Acordo anunciado em Farnborough prevê 20 conversões firmes e opções para mais 10 aeronaves, reforçando a aposta no crescimento da carga aérea regional e do comércio eletrônico.
A Embraer deu mais um passo importante na consolidação de sua estratégia para o mercado de carga aérea ao anunciar, durante o Farnborough International Airshow 2026, um acordo com a empresa de leasing Azorra para a conversão de até 30 aeronaves da família E-Jets em cargueiros. O contrato inclui 20 pedidos firmes do Embraer E190F e direitos de compra para outras 10 unidades, fortalecendo a presença do fabricante brasileiro em um segmento que apresenta forte potencial de crescimento impulsionado pelo comércio eletrônico e pela logística expressa.
O anúncio acontece poucos meses após a entrada em serviço do primeiro E190F, ocorrida em março deste ano, marco que abriu caminho para a comercialização em maior escala da aeronave. A Embraer aposta que operadores de carga e empresas de leasing buscarão cada vez mais aeronaves de porte intermediário para atender mercados regionais com maior eficiência e custos operacionais reduzidos.
Para a Azorra, o investimento representa a ampliação de uma parceria de longa data com a fabricante brasileira e marca sua estreia no segmento de cargueiros. O CEO da empresa, John Evans, afirmou que o E-Freighter combina a confiabilidade já comprovada da família E-Jets com uma solução moderna para o transporte expresso, oferecendo uma alternativa eficiente para substituir cargueiros Boeing 737 mais antigos. Segundo ele, a aeronave também atende às exigências internacionais de ruído Stage 4 e se beneficia da experiência da empresa na gestão dos motores General Electric CF34.
O presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, destacou que o acordo demonstra a confiança do mercado no potencial da versão cargueira dos E-Jets. Segundo o executivo, o crescimento contínuo da demanda por entregas rápidas cria oportunidades para aeronaves que ofereçam alta frequência de voos, custos competitivos e capacidade adequada para rotas regionais, sem a necessidade de operar grandes cargueiros com baixa ocupação.
Já o presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte, Carlos Naufel, ressaltou que os clientes do E190F contarão com a extensa rede global de manutenção, peças e suporte técnico da fabricante. A infraestrutura já estabelecida para a família E-Jets deverá contribuir para elevados índices de disponibilidade operacional e redução dos custos de operação ao longo da vida útil das aeronaves.
Desenvolvido a partir da conversão de jatos E190 de passageiros, o Embraer E190F recebeu reforços estruturais, uma ampla porta de carga lateral, piso reforçado e sistemas específicos para movimentação de contêineres no convés principal. O projeto foi concebido para atender especialmente o mercado de encomendas expressas, que exige alta frequência de operações e flexibilidade para conectar centros logísticos de médio porte.
Com capacidade para transportar até 13,5 toneladas de carga e volume útil superior a 100 metros cúbicos, o E190F ocupa um nicho entre os cargueiros turboélice e os tradicionais narrowbodies convertidos. Segundo a Embraer, o modelo oferece custos operacionais até 30% menores do que cargueiros convencionais de corredor único, mantendo alcance semelhante e proporcionando cerca de 35% mais capacidade volumétrica do que os maiores cargueiros turboélice atualmente em operação.
Além da eficiência econômica, a fabricante destaca que o E190F apresenta menor nível de ruído e maior eficiência ambiental, fatores cada vez mais relevantes para operações em aeroportos próximos a grandes centros urbanos e para operadores que buscam reduzir emissões e custos com combustível.
A expectativa é que as aeronaves sejam destinadas principalmente a mercados com forte expansão da logística regional, como América Latina, Sudeste Asiático, Oriente Médio e África, regiões onde a Azorra já possui atuação consolidada no leasing de aeronaves comerciais.
O novo contrato amplia ainda mais a parceria entre as duas empresas. Em junho deste ano, a Azorra anunciou a compra firme de 15 aeronaves Embraer E195-E2, acompanhada por direitos de aquisição para outras 15 unidades. A encomenda elevou para 54 o número de E2 encomendados pela companhia de leasing e ajudou o programa da nova geração de E-Jets a ultrapassar a marca de 500 pedidos firmes em todo o mundo.

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