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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Segundo jato Embraer E2 mongol decola do interior de São Paulo e passa em Recife antes de cruzar o oceano

 

Reprodução Youtube: Spotter Milton Peixe

A Hunnu Air, companhia aérea da Mongólia, celebra a entrega de seu segundo jato Embraer E195-E2, reforçando seu plano de modernização e ampliação da malha aérea com aeronaves de última geração.

Registrada como EI-HUU, a aeronave decolou no dia 23 de dezembro do Aeroporto de São José dos Campos (SP), fez uma escala técnica em Recife (PE) antes de cruzar o Oceano Atlântico rumo a Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

A aquisição de dois jatos Embraer E2 está conectada ao compromisso da Hunnu Air de ampliar sua capacidade de transporte e conectividade internacional, oferecendo maior conforto e eficiência operacional em rotas de média distância.

A chegada do segundo E195-E2 ocorre alguns meses após o recebimento da primeira unidade, EI-HUN, que marcou a estreia da família E2 no mercado mongol, logo após a aprovação do modelo pela autoridade de aviação civil local.

Com capacidade para cerca de 130 a 136 passageiros, o E195-E2 destaca-se pela eficiência no consumo de combustível, baixa emissão sonora e custos operacionais reduzidos, atributos que o tornam ideal para companhias aéreas atuantes em mercados em expansão.


Primeiro F-39 Gripen montado na Embraer deve ser entregue até o final de março, diz Saab

 F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira. Foto: Sgt. Müller Marin/FAB/Divulgação.

A Força Aérea Brasileira (FAB) está cada vez mais próxima de iniciar o recebimento dos caças F-39 Gripen montados no Brasil. Durante o Singapore Airshow, a Saab revelou que a primeira aeronave produzida pela Embraer deverá ser entregue ainda no primeiro trimestre deste ano.

A informação foi divulgada pelo portal FlightGlobal, que ouviu o chefe de marketing da Saab, Mikael Franzen. Segundo o executivo, a fabricante sueca pretende ampliar de forma significativa a capacidade anual de produção do Gripen, com a meta de superar 36 aeronaves por ano. Nesse contexto, a linha de montagem instalada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, desempenha um papel estratégico para o aumento do ritmo produtivo.

O primeiro Gripen montado no Brasil alcançou a fase de montagem final em 2024, e a expectativa inicial era de que a entrega ocorresse apenas no fim de 2025. No entanto, sem novidades ao longo do ano, a recente publicação do FlightGlobal indica que a aeronave deverá ser entregue até o final de março.

Em 2025, a FAB já recebeu dois F-39E, de matrículas 4110 e 4111. Há especulações de que o primeiro Gripen montado no Brasil seja o de matrícula 4109, uma vez que esse número ainda não foi incorporado ao 1º Grupo de Defesa Aérea – Esquadrão Jaguar, unidade responsável pela operação do caça. Até o momento, a Força Aérea recebeu 11 das 36 aeronaves adquiridas em 2014 no âmbito do Projeto FX-2.

Linha de produção do Gripen na Embraer deve entregar primeiro avião até o próximo mês.
Linha de produção do Gripen na Embraer deve entregar primeiro avião até o próximo mês (Foto: Saab)

A produção local do F-39 é um dos pilares do amplo pacote de transferência de tecnologia previsto no FX-2, considerado um dos aspectos mais relevantes do programa. Além da montagem final das aeronaves na Embraer, a Saab implantou linhas de produção de componentes no país, capacitou profissionais brasileiros na Suécia e conduz uma série de ensaios e processos de certificação em território nacional. O Gripen brasileiro também incorporou sistemas desenvolvidos no Brasil, como o Head-Up Display e o Wide Area Display, ambos produzidos pela AEL Sistemas, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Conforme destacado na , o Gripen da FAB alcançou três marcos importantes no fim de 2025. A Operação Samaúma certificou o par F-39 e KC-390 para missões de reabastecimento em voo. Já o exercício BVR-X, realizado na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, marcou os primeiros disparos reais do míssil de longo alcance MBDA Meteor a partir do F-39E, reforçando a capacidade dissuasória do caça. Por fim, o exercício de tiro aéreo na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, permitirá que o 1º GDA assuma o alerta de defesa aérea com o F-39 a partir de sua sede, em Anápolis, Goiás.

Além do Brasil e da Suécia, o Gripen E já foi selecionado pelas forças aéreas da Colômbia, com 17 unidades, e da Tailândia, que encomendou quatro aeronaves com opção para mais oito. Paralelamente, a Saab mantém negociações envolvendo o caça com países como Ucrânia, Portugal, Peru e Filipinas.

