
O icônico British Aerospace 146, conhecido como “Jumbolino” por sua configuração incomum de quatro motores em uma aeronave de porte médio, está em sua fase final de serviço como avião comercial de passageiros.
Dados do Cirium Fleet Analyzer, compilados pela Aviacionline, apontam que atualmente restam apenas 21 unidades ativas no transporte de passageiros globalmente, evidenciando a transição para modelos mais modernos e eficientes.
Lançada no final da década de 1970, a família BAe 146 foi projetada para operar em aeroportos com pistas curtas e rigorosas normas de ruído.
Seu design de asa alta e motores Lycoming ALF 502, posteriormente substituídos por Honeywell LF 507 na série Avro RJ, lhe conferiram o apelido de “Whisperjet” pela sua operação silenciosa. As versões variam em capacidade: o BAe 146-100/RJ70 acomoda até 82 passageiros, o BAe-146-200/RJ85 até 100, e o BAe-146-300/RJ100 até 112 passageiros.

Na década de 1990, a linha foi atualizada para a série Avro RJ, com aviônicos digitais e motores mais potentes. Porém, a vantagem dos quatro motores tornou-se um ônus econômico frente aos modernos bimotores Airbus A220 e Embraer E2, que apresentam menor consumo de combustível e custos de manutenção.
Ao todo, 394 unidades foram produzidas. Além das 21 em serviço para passageiros e 34 adaptadas para carga, tanques e VIP, outras 155 encontram-se aposentadas.
Principais operadores restantes
Aerovías DAP (Chile): Maior operador mundial do modelo, com 6 aeronaves (2 BAe 146-200, 2 RJ85 e 2 RJ100). Utiliza os aviões para conectar o continente à Antártida e realizar voos em regiões de mineração, destacando-se a capacidade de operar na pista de cascalho da Ilha King George. A idade média da frota é de 31 anos, com outras 8 unidades em armazenamento.
Mahan Air (Irã): Opera 6 aeronaves (4 BAe 146-300, 1 RJ85 e 1 RJ100), com idade média de 33 anos, sendo uma das frotas comerciais mais antigas em operação. O país abriga também 18 unidades armazenadas devido a sanções que dificultam a aquisição de novos aviões.

EcoJet (Bolívia): Mantém 4 aviões (3 RJ85 e 1 RJ100) que atendem rotas regionais em alta altitude. A idade média é de 28 anos, com mais 3 aeronaves em armazenamento. A Força Aérea Boliviana possui cinco unidades armazenadas.
Outros operadores menores: Incluem Bismillah Airlines (Bangladesh) com 2 RJ85, Tehran Airlines (Irã) com 1 BAe 146-300, Yazd Airways (Irã) com 1 RJ100 e Northland Aviation (EUA) com 1 RJ85 para voos especiais no Alasca.
Futuro e legado – Com uma idade média superior a 29 anos, o Jumbolino caminha para a aposentadoria nas operações comerciais regulares. Muitos desses aviões têm sido convertidos em aeronaves-tanque para combate a incêndios, aproveitando sua excelente manobrabilidade em baixas altitudes e velocidades.
Além das operações de passageiros, 34 unidades realizam outras missões: 20 adaptadas como tanques de água para combate a incêndios, operadas por empresas como Neptune Aviation, Conair e Air Spray, e 9 dedicadas ao transporte de carga, todas na Austrália. Outros aviões servem para frotas presidenciais de Marrocos e Indonésia, voos VIP da Royal Jet e como plataformas de testes para a empresa de defesa britânica QinetiQ.
O mundo se despede de um projeto britânico único, que provou que, em sua época, quatro motores em uma aeronave pequena eram uma solução inovadora, não um excesso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário