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sábado, 31 de outubro de 2026

Peru avança em acordo de R$ 18 bilhões para ter 24 unidades do F-16 Block, mais avançados do que os caças comprados pela Argentina, e vai contar com apoio logístico completo e cooperação com fabricante

 

Versão adquirida pelo governo peruano será entregue direto de fábrica e tem vantagens em relação aos F-16 argentinos comprados da Dinamarca


Peru avança em acordo de R$ 18 bilhões para ter 24 unidades do F-16 Block, mais avançados do que os caças comprados pela Argentina, e vai contar com apoio logístico completo e cooperação com fabricante
F-16 Block, conhecido como "Viper", é a versão mais moderna do caça mais difundido do mundo. Foto: Lockheed Martin

O Congresso da República do Peru aprovou a destinação de mais US$ 346,9 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) para que a Força Aérea do país dê continuidade ao processo de aquisição de um novo lote de 12 caças F-16 Block 70. O Peru pretende adquirir 24 unidades do F-16 Block, a versão mais recente e avançada do caça F-16 Fighting Falcon, produzida pela Lockheed Martin, em um acordo que muda completamente o patamar do país no cenário de Defesa na América do Sul.

O acordo firmado pelo Peru para as 24 unidades do caça tem valor total aproximado de US$ 3,5 bilhões (mais de R$ 18,7 bilhões, na cotação atual), e foi assinado em 2025, prevendo duas fases, com a aquisição de 20 unidades monopostos (F-16 C) e quatro bipostos (F-16 D) para a Força Aérea do Peru.

O contrato para o primeiro lote de 12 F-16 Block 70 foi assinado em 22 de abril, prevendo um valor de R$ 1,54 bilhão (R$ 5,40 bilhões), que inclui US$ 460 milhões para a aquisição de equipamentos de apoio em solo, peças de reposição e suporte logístico, capacitação e treinamento, documentação, manuais e publicações técnicas, além de um simulador de voo e um lote de armamentos.

Com a modernização bilionária de sua capacidade de defesa aérea, o Peru vai ingressar no rol sul-americano de operadores ativos do F-16, que atualmente conta com o Chile, maior operador do caça na região, e a Argentina, que recebeu recentemente um segundo lote dos Fighting Falcon adquiridos da Dinamarca.

A Venezuela, que foi pioneira no ingresso dos F-16 na América do Sul, com aeronaves adquiridas dos EUA nos anos 1980, chegou a ter mais de 20 caças do modelo, mas com o embargo norte-americano aplicado nos últimos anos e a deterioração das relações com Washington, a manutenção das aeronaves foi seriamente prejudicada, e não há dados oficiais sobre quantas unidades permaencem em operação.

Com o novo acordo para a dquirir o caça, o Peru terá uma vantagem estratégica frente aos concorrentes regionais: das 46 aeronaves chilenas, apenas 10 são F-16 Block, versão mais moderna, enquanto na Argentina, o investimento é para 24 unidades o F-16AM/BM MLU, versão anterior do caça e comprados de segunda mão da Dinamarca.

F-16 Block “Viper” voando além de 2060

O modelo F-16 Block, conhecido como “Viper”, é a versão mais atualizada do caça militar de asa fixa mais numeroso e difundido em atividade no mundo, operado por 29 países, com mais de 2,8 mil unidades ativas.

O Viper é apresentado pela Lockheed Martin como uma aeronave de quarta geração que foi atualizada para alcançar características de quinta geração.

Entre as capacidades do F-16 Block, estão:


  • Radar Avançado: radar AESA, que permite rastreamento múltiplo de alvos e missões simultâneas ar-ar e ar-solo.
  • Guerra Eletrônica: sistema digital Viper Shield, projetado para proteção e contramedidas em ambientes contestados.
  • Aviônicos e Cabine: displays modernizados, computador de missão atualizado, visor frontal aprimorado e compatibilidade com o sistema de mira Sniper e sensores Legion-ES.
  • Armamentos Modernos: Suporta mísseis AIM-120D, AIM-9X, bombas guiadas JDAM/SDB e mísseis de cruzeiro JASSM, além de planos para integrar armamentos hipersônicos como o míssil Blackbeard.

O Viper é projetado para suportar um ciclo de cerca de 12.000 horas de voo, estendendo sua operação para além de 2060, segundo dados da fabricante.

Em comparação, os F-16 mais antigos adquiridos pela Argentina não contam com o radar AESA, usando radares de varredura mecânica, pertencentes a uma geração anterior. O Viper tem ainda arquitetura digital mais recente, enquanto a versão MLU depende de atualizações realizadas, incluindo sistemas de guerra eletrônica.

