
Identificado pela matrícula FAB 4000, primeiro caça biposto da nova geração Gripen prossegue na campanha de ensaios antes da entrega à Força Aérea Brasileira
A Saab divulgou novas imagens em voo do primeiro Gripen F destinado à Força Aérea Brasileira. Fotografado por Jörgen Ericsson, o caça aparece sobre o território sueco com a pintura cinza da FAB e a matrícula FAB 4000, reservada ao primeiro F-39F biposto.
Primeiro voo ocorreu em agosto
O primeiro Gripen F decolou pela primeira vez em 28 de agosto de 2026, às 9h40 no horário local. A missão durou 40 minutos e foi conduzida pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, e pelo tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB.
Durante o voo inaugural, as equipes verificaram o funcionamento dos principais sistemas da aeronave e seu desempenho inicial. A conclusão da missão marcou o início da fase aérea da campanha de certificação do Gripen F.
Os ensaios seguintes incluem a expansão gradual do envelope de voo, com avaliações de velocidade, altitude, fator de carga, ângulo de ataque e comportamento aerodinâmico. Também serão verificadas as capacidades táticas e as funções específicas do cockpit traseiro.
Antes da entrega à FAB, o FAB 4000 ainda terá de concluir os voos de aceitação de produção e os procedimentos previstos no programa de testes. A Saab não divulgou uma data exata para a transferência da aeronave ao Brasil.
Mais do que uma aeronave de treinamento
O Gripen F foi desenvolvido a partir do Gripen E, mas recebeu uma seção dianteira alongada para acomodar o segundo cockpit. A aeronave conserva os sensores, sistemas de missão, armamentos e desempenho operacional da variante monoposto, permitindo seu emprego tanto na conversão de pilotos quanto em missões de combate.
Os dois postos possuem controles e telas próprios, possibilitando que a aeronave seja pilotada a partir de qualquer cockpit. Em missões operacionais, a tripulação poderá dividir tarefas relacionadas à pilotagem, gerenciamento de sensores, guerra eletrônica, emprego de armamentos e coordenação tática.
A Saab também apresenta o cockpit traseiro como uma futura estação de comando para controlar, monitorar e coordenar aeronaves não tripuladas em tempo real. Essa possibilidade transforma o Gripen F em uma potencial plataforma de comando de missão, e não apenas em um treinador de conversão operacional.
Brasil participou do desenvolvimento
O Brasil é o cliente lançador do Gripen F e participou diretamente de seu codesenvolvimento. O contrato firmado em 2014 prevê 36 caças, sendo 28 Gripen E monoposto e oito Gripen F biposto. Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros passaram por atividades de capacitação relacionadas ao projeto, produção, ensaios e manutenção da aeronave.
Empresas brasileiras como Embraer, Akaer, AEL Sistemas e Saab Aeronáutica Montagens participam do programa. Parte das aeroestruturas é produzida em São Bernardo do Campo, enquanto a linha de montagem final brasileira está instalada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
A chegada dos oito F-39F permitirá à FAB ampliar a formação e a conversão operacional de pilotos dentro da própria frota Gripen. Ao mesmo tempo, a presença de um segundo tripulante oferecerá maior flexibilidade para missões complexas, nas quais o gerenciamento de sensores, comunicações, armamentos e futuros sistemas não tripulados poderá exigir uma divisão maior da carga de trabalho.
FOTOS: Saab AB/Jörgen Ericsson



Nenhum comentário:
Postar um comentário