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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Paraguai receberá 15 jatos AT-3 de Taiwan e voltará a ter aviação de combate a jato

 

As aeronaves começarão a chegar em 2027 e deverão equipar um esquadrão de caça reativado, enquanto o país planeja construir uma nova base aérea na região do Chaco.


A Força Aérea Paraguaia acertou a transferência de 15 jatos AIDC AT-3 Tzu-Chung de Taiwan, com previsão de início das entregas em meados de 2027. A iniciativa busca recuperar a capacidade de combate a jato do país, perdida em 2003, e faz parte de um plano mais amplo de reorganização da aviação militar, que inclui a reativação de uma unidade de caça e a criação de uma nova base aérea no Chaco paraguaio.

A informação foi publicada originalmente pelo portal especializado Pucará Defensa, com base em informações de fontes da própria Força Aérea Paraguaia. De acordo com a reportagem, os aviões serão transportados desmontados, e os quatro primeiros deverão estar em condições de voo até o fim de 2027. A montagem de toda a frota está prevista para ser concluída em 2028.

Os AT-3 deverão equipar inicialmente o 1º Esquadrão de Caça do Grupo Aerotático, unidade que atualmente está desativada. A transferência permitirá ao Paraguai voltar a operar aeronaves militares a jato, ampliando suas opções de treinamento e emprego tático, embora o modelo não tenha as capacidades de um caça moderno projetado para missões de superioridade aérea.

Desenvolvido pela indústria aeronáutica taiwanesa AIDC, com participação da norte-americana Northrop nas fases iniciais do programa, o AT-3 realizou seu primeiro voo em 1980 e entrou em serviço em 1984. A aeronave possui dois motores, assentos em tandem e foi concebida principalmente para treinamento avançado, mas também pode executar missões de ataque leve com armamentos transportados em pontos externos.

A oportunidade de transferência surgiu com a renovação da frota de treinamento de Taiwan, que substituiu progressivamente os AT-3 pelos novos T-5 Brave Eagle. Com a conclusão da transição, os jatos mais antigos passaram a representar uma alternativa para países que buscam ampliar suas capacidades militares sem os custos de aquisição e operação de caças mais sofisticados. Antes de entrar em serviço no Paraguai, porém, os aviões deverão passar por montagem, inspeções e adaptações, incluindo a instalação de equipamentos de comunicação compatíveis com as necessidades locais.

O projeto também prevê uma nova base aérea em Mariscal Estigarribia, na região do Chaco. A instalação deverá apoiar as operações de um grupo de combate equipado com parte dos AT-3 e aeronaves turboélice da Força Aérea Paraguaia. A localização poderá reforçar a presença militar em uma área extensa do país e facilitar o apoio às operações aéreas, desde que sejam providenciadas a infraestrutura e a logística necessárias.

A chegada dos jatos integra um processo mais amplo de renovação da aviação militar paraguaia. Em outubro de 2026, o país recebeu o sexto e último A-29 Super Tucano adquirido da Embraer, completando a encomenda destinada a fortalecer suas capacidades de treinamento e ataque leve. Os AT-3 deverão complementar esses aviões com uma plataforma de propulsão a jato, recuperando uma capacidade que permaneceu ausente por mais de duas décadas.

O cronograma ainda depende do transporte, da montagem e da preparação operacional das aeronaves, além do avanço dos planos para a nova base. Se as etapas forem cumpridas conforme o previsto, o Paraguai começará a reconstruir sua aviação de combate a jato a partir de 2027, com uma frota voltada principalmente ao treinamento avançado e ao ataque leve.

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