O “Viper” é a versao atualizada do F-16 e deve permanecer em voo ao menos até 2060. Foto: Divulgação

Peru investe em estrutura de ponta para receber F-16

Os caças adquiridos pelo Peru são novos de fábrica, construídos pela Lockheed Martin, com uma vida útil estrutural muito maior do que plataformas que já estão em operação há anos, como no caso argentino. O país também está implantando toda a estrutura necessária para dar suporte à operação da aeronave e ampliar a cooperação tecnológica com os EUA.

O Peru não está simplesmente comprando 24 caças F-16: está estruturando uma capacidade operacional e logística completa em torno da aeronave, com treinamento de pilotos e técnicos, armamentos, simuladores, infraestrutura de manutenção, apoio logístico e até oportunidades para a indústria nacional.


A Base Aérea La Joya, em Arequipa, foi escolhida como uma das instalações centrais para receber os novos aviões. O Peru prevê investir aproximadamente US$ 10,4 milhões em melhorias, incluindo pistas, cabeceiras, hangares de manutenção, abrigos e outras estruturas necessárias à operação do F-16.

As entregas estão previstas para acontecer a partir de 2030. O contrato também inclui o fornecimento, sem custos adicionais, de um Boeing KC-135R Stratotanker usado, avaliado entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões, destinado ao reabastecimento em voo, que amplia a capacidade de alcance do F-16. O avião é o mesmo usado pela Força Aérea dos EUA (USAF) para operações de reabastecimento.

A atual frota de combate da Força Aérea Peruana hoje é compsota principalmente por caças Mirage 2000 e MiG-29, ambos enfrentando desafios de manutenção e capacidade nos últimos anos devido às décadas de operação.

Lockheed anunciou cooperação tecnológica com o país

A Lockheed Martin apresentou também um amplo pacote de colaboração industrial e social para o Peru, avaliado em US$ 1,8 bilhão em valor econômico, como parte de seu programa para fornecer os F-16 Block 70 ao país latino.

O objetivo é oferecer oportunidades de coprodução de equipamentos de defesa e sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, treinamento especializado em engenharia e uma nova grade curricular para uma academia espacial.

As iniciativas foram concebidas para integrar empresas peruanas à cadeia global de fornecimento da Lockheed Martin, acelerando o crescimento econômico sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecendo as bases industriais de defesa do Peru e dos Estados Unidos, conforme anunciou a fabricante em agosto de 2026.

Entre os projetos oferecidos pela Lockheed como parte da proposta do F-16 Block 70 estão a montagem nacional de uma aeronave não tripulada para o mercado latino-americano, a criação de centros conjuntos de pesquisa e de um Instituto Técnico de Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas (UAS).

Intercâmbio com os argentinos

Como parte do programa de adaptação para receber os primeiros F-16 em poucos anos, uma delegação da Força Aérea do Peru realizou uma visita técnica ao Centro de Instrução da VI Brigada Aérea, localizado na cidade de Tandil, na Argentina. O objetivo foi obter informações técnicas especializadas sobre a operação, manutenção, sustentação logística e emprego dos caças F-16.

A Argentina já conta com 12 unidades do F-16AM/BM MLU, recebidos a partir de 2025. O primeiro lote dos F-16 foi entregue em 2025, de um total de 24 aeronaves previstas no acordo feito pelo presidente Javier Milei com a Dinamarca e orçado em cerca de US$ 300 milhões.

Os caças argentinos passaram pelo Brasil, fazendo escala na da Base Aérea de Natal (BANT), durante as duas operações do complexo translado realizado desde a Europa, com travessia do Atlântico.

Chile recebeu o F-16 Block há vinte anos

Na América do Sul, somente o Chile opera a versão mais moderna do F-16, mas as primeiras aeronaves chegaram ao país há duas décadas, em 2006. Os F-16 Block representaram, à época, uma mudança radical no modelo de operação da Força Aérea Chilena (FACh).

A operação de um caça que até então era de última geração exigiu uma profunda adaptação no treinamento de pilotos, na manutenção, no planejamento de missões e, sobretudo, no sistema de comando e controle.

Vinte anos depois, o Chile tem uma cadeia de defesa aérea consolidada como uma das mais modernas do mundo, o que coloca o país em destaque no cenário da América do Sul, com exercícios frequentes de interoperabilidade com a USAF e com outras forças aéreas — incluindo a do Brasil.

O Exercício Salitre é a principal cooperação militar aérea da América do Sul. Realizado no Chile e organizado pela Força Aérea Chilena, o treinamento reúne forças aéreas de diferentes países para praticar operações combinadas, compartilhar conhecimentos e desenvolver procedimentos que permitam atuar em conjunto em situações de crise ou conflito.