A empresa também confirmou que vem fornecendo informações ao Canadá sobre o Gripen como uma possível aeronave complementar ao F-35 Lightning II, em meio às recentes tensões políticas entre Ottawa e Washington. Ao comentar o tema, Franzén afirmou que “o Gripen tem pontos fortes que o F-35 não tem, assim como o F-35 possui capacidades que o Gripen não oferece”, ressaltando o caráter complementar entre os dois projetos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Lufthansa amplia frota comemorativa de 100 anos com novas pinturas e resgata design histórico

 


A Lufthansa continua a transformar o seu centenário em um dos maiores projetos visuais já vistos na aviação comercial moderna. A companhia alemã confirmou a incorporação de mais aeronaves com pinturas externas especiais, ampliando a chamada “anniversary fleet” que marcará os 100 anos da empresa ao longo de 2026 em aeroportos de todo o mundo.

O destaque mais recente é um Airbus A350-900, matrícula, que pousou em Munique após a conclusão do processo de pintura e passou a integrar oficialmente o grupo de aeronaves comemorativas.

O modelo reforça a presença do esquema especial em rotas intercontinentais estratégicas, ampliando a visibilidade global da celebração. Antes dele, a Lufthansa já havia apresentado um Boeing 787-9, matrícula D-ABPU, e um Airbus A320neo, D-AING, ambos com variações do design do centenário, incluindo o número “100” e o tradicional símbolo do grou em proporções ampliadas.

Segundo informações divulgadas pela própria companhia, o plano completo do centenário prevê uma frota comemorativa composta por seis aeronaves de diferentes categorias. Além dos modelos já revelados, ainda devem receber pinturas especiais um Airbus A380, um Boeing 747-8 e o primeiro Airbus A350-1000 da frota da Lufthansa. A ideia é representar visualmente todas as principais gerações de aeronaves atualmente operadas pela empresa, conectando tradição e inovação em um mesmo projeto.

Além do que havia sido oficialmente anunciado, a Lufthansa surpreendeu o mercado ao revelar uma pintura adicional de caráter histórico. Um Airbus A321ceo, matrícula D-AISZ, saiu do centro de pintura em Norwich ostentando o esquema conhecido como “Parabol”, um design retro inspirado em elementos gráficos usados pela companhia nas décadas de 1950 e 1960. O padrão, marcado por linhas curvas elegantes ao longo da fuselagem, não fazia parte do pacote original divulgado para o centenário, mas foi rapidamente identificado por spotters.

Esse resgate visual não é inédito na história recente da empresa. Entre 2005 e 2014, um outro Airbus A321, matrícula D-AIRX, operou com uma pintura semelhante, então chamada de “50th Anniversary Retro”, criada para celebrar os 50 anos do renascimento da Lufthansa em 1955, após a Segunda Guerra Mundial. Na época, o design homenageava o retorno da companhia aos céus e o início de sua expansão internacional no pós-guerra.

Agora, mais de duas décadas depois daquela homenagem, a Lufthansa retoma o conceito parabólico para marcar um feito ainda mais simbólico: um século de operações contínuas. A combinação de pinturas modernas, como o “Super Crane” aplicado nos widebodies, com o resgate de esquemas históricos transforma a frota em uma verdadeira linha do tempo voadora.

Cada aeronave passa a contar um capítulo diferente da trajetória da empresa, enquanto opera normalmente em voos comerciais, ampliando o alcance da celebração muito além de eventos pontuais. Com isso, o centenário da Lufthansa deixa de ser apenas uma data comemorativa e se consolida como uma ação estratégica de branding global, que une design, história e tecnologia, reforçando a identidade da companhia em um momento-chave de renovação de frota e reposicionamento para o futuro da aviação comercial

Embraer vê potencial de mais de 180 aeronaves C-390 no mercado de defesa da Ásia-Pacífico

 


A Embraer aproveitou o Singapore Airshow 2026 para deixar claro que o mercado de defesa da Ásia-Pacífico ocupa hoje uma posição estratégica nos planos de expansão da empresa, com o C-390 Millennium no centro dessa ofensiva comercial. O jato de transporte militar vem ganhando tração global e já soma cerca de 50 vendas firmes ou seleções, além de 19 opções, um número que reforça a maturidade do programa e sua aceitação por forças aéreas que buscam substituir aeronaves antigas por plataformas mais rápidas, eficientes e versáteis.

Durante entrevistas concedidas em Singapura, o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, destacou que a empresa identifica um mercado endereçável de aproximadamente 184 aeronaves de transporte apenas na região Ásia-Pacífico. Segundo o executivo, muitos países ainda operam aviões com quase 50 anos de serviço, o que torna inevitável um ciclo de renovação de frotas ao longo da próxima década, impulsionado tanto por necessidades militares quanto por missões humanitárias e de resposta a desastres naturais, cada vez mais frequentes na região.

Entre os mercados considerados prioritários está a Índia, onde a Embraer disputa o programa Medium Transport Aircraft, que prevê a aquisição de algo entre 40 e 80 aeronaves. Analistas do setor apontam que o C-390 surge como um concorrente forte ao combinar capacidade de carga de até 26 toneladas, velocidade de cruzeiro significativamente superior à de cargueiros turboélice e um custo de ciclo de vida projetado para ser competitivo em operações intensivas.

