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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Relatório da FAB revela avanços, atrasos e pressão orçamentária nos principais projetos estratégicos

 F-39E Gripen

Documento da COPAC detalha a situação dos programas Gripen, KC-390, H-225M, E-99M, LINK-BR2, Lessonia-1 e de renovação da frota de treinamento ao final de 2025

O Relatório de Gestão 2025 da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) apresenta um amplo retrato dos principais projetos de desenvolvimento, aquisição e modernização conduzidos pela Força Aérea Brasileira. O documento mostra que 2025 foi marcado pela entrega de novas aeronaves, conclusão de programas importantes e avanço de capacidades estratégicas, mas também por restrições orçamentárias, reprogramações contratuais, atrasos técnicos e prorrogações que empurraram alguns projetos para a próxima década.

Entre os principais resultados estão o recebimento de dois novos caças F-39 Gripen, da oitava aeronave de série KC-390, de quatro helicópteros H-125 e do último H-225M destinado à Marinha do Brasil. A FAB também concluiu a modernização das cinco aeronaves E-99M, avançou na certificação do LINK-BR2 e assumiu o controle dos novos satélites radar do Projeto Lessonia-1.

O relatório abrange dez projetos: AM-X, H-XBR, KC-X, KC-390, LINK-BR2, E-99M, CL-X2, F-X2, Lessonia-1 e TH-X. Juntos, eles sustentam as três grandes ações atribuídas à Força Aérea: defender o espaço aéreo, controlar as operações aeroespaciais e integrar o território nacional.

Orçamento instável obrigou a renegociação de contratos

Apesar dos avanços registrados, a COPAC identifica a instabilidade orçamentária como um dos principais obstáculos à execução dos programas. Segundo o relatório, os recursos inicialmente previstos na Lei Orçamentária Anual de 2025 ficaram abaixo do necessário para o pagamento de todas as etapas contratuais.

A liberação parcelada dos limites de empenho e pagamento também impediu que os recursos fossem comprometidos no início do exercício. Somados aos cortes realizados ao longo do ano, esses fatores obrigaram a FAB a renegociar cronogramas e adequar contratos à disponibilidade financeira.

A situação melhorou apenas no final de 2025, após a aprovação da Lei Complementar nº 221, que, segundo o documento, estabeleceu tratamento diferenciado para projetos estratégicos de Defesa. A medida permitiu que despesas relacionadas aos projetos KC-390, F-X2, H-XBR e TH-X fossem executadas fora dos limites fiscais e orçamentários ordinários.

A liberação dos recursos ocorreu na segunda quinzena de dezembro e permitiu o pagamento de etapas que estavam pendentes. Ainda assim, a concentração dos recursos no final do exercício evidencia um problema recorrente: programas militares de longa duração dependem de previsibilidade financeira, enquanto o orçamento brasileiro continua sujeito a bloqueios e liberações tardias.

Gripen chega a dez aeronaves, mas programa seguirá até 2033

O Projeto F-X2 prevê a aquisição de 36 caças Gripen — 28 monopostos Gripen E e oito bipostos Gripen F — além de armamentos, simuladores, suporte logístico e transferência de tecnologia.

Em 2025, a FAB recebeu duas aeronaves, uma em outubro e outra em dezembro. Com isso, o número de caças F-39 concentrados na Base Aérea de Anápolis chegou a dez.

Outros quatro aviões encontravam-se em montagem na linha de produção da Embraer, em Gavião Peixoto. O programa atingiu 55,98% de avanço físico ao final de 2025. Das 76 etapas contratuais programadas para o exercício, 69 foram recebidas, correspondendo a 90,79% da meta anual.

A previsão inicial era concluir o programa em dezembro de 2025. Após sucessivos ajustes, o prazo do contrato principal foi prorrogado para 24 de junho de 2033. O valor contratual atualizado é de aproximadamente 40,06 bilhões de coroas suecas, além dos contratos de armamentos e suporte firmados em dólares e libras esterlinas.