A quinta edição, realizada entre 29 de junho e 11 de julho de 2026, reuniu seis forças aéreas: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Estados Unidos. Canadá, Equador e Uruguai participaram como observadores.

A edição de 2026 também marcou a estreia do F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) em um destacamento internacional, colocando a aeronave em combates simulados com os F-16 chilenos e outros meios aéreos em uma desmontração da maturidade operacional da plataforma que será a espinha dorsal da modernização da defesa área do país.

Caças capazes de atingir Mach 2 contra aviões subsônicos dos anos 1980: Argentina coloca F-16 e IA-63 Pampa frente a frente em treinamento militar que expõe uma diferença brutal de capacidades

 

A Força Aérea Argentina colocou caças F-16 diante dos aviões IA-63 Pampa em exercícios de interceptação e combate simulado em Córdoba. Conheça as diferenças de velocidade, radar, motor e desempenho entre os modelos.


Caças capazes de atingir Mach 2 contra aviões subsônicos dos anos 1980: Argentina coloca F-16 e IA-63 Pampa frente a frente em treinamento militar que expõe uma diferença brutal de capacidades
A Argentina colocou os caças F-16 Fighting Falcon contra aviões IA-63 Pampa em exercícios de combate aéreo no Área Material Río Cuarto, na província de Córdoba. Durante outubro, os Pampa representaram inimigos simulados, enquanto os pilotos dos F-16 praticaram interceptações, manobras a curta distância e ações antes do contato visual com o adversário.

A diferença entre os dois aviões é grande: o F-16 é um caça supersônico multifuncional, enquanto o Pampa é um treinador avançado de fabricação argentina, com capacidade de ataque leve. O objetivo da atividade foi preparar os pilotos para cenários táticos variados, e não definir um vencedor entre as aeronaves.

F-16 enfrenta adversários simulados e treina combate além do alcance visual

Esse treinamento é conhecido como combate aéreo dissimilar. Em vez de usar apenas aviões idênticos, a força aérea coloca aeronaves de características diferentes no mesmo cenário. O piloto precisa identificar a outra aeronave, acompanhar sua trajetória e decidir como reagir. Já a expressão BVR designa exercícios além do alcance visual, com procedimentos de detecção e interceptação antes de enxergar o alvo.

Caça F-16 Fighting Falcon da Força Aérea Argentina, aeronave supersônica de quarta geração capaz de atingir velocidades próximas de Mach 2 (cerca de 2.400 km/h em altitude). Equipado com radar de controle de tiro, motor Pratt & Whitney F100 e capacidade para transportar mísseis ar-ar e armamentos ar-solo, o modelo integra a modernização da aviação de combate argentina e participa de treinamentos de interceptação contra aeronaves IA-63 Pampa. Foto: Força Aérea Argentina

O portal Full Aviación informou que dois IA-63 Pampa II-40, de matrículas A-815 e A-822, foram enviados de Mendoza para Río Cuarto no início do mês. A permanência estava prevista para aproximadamente 30 dias. Havia possibilidade de ampliar o número de adversários simulados nas próximas missões.

F-16 Fighting Falcon pode voar a Mach 2 e leva armamento ar-ar

Os F-16 adquiridos da Dinamarca pertencem às versões F-16AM/BM MLU. Esse caça multifuncional de quarta geração tem radar de controle de tiro, motor único e versões com um ou dois tripulantes. Dependendo da configuração, pode empregar armamento ar-ar e ar-solo. A família alcança velocidade próxima de Mach 2 em condições favoráveis, aproximadamente o dobro da velocidade do som.

A Argentina recebeu mais seis caças em setembro de 2026, passando a contar com 12 F-16 entregues. O segundo grupo partiu da Dinamarca e fez escalas na Espanha e no Brasil, com reabastecimentos fornecidos por aviões americanos KC-135. As aeronaves modernizadas integram o programa argentino de recuperação de sua capacidade de aviação de caça.

Nos exercícios, os aviadores trabalham procedimentos táticos, interpretação de informações do radar, aproximação e resposta a contatos simulados. Essa etapa se soma aos voos de familiarização, aos simuladores e à preparação de equipes de manutenção e suporte em solo.

IA-63 Pampa III usa motor Honeywell, cockpit digital e simulador de radar

Aeronaves IA-63 Pampa III da Força Aérea Argentina voando em formação. Fabricado pela FAdeA, o jato de treinamento avançado possui motor turbofan Honeywell TFE731-40-2N, cabine digital para dois tripulantes, velocidade máxima operacional de Mach 0,8 (aproximadamente 980 km/h), teto de serviço de 12.900 metros e peso máximo de decolagem de 5 toneladas. Com capacidade secundária de ataque leve, o modelo é utilizado na formação de pilotos e em exercícios de combate aéreo simulado com os caças F-16 argentinos. Foto: Força Aérea Argentina

O IA-63 Pampa III, produzido pela FAdeA, é um treinador avançado capaz de realizar ataques leves. O avião tem dois assentos em tandem, motor turbofan Honeywell TFE731-40-2N e cockpit digital. Seu sistema de instrução permite simular situações com radar e outras informações táticas, além de trocar dados entre aeronaves.

