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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Brasil e Suécia reforçam parceria estratégica e ampliam expectativas por um segundo lote de caças Gripen

 

Novo plano de ação assinado pelos dois países fortalece a cooperação em defesa, indústria e inovação, consolidando o programa F-X2 como um dos principais pilares da parceria bilateral.


O fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Suécia ganhou um novo capítulo nesta semana com a visita oficial da ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, a Brasília. Entre os atos assinados pelos dois governos está o Plano de Ação Brasil-Suécia para o período de 2026 a 2029, documento que amplia a cooperação em áreas como defesa, inovação, ciência, tecnologia e indústria, reforçando a base política que sustenta o programa F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB).

Embora o novo acordo não anuncie a compra de novos caças Gripen, ele reafirma o compromisso dos dois países em aprofundar a cooperação estratégica e fortalecer projetos conjuntos no setor aeroespacial e na Base Industrial de Defesa. O movimento é visto como mais um passo na consolidação de uma parceria que, nos últimos anos, evoluiu de uma relação comercial para uma colaboração tecnológica de longo prazo.

O programa F-X2 é considerado um dos maiores projetos de transferência de tecnologia da história da indústria aeronáutica brasileira. Firmado em 2014, o contrato prevê a aquisição de 36 caças F-39E/F Gripen, acompanhada por um amplo programa de capacitação de profissionais brasileiros e transferência de conhecimento para empresas nacionais.

Graças ao acordo, centenas de engenheiros brasileiros receberam treinamento na Suécia e passaram a participar do desenvolvimento da aeronave. Empresas como Embraer, Akaer e AEL Sistemas integram hoje a cadeia global de produção do Gripen, enquanto a unidade da Embraer em Gavião Peixoto tornou-se responsável por parte da fabricação, integração e testes dos caças destinados à FAB.

O amadurecimento dessa cooperação ficou evidente ao longo de 2026. Em março, foi apresentado o primeiro Gripen produzido integralmente no Brasil. Já em junho, a Saab revelou, em Linköping, o primeiro F-39F biposto, versão desenvolvida especificamente para atender aos requisitos operacionais da Força Aérea Brasileira e que também poderá abrir oportunidades no mercado internacional.

Outro projeto que reforça essa integração é a criação de um Centro de Inovação dedicado ao desenvolvimento de novas tecnologias para o Gripen e futuros sistemas de defesa. A iniciativa deverá concentrar pesquisas em áreas como sensores, sistemas de missão, inteligência artificial, manutenção preditiva e modernizações da aeronave, ampliando a participação da indústria brasileira em projetos de alta tecnologia.

Ao mesmo tempo, a parceria entre os dois países passou a beneficiar ambos os lados. Enquanto o Brasil absorve conhecimento e capacidade industrial por meio do Gripen, a Suécia tornou-se cliente da Embraer ao selecionar o C-390 Millennium para modernizar sua aviação de transporte militar, fortalecendo ainda mais os laços entre as indústrias aeronáuticas dos dois países.

Nos últimos meses, autoridades brasileiras e suecas também sinalizaram interesse em ampliar o programa Gripen. As discussões envolvem a possível aquisição de um segundo lote de aproximadamente 20 aeronaves, iniciativa considerada essencial para substituir os últimos caças F-5EM e A-1M em operação na FAB, além de garantir a continuidade da produção nacional e preservar os investimentos realizados na transferência de tecnologia.

Embora ainda não exista uma decisão oficial sobre essa nova encomenda, o fortalecimento das relações diplomáticas e industriais promovido pelo novo Plano de Ação Brasil-Suécia aumenta as expectativas de que futuras negociações avancem nos próximos anos. Para a FAB, a continuidade do programa representa não apenas a expansão da capacidade operacional, mas também a consolidação do Brasil como um dos principais polos de desenvolvimento, produção e suporte do Gripen no mundo.

Relatório da FAB revela avanços, atrasos e pressão orçamentária nos principais projetos estratégicos

 F-39E Gripen

Documento da COPAC detalha a situação dos programas Gripen, KC-390, H-225M, E-99M, LINK-BR2, Lessonia-1 e de renovação da frota de treinamento ao final de 2025

O Relatório de Gestão 2025 da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) apresenta um amplo retrato dos principais projetos de desenvolvimento, aquisição e modernização conduzidos pela Força Aérea Brasileira. O documento mostra que 2025 foi marcado pela entrega de novas aeronaves, conclusão de programas importantes e avanço de capacidades estratégicas, mas também por restrições orçamentárias, reprogramações contratuais, atrasos técnicos e prorrogações que empurraram alguns projetos para a próxima década.

