A Força Aérea do Uzbequistão se efetivou como a segunda operadora internacional do caça chinês J-10CE, depois do Paquistão. As seis primeiras aeronaves foram entregues pela fabricante Chengdu Aircraft Corporation (CAC) entre o mês de julho e a última semana de agosto de 2026, iniciando a modernização da envelhecida frota de caças soviéticos Su-27 e MiG-29 do Uzbequistão.
Não há uma confirmação oficial da quantidade de J-10CE foram adquiridas pele Uzbequistão, mas estima-se em cerca de 20 aeronaves. Elas serão operadas pela 60ª Brigada de Aviação Mista, cuja sede é a Base Aérea de Karshi-Khanabad (K2), localizada no sudeste do país, próximo ao Afeganistão.
Segundo o especialista em assuntos militares Andreas Rupprecht, a venda dos caças para o Uzbequistão é um negócio altamente significativo para a China, especialmente por demonstrar o avanço da sua indústria em um nicho de mercado historicamente pertencente à Rússia.
“Como a política sempre desempenha um papel importante na venda de aviões de combate, os produtos chineses podem realmente se tornar uma alternativa razoável para países que foram excluídos do processo de aquisição de equipamentos ocidentais”, disse Rupprecht.
A entrada dos J-10CE na Ásia Central fortalece a presença geopolítica de Pequim ao longo da Nova Rota da Seda, posicionando os sistemas de defesa chineses como alternativas viáveis às opções ocidentais e russas. Esse movimento reflete também o enfraquecimento do setor militar de alta tecnologia da Rússia e a perda de seu espaço como fornecedora global.
Nesse sentido, Rupprecht cita a importância do Paquistão na promoção dos caças J-10CE para o mercado internacional, cujos resultados positivos obtidos em treinamentos e combates reais – como nos rápidos confrontos aéreos na fronteira com a Índia. Contudo, esse sucesso não deve ser superestimado isoladamente, pois a política e os acordos de cooperação estratégica entre governos desempenham um papel decisivo no processo de escolha desses tipos de equipamentos militares.
Em longo prazo, este negócio pode representar um ponto de virada para as exportações militares da China, oferecendo uma oportunidade para expandir sua influência além dos nichos tradicionais. No entanto, o desafio futuro residirá no suporte pós-venda, na garantia da cadeia de suprimentos e nas atualizações contínuas de produtos, padrões aos quais os clientes de aviação militar estão habituados e que Pequim precisará sustentar com eficiência para se consolidar como um fornecedor confiável no mercado global.






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