O consórcio Eurofighter anunciou a assinatura de um novo contrato com a NATO Eurofighter and Tornado Management Agency para o desenvolvimento, testes e certificação de um Aerodynamic Modification Kit, conhecido pela sigla AMK, destinado ao Eurofighter Typhoon. A iniciativa, apoiada por uma agência da OTAN, tem como objetivo central reduzir significativamente o tempo necessário para integrar e certificar novos armamentos e cargas externas, um fator considerado crítico diante da rápida evolução das ameaças e do surgimento de armas cada vez mais pesadas e complexas.
De acordo com informações divulgadas em comunicados técnicos, o AMK foi concebido para facilitar a futura incorporação de mísseis antirradição empregados em missões de supressão e destruição de defesas aéreas inimigas, além de ampliar a capacidade do Typhoon para operar novos mísseis ar-superfície, armas ar-ar de última geração e, em uma fase posterior, vetores de ataque stand-off de maior alcance.
O foco do programa é permitir que essas armas sejam certificadas de forma mais ágil, evitando longos ciclos de ensaios individuais que historicamente atrasam a entrada em serviço de novas capacidades.
O pacote de modificações não se limita a ajustes de software ou integração de sistemas. O AMK inclui alterações físicas relevantes na célula da aeronave, como mudanças nas strakes da fuselagem, nos flaperons e na raiz do bordo de ataque da asa. Estudos técnicos indicam que essas modificações devem aumentar a sustentação máxima da asa, melhorar o comportamento do caça em voo com cargas externas mais pesadas e preservar a manobrabilidade em regimes críticos. Na prática, isso se traduz em melhor desempenho na aquisição de alvos, maior eficácia em combates a curta distância e menor penalização aerodinâmica ao transportar armamentos volumosos.
O desenvolvimento e a produção do kit ficarão a cargo das três empresas parceiras do programa, Airbus, BAE Systems e Leonardo, dentro do modelo multinacional que sustenta o Eurofighter desde sua criação. Essa abordagem permite que as melhorias sejam integradas de forma relativamente rápida às frotas existentes dos países operadores, mantendo a interoperabilidade e reduzindo impactos logísticos.
O AMK também está alinhado com o pacote de evolução conhecido como Phase 4 Enhancement, que reúne atualizações estruturais, de sensores e de sistemas de missão para prolongar a relevância operacional do Typhoon nas próximas décadas.
O anúncio ocorre em um contexto de investimentos contínuos no caça europeu. Países operadores, como o Reino Unido, vêm destinando recursos significativos para modernizar suas frotas, combinando novos radares AESA, melhorias em guerra eletrônica e agora alterações aerodinâmicas que ampliam o envelope de emprego de armas. Essa combinação cria um efeito sinérgico: sensores mais avançados e armas de maior alcance exigem uma plataforma capaz de manter desempenho e agilidade mesmo com cargas externas mais exigentes.
Ao comentar o contrato, Jorge Tamarit-Degenhardt, Chief Executive Officer da Eurofighter, afirmou que o AMK representará um salto importante para as forças aéreas usuárias, ao ampliar a flexibilidade na integração de configurações ar-superfície e oferecer maior liberdade no transporte de armamentos, sem comprometer o desempenho em voo.
Para operadores e especialistas, o sucesso do programa será medido pela rapidez com que as modificações forem certificadas e incorporadas às aeronaves em serviço, acelerando a disponibilidade operacional de novas armas e mantendo o Eurofighter Typhoon competitivo em um cenário aéreo cada vez mais disputado.

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