A fabricante indica velocidade operacional máxima de Mach 0,8, teto de serviço de aproximadamente 12.900 metros e peso máximo de decolagem de 5 toneladas. Em condições específicas, o Pampa pode transportar equipamentos para treinamento e armamentos leves. Mesmo com limitações diante de um caça supersônico, ele é útil para reproduzir situações de combate aéreo.


O Pampa funciona como um adversário de treinamento porque os pilotos de F-16 precisam avaliar movimentos diferentes, posicionamento e aproximação em condições controladas. O combate simulado não equivale a uma missão de guerra, e o desempenho de cada aeronave depende do cenário, da configuração e dos procedimentos do exercício.

Com 12 F-16 recebidos, Argentina amplia preparação das tripulações

Os primeiros voos de F-16 no país ocorreram em março de 2026, inicialmente com aeronaves de dois lugares e participação de instrutores. A incorporação do novo sistema de armas depende não apenas dos pilotos, mas também de combustível, manutenção, infraestrutura, apoio em solo e disponibilidade de aeronaves para treinamento.

A movimentação em Córdoba interessa ao Brasil porque envolve a modernização da aviação militar de um país vizinho. Os exercícios foram conduzidos por militares argentinos, sem participação da FAB. As próximas atividades deverão ampliar a experiência das tripulações no uso dos caças que chegaram da Dinamarca.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Confira a presença da Airbus em momentos icônicos do Brasi

 


Desde a entrega de sua primeira aeronave comercial ao país, na década de 1980, a Airbus segue construindo sua parceria com o Brasil. Confira uma retrospectiva de alguns dos marcos que celebram os mais de 45 anos de história da empresa no país.

Foto: Pedro Aragão/Creative Commons/Reprodução

Considerado uma revolução para a realização de voos de longa distância, o Airbus A300 foi a primeira aeronave widebody bimotor a estrear no mercado de aviação comercial, em 1974. No Brasil, a aeronave fez parte da frota da companhia aérea Varig, de 1981 a 1990.

Foto: LATAM Airlines/Divulgação

Em 1998, os primeiros Airbus A330 foram entregues à TAM. Na ocasião, a empresa realizou seu primeiro voo internacional de São Paulo para Miami. Em 1999, a companhia aérea lançou sua primeira rota para a Europa, especificamente para a cidade de Paris, e em 2004 aumentou sua frequência diária de voos para os Estados Unidos e para o continente europeu para 24 voos semanais.

Foto: LATAM Airlines/Arquivo/Reprodução

No Brasil, a primeira companhia aérea a operar o Airbus A320 foi a TAM, na década de 2000. A família A320 trouxe novos recursos para o mercado doméstico brasileiro, a exemplo de telas suspensas em cada terceiro assento. A chegada da aeronave ajudou a TAM a aumentar suas rotas domésticas e internacionais.

Foto: Pedro Aragão/Creative Commons/Reprodução

A companhia aérea Vasp, de São Paulo, adquiriu modelos Airbus A300 na década de 1980. Na época, havia três unidades do modelo A300B4, além de nove unidades do modelo A310. A empresa brasileira incorporou essas aeronaves à sua frota para voos de longa distância e rotas internacionais e as operou até 2005, quando encerrou oficialmente suas atividades no país.

Foto: LATAM Airlines/Acervo/Divulgação

A TAM, atualmente LATAM Airlines Brasil, foi também a primeira companhia aérea a operar o A321ceo em 2007. Em 2023, a companhia aérea recebeu seu primeiro A321neo para ser operado no país.

Foto: Luca Zennaro/AP/Reprodução

Em 2013, o Papa Francisco realizou seu primeiro voo internacional de Roma, na Itália, para o Brasil a bordo de um Airbus A330 operado pela Alitalia. O Papa disse que escolheu essa aeronave porque queria voar no mesmo avião que a Alitalia normalmente operava entre as duas cidades para serviço comercial na época. O voo AZ 4000 durou 12 horas e incluiu jornalistas que estavam cobrindo a viagem.

Foto: Azul Linhas Aéreas/Divulgação

Em 2014, a Azul Linhas Aéreas recebeu um novo A330 para iniciar seus voos internacionais. A primeira rota começou em 1º de dezembro entre as cidades de Viracopos e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Posteriormente, a companhia aérea expandiu seus destinos para incluir voos diretos para Portugal e, dentro da América do Sul, para destinos como Punta Del Este, Montevidéu e Caiena.

