
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) decidiu encerrar a utilização de sua pequena frota de Embraer A-29C Super Tucano. As três aeronaves, que estavam em serviço com a Escola de Pilotos de Teste da USAF desde 2024, foram retiradas de operação e armazenadas na Base Aérea de Edwards, na Califórnia.
Em 29 de outubro, o Centro de Testes da Força Aérea (AFTC) emitiu um contrato de fornecedor exclusivo para a Sierra Nevada Corporation (SNC), parceira da Embraer nos Estados Unidos. O acordo prevê a prestação de serviços sob demanda para garantir a conservação das aeronaves durante o período de armazenamento.
Entre as atividades previstas estão a correção de vazamentos nos sistemas de combustível, hidráulico e de óleo, reparos ou substituição de pneus, reboque e movimentação das aeronaves em solo, além de pequenas intervenções de manutenção. O documento também é explícito quanto ao futuro dos aviões: “Não se espera que essas aeronaves retornem ao voo para uso pela Força Aérea”.

Super Tucano nos EUA
O A-29 era o único modelo de origem brasileira em operação nas Forças Armadas dos Estados Unidos. Sua trajetória no país começou ainda na primeira década dos anos 2000, quando a empresa militar privada Blackwater adquiriu um Super Tucano por meio da EP Aviation, seu braço aeronáutico.
A aeronave, registrada como N314TG (C/N 31400082), também foi utilizada pela Marinha dos EUA no programa Imminent Fury – Phase I, que avaliou sua capacidade de prestar suporte aéreo à equipes de operações especiais.
Anos depois, o turboélice brasileiro tornou-se um dos principais concorrentes do programa Light Attack/Armed Reconnaissance (LAAR), iniciado em 2009. A iniciativa buscava uma aeronave de ataque leve e reconhecimento capaz de realizar missões de apoio aéreo aproximado e complementar as capacidades de plataformas como o A-10 Thunderbolt II.
O Super Tucano superou concorrentes como o Leonardo M-346, o Textron Scorpion e o Boeing OV-10X, chegando à fase final da disputa contra o AT-6 Wolverine, da Beechcraft, atualmente parte da Textron. O programa, entretanto, passou por anos de atrasos e mudanças até ser cancelado em 2020.
Em 2014, a USAF recebeu os primeiros A-29 adquiridos pelo governo norte-americano, mas as aeronaves não foram destinadas à sua própria estrutura operacional. Elas foram empregadas a partir da Base Aérea de Moody no treinamento de pilotos e militares da Força Aérea Afegã. Com a retirada das forças internacionais do Afeganistão e o retorno do Talibã ao poder, em 2021, os aviões deixaram de operar naquele país.
A USAF também adquiriu três A-29C para o Comando de Operações Especiais (AFSOC). As aeronaves foram destinadas ao apoio de atividades de assessoria militar, nas quais especialistas norte-americanos treinam, avaliam e acompanham forças aéreas de países aliados e parceiros.
Paralelamente, a Força Aérea adquiriu dois AT-6E Wolverine, utilizados principalmente em ensaios com tecnologias de comunicação e transmissão de dados via satélite, sob responsabilidade do Comando de Combate Aéreo.

Voo turbulento
O futuro dos A-29C, porém, já era incerto. Em agosto de 2022, Edward Stanhouse, então diretor executivo do programa de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) no AFSOC afirmou que os Super Tucano e os AT-6 provavelmente seriam vendidos.
A perspectiva estava relacionada à escolha do AT-802U Sky Warden, desenvolvido pela Air Tractor em parceria com a L3Harris, para o programa Armed Overwatch. A SNC também participou da disputa, com o MC-145B Wily Coyote, baseado no PZL-28 Skytruck polonês.
Apesar das indicações de que seriam negociados, os A-29C permaneceram em serviço no AFSOC até 2024, quando foram transferidos para a Escola de Pilotos de Teste, em Edwards. A chegada das aeronaves foi recebida como um reforço importante para a instituição, que não incorporava um novo modelo de avião havia cerca de três décadas.

Na escola, os Super Tucano seriam empregados em ensaios de parafuso (spin) e na integração de sensores e armamentos, incluindo tecnologias multidomínio. A transferência abriu uma nova etapa na trajetória do modelo nos Estados Unidos, mas ela acabou sendo breve.
Agora, com a decisão de manter as aeronaves apenas armazenadas, encerra-se a participação do A-29 na estrutura de voo da USAF. O desfecho ocorre justamente em um momento de expansão internacional do Super Tucano, que continua despertando o interesse de forças aéreas e conquistando espaço em novos mercados, inclusive na Europa.
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