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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

China revela o CE-25A, um avião elétrico de 19 passageiros com dez propulsores nas asas


O CE-25A foi projetado para transportar até 19 passageiros em rotas regionais e representa a aposta chinesa em uma nova geração de aeronaves com propulsão elétrica. Imagens divulgadas em outubro revelam detalhes do projeto, mas o primeiro voo ainda não foi confirmado publicamente.


A indústria aeronáutica chinesa voltou a chamar a atenção com imagens que mostram o possível demonstrador em tamanho real do CE-25A, um avião elétrico desenvolvido pela Commercial Aircraft Corporation of China (COMAC). As fotografias começaram a circular em 28 de outubro de 2026 e revelam uma aeronave equipada com dez propulsores elétricos distribuídos pelas asas. O projeto busca explorar novas soluções para o transporte regional de passageiros e poderá contribuir para o desenvolvimento de aeronaves com menor dependência de combustíveis convencionais.

O surgimento das imagens representa um novo capítulo na evolução do programa, apresentado originalmente pela COMAC em 2023. Apesar da aparência de uma aeronave pronta para testes, ainda não há confirmação independente de que o avião fotografado tenha realizado seu primeiro voo. A divulgação também não esclarece quando começarão os ensaios, qual sistema de baterias está instalado no demonstrador ou se o projeto já avançou para uma configuração próxima daquela prevista para uma futura operação comercial.

O CE-25A foi concebido para transportar até 19 passageiros, com velocidade de cruzeiro estimada em aproximadamente 400 km/h. Os dados divulgados durante a apresentação inicial indicavam autonomia entre 400 e 500 quilômetros, embora estimativas de até 600 quilômetros também tenham aparecido em publicações sobre o projeto. Esses números ainda precisam ser confirmados por testes, especialmente porque o desempenho de uma aeronave elétrica depende de fatores como peso, condições meteorológicas, perfil de voo e energia disponível nas baterias.

O elemento mais incomum do avião é a disposição de dez ventiladores elétricos com dutos integrados às asas. Em vez de concentrar a propulsão em dois motores convencionais, o conceito distribui o empuxo por vários pontos da aeronave. Essa arquitetura oferece aos projetistas maior liberdade para integrar os sistemas propulsivos à aerodinâmica e investigar formas de melhorar o desempenho em determinadas fases do voo. Os benefícios efetivos, porém, dependem dos resultados obtidos durante o desenvolvimento e não podem ser considerados comprovados apenas pelas imagens.

O principal obstáculo para transformar o CE-25A em um avião comercial está na capacidade de armazenamento de energia. Mesmo com os avanços recentes das baterias, a quantidade de energia armazenada por unidade de massa continua sendo uma limitação importante em comparação com os combustíveis aeronáuticos convencionais. Em uma aeronave destinada ao transporte de passageiros, o peso das baterias pode reduzir a carga útil e limitar o alcance, exigindo soluções que conciliem autonomia, segurança, desempenho e custos operacionais.

A complexidade não termina nos acumuladores de energia. Os engenheiros também precisam garantir o funcionamento confiável dos motores elétricos, controlar a geração de calor, administrar a distribuição de potência e desenvolver sistemas capazes de responder a eventuais falhas. Além disso, uma aeronave destinada ao transporte comercial precisa cumprir exigências rigorosas de certificação e demonstrar que pode operar de maneira segura e economicamente sustentável.

A iniciativa chinesa faz parte de uma movimentação internacional em busca de alternativas para aeronaves de menor porte. Nos Estados Unidos, a NASA desenvolveu o X-57 Maxwell para estudar a propulsão elétrica distribuída, enquanto empresas e centros de pesquisa de diferentes países investigam soluções totalmente elétricas, híbridas e movidas a hidrogênio. Embora esses projetos tenham objetivos e características distintas, todos enfrentam o desafio de conciliar a redução de emissões com as limitações atuais das tecnologias de armazenamento de energia.

A China possui uma cadeia industrial de baterias de grande dimensão e vem ampliando sua atuação em diferentes segmentos da aviação. A COMAC, conhecida pelos programas comerciais C919 e C909, busca desenvolver competências que vão além dos aviões convencionais. Ainda não está claro, entretanto, qual tecnologia de baterias equipará o CE-25A em uma eventual configuração de produção ou se o demonstrador utiliza soluções desenvolvidas especificamente para o programa.

O próximo passo será esclarecer o estágio real do projeto e verificar se a aeronave avançará para testes em solo e ensaios de voo. A divulgação de um demonstrador físico é relevante porque permite avaliar aspectos de integração e construção que não podem ser analisados apenas em representações conceituais. Mesmo assim, a passagem de um protótipo para uma aeronave certificada exige uma longa sequência de testes e validações. Por enquanto, o CE-25A é uma demonstração do interesse chinês na aviação elétrica, mas ainda não há dados públicos suficientes para determinar quando poderá transportar passageiros ou se alcançará as especificações inicialmente anunciadas.

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