Foto: Lucas Lima/UOL/Reprodução

Em 2015, o A380 aterrissou no Brasil pela primeira vez com a companhia aérea Emirates. A maior aeronave de passageiros do mundo voou de Dubai (Emirados Árabes Unidos) para São Paulo, para comemorar os oito anos do lançamento dos primeiros voos diretos da companhia aérea entre o Oriente Médio e a América do Sul.

Foto: Azul Linhas Aéreas/Reprodução

O time de futebol do Flamengo, campeão da Copa Libertadores da América de 2022, embarcou em um Airbus A330 operado pela Azul Linhas Aéreas com destino ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. A aeronave também transportou o time para Guayaquil, no Equador, para outras partidas de futebol.

Em julho de 2022, o Airbus BelugaST aterrissou no Brasil pela primeira vez e trouxe consigo um helicóptero ACH160. O icônico “avião baleia” leva esse nome devido ao formato de sua fuselagem, que se assemelha a uma baleia beluga.

Fiat G.91: o caça leve da OTAN que só conheceu a guerra na África portuguesa

 

Fiat G91 FAP

Imagem icônica restaurada de aviões Fiat G.91 R/4 da Esquadra 121 em preparação para uma missão de combate na Guiné (1968). A Esquadra 121 foi constituída naquele território, no início de 1966, para operar os primeiros Fiat G.91 a serem colocados em operação na África — Foto: Mário Santos, via @avioesFAP_hist no X

Vencedor da primeira concorrência para um avião de combate padronizado da Aliança Atlântica, o “Gina” italiano nunca disparou um tiro na Europa. Foi nas selvas da Guiné e nos planaltos de Moçambique, pintado com as cores da Força Aérea Portuguesa, que ele viveu sua história de combate

Em março de 1973, os pilotos da Esquadra 121 “Tigres”, baseada em Bissalanca, na Guiné Portuguesa, descobriram que a guerra havia mudado. Em quatro dias, dois de seus Fiat G.91 caíram atingidos por mísseis que nenhum deles ainda tinha visto: o soviético 9K32 Strela-2, conhecido na OTAN como SA-7 Grail, disparado do ombro por guerrilheiros do PAIGC. Um dos pilotos ejetou e foi resgatado; o outro, o comandante do grupo, morreu. Pela primeira vez em sete anos de operações, o pequeno caça-bombardeiro italiano deixava de ser o senhor incontestável dos céus da Guiné.

O episódio resume o paradoxo do G.91. Concebido para um conflito convencional no centro da Europa, contra as colunas blindadas do Pacto de Varsóvia, o avião passou a vida operacional italiana e alemã em treinos e exercícios. As únicas missões de combate da sua história foram voadas por portugueses, em três teatros africanos, numa guerra que a própria OTAN preferia não ver.

Um caça para pistas destruídas

A origem do G.91 está na NATO Basic Military Requirement 1 (NBMR-1), especificação lançada pela Aliança em 1953–54. A premissa era sombria: num conflito com a União Soviética, as grandes bases aéreas europeias seriam crateradas nas primeiras horas. A OTAN queria um caça de ataque leve, barato o bastante para ser comprado em grande quantidade, capaz de operar a partir de pistas de grama, estradas e campos improvisados, e de permanecer alguns minutos sobre um campo de batalha a até cerca de 280 km da base.

Doze projetos responderam ao pedido. Três chegaram à fase de protótipos, financiados em parte pelos Estados Unidos: o Breguet 1001 Taon, o Dassault Étendard VI e o italiano Fiat G.91, desenhado pelo engenheiro Giuseppe Gabrielli — daí o “G” da designação.

O protótipo voou pela primeira vez em 9 de agosto de 1956, nas mãos do piloto de provas Riccardo Bignamini. Visualmente, lembrava uma versão reduzida do F-86 Sabre, que a Fiat produzia sob licença: asa enflechada, entrada de ar no nariz e um único turbojato Bristol Orpheus, de cerca de 22 kN de empuxo.

O programa quase terminou cedo. Em 20 de fevereiro de 1957, o primeiro protótipo foi perdido por vibração aeroelástica. O segundo foi reconstruído com deriva maior, canopi mais alto e uma aleta ventral, e o desenvolvimento seguiu. Nas avaliações comparativas em Brétigny-sur-Orge, na França, o avião italiano saiu-se melhor, e em janeiro de 1958 o G.91 foi declarado oficialmente vencedor da NBMR-1. A Itália, confiante, já havia encomendado o avião antes do resultado.

