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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Do Mirage-3 ao Gripen: os caças supersônicos que marcaram a história da FAB

 

Da Guerra Fria à tecnologia de ponta, veja como a Força Aérea Brasileira construiu sua frota de aviões supersônicos e se posicionou entre as maiores potências militares do mundo

Do Mirage-3 ao Gripen: os caças supersônicos que marcaram a história da FAB
Caças supersônicos da FAB representam a evolução da defesa aérea brasileira ao longo das décadas

A história dos caças supersônicos da Força Aérea Brasileira (FAB) revela muito mais do que avanços tecnológicos: ela mostra decisões estratégicas, tensões internacionais e uma evolução constante rumo à soberania aérea. Ao longo de décadas, o Brasil construiu uma frota robusta e diversificada, que começou com modelos importados em meio à Guerra Fria e hoje avança com tecnologia de ponta e produção nacional.

Nesse sentido, entender essa trajetória é essencial para compreender como o país se posiciona no cenário militar global. A informação foi divulgada por “Folha de S.Paulo”, que detalha a evolução dos caças supersônicos operados pela FAB desde 1973 até os dias atuais.

Mirage-3: o início da era supersônica no Brasil em meio a tensões políticas

Tudo começou em 1973, quando o Brasil deu um passo decisivo ao incorporar o francês Dassault Mirage-3, tornando-se oficialmente uma nação com capacidade de operar aviões supersônicos. Esse modelo icônico da Guerra Fria era conhecido por suas asas em delta, um design que permite maior eficiência em velocidades acima de Mach 1 — ou seja, superiores a 1.225 km/h ao nível do mar.

Entretanto, a escolha pelo Mirage-3 não foi apenas técnica. Na época, os Estados Unidos vetaram a venda de caças avançados, como o F-4 Phantom-2, devido à ditadura militar instaurada em 1964, mesmo sendo um regime aliado de Washington. Dessa forma, o Brasil recorreu à França e adquiriu inicialmente 17 aeronaves, número que posteriormente chegou a 22 interceptadores.

Além disso, esses caças foram estrategicamente posicionados em Anápolis (GO), a cerca de 150 km de Brasília, permitindo uma resposta rápida — em aproximadamente cinco minutos de voo supersônico — para proteger o centro do poder político nacional.

Um episódio marcante ocorreu em 9 de abril de 1982, quando dois Mirage-3 realizaram a primeira interceptação aérea da história do Brasil. Na ocasião, escoltaram um avião soviético Il-62 operado por Cuba que invadiu o espaço aéreo brasileiro durante a Guerra das Malvinas.

F-5 e Mirage-2000: modernização e transição da defesa aérea brasileira

Caça F-5EM da Força Aérea Brasileira voando sobre o Cerrado brasileiro.
Caça F-5EM da Força Aérea Brasileira em voo sobre o Cerrado brasileiro, aeronave que completa 50 anos de operação no Brasil.

Posteriormente, em 1975, a FAB incorporou o F-5, um caça supersônico de origem americana que se tornaria um dos pilares da defesa aérea nacional. Ao todo, foram adquiridos 79 aviões em três lotes, além de outras 11 unidades compradas da Jordânia no final dos anos 2000.

Com o passar do tempo, os F-5 passaram por importantes modernizações realizadas pela Embraer, garantindo sua relevância operacional até os dias atuais. Atualmente, cerca de 40 aeronaves ainda compõem a frota brasileira, funcionando como um verdadeiro esteio da FAB enquanto o país avança para uma nova geração de caças.

nquanto isso, o Mirage-2000 surgiu como uma solução temporária. Adquirido em 2005, com um total de 12 unidades vindas diretamente da França, esse modelo substituiu os já obsoletos Mirage-3. No entanto, as aeronaves já estavam próximas do fim de sua vida útil, o que reforçou a necessidade de um novo programa de modernização.

Vale destacar que a busca por um substituto definitivo começou ainda em 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o lançamento do programa F-X. No entanto, devido a disputas e adiamentos, o processo evoluiu para o F-X2 em 2006, envolvendo concorrentes europeus, russos e americanos.

Gripen: o salto tecnológico e a produção nacional de caças supersônicos

Na Operação Thor, o F-39 Gripen realizou lançamentos de bombas convencionais da série Mk.80 e empregou, com sucesso, a bomba guiada a laser Lizard II. Foto: Sgt. Divulgação/Müller Marin/FAB/

Finalmente, em 2013, o Brasil tomou uma decisão histórica ao escolher o Saab Gripen como seu novo caça supersônico. A escolha ocorreu após uma disputa acirrada com o F/A-18 dos Estados Unidos e o Rafale francês. Curiosamente, o modelo americano perdeu força após o escândalo de espionagem envolvendo a então presidente Dilma Rousseff.

O Gripen representa um divisor de águas. Além de ser um caça altamente moderno, ele é o primeiro modelo supersônico a ser produzido no Brasil. Dos 36 aviões adquiridos, 15 serão finalizados na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP), consolidando o avanço tecnológico e industrial do país.

Atualmente, o Gripen já está operacional desde 2022 e continua passando por evoluções, como a integração de mísseis e canhões. Enquanto isso, os F-5 seguem ativos até que a transição completa seja concluída.

Além disso, vale destacar que o Gripen mantém a tradição das asas em delta, presentes também em aeronaves modernas como o Rafale, o chinês J-10 e o indiano Tejas, comprovando a eficiência desse design ao longo das décadas.

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