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domingo, 30 de agosto de 2026

NASA inicia busca por substituto dos lendários T-38 Talon usados por astronautas


Agência quer avaliar novos jatos de alto desempenho para substituir os T-38N, que acompanham o treinamento de astronautas desde os anos 1960 e enfrentam dificuldades crescentes de manutenção.


A NASA iniciou oficialmente o processo para encontrar um substituto para seus veteranos T-38N Talon, aeronaves que há mais de seis décadas fazem parte da rotina dos astronautas norte-americanos. O Johnson Space Center, em Houston, abriu uma pesquisa de mercado para identificar jatos modernos de alto desempenho capazes de assumir parte das funções atualmente desempenhadas pelos Talon, marcando o primeiro passo de uma futura transição de frota.

A iniciativa ocorre em meio ao envelhecimento dos T-38 e à perspectiva de aposentadoria da frota da Força Aérea dos Estados Unidos. Enquanto a NASA possui atualmente cerca de 25 Talon, a USAF planeja retirar seus T-38 entre 2030 e 2035. A redução da frota em serviço também deverá dificultar a disponibilidade de peças, manutenção e suporte especializado para uma aeronave cujo projeto original remonta ao final da década de 1950.

Os T-38 começaram a ser utilizados pela NASA na década de 1960, inicialmente a partir de aeronaves fornecidas pela própria Força Aérea. Desde então, o Talon se tornou uma presença constante no treinamento de astronautas, sendo empregado para desenvolver habilidades como voo em alta velocidade, navegação, operações em formação e tomada de decisões em situações dinâmicas. A aeronave também é utilizada como plataforma de acompanhamento em diferentes atividades e testes de voo.

A versão utilizada pela NASA é o T-38N, diferente das variantes operadas pela Força Aérea. Ao longo dos anos, esses aviões receberam importantes modernizações, incluindo cockpits digitais, novos sistemas de comunicação e navegação, radar meteorológico, GPS, sistemas de alerta de proximidade com o terreno e recursos para evitar colisões. Apesar das atualizações, a estrutura básica permanece baseada em um projeto que entrou em serviço militar em 1961.

Agora, a NASA procura uma aeronave existente, em produção ou próxima da produção, que consiga oferecer desempenho semelhante ao de um moderno treinador avançado ou caça leve. Entre as características desejadas estão elevada confiabilidade, documentação de manutenção consolidada, motor com capacidade de partida própria, capacidade para manobras dinâmicas, voo em formação e navegação de longa distância, além de configuração de dois lugares e duplo comando.

A agência também considera altamente desejável que o avião permita a qualificação de um único piloto a partir de qualquer um dos assentos. Aviônicos modernos compatíveis com operações por instrumentos também fazem parte dos requisitos avaliados.

Um ponto importante é que a NASA não está, neste momento, escolhendo oficialmente um novo modelo para substituir toda a sua frota. A agência pretende primeiro realizar um programa de avaliação de escopo limitado com um pequeno número de aeronaves. A ideia é testar compatibilidade operacional, logística, custos e impactos sobre o treinamento antes de uma eventual decisão de substituição em larga escala.

A NASA também demonstra flexibilidade quanto ao modelo de aquisição. Como os recursos disponíveis para uma compra imediata de uma nova frota são limitados, estão sendo consideradas alternativas como leasing, leasing com opção de compra, permutas e outros arranjos. A agência pretende permanecer responsável pelas operações de voo, enquanto empresas contratadas poderão assumir a manutenção das aeronaves.

T-7A Red Hawk.

Entre os candidatos naturais está o Boeing T-7A Red Hawk, justamente a aeronave desenvolvida para substituir os T-38 da Força Aérea dos EUA. O programa avançou em 2026, com a aprovação da produção inicial de 14 unidades, e a USAF pretende iniciar a substituição operacional dos Talon a partir de 2027. O T-7A foi projetado especificamente para treinamento avançado de pilotos e apresenta uma arquitetura digital muito mais moderna que a do T-38.

