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domingo, 21 de junho de 2026

México avalia compra de 12 novos caças para substituir seus F-5E/F enquanto Gripen surge como favorito


Com apenas uma pequena parcela da frota ainda operacional, Força Aérea Mexicana acelera estudos para adquirir uma nova geração de aeronaves de combate até 2028


O México está analisando a aquisição de 12 novos caças para substituir sua envelhecida frota de Northrop F-5E/F Tiger II, em um programa que pode representar a maior modernização da Força Aérea Mexicana desde a década de 1980. A iniciativa faz parte de um amplo plano de renovação das capacidades militares do país e busca restaurar uma capacidade de defesa aérea que vem sendo reduzida há anos devido à idade avançada das aeronaves atualmente em serviço.

Os F-5 mexicanos foram adquiridos em 1982 e constituem, até hoje, o único vetor supersônico de combate da Força Aérea Mexicana. Entretanto, após mais de quatro décadas de operação, a frota enfrenta sérios desafios relacionados à manutenção, disponibilidade de peças e desgaste estrutural. Relatórios recentes indicam que apenas um número reduzido de aeronaves permanece plenamente operacional, situação que levou as autoridades militares a acelerar os estudos para sua substituição.

A renovação da aviação de caça mexicana ganhou destaque durante o Tulum Air Show 2026, quando representantes da Força Aérea Mexicana confirmaram que estão avaliando diferentes plataformas capazes de atender às necessidades futuras do país. O objetivo é incorporar uma aeronave multifuncional apta a executar missões de defesa aérea, interceptação, reconhecimento, vigilância e ataque ao solo.

Entre os modelos analisados estão algumas das aeronaves mais modernas disponíveis atualmente no mercado internacional. O Saab Gripen E/F desponta como um dos candidatos mais fortes devido à combinação entre tecnologia avançada e custos operacionais relativamente baixos. Equipado com radar AESA Raven ES-05, sistemas de guerra eletrônica de última geração e ampla capacidade de integração de armamentos, o caça sueco também oferece a possibilidade de operar a partir de pistas mais curtas e bases dispersas.

Outro concorrente relevante é o Lockheed Martin F-16, considerado um dos caças mais bem-sucedidos da história da aviação militar. Atualmente operado por mais de 25 países, o modelo possui uma vasta rede logística global, ampla disponibilidade de armamentos e grande interoperabilidade com forças aéreas ocidentais. A versão mais recente, o F-16 Block 70/72, incorpora radar AESA, aviônicos modernizados e melhorias estruturais que ampliam significativamente sua vida útil.

Na lista de possíveis candidatos também aparecem o sul-coreano KAI FA-50 e o italiano Leonardo M-346 Fighter Attack. Ambos representam alternativas de menor custo de aquisição e operação, atraindo interesse de países que buscam modernizar suas forças aéreas sem assumir os elevados investimentos exigidos por caças médios ou pesados.

A decisão mexicana ocorre em um momento de forte expansão dos investimentos militares em todo o mundo. A crescente demanda por aeronaves de combate, impulsionada pela guerra na Ucrânia, pelas tensões no Indo-Pacífico e pelo aumento dos gastos com defesa na Europa e no Oriente Médio, tem provocado filas de produção cada vez maiores entre os principais fabricantes. Em alguns programas, os prazos de entrega já ultrapassam cinco anos após a assinatura dos contratos.

Além da substituição dos F-5, o México trabalha em uma modernização mais ampla de sua estrutura aérea militar. O governo já aprovou investimentos para a aquisição de helicópteros multifunção, aeronaves de transporte, sistemas remotamente pilotados e novos radares de vigilância. O objetivo é ampliar a capacidade de monitoramento do território nacional, fortalecer o combate ao crime organizado e melhorar a resposta a emergências e operações de segurança.

Caça Gripen E da Saab.

A possível escolha do Gripen também chama atenção por causa da crescente presença da Saab na América Latina. A empresa sueca mantém uma parceria estratégica com o Brasil no programa F-39 Gripen e vem ampliando sua atuação regional em áreas como defesa aérea, sensores e sistemas de vigilância. Caso seja selecionado pelo México, o Gripen consolidaria ainda mais sua posição no continente.

A futura aquisição terá impacto não apenas na capacidade operacional da Força Aérea Mexicana, mas também nas relações estratégicas do país. A escolha do fornecedor poderá influenciar futuras cooperações industriais, programas de treinamento, acordos tecnológicos e parcerias de defesa por décadas.

Embora o governo mexicano ainda não tenha definido qual aeronave será escolhida, a expectativa é que os estudos avancem nos próximos meses. A decisão marcará o fim de uma era para os históricos F-5 Tiger II e abrirá um novo capítulo para a defesa aérea mexicana, em um cenário regional cada vez mais marcado pela modernização das forças aéreas latino-americanas.

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