O padrão que não pegou

A vitória técnica não se converteu em sucesso político. A França, irritada com a derrota de seus projetos, preferiu desenvolver o Étendard para a Marinha e seguir com a Dassault; o Reino Unido concentrou-se no Hawker Hunter. O sonho de um caça comum para toda a Aliança acabou restrito, na prática, a três operadores: Itália, Alemanha Ocidental e Portugal.

Foi a Alemanha quem fez a maior encomenda. Além de 50 aviões fornecidos pela Fiat, a Luftwaffe recebeu 294 G.91R/3 produzidos sob licença pelo consórcio Flugzeug-Union Süd, formado por Dornier, Messerschmitt e Heinkel — os primeiros aviões de combate fabricados em solo alemão desde a Segunda Guerra Mundial. A versão alemã trocava as quatro metralhadoras Browning de 12,7 mm do modelo italiano por dois canhões DEFA de 30 mm.

Na Itália, o G.91 entrou em serviço operacional em 1961 e ficou em atividade até 1995. Uma versão especial desarmada, o G.91 PAN, equipou a esquadrilha acrobática Frecce Tricolori entre 1963 e 1982. Considerando todas as versões, incluindo o biposto de treinamento G.91T e o bimotor G.91Y, foram produzidos 756 exemplares até 1977.

Um avião para uma guerra que não podia usar aviões americanos

Fiat G.91 R3 da Luftwaffe, em 1967

O caminho do G.91 até Portugal passou pelo isolamento diplomático de Lisboa. Desde 1961, o país travava guerras contra movimentos de independência em Angola, na Guiné e em Moçambique. Em agosto daquele ano, a Força Aérea Portuguesa (FAP) enviou oito F-86F Sabre para Bissalanca, que voaram centenas de missões até que objeções americanas ao emprego de jatos fornecidos pela OTAN na África forçaram sua retirada, em outubro de 1964. Com o embargo de armas da ONU e a pressão de Washington, Portugal ficou sem meios para substituir os Sabres.

A solução veio de Bonn. Em 1965, Portugal tentou comprar da Alemanha cerca de 100 Sabre Mk 6 excedentes de fabricação canadense. Recebeu outra proposta: 40 Fiat G.91R/4. Esses aviões haviam sido construídos com recursos de ajuda militar americana para a Grécia e a Turquia, que nunca os receberam, e serviam à Luftwaffe apenas como aeronaves de treinamento.

Em contrapartida, a Alemanha obteve autorização para construir e usar uma base aérea em Beja, no Alentejo, para treinar seus pilotos. O contrato foi assinado em 8 de outubro de 1965. Os primeiros oito pilotos portugueses começaram a instrução em Leipheim, na Baviera, em novembro, e o primeiro avião chegou às oficinas da OGMA, em Alverca, em dezembro.

A versão R/4, armada com quatro metralhadoras de 12,7 mm e pontos para foguetes, bombas e napalm, mostrou-se adequada às necessidades da guerra de contrainsurreição: era robusta, simples, operava de pistas curtas e tinha câmeras no nariz para reconhecimento fotográfico. As diferenças em relação aos demais G.91 alemães, porém, causariam problemas de manutenção ao longo dos anos.

Guiné: os “Tigres” de Bissalanca

A Guiné foi o teatro mais exigente. Pequeno, coberto de mangue, rios e floresta densa, e encravado entre o Senegal e a Guiné-Conakry — que davam santuário ao PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) —, o território concentrava a guerrilha mais bem organizada e mais bem armada do império português.

Em abril de 1966, a Esquadra 121 “Tigres”, comandada pelo tenente Egídio Lopes, começou a operar o G.91 na Base Aérea nº 12, em Bissalanca. Os primeiros meses foram difíceis: falhas recorrentes nos equipamentos externos de partida do motor atrasaram a prontidão, só considerada aceitável no fim de 1966. Os aviões receberam camuflagem africana e uma boca de tubarão pintada na entrada de ar.

A partir de 1967, os Tigres voaram apoio aéreo aproximado às tropas terrestres, interdição e reconhecimento em regiões como Cantanhez e Quitafine, onde o PAIGC, com apoio de assessores cubanos, já dispunha de metralhadoras antiaéreas de 12,7 mm e canhões de 37 mm. Uma tentativa de integrar mísseis ar-ar Sidewinder ao G.91, em 1968, não trouxe resultados expressivos. Entre 1966 e o início de 1973, segundo as fontes disponíveis, apenas dois G.91 foram perdidos na Guiné.