Ainda assim, a escolha do Red Hawk pela NASA não é automática. A própria Força Aérea está entrando apenas agora na fase de implantação do novo treinador, e a disponibilidade de aeronaves para atender simultaneamente às necessidades da NASA poderá ser limitada nos primeiros anos. Em agosto de 2026, o terceiro T-7A já havia chegado à Base Conjunta San Antonio-Randolph, onde a USAF acelera a preparação de pilotos e equipes de manutenção para a nova plataforma.

A NASA, portanto, poderá avaliar outras alternativas disponíveis no mercado, especialmente aeronaves que já estejam em operação e possam ser incorporadas mais rapidamente. A ausência de uma classe de desempenho rigidamente definida amplia o número de possíveis candidatos e permite que a agência compare diferentes soluções antes de tomar uma decisão.

A importância dessa substituição vai além da questão logística. Os T-38 continuam sendo empregados no treinamento de astronautas envolvidos em programas de grande relevância para o futuro da exploração espacial norte-americana. Em fevereiro de 2026, por exemplo, integrantes da tripulação da Artemis II realizaram voos de treinamento em T-38, demonstrando que o Talon ainda desempenha papel ativo na preparação das missões tripuladas da NASA.

Nova pintura da Artemis aplicada em um T-38N da NASA.

A futura aeronave terá, portanto, de reproduzir uma combinação particular de características. Não basta ser apenas um treinador moderno. O sucessor deverá oferecer desempenho suficiente para proporcionar aos astronautas uma experiência próxima daquela proporcionada por uma aeronave de alta performance, além de permitir treinamento em formação, navegação, procedimentos de emergência e outras situações úteis para pilotos que poderão enfrentar ambientes operacionais extremamente exigentes.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Bangladesh avança para comprar caças chineses J-10CE

 

Dhaka prepara acordo para aquisição de caças multifuncionais chineses em um dos maiores programas de modernização da Força Aérea de Bangladesh.


Bangladesh está avançando nas negociações para adquirir caças multifuncionais Chengdu J-10CE da China em um movimento que poderá representar a maior modernização de sua aviação de combate em décadas. O governo de Dhaka já preparou uma minuta de acordo para a compra das aeronaves e de helicópteros de ataque, enquanto o documento passa por análise das autoridades responsáveis pela aprovação. A aquisição deverá fortalecer ainda mais os laços militares entre Bangladesh e China, atualmente o principal fornecedor de equipamentos de defesa para o país asiático.

Embora o governo ainda não tenha divulgado oficialmente a quantidade definitiva de aeronaves, documentos e reportagens locais indicam que o plano mais recente prevê a compra de 20 J-10CE por aproximadamente US$ 2,3 bilhões. Informações anteriores chegaram a apontar para uma possível encomenda de até 24 aeronaves. O valor estimado inclui não apenas os caças, mas também treinamento de pilotos e equipes de manutenção, equipamentos operacionais, suporte técnico e logístico, transporte, seguros, impostos, infraestrutura e outros custos associados ao programa.

O preço básico de cada J-10CE foi estimado em cerca de US$ 62,7 milhões, mas o custo efetivo por aeronave aumenta consideravelmente quando são incorporados os serviços e equipamentos necessários para colocar toda a frota em operação. O pacote completo de aproximadamente US$ 2,302 bilhões representaria, na prática, cerca de US$ 115 milhões por caça, considerando todos os componentes do programa. O planejamento financeiro prevê que os pagamentos possam ser distribuídos por vários anos, reduzindo o impacto imediato sobre o orçamento de defesa de Bangladesh.

A necessidade de modernização é evidente na atual composição da Bangladesh Air Force. A força ainda utiliza uma frota significativa de caças chineses F-7, derivados do antigo MiG-21 soviético, além de aeronaves de outras origens. Segundo dados divulgados pela imprensa local, a força aérea possui aproximadamente 212 aeronaves, incluindo 44 caças, dos quais 36 são F-7 de fabricação chinesa. A introdução do J-10CE representaria, portanto, uma mudança tecnológica de grande escala para a capacidade de combate do país.

