e junho, a empresa entregou 65 aeronaves, crescimento de 48% em relação ao primeiro trimestre e de 7% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre, foram entregues 109 aeronaves, frente às 91 registradas no mesmo intervalo do ano passado. Trata-se do melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2010, refletindo a estabilização da cadeia global de fornecedores e a ampliação do ritmo de produção.

A Aviação Executiva foi o principal destaque do trimestre, com 45 jatos entregues, incluindo os modelos Phenom 300E, Praetor 500E e Praetor 600E. O segmento registrou crescimento de 55% em relação ao trimestre anterior e de 18% na comparação anual. Já a Aviação Comercial respondeu por 20 aeronaves, entre E175, E190-E2 e E195-E2, praticamente dobrando as entregas em relação aos três primeiros meses do ano.

Embora a divisão de Defesa & Segurança não tenha realizado entregas entre abril e junho, o desempenho do semestre permaneceu sólido, totalizando cinco aeronaves militares entregues. A ausência de entregas no trimestre está relacionada ao cronograma de produção e aceitação pelos clientes, enquanto a carteira de encomendas continua crescendo com novos contratos internacionais e acordos de suporte logístico.

A Embraer manteve suas projeções para 2026, estimando entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos até o fim do ano. A companhia também confirmou a expectativa de receita anual entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, sustentada pelo aumento da produção e pela forte demanda em seus diferentes segmentos de atuação.

Outro indicador que evidencia o excelente momento da empresa é sua carteira de pedidos. No encerramento do primeiro trimestre, o backlog atingiu o recorde histórico de US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde consecutivo da fabricante. O volume garante elevada previsibilidade para os próximos anos e assegura investimentos contínuos em capacidade produtiva, inovação tecnológica e expansão da cadeia de fornecedores.

Na área militar, o KC-390 Millennium continua sendo um dos principais motores de crescimento da Embraer. Desenvolvido para missões de transporte tático, reabastecimento em voo, lançamento de tropas e cargas, evacuação aeromédica, ajuda humanitária e combate a incêndios, o cargueiro brasileiro vem conquistando espaço em um mercado historicamente dominado por aeronaves como o C-130 Hercules.

Nos últimos meses, o programa registrou novos avanços importantes. A Embraer ampliou sua rede global de suporte ao KC-390 por meio de acordos industriais com empresas da Grécia, Polônia e Portugal, fortalecendo sua capacidade de manutenção, reparo e revisão (MRO) na Europa. A fabricante também assinou um novo contrato de suporte logístico para ampliar a disponibilidade operacional da frota da Força Aérea Brasileira.

O sucesso comercial da aeronave continua crescendo. Além da Força Aérea Brasileira, o KC-390 foi selecionado por Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão. Diversas outras campanhas internacionais permanecem em andamento, especialmente na Europa, Oriente Médio e Ásia, onde o cargueiro brasileiro vem se destacando por sua elevada capacidade de carga, velocidade superior à de aeronaves turboélice da mesma categoria, custos operacionais reduzidos e elevada disponibilidade.

Outro protagonista da divisão militar é o A-29 Super Tucano. A aeronave continua sendo uma referência mundial em missões de ataque leve, vigilância armada, reconhecimento, treinamento avançado e combate a ameaças assimétricas. Atualmente operado por 22 forças aéreas, o Super Tucano já ultrapassou 600 mil horas de voo e continua recebendo novos contratos e atualizações tecnológicas.

Em 2026, a Embraer ampliou as capacidades do A-29 com soluções voltadas ao combate de sistemas aéreos não tripulados (C-UAS), acompanhando a rápida evolução do campo de batalha moderno. A empresa também prosseguiu com entregas internacionais e negociações em diferentes continentes, mantendo a aeronave entre as principais opções do mercado para missões de baixa intensidade e patrulhamento de fronteiras.

O crescimento da divisão de Defesa & Segurança também se refletiu nos resultados financeiros da companhia. No primeiro trimestre deste ano, o segmento registrou aumento de 63% na receita, contribuindo para que a Embraer alcançasse a maior receita já registrada em um primeiro trimestre de sua história, totalizando US$ 1,447 bilhão.

Paralelamente, a unidade de Serviços & Suporte segue expandindo sua participação nos negócios da fabricante. A estratégia consiste em ampliar a rede mundial de manutenção, treinamento, fornecimento de peças e suporte técnico para acompanhar o crescimento da frota global de aeronaves Embraer, criando receitas recorrentes e fortalecendo o relacionamento de longo prazo com operadores civis e militares.

Na aviação comercial, a demanda pelos jatos da família E2 continua elevada graças ao menor consumo de combustível e à redução das emissões de carbono. O E195-E2 permanece como uma das aeronaves mais eficientes de sua categoria, enquanto o E175 continua liderando o segmento regional na América do Norte.

Já na aviação executiva, os modelos Phenom e Praetor seguem acumulando reconhecimento internacional. O Praetor 500E recebeu recentemente certificações simultâneas das autoridades aeronáuticas do Brasil, Estados Unidos e Europa, ampliando ainda mais sua competitividade no mercado global.

Com uma carteira recorde de pedidos, crescimento consistente nas entregas, expansão internacional dos programas KC-390 Millennium e A-29 Super Tucano e aumento da produção em todas as unidades de negócio, a Embraer inicia a segunda metade de 2026 em uma posição extremamente sólida. O desempenho registrado no segundo trimestre demonstra não apenas a recuperação completa da capacidade industrial da fabricante brasileira, mas também sua consolidação como uma das empresas aeroespaciais mais competitivas do mundo em um momento de forte expansão da demanda global por aeronaves civis e militares.