A crise dos Strela

Formação de Fiat G 91 R/4 da Esquadra 502 “Jaguares” na escola do aeródromo de Nacala (AB5), em Moçambique. A Esquadra 502 foi a segunda unidade a ser incluída para operar os Fiat G.91 nos territórios ultramarinos — Foto: Acácio Jorge, via @avioesFAP_hist

Tudo mudou em março de 1973. Em 25 de março, o G.91R/4 de matrícula 5413, pilotado pelo tenente Miguel Pessoa, foi atingido por um Strela. Pessoa ejetou, fraturou uma perna e foi resgatado no dia seguinte. Três dias depois, em 28 de março, o tenente-coronel Almeida Brito, comandante do grupo operacional, morreu quando seu G.91 (5419) foi destruído no ar perto de Madina do Boé, enquanto voava com outros dois jatos. Em abril, durante a evacuação de Guidage, a FAP perdeu ainda dois Dornier Do 27 e um T-6 para os mísseis.

O impacto foi mais psicológico e operacional do que numérico. A superioridade aérea, que até então permitia apoiar guarnições isoladas e evacuar feridos com relativa segurança, passou a ser contestada. A FAP reagiu com mudanças táticas: as missões passaram a ser voadas em altitude muito baixa ou acima de cerca de 9.000 pés, fora do alcance eficaz do míssil, com manobras evasivas de 4 G após o ataque. Os aviões foram repintados em verde-oliva escuro, com insígnias menores, para reduzir a assinatura visual e infravermelha. Mais dois G.91 foram perdidos para fogo antiaéreo convencional ao longo de 1973, e outro para um míssil em 31 de janeiro de 1974.

O balanço da Guiné varia conforme a fonte: uma contabilidade fala em mais de 10.000 horas de voo de combate, com seis aeronaves perdidas e muitas danificadas; a soma das perdas listadas caso a caso chega a sete. A divergência deve-se provavelmente a critérios diferentes — perdas em combate versus perdas operacionais — e não foi possível conciliá-la com documentação primária.

Moçambique: “Jaguares” e “Escorpiões”

Pouso de emergência de um Fiat G 91 da Força Aérea Portuguesa, na pista de Mueda, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, em 10 de junho de 1970

Em Moçambique, a guerra contra a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) concentrava-se no norte, nas províncias de Niassa e Cabo Delgado, especialmente no Planalto dos Macondes, e mais tarde em Tete. Dezesseis G.91 foram destinados ao território. O primeiro chegou de navio à Beira no fim de 1968, e em novembro daquele ano nasceu a Esquadra 502 “Jaguares”, baseada no Aeródromo Base nº 5, em Nacala, sob o comando inicial do capitão Fernando Fernandes. Com a expansão da guerrilha, foi criada a Esquadra 702 “Escorpiões”, que começou a operar na Base Aérea nº 7, em Tete-Chingozi, em janeiro de 1971, com o capitão Azambuja da Fonseca, dedicada a missões de contraguerrilha, interdição e ataque independente.

Um Fiat G.91 R/4 da Esquadra 502 pousando em um campo de pouso auxiliar em Mueda (Moçambique), no início da década de 1970. A Força Aérea Portuguesa utilizou o FIAT G 91 em operações de combate de 1966 a 1975 — Foto Joaquim Ferreira, via @avioesFAP_hist

Os G.91 mantinham destacamentos permanentes em Porto Amélia, Mueda e Nampula, e temporários em Nova Freixo, Vila Cabral e Beira. Ao contrário da Guiné, Moçambique não registrou perdas para mísseis: o primeiro disparo de Strela contra dois G.91 de que se tem registro, em 10 de abril de 1974, falhou. O único G.91 destruído em combate no território foi o 5429, do tenente Emílio Lourenço, perdido em 15 de março de 1973 pela detonação prematura das próprias bombas.

Angola: a última missão

A presença do G.91 em Angola foi tardia e breve. Depois da Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974, e com a retirada de Moçambique, os aviões foram concentrados na Base Aérea nº 9, em Luanda, onde passaram a integrar a Esquadra 93 “Magníficos”. De novembro de 1974 em diante, voaram sobretudo reconhecimento dos movimentos rivais de libertação e sobrevoos dissuasórios para proteger as linhas de comunicação, a partir de destacamentos em Negage, Cabinda, Nova Lisboa e Benguela. A única ação de fogo registrada ocorreu em novembro de 1974, contra um posto fronteiriço ocupado pela FLEC no enclave de Cabinda.

As datas da retirada divergem entre as fontes, que apontam desde janeiro até outubro de 1975. Alguns aviões que não puderam ser evacuados acabaram nas mãos do novo Estado angolano.