Entre os principais resultados estão o recebimento de dois novos caças F-39 Gripen, da oitava aeronave de série KC-390, de quatro helicópteros H-125 e do último H-225M destinado à Marinha do Brasil. A FAB também concluiu a modernização das cinco aeronaves E-99M, avançou na certificação do LINK-BR2 e assumiu o controle dos novos satélites radar do Projeto Lessonia-1.

O relatório abrange dez projetos: AM-X, H-XBR, KC-X, KC-390, LINK-BR2, E-99M, CL-X2, F-X2, Lessonia-1 e TH-X. Juntos, eles sustentam as três grandes ações atribuídas à Força Aérea: defender o espaço aéreo, controlar as operações aeroespaciais e integrar o território nacional.

Orçamento instável obrigou a renegociação de contratos

Apesar dos avanços registrados, a COPAC identifica a instabilidade orçamentária como um dos principais obstáculos à execução dos programas. Segundo o relatório, os recursos inicialmente previstos na Lei Orçamentária Anual de 2025 ficaram abaixo do necessário para o pagamento de todas as etapas contratuais.

A liberação parcelada dos limites de empenho e pagamento também impediu que os recursos fossem comprometidos no início do exercício. Somados aos cortes realizados ao longo do ano, esses fatores obrigaram a FAB a renegociar cronogramas e adequar contratos à disponibilidade financeira.

A situação melhorou apenas no final de 2025, após a aprovação da Lei Complementar nº 221, que, segundo o documento, estabeleceu tratamento diferenciado para projetos estratégicos de Defesa. A medida permitiu que despesas relacionadas aos projetos KC-390, F-X2, H-XBR e TH-X fossem executadas fora dos limites fiscais e orçamentários ordinários.

A liberação dos recursos ocorreu na segunda quinzena de dezembro e permitiu o pagamento de etapas que estavam pendentes. Ainda assim, a concentração dos recursos no final do exercício evidencia um problema recorrente: programas militares de longa duração dependem de previsibilidade financeira, enquanto o orçamento brasileiro continua sujeito a bloqueios e liberações tardias.

Gripen chega a dez aeronaves, mas programa seguirá até 2033

O Projeto F-X2 prevê a aquisição de 36 caças Gripen — 28 monopostos Gripen E e oito bipostos Gripen F — além de armamentos, simuladores, suporte logístico e transferência de tecnologia.

Em 2025, a FAB recebeu duas aeronaves, uma em outubro e outra em dezembro. Com isso, o número de caças F-39 concentrados na Base Aérea de Anápolis chegou a dez.

Outros quatro aviões encontravam-se em montagem na linha de produção da Embraer, em Gavião Peixoto. O programa atingiu 55,98% de avanço físico ao final de 2025. Das 76 etapas contratuais programadas para o exercício, 69 foram recebidas, correspondendo a 90,79% da meta anual.

A previsão inicial era concluir o programa em dezembro de 2025. Após sucessivos ajustes, o prazo do contrato principal foi prorrogado para 24 de junho de 2033. O valor contratual atualizado é de aproximadamente 40,06 bilhões de coroas suecas, além dos contratos de armamentos e suporte firmados em dólares e libras esterlinas.

Outro marco destacado foi a campanha de qualificação do Gripen para reabastecimento em voo. Os ensaios realizados em 2025 permitiram certificar a combinação entre o F-39 e o KC-390, ampliando o alcance e a permanência dos caças brasileiros em missões de defesa aérea.

A transferência tecnológica permanece como uma das dimensões centrais do programa. O acordo de compensação industrial com a Saab envolve 63 projetos e possui obrigação atualizada de aproximadamente US$ 8,29 bilhões. Ao final de 2025, cerca de 71% dos créditos de compensação haviam sido reconhecidos.

FAB recebeu o oitavo KC-390 de série

O programa de aquisição do KC-390 também registrou um avanço importante com a entrega da aeronave FAB 2860, a oitava unidade de série recebida pela Força Aérea. O avião foi o terceiro entregue na configuração de Capacidade Operacional Plena, ou Full Operational Capability.

O KC-390 pode realizar transporte de tropas e cargas, reabastecimento em voo, busca e salvamento, evacuação aeromédica, lançamento de paraquedistas, operações humanitárias e combate a incêndios florestais.