O J-10CE é a versão de exportação do J-10C operado pela Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China. Trata-se de um caça monomotor multifuncional equipado com aviônicos modernos, radar de varredura eletrônica ativa e capacidade de empregar armamentos ar-ar e ar-superfície de última geração. Sua principal vantagem para Bangladesh estaria na possibilidade de introduzir uma capacidade de combate além do alcance visual muito mais avançada do que a disponível nos antigos F-7, além de melhorar significativamente a consciência situacional e a capacidade de defesa aérea.

O interesse de Bangladesh pelo J-10CE também ganhou impulso após o confronto entre Índia e Paquistão em maio de 2025. O Paquistão afirmou que seus J-10C participaram dos combates e derrubaram aeronaves indianas, enquanto a Índia contestou parte das alegações e não confirmou publicamente a perda de um Rafale para um J-10. Apesar da controvérsia sobre os resultados do confronto, o episódio aumentou a atenção internacional sobre o caça chinês e passou a ser considerado por autoridades de Bangladesh como um dos fatores que influenciaram a escolha da aeronave.

A relação custo-benefício também aparece como um dos argumentos favoráveis à escolha chinesa. Autoridades de Bangladesh afirmaram que o J-10CE oferece uma capacidade considerada competitiva em relação a caças ocidentais mais caros, como o Dassault Rafale e o Eurofighter Typhoon. Para Dhaka, a possibilidade de adquirir uma quantidade relevante de aeronaves modernas sem assumir os custos de aquisição e sustentação associados a alguns modelos ocidentais pode ser determinante para a renovação de sua frota.

A aquisição dos J-10CE faz parte de um programa mais amplo de modernização da Bangladesh Air Force. O governo também avalia a compra de helicópteros de ataque, helicópteros para transporte de autoridades e diferentes sistemas de aeronaves não tripuladas. A intenção é criar uma estrutura de combate mais moderna e diversificada, aumentando não apenas o número de plataformas disponíveis, mas também as capacidades de vigilância, reconhecimento, ataque e defesa aérea.

O Paquistão é atualmente o único operador estrangeiro confirmado do J-10CE, e a entrada de um segundo usuário internacional reforçaria a posição do caça no mercado global. Além disso, uma nova venda poderia ampliar a influência chinesa sobre treinamento, manutenção, armamentos e infraestrutura da força aérea de Bangladesh por várias décadas.

A minuta do acordo precisa passar pelas etapas administrativas e orçamentárias antes que um contrato definitivo seja assinado. O governo indicou que a aquisição poderá avançar ainda no atual ano fiscal caso os recursos sejam disponibilizados. Caso contrário, o programa poderá ser transferido para o próximo orçamento. A quantidade final de aeronaves, o valor definitivo e o cronograma de entrega também dependerão das negociações formais com Pequim.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Finlândia e Dinamarca na mira do KC-390




Finlândia e Dinamarca na mira do KC-390. Operação no gelado campo de Campo de Testes de Vidsel/Suécia Foto: Embraer.

 

A recente certificação do Embraer KC-390 Millennium para operar em condições de frio extremo, abre as portas para que a Finlândia e a Dinamarca possar ser os próximos clientes da aeronave brasileira.

A Embraer está em avançadas negociações com a Finlândia e Dinamarca para vender o cargueiro militar. O negócio segue a esteira da venda de 4 aeronaves para a Força Aérea da Suécia (SwAF), outro país nórdico que abalizou a capacidade do KC-390 para operações no gelo.



KC-390 PT-ZNG da Embraer operando no Campo de Testes de Vidsel/Suécia, em março de 2026. Foto: Embraer.

