A Embraer traçou metas ambiciosas para 2026 e pretende entregar até 255 aeronaves ao longo do ano, reforçando o momento positivo da fabricante brasileira no mercado aeroespacial global. A projeção inclui entre 80 e 85 jatos comerciais e cerca de 160 a 170 aeronaves executivas, o que representa um aumento moderado em relação ao desempenho registrado no ano anterior.
A estimativa foi divulgada junto com os resultados financeiros referentes a 2025, quando a empresa alcançou a maior receita anual de sua história. No período, a Embraer registrou cerca de US$ 7,6 bilhões em faturamento, resultado aproximadamente 18% superior ao obtido no ano anterior. Para 2026, a companhia espera ampliar ainda mais esse desempenho, com receita projetada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, sustentada principalmente pela forte demanda por aeronaves executivas, aviões regionais e serviços aeroespaciais.
Durante 2025, a fabricante brasileira entregou 244 aeronaves no total. Desse volume, 78 foram jatos comerciais e 155 aeronaves executivas. Caso a meta para 2026 seja atingida, a produção anual poderá crescer em até 11 unidades. O resultado reflete a recuperação gradual da indústria aeronáutica global após os impactos da pandemia e também melhorias na cadeia de suprimentos que afetaram o setor nos últimos anos.
No segmento de aviação comercial, as entregas incluíram 34 unidades do E175, seis E190-E2 e 38 E195-E2. Esses modelos fazem parte da família de jatos regionais E-Jets e da geração mais recente E2, aeronaves amplamente utilizadas por companhias aéreas em rotas de curta e média distância, especialmente nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
O E175 segue sendo o principal produto da Embraer no mercado norte-americano, enquanto os modelos E2 têm ganhado espaço entre companhias que buscam maior eficiência de combustível e redução de emissões.
A divisão de aviação executiva também manteve forte desempenho ao longo do ano. Das 155 aeronaves entregues nesse segmento, 86 foram jatos leves e 69 pertenciam à categoria de médio porte.
O Phenom 300E permanece como um dos jatos executivos leves mais vendidos do mundo, enquanto a família Praetor tem consolidado a presença da empresa no segmento de aeronaves executivas de maior alcance e tecnologia avançada.
Mesmo com o crescimento nas receitas, o lucro operacional ajustado da companhia apresentou leve queda. Em 2025, o EBIT ajustado foi de aproximadamente US$ 656,8 milhões, abaixo dos cerca de US$ 708 milhões registrados em 2024. Parte dessa diferença foi atribuída a pressões externas no comércio internacional, incluindo tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos, que tiveram impacto estimado em cerca de US$ 54 milhões ao longo do ano.
O quarto trimestre de 2025 apresentou forte atividade operacional para a empresa. Nesse período, a Embraer registrou receitas próximas de US$ 2,6 bilhões e realizou a entrega de 32 aeronaves comerciais e 53 jatos executivos. Como ocorre tradicionalmente na indústria aeronáutica, grande parte das entregas ocorre no último trimestre do ano, quando fabricantes buscam cumprir metas contratuais e financeiras.
Outro indicador que reforça o momento positivo da empresa é sua carteira firme de pedidos. O backlog da Embraer alcançou aproximadamente US$ 31,6 bilhões, o maior nível já registrado pela fabricante e mais de 20% superior ao observado no ano anterior. A carteira inclui encomendas de aeronaves comerciais, executivas, plataformas de defesa e contratos de serviços e suporte, garantindo visibilidade de produção por vários anos.
A empresa também continua ampliando sua presença internacional e avaliando oportunidades em mercados estratégicos. Entre os projetos em estudo está a possibilidade de estabelecer uma linha de montagem do jato regional E175 na Índia, caso a fabricante consiga garantir um volume significativo de pedidos no país. A iniciativa refletiria o crescimento da demanda por aviação regional em mercados emergentes e a estratégia da Embraer de expandir sua presença global.
Além do segmento comercial e executivo, a companhia mantém investimentos importantes na área de defesa, com aeronaves como o cargueiro multimissão KC-390 Millennium e o turboélice de ataque leve A-29 Super Tucano.
Paralelamente, a empresa também aposta no futuro da mobilidade aérea urbana por meio da Eve Air Mobility, que desenvolve aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical.
Atualmente, mais de 9 mil aeronaves fabricadas pela Embraer já foram entregues desde a fundação da empresa em 1969, e aviões do fabricante brasileiro operam em companhias aéreas e operadores em praticamente todas as regiões do mundo.
Com uma carteira de pedidos recorde, aumento gradual nas entregas e um mercado global em recuperação, a empresa aposta que 2026 poderá representar mais um passo importante em sua trajetória de crescimento na indústria aeroespacial.

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