A frota prevista para a FAB é de 19 aeronaves. Dezoito serão entregues pelo contrato de produção e uma será incorporada por meio do contrato de desenvolvimento. Essa reorganização, segundo a COPAC, permitirá reduzir o custo do contrato de aquisição sem alterar o número final de aviões.

O projeto alcançou 53,81% de avanço físico ao término de 2025. O cronograma de entregas foi replanejado para adequar-se à disponibilidade orçamentária e à capacidade de produção da Embraer e de seus fornecedores. As aeronaves deverão ser entregues até 2034, enquanto a vigência contratual se estende até 2035.

A COPAC também acompanha a compra de um segundo sistema modular MAFFS II, empregado no combate aéreo a incêndios. O equipamento foi contratado por aproximadamente US$ 9,75 milhões e tem entrega prevista para janeiro de 2027.

Com duas unidades do MAFFS II, a FAB poderá empregar simultaneamente aeronaves KC-390 em diferentes regiões do país, ampliando a capacidade de resposta durante grandes queimadas e emergências ambientais.

Desenvolvimento do KC-390 aproxima-se da conclusão

O documento separa o Projeto KC-X, responsável pelo desenvolvimento da aeronave, do Projeto KC-390, que trata da aquisição dos aviões de série.

O KC-X atingiu 99,31% de avanço físico. Entretanto, pendências de certificação, avaliação operacional e entrega dos protótipos impediram o encerramento do programa.

Em agosto de 2025, a FAB e a Embraer assinaram o 11º Termo Aditivo, estabelecendo as condições para a entrega das duas aeronaves de desenvolvimento. Uma delas será substituída por uma aeronave com célula e sistemas produzidos na configuração final de série, preservando apenas motores e determinados equipamentos dos protótipos existentes.

Segundo o relatório, a nova solução permitirá incorporar à frota uma aeronave com cerca de 70% de elementos novos, trazendo vantagens operacionais, logísticas e econômicas. A entrega dos protótipos deverá ocorrer até dezembro de 2028, enquanto a vigência contratual foi prorrogada até junho de 2029.

Durante 2025, o programa avançou em campanhas de certificação do reabastecimento em voo entre o KC-390 e o Gripen e na avaliação do sistema de autoproteção da aeronave.

Programa H-XBR chega a 45 helicópteros entregues

H225M da FAB

O Projeto H-XBR prevê a aquisição de 47 helicópteros H-225M para a Marinha, o Exército e a Força Aérea. O contrato originalmente contemplava 50 aeronaves, mas teve seu escopo reduzido.

Em 2025, foi entregue o último helicóptero destinado à Marinha do Brasil. Com isso, 45 unidades haviam sido recebidas pelas três Forças.

Restavam duas aeronaves: uma para o Exército Brasileiro e outra para a Força Aérea Brasileira. O projeto encerrou o ano com avanço físico de 97,19% e financeiro de 97,69%.

O prazo inicialmente previsto para conclusão era junho de 2017. Após sucessivas alterações, a vigência contratual foi prorrogada até maio de 2027.

Além da aquisição das aeronaves, o programa busca desenvolver a indústria brasileira de asas rotativas. A meta é alcançar um índice de nacionalização de 50%, fortalecendo a Helibras e capacitando empresas nacionais a produzir componentes, realizar manutenção e participar da cadeia logística.

LINK-BR2 atinge 96,6%, mas acumula etapas incompletas

O LINK-BR2 foi concebido para permitir a troca automática e segura de dados, voz, imagens e informações táticas entre aeronaves, estações de solo e centros de comando.

O sistema deverá reduzir a dependência das comunicações por voz e aumentar a consciência situacional dos pilotos e comandantes. Futuramente, deverá integrar plataformas como o F-5M, o Gripen e o KC-390, além de ampliar a interoperabilidade com a Marinha e o Exército.

O projeto deveria ter sido concluído em 2016, mas seu prazo foi prorrogado até dezembro de 2026. A COPAC informa que a contratada não conseguiu cumprir parte dos prazos previstos, e as justificativas para os atrasos serão avaliadas em processos administrativos de apuração de irregularidades.

Das 30 etapas que deveriam ser apresentadas em 2025, incluindo pendências de anos anteriores, 11 foram entregues integralmente, 14 parcialmente e cinco ficaram para 2026.

Mesmo com essas pendências, o avanço físico chegou a 96,6%. A primeira fase da campanha de certificação também foi concluída, com avaliações do rádio MARC e da integração do sistema à aeronave F-5M.

