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sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Dassault Super Mirage 4000

 Mirage 4000 - 9

Dassault Super Mirage 4000 com camuflagem de deserto e configurado para missão de interceptação com 6 mísseis Matra Magic

Em 1970 a França, que já era uma tradicional fabricante de aviões, embarcou na jornada para desenvolver caças de 4ª geração. Deste trabalho, surgiram dois aviões: o Dassault Mirage 2000, um caça leve que permanece voando ainda hoje, e o Dassault Mirage 4000, que por mais que tivesse excelente performance, acabou não dando certo.

Também chamado de Super Mirage 4000, o enorme delta foi projetado para atuar confortavelmente como um interceptador de longo alcance ou caça-bombardeiro, similar em tamanho, peso e performance ao Sukhoi Su-27 Flanker russo e ao McDonnell Douglas F-15 Eagle dos Estados Unidos. O 2000 e o 4000 foram desenvolvidos paralelamente, com o primeiro sendo custeado pelo governo francês e o 4000 sendo bancado pela Avions Marcel Dassault-Breguet Aviation.

A fabricante usou conhecimento obtido com o projeto do Mirage F2 (cancelado na década anterior) para desenvolver o M4000. Em termos gerais, o Super Mirage era como um Mirage 2000 maior, usando inclusive o mesmo motor, o SNECMA M53 P-2, mas alimentado por dois destes turbojatos. Aliás, os motores foram uma das pouquíssimas contribuições do governo francês ao projeto, autorizando a Dassault a usar os M53 dos estoques do programa Mirage 2000

Comparável ao F-15 e ao Su-27

O Super Mirage 4000 era comparável em tamanhoe performance ao F-15 Eagle dos Estados Unidos e foi projetado para ser um interceptador de longo alcance e um caça-bombardeiro capaz.

Em autonomia e razão de subida do Super Mirage 4000 também era comparável ao Sukhoi Su-27 Flanker.

A capacidade de armas chegava a 8.000 kg e na função de interceptador podia levar até 14 mísseis ar-ar.

A Dassault esperava que o Armée de l´air comprasse o Super Mirage 4000 para substituir os bombardeiros Mirage IV, mas a encomenda não se materializou.

O único protótipo acabou sendo usado como demonstrador de tecnologia para o sistema de controle de voo do Rafale.

 

Super Mirage 4000 decolando para o primeiro voo
Super Mirage 4000 e Mirage 2000

Seu primeiro voo aconteceu em 10 de março de 1979, um dia antes do primeiro voo do Mirage 2000 completar um ano. Logo de cara o protótipo, sob os comandos do piloto de testes Jean-Marie Saget atingiu velocidades supersônicas; cinco voos depois, o caça pesado ultrapassou Mach 2 (duas vezes a velocidade do som). 

Para bancar o maior consumo dos dois motores, o 4000 carregava três vezes mais combustível que seu ‘irmão menor’. Também possuía canards e usava fibra de carbono e boro na sua construção, diminuindo o peso e melhorando a performance da aeronave. Dessa forma, mesmo sendo bem maior que o Mirage 2000, o Mirage 4000 ainda mantinha uma boa manobrabilidade, característica dessa família de caças franceses. 

Em termos de armamentos, o grande delta possuía 11 pontos duros e capacidade para oito toneladas de armamentos diversos, incluindo mísseis ar-ar de curto e médio alcance, bombas convencionais ou guiadas, foguetes, mísseis ar-solo e outros, bem como os tanques subalares e os tradicionais canhões DEFA de 30 mm.

Super Mirage 4000 decolando para demonstração
Super Mirage 4000 em aproximação para o pouso com os freios aerodinâmicos abertos
Super Mirage 4000 recolhendo o trens de pouso logo após a decolagem
Super Mirage 4000 e Mirage 2000
Outro ângulo do Super Mirage 4000 configurado para missões ar-ar
Super Mirage 4000 e o protótipo do Rafale
Super Mirage 4000 com dois tanques alijáveis sob as asas
Super Mirage 4000 configurado como caça-bombardeiro
Super Mirage 4000 e o protótipo do Rafale armados como mísseis ar-ar
Super Mirage 4000 decola para demonstração com seus mísseis ar-ar
Super Mirage 4000 decola para demonstração com armas ar-ar, ar-solo, casulos e tanques suplementares

Super Mirage 4000 no museu de Le Bourget

O Mirage 2000 disputava mercado com aviões de caça mais leves, como o F-16 Fighting Falcon, e era o substituto natural do Mirage III, sendo adotado rapidamente pela Força Aérea Francesa. O Mirage 4000, no entanto, não chamou atenção do seu próprio governo e a Dassault focou esforços na exportação. Mesmo assim, apenas dois países demonstraram interesse no projeto: Arábia Saudita e Irã, que chegaram a iniciar tratativas para comprar a aeronave, mas não seguiram adiante. 

O Reino Saudita acabou adquirindo duas aeronaves: o Panavia Tornado pan-europeu e o norte-americano F-15, dois modelos que ainda são operados pelo país. O Irã, por sua vez, viveu a Revolução Islâmica de 1979, que o fez cortar as relações amigáveis com Europa e EUA, cujos reflexos são vistos até hoje. 

Sem clientes, o projeto do Mirage 4000 acabou sendo cancelado. A aeronave ainda seguiu voando como plataforma de ensaios e demonstração de tecnologia, inclusive sendo usado no desenvolvimento do projeto ACX, que deu origem ao Dassault Rafale, atualmente um sucesso de vendas da companhia francesa. Durante sua “carreira”, o Mirage 4000 realizou mais de 360 voos. O único protótipo construído encontra-se preservado no Museu do Ar e Espaço, em Paris. 

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