
J-6 UAV
27 de março de 2026 — A China posicionou mais de 200 caças supersônicos obsoletos convertidos em drones de ataque em seis bases aéreas nas proximidades do Estreito de Taiwan, segundo relatório do Mitchell Institute for Aerospace Studies, divulgado pela Reuters. A revelação, baseada em imagens de satélite comerciais, levanta novos alertas sobre a estratégia de Pequim para uma eventual ofensiva contra Taiwan: sobrecarregar os sistemas de defesa aérea da ilha com uma primeira onda massiva de aeronaves descartáveis antes de empregar armamentos mais sofisticados.
Caças dos anos 1960 ganham nova vida como drones
Imagens de satélite dos aeródromos mostram fileiras de aeronaves compactas, com asas em flecha, que correspondem ao perfil dos caças J-6, que voaram pela primeira vez na Força Aérea chinesa nos anos 1960.
O J-6, derivado do caça soviético MiG-19 da década de 1950, formou o núcleo da frota de combate da China até meados da década de 1990. Agora, esses jatos envelhecidos foram convertidos em drones designados J-6W — com os sistemas de armas removidos e substituídos por controles de voo automatizados e tecnologia de navegação, permitindo que funcionem como plataformas de ataque ou alvos de treinamento.
Mais de 500 dessas aeronaves foram convertidas em drones ao total, segundo J. Michael Dahm, pesquisador sênior do Mitchell Institute e ex-oficial de inteligência naval dos EUA que compilou os dados a partir de inteligência de fontes abertas e imagens de satélite comerciais.
Seis bases em Fujian e Guangdong
O relatório identificou aeronaves modificadas em seis aeródromos — cinco na província de Fujian e um em Guangdong —, com base em análise de imagens de satélite. As bases estão posicionadas de modo a permitir lançamentos em massa em poucos minutos, devido à proximidade com a linha mediana do Estreito de Taiwan.
Como seriam usados em combate
Esses jatos convertidos voariam em direção a alvos na fase de abertura de um ataque contra Taiwan, sendo usados mais como mísseis de cruzeiro do que como veículos aéreos não tripulados autônomos ou controlados remotamente.
“Eles atacarão Taiwan, bases dos EUA ou alvos aliados em grande número, efetivamente sobrecarregando as defesas aéreas”, afirmou Dahm.
Um alto oficial de segurança de Taiwan corroborou a avaliação: o propósito central desses drones é “esgotar os sistemas de defesa aérea de Taiwan na primeira onda de um ataque”. “Para impedir que a China atinja alvos de alto valor, inevitavelmente enfrentaremos o problema de custo-benefício de usar mísseis caros para interceptá-los à distância”, disse o oficial.
Parte de um arsenal mais amplo
Os drones convertidos identificados no relatório do Mitchell Institute fazem parte da crescente combinação de armas aéreas de Pequim, que inclui bombardeiros com mísseis de longo alcance, caças modernos, mísseis balísticos e de cruzeiro e enxames de drones modernos, segundo especialistas em guerra aérea.
Especialistas observam que, em caso de conflito, a China poderia usar esses drones de baixo custo como primeira onda de ataque para forçar Taiwan a desperdiçar mísseis de defesa aérea caros contra equipamentos obsoletos, abrindo caminho para caças modernos como o J-20.
Contexto geopolítico
Pequim considera Taiwan como seu próprio território e nunca renunciou ao uso da força para trazer a ilha sob controle. Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, afirmando que apenas o povo da ilha pode decidir seu futuro.
Na semana passada, a comunidade de inteligência dos EUA afirmou que sua avaliação é de que a China não está planejando atualmente invadir Taiwan em 2027, o que contrasta com o relatório anual do Pentágono sobre o poderio militar chinês divulgado no final do ano passado, que dizia que a China “espera ser capaz de lutar e vencer uma guerra em Taiwan até o final de 2027”.■




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