Durante a Operação Atlas, o LINK-BR2 foi empregado remotamente para demonstrar sua capacidade de ampliar a interoperabilidade e a consciência situacional em operações conjuntas.

Modernização do E-99M é concluída

E-99M

O Projeto E-99M encerrou 2025 com execução física e financeira de 100%. As cinco aeronaves previstas foram entregues na configuração operacional final.

Baseado no Embraer EMB-145, o E-99M recebeu novos sensores, sistemas de comunicação, enlaces digitais e equipamentos de missão. As aeronaves são empregadas no monitoramento do espaço aéreo, na detecção de alvos voando a baixa altitude e no apoio a operações contra o tráfico de drogas, armas e outros crimes transnacionais.

O pagamento da última etapa ocorreu em junho de 2025, e o Termo de Recebimento Definitivo do Objeto foi assinado em setembro.

Embora os contratos principais estejam concluídos, ainda há atividades relacionadas aos acordos de compensação industrial. Um dos acordos, firmado com a AEL Sistemas, encontrava-se com 75% de execução ao final do exercício.

Aeronaves SC-105 aguardam solução para inconsistências nos sensores

SC-105

O Projeto CL-X2 contemplou a aquisição de três aeronaves Airbus C295, designadas SC-105 Amazonas na FAB, configuradas para missões de busca e salvamento.

A execução física e financeira do contrato está concluída, mas o encerramento do projeto foi adiado devido a inconsistências identificadas em determinados sensores embarcados.

Em maio de 2025, a FAB assinou um novo termo aditivo, prorrogando o contrato até agosto de 2026. O período adicional será utilizado para coleta de dados operacionais e definição das ações corretivas a serem adotadas pela Airbus.

Apesar das pendências, os SC-105 realizaram 14 missões de busca e salvamento durante 2025, acumulando aproximadamente 301 horas de voo.

Satélites Lessonia-1 entram em operação

O Projeto Lessonia-1 implantou um sistema de sensoriamento remoto formado por dois satélites radar e uma infraestrutura terrestre de comando, controle e processamento de imagens.

Os primeiros satélites, Carcará-1 e Carcará-2, foram lançados em maio de 2022, mas apresentaram problemas no sistema de propulsão durante o comissionamento. A FAB rejeitou formalmente as unidades e acordou com a fabricante finlandesa ICEYE o fornecimento de dois novos satélites.

As novas plataformas, tecnologicamente mais avançadas, foram lançadas em agosto de 2024 e comissionadas em 2025. Em março, passaram a ser controladas pelo Centro de Operações Espaciais da FAB.

As imagens radar podem ser obtidas de dia ou à noite e mesmo através de nuvens. O sistema tem sido empregado no combate ao garimpo ilegal e ao tráfico de drogas, no monitoramento de fronteiras, queimadas e desastres naturais, na atualização de mapas, na avaliação da navegabilidade dos rios, na vigilância da Zona Econômica Exclusiva e em missões de busca e salvamento.

O projeto encerrou 2025 com avanço físico de 92,31% e financeiro de 95,59%. A conclusão, inicialmente prevista para dezembro de 2025, foi prorrogada para janeiro de 2028 devido aos atrasos no comissionamento e nas etapas de operação e manutenção.

TH-X avança com quatro helicópteros entregues

O Projeto TH-X prevê a aquisição de 27 helicópteros leves H-125: 15 para a Marinha do Brasil e 12 para a Força Aérea Brasileira.

As aeronaves substituirão os antigos Bell 206 Jet Ranger da Marinha e os H-50 Esquilo utilizados pela FAB na formação de pilotos de asas rotativas.

Em 2025, foram recebidos quatro helicópteros, além de itens da Lista de Aprovisionamento Inicial e da etapa de catalogação. Doze pilotos da FAB também concluíram o treinamento para operação do novo modelo.

O avanço físico passou de 8,1% ao final de 2024 para 29% em 2025, enquanto o avanço financeiro chegou a 34%. A conclusão permanece prevista para agosto de 2028.

O programa também ilustra o impacto direto das restrições financeiras. A necessidade estimada para 2025 era de aproximadamente R$ 169,2 milhões, mas a dotação inicial sofreu bloqueio de R$ 26,4 milhões. Uma suplementação de R$ 50 milhões, liberada no final do ano, permitiu pagar todas as etapas previstas.