 

O KC-390 realizou uma campanha de certificação no gelo em31 de  Março de 2026. Durante esta campanha em clima frio, a tripulação ligou rapidamente os motores e sistemas da aeronave antes de realizar decolagens e pousos curtos. O KC-390 também demonstrou sua capacidade de carregar e implantar rapidamente veículos pesados, como os veículos todo terreno militares SISU GTT, mantendo ainda espaço para tropas e equipamentos adicionais. Esse desempenho confirma a perfeita adequação do KC-390 para missões que exigem alta capacidade de resposta logística em ambientes exigentes.

o cronograma de testes do gelo foi realizado nas instalações militares do Campo de Testes de Vidsel/Suécia, e destacou a capacidade do KC-390 de operar em condições árticas e apoiar os conceitos de Emprego Ágil em Combate (ACE). Em 17 de agosto a Embraer divulgou um vídeo mostrando os testes na Suécia.


Vídeo Embraer.

Os excelentes resultados dos testes em operações sob condições árticas, abriu espaço para que Finlândia e Dinamarca possam ser os novo clientes do KC-390. As negociações seguem e podem quem sabe abri espaço para outros operadores da região, o que faria do KC-390 um vetor comum.

 

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domingo, 23 de agosto de 2026

Argentina decide aposentar em definitivo os Super Étendard e perde sua principal capacidade aérea antinavio


Caças que ficaram famosos na Guerra das Malvinas serão retirados definitivamente de serviço em 2026, encerrando mais de quatro décadas de história e deixando a Aviação Naval argentina sem um substituto direto.


A Armada Argentina confirmou a retirada definitiva de serviço dos caças-bombardeiros Dassault Super Étendard, encerrando em 2026 uma das mais marcantes trajetórias da aviação militar do país. A decisão representa o fim de mais de quatro décadas de operação do modelo e também elimina a última capacidade argentina de ataque antinavio baseada em aeronaves de combate.

O anúncio foi realizado pelo comandante da Aviação Naval Argentina, contra-almirante Román Enrique Olivero, durante uma cerimônia na Base Aeronaval Punta Indio. A medida faz parte do chamado Plano Dédalo, iniciativa destinada a reorganizar a estrutura da Aviação Naval e concentrar os recursos disponíveis em uma frota menor e mais sustentável.

A retirada atinge tanto os Super Étendard originais adquiridos pela Argentina no início dos anos 1980 quanto os cinco Super Étendard Modernisé comprados posteriormente da França. O ponto mais emblemático é que os exemplares modernizados nunca chegaram a alcançar uma condição operacional na Argentina, apesar das tentativas realizadas durante anos para colocá-los novamente em voo.

A história do Super Étendard argentino está diretamente ligada à Guerra das Malvinas, em 1982. A Argentina recebeu inicialmente 14 aeronaves e empregou o modelo em conjunto com o míssil antinavio AM39 Exocet. A combinação tornou-se uma das principais ameaças enfrentadas pela força naval britânica durante o conflito.

Em 4 de maio de 1982, dois Super Étendard realizaram um ataque contra o destróier HMS Sheffield, lançando mísseis Exocet a partir de baixa altitude. O navio britânico foi atingido e posteriormente afundou. Dias depois, outro ataque envolvendo Super Étendard e Exocet contribuiu para a perda do navio logístico Atlantic Conveyor, consolidando a reputação do sistema de armas argentino.

HMS Sheffield.

A experiência nas Malvinas transformou o Super Étendard em um dos aviões mais conhecidos da história militar argentina. Projetado na França para operações embarcadas, o caça combinava dimensões relativamente compactas com radar, capacidade de ataque a baixa altitude e emprego do Exocet, oferecendo à Armada uma ferramenta especializada contra navios de superfície.

O problema veio nas décadas seguintes. Com o envelhecimento da frota e a redução da disponibilidade de peças e componentes, manter os Super Étendard operacionais tornou-se cada vez mais difícil. A situação se agravou depois que a França retirou seus próprios exemplares de serviço em 2016, substituindo-os pelo Rafale M.

Na tentativa de recuperar a capacidade, a Argentina adquiriu cinco Super Étendard Modernisé anteriormente utilizados pela Marinha francesa. O negócio foi anunciado em 2018 e os aviões chegaram ao país no ano seguinte, acompanhados por peças de reposição, motores e um simulador. A expectativa era que os caças pudessem representar uma solução relativamente barata para recuperar a capacidade de ataque da Aviação Naval.