De volta à Europa e o adeus

Base Aérea de Monte Real em outubro de 1973. A BA5 nesta época, servia como local de treino e adaptação dos pilotos destinados às esquadras de combate do Ultramar. São vários os modelos de aeronaves visíveis: T-33A, F-86F, FIAT G 91 R/4, Alouette III, Beechcraft D-18S — Foto via @avioesFAP_hist

Em agosto de 1974, os G.91R/4 e os treinadores G.91T/3 da Guiné e da Esquadra 51 “Falcões”, de Monte Real, foram reunidos na Base Aérea nº 6, no Montijo, formando a Esquadra 62, depois reforçada pelas unidades vindas de Moçambique. Em 1978, a unidade recebeu a designação de Esquadra 301 “Jaguares”, que mantém até hoje.

Livre das guerras africanas e reintegrado à OTAN, Portugal ampliou a frota com aviões excedentes da Luftwaffe: a partir de 1976, comprou G.91R/3 e T/3, e com a retirada do tipo na Alemanha, entre 1980 e 1982, chegou a receber 70 R/3 e 26 T/3 — nem todos entraram em serviço, e muitos serviram apenas como fonte de peças. Os novos aviões permitiram criar um destacamento na Base Aérea nº 4, nas Lajes, nos Açores, que se tornaria a Esquadra 303 “Tigres”. Com os G.91, a Esquadra 301 conquistou duas vezes o troféu Silver Tiger do NATO Tiger Meet, em 1980 e 1985.

O último voo oficial de um G.91 português ocorreu em 27 de junho de 1993. A Esquadra 301 mudou-se então para Beja — a mesma base construída pelos alemães como contrapartida da venda de 1965 — e passou a voar o Alpha Jet.

Legado

O G.91 foi, em muitos sentidos, um avião modesto: subsônico, de pequeno alcance, com carga limitada e sem capacidade para voo noturno ou com mau tempo. Mas foi justamente essa simplicidade que o tornou valioso para uma força aérea pequena, isolada diplomaticamente e obrigada a lutar em três frentes a milhares de quilômetros da metrópole. Durante quase nove anos de operações em clima tropical, com logística precária, o “Gina” foi o principal jato de combate português.

A história do G.91 em Portugal antecipa um padrão que se tornaria comum nas décadas seguintes — o de aviões leves e baratos, concebidos para guerras convencionais, que encontram seu verdadeiro emprego em conflitos assimétricos; e mostra também como a chegada de mísseis portáteis de baixo custo pode, de uma hora para outra, anular a vantagem aérea de uma força regular.■

Poder Aéreo · Ficha técnica
Fiat G.91 “Gina”: principais características
CaracterísticaG.91R/4 (FAP, 1966–1993)G.91R/3 (Luftwaffe e FAP)
FunçãoCaça-bombardeiro leve de ataque ao solo e reconhecimento tático
FabricanteFiat Aviazione (Itália)Fiat e Flugzeug-Union Süd (Dornier, Messerschmitt e Heinkel), sob licença na Alemanha
ProjetistaGiuseppe Gabrielli
Primeiro voo9 de agosto de 1956 (protótipo)
Tripulação1 piloto (2 no treinador G.91T)
Comprimento10,30 m
Envergadura8,56 m
Altura4,00 m
Peso vazioCerca de 3.100 kg
Peso máximo de decolagemCerca de 5.500 kg
Motor1 turbojato Bristol Siddeley Orpheus 803, com cerca de 22 kN (5.000 lbf) de empuxo
Velocidade máximaCerca de 1.075 km/h (Mach 0,87)
Teto de serviçoCerca de 13.000 m
Razão de subidaCerca de 1.800 m/min
Raio de combateDe 320 a 640 km, conforme o perfil e a carga
Armamento fixo4 metralhadoras Browning de 12,7 mm2 canhões DEFA 552 de 30 mm
Carga externaBombas, napalm, casulos de foguetes e tanques auxiliares em pontos sob as asas
ReconhecimentoCâmeras fotográficas no nariz
PistasProjetado para operar de pistas de grama, campos dispersos e pistas danificadas
Produção total756 exemplares de todas as versões, de 1956 a 1977
Recebidos por Portugal40, ex-Luftwaffe, em 196670 R/3 e 26 treinadores T/3, de 1976 em diante; nem todos entraram em serviço
Esquadras da FAP121 “Tigres” (Guiné) · 502 “Jaguares” e 702 “Escorpiões” (Moçambique) · 93 “Magníficos” (Angola)62, depois 301 “Jaguares” (Montijo) · 303 “Tigres” (Lajes, Açores)
Emprego em combateGuiné, Moçambique e Angola (1966–1975), as únicas ações de combate do tipoNenhum
Valores de desempenho aproximados, que variam conforme a versão e a fonte. O último voo oficial de um G.91 português ocorreu em 27/06/1993.
Fontes: Força Aérea Portuguesa, Difesa Online, Wikipedia, MiGFlug. Arte: Poder Aéreo.