Outro marco destacado foi a campanha de qualificação do Gripen para reabastecimento em voo. Os ensaios realizados em 2025 permitiram certificar a combinação entre o F-39 e o KC-390, ampliando o alcance e a permanência dos caças brasileiros em missões de defesa aérea.

A transferência tecnológica permanece como uma das dimensões centrais do programa. O acordo de compensação industrial com a Saab envolve 63 projetos e possui obrigação atualizada de aproximadamente US$ 8,29 bilhões. Ao final de 2025, cerca de 71% dos créditos de compensação haviam sido reconhecidos.

FAB recebeu o oitavo KC-390 de série

O programa de aquisição do KC-390 também registrou um avanço importante com a entrega da aeronave FAB 2860, a oitava unidade de série recebida pela Força Aérea. O avião foi o terceiro entregue na configuração de Capacidade Operacional Plena, ou Full Operational Capability.

O KC-390 pode realizar transporte de tropas e cargas, reabastecimento em voo, busca e salvamento, evacuação aeromédica, lançamento de paraquedistas, operações humanitárias e combate a incêndios florestais.

A frota prevista para a FAB é de 19 aeronaves. Dezoito serão entregues pelo contrato de produção e uma será incorporada por meio do contrato de desenvolvimento. Essa reorganização, segundo a COPAC, permitirá reduzir o custo do contrato de aquisição sem alterar o número final de aviões.

O projeto alcançou 53,81% de avanço físico ao término de 2025. O cronograma de entregas foi replanejado para adequar-se à disponibilidade orçamentária e à capacidade de produção da Embraer e de seus fornecedores. As aeronaves deverão ser entregues até 2034, enquanto a vigência contratual se estende até 2035.

A COPAC também acompanha a compra de um segundo sistema modular MAFFS II, empregado no combate aéreo a incêndios. O equipamento foi contratado por aproximadamente US$ 9,75 milhões e tem entrega prevista para janeiro de 2027.

Com duas unidades do MAFFS II, a FAB poderá empregar simultaneamente aeronaves KC-390 em diferentes regiões do país, ampliando a capacidade de resposta durante grandes queimadas e emergências ambientais.

Desenvolvimento do KC-390 aproxima-se da conclusão

O documento separa o Projeto KC-X, responsável pelo desenvolvimento da aeronave, do Projeto KC-390, que trata da aquisição dos aviões de série.

O KC-X atingiu 99,31% de avanço físico. Entretanto, pendências de certificação, avaliação operacional e entrega dos protótipos impediram o encerramento do programa.

Em agosto de 2025, a FAB e a Embraer assinaram o 11º Termo Aditivo, estabelecendo as condições para a entrega das duas aeronaves de desenvolvimento. Uma delas será substituída por uma aeronave com célula e sistemas produzidos na configuração final de série, preservando apenas motores e determinados equipamentos dos protótipos existentes.

Segundo o relatório, a nova solução permitirá incorporar à frota uma aeronave com cerca de 70% de elementos novos, trazendo vantagens operacionais, logísticas e econômicas. A entrega dos protótipos deverá ocorrer até dezembro de 2028, enquanto a vigência contratual foi prorrogada até junho de 2029.

Durante 2025, o programa avançou em campanhas de certificação do reabastecimento em voo entre o KC-390 e o Gripen e na avaliação do sistema de autoproteção da aeronave.

Programa H-XBR chega a 45 helicópteros entregues

H225M da FAB

O Projeto H-XBR prevê a aquisição de 47 helicópteros H-225M para a Marinha, o Exército e a Força Aérea. O contrato originalmente contemplava 50 aeronaves, mas teve seu escopo reduzido.

Em 2025, foi entregue o último helicóptero destinado à Marinha do Brasil. Com isso, 45 unidades haviam sido recebidas pelas três Forças.