A bordo do USS Ronald Reagan (CVN 76), um Super Étendard argentino inicia uma aproximação para realizar um toque durante as operações de voo. O Ronald Reagan está circunavegando a América do Sul durante seu deslocamento para seu novo porto-base, em San Diego. (Foto: Marinha dos EUA pelo fotógrafo de aviação Konstandinos Goumenidis)

Entretanto, os aviões permaneceram no solo. Um dos principais obstáculos estava relacionado aos assentos ejetáveis Martin-Baker Mk6, cujos componentes dependiam de fornecedores britânicos. As dificuldades para obter peças e certificações impediram que os Super Étendard Modernisé fossem submetidos ao processo necessário para retornar à condição de voo.

A situação tornou-se ainda mais complexa porque o Reino Unido mantém restrições relacionadas à transferência de equipamentos militares para a Argentina desde a Guerra das Malvinas. Dessa forma, componentes britânicos fundamentais para os sistemas de segurança da aeronave se transformaram em um dos principais obstáculos para a recuperação dos caças.

Durante anos, a Armada tentou encontrar alternativas para solucionar o problema. Houve inclusive discussões sobre a possibilidade de recuperar pelo menos parte dos aviões para operações de voo, mas a falta de peças e as dificuldades técnicas acabaram inviabilizando o projeto. Em 2023, o governo argentino chegou a anunciar a retirada dos Super Étendard, embora posteriormente tenham surgido informações de que os esforços para recuperá-los ainda não haviam sido completamente abandonados.

Também houve especulações sobre o possível destino dos cinco Super Étendard Modernisé. Em 2024, surgiram informações de que a Argentina avaliava transferir os aviões para a Ucrânia, caso fosse possível obter autorização francesa e solucionar os problemas que impediam sua operação. A possibilidade, entretanto, não se concretizou.

Agora, a decisão é definitiva. A Armada Argentina deixará de contar formalmente com o Super Étendard e, consequentemente, não terá mais uma aeronave especializada em ataque antinavio. O impacto é significativo porque o país não possui atualmente um substituto direto para a combinação formada pelo caça francês e o Exocet.

A perda dessa capacidade ocorre justamente quando a Argentina começa a reconstruir parte de seu poder aéreo por meio da aquisição de 24 caças F-16 usados da Dinamarca. As aeronaves representam um salto tecnológico importante para a Força Aérea Argentina e deverão recuperar capacidades de defesa aérea e combate multifuncional que estavam seriamente degradadas.

Os F-16, porém, não são uma substituição direta dos Super Étendard. Embora possam realizar missões de ataque contra alvos terrestres e marítimos dependendo da configuração de armamentos e sensores, eles pertencem a uma estrutura diferente da Aviação Naval argentina e não foram adquiridos como parte de um programa destinado especificamente a substituir a capacidade antinavio que existia em torno dos caças franceses.

A aposentadoria também revela a transformação da própria Aviação Naval argentina. Sem um porta-aviões desde a retirada do ARA Veinticinco de Mayo, em 1997, a Argentina já havia perdido a capacidade de operar seus caças embarcados em um navio próprio. O Super Étendard passou a depender de operações a partir de bases terrestres, enquanto a força naval concentrava seus recursos em patrulha marítima, transporte, treinamento e helicópteros.

O Plano Dédalo busca justamente adaptar a estrutura às condições atuais. Além dos Super Étendard, a Armada pretende retirar outros equipamentos antigos e investir em plataformas consideradas mais sustentáveis, incluindo novos helicópteros para substituir parte dos modelos atualmente empregados.

O fim dos Super Étendard, portanto, representa mais do que a aposentadoria de um avião antigo. É o encerramento de uma capacidade que marcou profundamente a história militar argentina e que teve seu momento de maior destaque durante a Guerra das Malvinas. O caça que ficou mundialmente conhecido por atacar navios britânicos com mísseis Exocet deixa definitivamente o serviço sem receber um sucessor naval dedicado.