A Força Aérea Argentina colocou caças F-16 diante dos aviões IA-63 Pampa em exercícios de interceptação e combate simulado em Córdoba. Conheça as diferenças de velocidade, radar, motor e desempenho entre os modelos.

A diferença entre os dois aviões é grande: o F-16 é um caça supersônico multifuncional, enquanto o Pampa é um treinador avançado de fabricação argentina, com capacidade de ataque leve. O objetivo da atividade foi preparar os pilotos para cenários táticos variados, e não definir um vencedor entre as aeronaves.
F-16 enfrenta adversários simulados e treina combate além do alcance visual
Esse treinamento é conhecido como combate aéreo dissimilar. Em vez de usar apenas aviões idênticos, a força aérea coloca aeronaves de características diferentes no mesmo cenário. O piloto precisa identificar a outra aeronave, acompanhar sua trajetória e decidir como reagir. Já a expressão BVR designa exercícios além do alcance visual, com procedimentos de detecção e interceptação antes de enxergar o alvo.

O portal Full Aviación informou que dois IA-63 Pampa II-40, de matrículas A-815 e A-822, foram enviados de Mendoza para Río Cuarto no início do mês. A permanência estava prevista para aproximadamente 30 dias. Havia possibilidade de ampliar o número de adversários simulados nas próximas missões.
F-16 Fighting Falcon pode voar a Mach 2 e leva armamento ar-ar
Os F-16 adquiridos da Dinamarca pertencem às versões F-16AM/BM MLU. Esse caça multifuncional de quarta geração tem radar de controle de tiro, motor único e versões com um ou dois tripulantes. Dependendo da configuração, pode empregar armamento ar-ar e ar-solo. A família alcança velocidade próxima de Mach 2 em condições favoráveis, aproximadamente o dobro da velocidade do som.
A Argentina recebeu mais seis caças em setembro de 2026, passando a contar com 12 F-16 entregues. O segundo grupo partiu da Dinamarca e fez escalas na Espanha e no Brasil, com reabastecimentos fornecidos por aviões americanos KC-135. As aeronaves modernizadas integram o programa argentino de recuperação de sua capacidade de aviação de caça.
Nos exercícios, os aviadores trabalham procedimentos táticos, interpretação de informações do radar, aproximação e resposta a contatos simulados. Essa etapa se soma aos voos de familiarização, aos simuladores e à preparação de equipes de manutenção e suporte em solo.
IA-63 Pampa III usa motor Honeywell, cockpit digital e simulador de radar

O IA-63 Pampa III, produzido pela FAdeA, é um treinador avançado capaz de realizar ataques leves. O avião tem dois assentos em tandem, motor turbofan Honeywell TFE731-40-2N e cockpit digital. Seu sistema de instrução permite simular situações com radar e outras informações táticas, além de trocar dados entre aeronaves.
A fabricante indica velocidade operacional máxima de Mach 0,8, teto de serviço de aproximadamente 12.900 metros e peso máximo de decolagem de 5 toneladas. Em condições específicas, o Pampa pode transportar equipamentos para treinamento e armamentos leves. Mesmo com limitações diante de um caça supersônico, ele é útil para reproduzir situações de combate aéreo.
O Pampa funciona como um adversário de treinamento porque os pilotos de F-16 precisam avaliar movimentos diferentes, posicionamento e aproximação em condições controladas. O combate simulado não equivale a uma missão de guerra, e o desempenho de cada aeronave depende do cenário, da configuração e dos procedimentos do exercício.
Com 12 F-16 recebidos, Argentina amplia preparação das tripulações
Os primeiros voos de F-16 no país ocorreram em março de 2026, inicialmente com aeronaves de dois lugares e participação de instrutores. A incorporação do novo sistema de armas depende não apenas dos pilotos, mas também de combustível, manutenção, infraestrutura, apoio em solo e disponibilidade de aeronaves para treinamento.
A movimentação em Córdoba interessa ao Brasil porque envolve a modernização da aviação militar de um país vizinho. Os exercícios foram conduzidos por militares argentinos, sem participação da FAB. As próximas atividades deverão ampliar a experiência das tripulações no uso dos caças que chegaram da Dinamarca.
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