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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Portugal abre os cofres para modernizar suas Forças Armadas, aposta nos aviões brasileiros KC-390 e Super Tucano, mas ainda não sabe o que fazer com seus caças F-16

 

Portugal abre os cofres para modernizar suas Forças Armadas, aposta nos aviões brasileiros KC-390 e Super Tucano, mas ainda não sabe o que fazer com seus caças F-16
Portugal prevê investimentos em novas aeronaves KC-390 Millennium e A-29N Super Tucano da Embraer no orçamento de Defesa de 2027, enquanto a escolha dos futuros substitutos dos caças F-16 permanece indefinida. Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

Proposta de orçamento para 2027 reserva 3,8 bilhões de euros à Defesa portuguesa, contempla aeronaves brasileiras e modernização de navios, mas ainda não define qual caça substituirá a atual frota de F-16.

Portugal colocou a modernização de suas Forças Armadas entre as prioridades do orçamento de 2027, com destaque para a aquisição de aeronaves KC-390 Millennium e A-29N Super Tucano, fabricadas pela brasileira Embraer. A proposta apresentada pelo governo português em 8 de outubro prevê uma despesa de 3,798 bilhões de euros para a Defesa Nacional, com 855,9 milhões de euros destinados a investimentos.

O planejamento representa mais um passo no fortalecimento das capacidades militares portuguesas e na ampliação da presença de equipamentos brasileiros em uma força integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Segundo reportagem do jornal português Observador, assinada por Mariana Furtado e pela Agência Lusa, o orçamento também contempla novos navios de patrulha, modernização de fragatas, helicópteros e investimentos em vigilância marítima e ciberdefesa. Entretanto, uma das decisões mais importantes da aviação militar portuguesa continua sem definição: qual aeronave substituirá os atuais caças F-16 da Força Aérea Portuguesa.

KC-390 e Super Tucano colocam a Embraer entre as prioridades da modernização militar portuguesa




A proposta orçamentária destina parte dos investimentos previstos na Lei de Programação Militar à aquisição das aeronaves KC-390 e A-29N Super Tucano, dois modelos brasileiros que atendem a necessidades operacionais diferentes.

O KC-390 é uma aeronave de transporte militar multimissão, desenvolvida para movimentação de tropas, equipamentos e cargas, além de missões de evacuação aeromédica e apoio logístico. Sua incorporação permite ampliar as capacidades de transporte aéreo militar português e reforçar a interoperabilidade com outros integrantes da OTAN.



Já o A-29N Super Tucano representa uma solução voltada a missões de vigilância, treinamento avançado e apoio aéreo, oferecendo uma alternativa para operações que não exigem o emprego de caças supersônicos.

A escolha desses modelos demonstra que Portugal está procurando renovar diferentes segmentos de sua aviação militar, sem concentrar todos os investimentos em uma única categoria de aeronaves.

Para a indústria brasileira, a presença dos dois programas no planejamento orçamentário português reforça a posição da Embraer no mercado europeu de defesa.

O documento, entretanto, não discrimina quanto dos 855,9 milhões de euros será destinado especificamente a cada aeronave, nem permite concluir que todas as entregas ocorrerão em 2027.


Portugal prevê 855 milhões de euros em investimentos e prepara modernização da Marinha

A renovação não ficará restrita à Força Aérea.

Conforme detalhado pelo portal econômico português ECO, o planejamento inclui a construção de navios de patrulha oceânica e a modernização das fragatas da classe Vasco da Gama, dentro do programa conhecido como Midlife Upgrade.

Também estão previstas despesas relacionadas à sustentação logística e técnica da capacidade submarina portuguesa, à modernização da frota de aeronaves de patrulha marítima P-3C CUP+ e à aquisição de helicópteros de apoio, proteção e evacuação.

A proposta identifica outras prioridades estratégicas, incluindo defesa aérea e antimíssil, sistemas autônomos e não tripulados, ciberdefesa, proteção espacial e segurança de infraestruturas submarinas.

O esforço ocorre em um momento em que os integrantes europeus da OTAN procuram ampliar suas capacidades militares e responder às exigências de investimento acordadas pela aliança.

O governo português estima que os gastos com Defesa alcancem aproximadamente 2,15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Esse indicador possui abrangência diferente da dotação específica de 3,798 bilhões de euros prevista para a área.

Apesar do avanço anunciado, o crescimento da despesa consolidada será relativamente limitado: 1,4% em relação à referência de 2026 sem os recursos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Considerando esses recursos europeus na comparação, haveria uma redução de 1,7%.

F-35, Gripen, Rafale ou Eurofighter: Portugal ainda precisa decidir o futuro de seus caças F-16

Enquanto as aquisições de aviões de transporte e ataque leve aparecem expressamente no orçamento, a substituição dos caças F-16 permanece como uma das principais indefinições do planejamento militar português.

O ministro da Defesa, Nuno Melo, havia sinalizado que uma decisão seria anunciada em breve. Entretanto, a proposta orçamentária não identifica o modelo escolhido nem esclarece os recursos especificamente reservados ao futuro programa de caças.

Quatro alternativas estão no centro das discussões: o F-35 Lightning II, fabricado pela norte-americana Lockheed Martin; o Gripen E, da sueca Saab; o Eurofighter Typhoon, produzido por um consórcio europeu; e o Rafale, da francesa Dassault Aviation.

A disputa ultrapassa a comparação de desempenho entre aeronaves. A escolha envolve custos de aquisição, manutenção, treinamento, armamentos, integração com sistemas aliados e compromissos industriais de longo prazo.

Em 8 de outubro, durante visita a Lisboa, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, defendeu publicamente a aquisição dos F-35 norte-americanos, classificando-os como os melhores caças do mundo.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, respondeu que a decisão ainda não havia sido tomada e que o processo permanece sob responsabilidade do Ministério da Defesa.

A manifestação evidencia o peso diplomático da futura aquisição. O país terá de equilibrar requisitos operacionais, interesses estratégicos e disponibilidade financeira antes de substituir sua atual frota de combate.

Orçamento também amplia recursos para militares em missões internacionais

A proposta portuguesa reserva 162 milhões de euros às Forças Nacionais Destacadas, responsáveis pela participação militar do país em operações internacionais.

O valor representa um aumento de 10,4 milhões de euros, equivalente a 10,4%, em relação à referência anterior.

As despesas com pessoal, por sua vez, representam 40,5% dos recursos consolidados da Defesa, embora a previsão de crescimento nessa categoria seja de apenas 0,4%.

As aquisições de bens e serviços correspondem a 24,7% da despesa, enquanto os investimentos absorvem 22,5%.

A diferença entre o aumento relativamente pequeno das despesas com pessoal e o volume reservado à modernização evidencia o desafio de Portugal: adquirir novos equipamentos sem comprometer os recursos necessários para operar, manter e sustentar essas capacidades.



A proposta do Orçamento do Estado para 2027 foi entregue ao Parlamento português em 8 de outubro e ainda depende de apreciação legislativa. A votação final global está prevista para 24 de novembro.

Até lá, o governo poderá prestar novos esclarecimentos sobre o financiamento dos programas militares. Para a Embraer, o orçamento mantém KC-390 e Super Tucano entre os equipamentos previstos para a renovação das Forças Armadas portuguesas. Para a aviação de caça, porém, a decisão que determinará as próximas décadas da defesa aérea do país continua pendente

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