Programa AM-X encerra ciclo iniciado em 2003

O relatório também formaliza a conclusão do Projeto AM-X, responsável pela revitalização e modernização dos caças-bombardeiros A-1 da FAB.

As aeronaves receberam novos aviônicos, sistemas de guerra eletrônica, equipamentos de visão noturna, capacidade para emprego de armamentos inteligentes e cabine digital compatível com outros projetos da Força Aérea.

O contrato principal foi encerrado em 2024, e os últimos acordos de compensação industrial foram concluídos em 2025. O projeto, iniciado em dezembro de 2003, teve duração superior a duas décadas.

Renovação avança, mas prazos longos expõem fragilidade estrutural

O balanço da COPAC mostra que a FAB conseguiu incorporar novas capacidades em praticamente todos os setores: defesa aérea, transporte estratégico, alerta antecipado, comando e controle, busca e salvamento, sensoriamento espacial e formação de pilotos.

Ao mesmo tempo, os cronogramas evidenciam o impacto da falta de previsibilidade financeira. Projetos originalmente programados para terminar entre 2016 e 2025 foram prorrogados para 2026, 2027, 2028, 2029, 2033 e 2035.

O desafio para os próximos anos será manter o fluxo de recursos necessário para concluir as entregas, preservar as linhas industriais e impedir que novos ajustes orçamentários provoquem custos adicionais ou perda de capacidade operacional.

Para a FAB, os programas administrados pela COPAC não representam apenas a compra de aeronaves e sistemas. Eles envolvem formação de pessoal, domínio tecnológico, geração de empregos, participação da indústria nacional e redução da dependência de fornecedores estrangeiros.■

FONTE: Relatório de Gestão 2025 da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate — COPAC, Comando da Aeronáutica.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Força Aérea Colombiana adquire um Embraer ERJ-145 para transporte VIP

 



Força Aérea Colombiana adquire um Embraer ERJ-145 para transporte VIP. A Força Aérea Brasileira opera uma significativa frota de jatos ERJ-145, com a designação militar C-99. Foto: Ricardo Hebmuller.

 

A Força Aérea Colombiana (FAC) adquiriu um jato regional Embraer ERJ-145 com o objetivo de reforçar a sua frota de transporte de autoridades. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo de modernização, visando garantir maior disponibilidade e reduzir custos operacionais com a substituição de aeronaves mais antigas.

Avaliado em US$ 28 milhões, o negócio foi firmado com a empresa americana AAR Government Services Inc. Conforme divulgado pelo portal Infodefensa, citando uma fonte familiarizada com o assunto, o contrato tem como objeto principal a compra do ERJ-145LR (Long Range), mas indica a aquisição de uma segunda aeronave de modelo não informado.

Quando recebida, a nova aeronave será incorporada ao Esquadrão de Transporte Especial da FAC, subordinado ao Comando Aéreo de Transporte Militar (CATAM), sediado junto ao Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá. A versatilidade do ERJ-145 permitirá que eventualmente ele seja empregado em missões de evacuação  e apoio a emergências nacionais.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Royal Air Force se prepara para a despedida do Tornado

 RAF se prepara para a despedida do Tornado - 1


A Royal Air Force divulgou imagens impressionantes de uma formação única de aeronaves para celebrar os quarenta anos de serviço do jato de ataque Tornado GR4.

Quando o Tornado for retirado do serviço, ele levará ao fim quatro décadas de serviço durante o qual a aeronave formou a espinha dorsal do poder aéreo do Reino Unido. Três variantes de treinamento do Tornado receberam marcações especiais, incluindo um esquema de camuflagem que o Tornado ostentou em seu início de carreira.


“Eu estou imensamente orgulhoso por ter liderado a formação ‘Tail Art’, nosso primeiro evento que celebra a iminente aposentadoria do Tornado depois de quase 40 anos de serviço.

“O sucesso da surtida foi confirmado pelo excelente suporte da Força Total na RAF Marham, que continua focado em sustentar as operações da Tornado e está tão comprometido hoje quanto em 1982 quando o primeiro Tornado chegou à Estação.

Capitão do Grupo Ian (Cab) Townsend
Station Commander na RAF Marham – liderou a formação em imagens


O Tornado entrou pela primeira vez no serviço da RAF em 1979, principalmente na função de ataque nuclear e na interdição durante a Guerra Fria. Sua estreia em combate na Guerra do Golfo de 1991 marcou um período de operações quase constantes que continuam até hoje.

