Carteira de encomendas da fabricante brasileira cresceu 14% em um ano, impulsionada pelos jatos comerciais, pela aviação executiva e pela expansão dos contratos de defesa e serviços.
A Embraer alcançou uma carteira recorde de pedidos de US$ 35,7 bilhões no terceiro trimestre de 2026, consolidando sua posição entre os principais fabricantes aeroespaciais do mundo. O resultado, divulgado em 23 de outubro, representa um crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025 e reflete a demanda por aeronaves comerciais, jatos executivos e equipamentos militares, além da expansão dos contratos de manutenção e suporte.
O desempenho demonstrado no resultado financeiro apresentado reforça a presença internacional da fabricante brasileira em um momento de transformação da indústria aeronáutica, marcado pela renovação de frotas, pela busca por maior eficiência operacional e pelo aumento dos investimentos em defesa. Com encomendas em diferentes segmentos, a Embraer amplia sua visibilidade para os próximos anos, embora a conversão dos pedidos em receita dependa dos cronogramas de produção e entrega das aeronaves.
Na aviação comercial, a carteira de pedidos chegou a US$ 15,8 bilhões, com avanço de 5% em relação ao trimestre anterior. A família E2, composta pelos modelos E190-E2 e E195-E2, continua sendo um dos pilares desse desempenho, atraindo companhias aéreas interessadas em aeronaves de menor capacidade que ofereçam eficiência e flexibilidade para atender diferentes mercados.

Entre os destaques está o acordo com o Grupo Abra, que prevê a aquisição de 20 jatos E195-E2, além de 10 opções e 15 direitos de compra. O grupo, que controla companhias como Avianca e GOL, poderá ampliar sua frota com aeronaves brasileiras para atender à demanda por voos na América Latina.
A Embraer também recebeu encomendas adicionais de clientes como Binter, Luxair e ANA Holdings, demonstrando que a família E2 mantém oportunidades de expansão em mercados europeus, asiáticos e latino-americanos.
A aviação executiva também contribuiu para o recorde, com uma carteira de US$ 8,2 bilhões, crescimento de 12% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A demanda por jatos particulares e corporativos segue favorecendo a fabricante, que investe na evolução de seu portfólio. Entre as novidades está o Phenom 300E, que recebeu melhorias tecnológicas e recursos voltados à segurança, enquanto a linha Praetor amplia sua oferta para clientes que precisam de maior alcance e capacidade operacional.
Na área de Defesa e Segurança, a carteira de pedidos atingiu US$ 6,1 bilhões, uma expansão de 56% em um ano. O resultado reflete, entre outros fatores, o interesse internacional pelo KC-390 Millennium, cargueiro militar desenvolvido no Brasil para missões de transporte, lançamento de cargas, evacuação aeromédica e reabastecimento em voo. A Colômbia confirmou a aquisição de duas aeronaves durante o período, ampliando a presença do modelo na América Latina.
O KC-390 tornou-se um dos principais produtos de defesa da Embraer, com potencial para conquistar novos operadores que procuram substituir aeronaves de transporte mais antigas. Além das vendas, cada contrato abre oportunidades para serviços de treinamento, manutenção, fornecimento de peças e suporte técnico. O A-29 Super Tucano, por sua vez, continua sendo uma alternativa para forças aéreas que necessitam de uma aeronave versátil para treinamento avançado, vigilância e missões de combate.
Outro destaque foi a divisão de Serviços e Suporte, cuja carteira alcançou US$ 5,6 bilhões, crescimento de 14% na comparação anual. Os contratos de manutenção e assistência técnica são estratégicos porque ampliam o relacionamento da fabricante com os operadores e geram receitas ao longo da vida útil das aeronaves, complementando os resultados obtidos com a venda de aviões novos.
A Embraer também registrou um avanço nas entregas. Foram 66 aeronaves entregues entre julho e setembro de 2026, o melhor resultado para um terceiro trimestre, elevando o total dos nove primeiros meses do ano para 175 unidades. O crescimento da produção será fundamental para atender aos compromissos assumidos com clientes e transformar a carteira recorde em faturamento.
O volume de encomendas representa uma conquista importante para a indústria aeroespacial brasileira, mas também aumenta a responsabilidade da empresa em manter a produção, a qualidade e os prazos de entrega. Em um setor sujeito a desafios na cadeia global de fornecedores, a capacidade de executar os contratos será tão importante quanto conquistar novos clientes.
Com negócios distribuídos entre aviação comercial, executiva, defesa e serviços, a Embraer encerra o terceiro trimestre de 2026 com uma carteira que demonstra a amplitude de sua atuação internacional. O recorde de US$ 35,7 bilhões reforça o peso da fabricante brasileira no mercado global e cria uma base significativa para sustentar seus próximos passos, especialmente na expansão dos jatos E2 e do KC-390 Millennium.

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