Agência quer avaliar novos jatos de alto desempenho para substituir os T-38N, que acompanham o treinamento de astronautas desde os anos 1960 e enfrentam dificuldades crescentes de manutenção.
A NASA iniciou oficialmente o processo para encontrar um substituto para seus veteranos T-38N Talon, aeronaves que há mais de seis décadas fazem parte da rotina dos astronautas norte-americanos. O Johnson Space Center, em Houston, abriu uma pesquisa de mercado para identificar jatos modernos de alto desempenho capazes de assumir parte das funções atualmente desempenhadas pelos Talon, marcando o primeiro passo de uma futura transição de frota.
A iniciativa ocorre em meio ao envelhecimento dos T-38 e à perspectiva de aposentadoria da frota da Força Aérea dos Estados Unidos. Enquanto a NASA possui atualmente cerca de 25 Talon, a USAF planeja retirar seus T-38 entre 2030 e 2035. A redução da frota em serviço também deverá dificultar a disponibilidade de peças, manutenção e suporte especializado para uma aeronave cujo projeto original remonta ao final da década de 1950.
Os T-38 começaram a ser utilizados pela NASA na década de 1960, inicialmente a partir de aeronaves fornecidas pela própria Força Aérea. Desde então, o Talon se tornou uma presença constante no treinamento de astronautas, sendo empregado para desenvolver habilidades como voo em alta velocidade, navegação, operações em formação e tomada de decisões em situações dinâmicas. A aeronave também é utilizada como plataforma de acompanhamento em diferentes atividades e testes de voo.
A versão utilizada pela NASA é o T-38N, diferente das variantes operadas pela Força Aérea. Ao longo dos anos, esses aviões receberam importantes modernizações, incluindo cockpits digitais, novos sistemas de comunicação e navegação, radar meteorológico, GPS, sistemas de alerta de proximidade com o terreno e recursos para evitar colisões. Apesar das atualizações, a estrutura básica permanece baseada em um projeto que entrou em serviço militar em 1961.
Agora, a NASA procura uma aeronave existente, em produção ou próxima da produção, que consiga oferecer desempenho semelhante ao de um moderno treinador avançado ou caça leve. Entre as características desejadas estão elevada confiabilidade, documentação de manutenção consolidada, motor com capacidade de partida própria, capacidade para manobras dinâmicas, voo em formação e navegação de longa distância, além de configuração de dois lugares e duplo comando.
A agência também considera altamente desejável que o avião permita a qualificação de um único piloto a partir de qualquer um dos assentos. Aviônicos modernos compatíveis com operações por instrumentos também fazem parte dos requisitos avaliados.
Um ponto importante é que a NASA não está, neste momento, escolhendo oficialmente um novo modelo para substituir toda a sua frota. A agência pretende primeiro realizar um programa de avaliação de escopo limitado com um pequeno número de aeronaves. A ideia é testar compatibilidade operacional, logística, custos e impactos sobre o treinamento antes de uma eventual decisão de substituição em larga escala.
A NASA também demonstra flexibilidade quanto ao modelo de aquisição. Como os recursos disponíveis para uma compra imediata de uma nova frota são limitados, estão sendo consideradas alternativas como leasing, leasing com opção de compra, permutas e outros arranjos. A agência pretende permanecer responsável pelas operações de voo, enquanto empresas contratadas poderão assumir a manutenção das aeronaves.

Entre os candidatos naturais está o Boeing T-7A Red Hawk, justamente a aeronave desenvolvida para substituir os T-38 da Força Aérea dos EUA. O programa avançou em 2026, com a aprovação da produção inicial de 14 unidades, e a USAF pretende iniciar a substituição operacional dos Talon a partir de 2027. O T-7A foi projetado especificamente para treinamento avançado de pilotos e apresenta uma arquitetura digital muito mais moderna que a do T-38.
Ainda assim, a escolha do Red Hawk pela NASA não é automática. A própria Força Aérea está entrando apenas agora na fase de implantação do novo treinador, e a disponibilidade de aeronaves para atender simultaneamente às necessidades da NASA poderá ser limitada nos primeiros anos. Em agosto de 2026, o terceiro T-7A já havia chegado à Base Conjunta San Antonio-Randolph, onde a USAF acelera a preparação de pilotos e equipes de manutenção para a nova plataforma.
A NASA, portanto, poderá avaliar outras alternativas disponíveis no mercado, especialmente aeronaves que já estejam em operação e possam ser incorporadas mais rapidamente. A ausência de uma classe de desempenho rigidamente definida amplia o número de possíveis candidatos e permite que a agência compare diferentes soluções antes de tomar uma decisão.
A importância dessa substituição vai além da questão logística. Os T-38 continuam sendo empregados no treinamento de astronautas envolvidos em programas de grande relevância para o futuro da exploração espacial norte-americana. Em fevereiro de 2026, por exemplo, integrantes da tripulação da Artemis II realizaram voos de treinamento em T-38, demonstrando que o Talon ainda desempenha papel ativo na preparação das missões tripuladas da NASA.

A futura aeronave terá, portanto, de reproduzir uma combinação particular de características. Não basta ser apenas um treinador moderno. O sucessor deverá oferecer desempenho suficiente para proporcionar aos astronautas uma experiência próxima daquela proporcionada por uma aeronave de alta performance, além de permitir treinamento em formação, navegação, procedimentos de emergência e outras situações úteis para pilotos que poderão enfrentar ambientes operacionais extremamente exigentes.