Cerca de 28 anos depois dessas primeiras missões para ajudar a libertar o Kuwait, os dois esquadrões de Tornado, IX(B) e 31 restantes da RAF, permanecem em operações no Oriente Médio totalmente comprometidos com a luta contra o Daesh como parte do esforço da Coalizão Global.


“Eu não tinha nascido quando o Tornado entrou em serviço pela RAF. Foi um privilégio participar do programa de treinamento de hoje que também capturou imagens fantásticas desta aeronave icônica. Será um dia triste para todos nós quando o Tornado desligar seus motores pela última vez.”

Flight Lieutenant Nathan Shawyer, 27
Último piloto para se qualificar no Tornado


Tornados da RAF e suas equipes em 1989, na base RAF Laarbuch. Naquela época, a Royal Air Force tinha 430 jatos Tornado GR1 e F3 e mais 600 outros jatos de combate!

Colômbia confirma a compra de dois Embraer KC-390 Millennium

País se torna o primeiro da América Latina, além do Brasil, a incorporar o cargueiro da Embraer e amplia sua capacidade de transporte estratégico e reabastecimento em voo.


A Colômbia deu mais um passo na modernização de suas Forças Armadas ao confirmar a aquisição de duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium, da Embraer. O contrato, assinado pela Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC), torna o país o primeiro da América Latina, além do Brasil, a operar o moderno cargueiro militar e o 13º cliente internacional da aeronave.

O acordo inclui, além das aeronaves, equipamentos de missão, um pacote integrado de serviços e suporte logístico, bem como um amplo programa de cooperação industrial voltado ao desenvolvimento da indústria colombiana, em conformidade com os requisitos regulatórios do país.

Os novos KC-390 Millennium serão empregados em uma ampla variedade de missões, incluindo transporte de tropas e cargas, ajuda humanitária, resposta a desastres naturais, lançamento de paraquedistas e equipamentos, evacuação aeromédica e reabastecimento em voo. Um dos principais diferenciais será a plena interoperabilidade com os caças Saab Gripen E recentemente adquiridos pela Colômbia, ampliando significativamente a capacidade de projeção de poder e a prontidão operacional da FAC.

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Para Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, a decisão reforça uma parceria histórica entre a empresa e a Colômbia.

“Estamos honrados com a decisão da FAC de selecionar o KC-390 Millennium. Essa escolha reforça uma parceria que se estende por mais de 35 anos, desde a aquisição do EMB-312 Tucano, seguida pelo A-29 Super Tucano. O KC-390 ampliará significativamente as capacidades de transporte aéreo e reabastecimento em voo da Colômbia, estabelecendo um novo padrão de excelência operacional.”

Desenvolvido para atender às exigências das operações militares modernas, o KC-390 Millennium é considerado o avião de transporte tático mais avançado de sua categoria. A aeronave pode transportar até 26 toneladas de carga, atingir velocidade de cruzeiro de 470 nós e operar em pistas curtas, não pavimentadas ou semipreparadas, ampliando sua flexibilidade em cenários de combate e operações humanitárias.

Além do transporte de cargas e tropas, o KC-390 pode realizar missões de busca e salvamento (SAR), combate a incêndios florestais, evacuação médica e lançamento aéreo de cargas e paraquedistas. Equipado com o sistema de reabastecimento em voo (AAR), o modelo pode atuar tanto como aeronave-tanque quanto receber combustível em voo, aumentando seu alcance e permanência em missão.

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Com a decisão colombiana, o KC-390 Millennium consolida sua presença no mercado internacional. Além da Força Aérea Brasileira, a aeronave já foi selecionada por Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia.

A aquisição fortalece a posição da Embraer no segmento global de transporte militar e representa um importante avanço para a capacidade operacional da Colômbia, especialmente diante da renovação simultânea de sua frota de combate com os caças Gripen, formando uma combinação capaz de elevar significativamente a capacidade de resposta e a interoperabilidade da força aérea colombiana


Até o momento, o Embraer KC-390 Millennium já conquistou dez clientes que totalizaram 48 pedidos firmes, além de mais 29 unidades que estão em negociação com quatro nações (veja quadro abaixo).

Pedidos firmes com entregas programadas:

  • Emirados Árabes Unidos: 10 pedidos com mais 10 opcionais;
  • Eslováquia (país membro da OTAN): 03 ;
  • Lituânia (país membro da OTAN): 03 ;
  • Grécia (país membro da OTAN): 03 .