Restavam duas aeronaves: uma para o Exército Brasileiro e outra para a Força Aérea Brasileira. O projeto encerrou o ano com avanço físico de 97,19% e financeiro de 97,69%.

O prazo inicialmente previsto para conclusão era junho de 2017. Após sucessivas alterações, a vigência contratual foi prorrogada até maio de 2027.

Além da aquisição das aeronaves, o programa busca desenvolver a indústria brasileira de asas rotativas. A meta é alcançar um índice de nacionalização de 50%, fortalecendo a Helibras e capacitando empresas nacionais a produzir componentes, realizar manutenção e participar da cadeia logística.

LINK-BR2 atinge 96,6%, mas acumula etapas incompletas

O LINK-BR2 foi concebido para permitir a troca automática e segura de dados, voz, imagens e informações táticas entre aeronaves, estações de solo e centros de comando.

O sistema deverá reduzir a dependência das comunicações por voz e aumentar a consciência situacional dos pilotos e comandantes. Futuramente, deverá integrar plataformas como o F-5M, o Gripen e o KC-390, além de ampliar a interoperabilidade com a Marinha e o Exército.

O projeto deveria ter sido concluído em 2016, mas seu prazo foi prorrogado até dezembro de 2026. A COPAC informa que a contratada não conseguiu cumprir parte dos prazos previstos, e as justificativas para os atrasos serão avaliadas em processos administrativos de apuração de irregularidades.

Das 30 etapas que deveriam ser apresentadas em 2025, incluindo pendências de anos anteriores, 11 foram entregues integralmente, 14 parcialmente e cinco ficaram para 2026.

Mesmo com essas pendências, o avanço físico chegou a 96,6%. A primeira fase da campanha de certificação também foi concluída, com avaliações do rádio MARC e da integração do sistema à aeronave F-5M.

Durante a Operação Atlas, o LINK-BR2 foi empregado remotamente para demonstrar sua capacidade de ampliar a interoperabilidade e a consciência situacional em operações conjuntas.

Modernização do E-99M é concluída

E-99M

O Projeto E-99M encerrou 2025 com execução física e financeira de 100%. As cinco aeronaves previstas foram entregues na configuração operacional final.

Baseado no Embraer EMB-145, o E-99M recebeu novos sensores, sistemas de comunicação, enlaces digitais e equipamentos de missão. As aeronaves são empregadas no monitoramento do espaço aéreo, na detecção de alvos voando a baixa altitude e no apoio a operações contra o tráfico de drogas, armas e outros crimes transnacionais.

O pagamento da última etapa ocorreu em junho de 2025, e o Termo de Recebimento Definitivo do Objeto foi assinado em setembro.

Embora os contratos principais estejam concluídos, ainda há atividades relacionadas aos acordos de compensação industrial. Um dos acordos, firmado com a AEL Sistemas, encontrava-se com 75% de execução ao final do exercício.

Aeronaves SC-105 aguardam solução para inconsistências nos sensores

SC-105

O Projeto CL-X2 contemplou a aquisição de três aeronaves Airbus C295, designadas SC-105 Amazonas na FAB, configuradas para missões de busca e salvamento.

A execução física e financeira do contrato está concluída, mas o encerramento do projeto foi adiado devido a inconsistências identificadas em determinados sensores embarcados.

Em maio de 2025, a FAB assinou um novo termo aditivo, prorrogando o contrato até agosto de 2026. O período adicional será utilizado para coleta de dados operacionais e definição das ações corretivas a serem adotadas pela Airbus.

Apesar das pendências, os SC-105 realizaram 14 missões de busca e salvamento durante 2025, acumulando aproximadamente 301 horas de voo.

Satélites Lessonia-1 entram em operação

O Projeto Lessonia-1 implantou um sistema de sensoriamento remoto formado por dois satélites radar e uma infraestrutura terrestre de comando, controle e processamento de imagens.

Os primeiros satélites, Carcará-1 e Carcará-2, foram lançados em maio de 2022, mas apresentaram problemas no sistema de propulsão durante o comissionamento. A FAB rejeitou formalmente as unidades e acordou com a fabricante finlandesa ICEYE o fornecimento de dois novos satélites.

As novas plataformas, tecnologicamente mais avançadas, foram lançadas em agosto de 2024 e comissionadas em 2025. Em março, passaram a ser controladas pelo Centro de Operações Espaciais da FAB.

As imagens radar podem ser obtidas de dia ou à noite e mesmo através de nuvens. O sistema tem sido empregado no combate ao garimpo ilegal e ao tráfico de drogas, no monitoramento de fronteiras, queimadas e desastres naturais, na atualização de mapas, na avaliação da navegabilidade dos rios, na vigilância da Zona Econômica Exclusiva e em missões de busca e salvamento.

O projeto encerrou 2025 com avanço físico de 92,31% e financeiro de 95,59%. A conclusão, inicialmente prevista para dezembro de 2025, foi prorrogada para janeiro de 2028 devido aos atrasos no comissionamento e nas etapas de operação e manutenção.

TH-X avança com quatro helicópteros entregues

O Projeto TH-X prevê a aquisição de 27 helicópteros leves H-125: 15 para a Marinha do Brasil e 12 para a Força Aérea Brasileira.

As aeronaves substituirão os antigos Bell 206 Jet Ranger da Marinha e os H-50 Esquilo utilizados pela FAB na formação de pilotos de asas rotativas.

Em 2025, foram recebidos quatro helicópteros, além de itens da Lista de Aprovisionamento Inicial e da etapa de catalogação. Doze pilotos da FAB também concluíram o treinamento para operação do novo modelo.

O avanço físico passou de 8,1% ao final de 2024 para 29% em 2025, enquanto o avanço financeiro chegou a 34%. A conclusão permanece prevista para agosto de 2028.

O programa também ilustra o impacto direto das restrições financeiras. A necessidade estimada para 2025 era de aproximadamente R$ 169,2 milhões, mas a dotação inicial sofreu bloqueio de R$ 26,4 milhões. Uma suplementação de R$ 50 milhões, liberada no final do ano, permitiu pagar todas as etapas previstas.

Programa AM-X encerra ciclo iniciado em 2003

O relatório também formaliza a conclusão do Projeto AM-X, responsável pela revitalização e modernização dos caças-bombardeiros A-1 da FAB.

As aeronaves receberam novos aviônicos, sistemas de guerra eletrônica, equipamentos de visão noturna, capacidade para emprego de armamentos inteligentes e cabine digital compatível com outros projetos da Força Aérea.

O contrato principal foi encerrado em 2024, e os últimos acordos de compensação industrial foram concluídos em 2025. O projeto, iniciado em dezembro de 2003, teve duração superior a duas décadas.

Renovação avança, mas prazos longos expõem fragilidade estrutural

O balanço da COPAC mostra que a FAB conseguiu incorporar novas capacidades em praticamente todos os setores: defesa aérea, transporte estratégico, alerta antecipado, comando e controle, busca e salvamento, sensoriamento espacial e formação de pilotos.

Ao mesmo tempo, os cronogramas evidenciam o impacto da falta de previsibilidade financeira. Projetos originalmente programados para terminar entre 2016 e 2025 foram prorrogados para 2026, 2027, 2028, 2029, 2033 e 2035.

O desafio para os próximos anos será manter o fluxo de recursos necessário para concluir as entregas, preservar as linhas industriais e impedir que novos ajustes orçamentários provoquem custos adicionais ou perda de capacidade operacional.

Para a FAB, os programas administrados pela COPAC não representam apenas a compra de aeronaves e sistemas. Eles envolvem formação de pessoal, domínio tecnológico, geração de empregos, participação da indústria nacional e redução da dependência de fornecedores estrangeiros.■

FONTE: Relatório de Gestão 2025 da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate — COPAC, Comando da Aeronáutica.


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