O salão aeronáutico também serviu de palco para anúncios concretos. A Embraer confirmou que a primeira aeronave destinada à Força Aérea da Coreia do Sul alcançou a fase final de montagem em dezembro e já segue para a campanha de ensaios em voo, antes da integração dos sistemas específicos solicitados pelo cliente.

O C-390 foi selecionado por Seul no fim de 2023, no âmbito do programa Large Transport Aircraft II, e a primeira entrega está prevista ainda para este ano. Embora a fabricante não divulgue oficialmente o número de unidades adquiridas, fontes do setor indicam um pedido inicial de três aeronaves.

Segundo Bosco da Costa Junior, o avanço do programa sul-coreano demonstra não apenas a maturidade da linha de produção do C-390, mas também a solidez da parceria com a agência de aquisições de defesa do país, a força aérea local e fornecedores industriais regionais. A empresa revelou ainda que conseguiu reduzir em cerca de 33% o tempo total de produção da aeronave, resultado de ajustes industriais e de maior integração da cadeia de suprimentos, o que abre caminho para um aumento consistente no ritmo de entregas.

A Embraer planeja entregar seis C-390 ao longo deste ano, o dobro do volume registrado em 2025, e trabalha com a meta de atingir uma cadência anual de até dez aeronaves até o final da década. Esse crescimento é sustentado por novos contratos, como o recentemente confirmado Uzbequistão, que adquiriu duas unidades do cargueiro brasileiro, ampliando a presença do modelo também na Ásia Central.

Outro ponto que chamou a atenção no Singapore Airshow foi a evolução da versão reabastecedora KC-390. Atualmente equipada com o sistema de mangueira e cesto, a aeronave poderá futuramente receber a capacidade de reabastecimento por lança rígida, o que ampliaria sua interoperabilidade com diferentes tipos de caças e aeronaves de grande porte. A Embraer indicou que novidades sobre esse desenvolvimento devem ser anunciadas em breve, reforçando a flexibilidade do projeto.

A frota global do C-390 já ultrapassou a marca de 20 mil horas de voo acumuladas, com algumas forças aéreas registrando mais de mil horas anuais por aeronave, um indicador relevante de disponibilidade e confiabilidade operacional. O modelo foi selecionado por países como Brasil, Portugal, Países Baixos, Áustria, Suécia, Hungria, Eslováquia, Lituânia, além da Coreia do Sul e do Uzbequistão.

Paralelamente ao C-390, a Embraer reforçou no evento o bom momento do A-29 Super Tucano. O executivo confirmou que as Filipinas fecharam contrato para um segundo lote de seis aeronaves, ampliando sua frota destinada a missões de ataque leve, vigilância e apoio aéreo aproximado. Com mais de 300 unidades encomendadas em todo o mundo, o Super Tucano segue como uma das plataformas mais bem-sucedidas da Embraer no segmento militar, agora com planos de incorporar também capacidades voltadas ao combate contra sistemas aéreos não tripulados.

O cenário apresentado em Singapura mostra uma Embraer cada vez mais confiante, acelerando produção, consolidando clientes em regiões estratégicas e ampliando as capacidades técnicas de seus principais produtos.

Se as projeções se confirmarem, o C-390 Millennium tende a se tornar um dos protagonistas do processo de modernização das frotas de transporte militar na Ásia-Pacífico ao longo dos próximos anos, reforçando a presença brasileira em um dos mercados de defesa mais dinâmicos do mundo.

Helibras entrega helicópteros Esquilo e Super Cougar para FAB e Marinha

 Helibras entregou o último AH-15B para a Marinha do Brasil. Foto: Airbus Helicopters via DCTA.

No fim de 2025, a Helibras celebrou a entrega de dois helicópteros à Marinha do Brasil e à Força Aérea Brasileira (FAB), reforçando de forma significativa a frota de asas rotativas das Forças Armadas. As aeronaves, um H-50 Esquilo (H125) e um AH-15B Super Cougar (H225M), foram recebidas nos dias 17 e 18 de dezembro pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), órgão da FAB responsável pela gestão, aquisição, acompanhamento técnico e recebimento de aeronaves e sistemas de defesa, nas instalações da empresa em Itajubá, em Minas Gerais.

O Esquilo de matrícula 8823 foi adquirido pela FAB no âmbito do programa TH-X, que prevê a incorporação dos helicópteros Airbus/Helibras H125 para modernizar a formação de pilotos de helicóptero da Marinha e da Força Aérea. As aeronaves do programa estão sendo obtidas por meio da redução de três helicópteros H225M Caracal. Segundo o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o novo vetor amplia a capacidade operacional da instituição ao oferecer maior versatilidade nas missões de instrução e treinamento.

“O recebimento da quinta aeronave do Projeto TH-X e da terceira destinada à Força Aérea representa mais um passo importante na integração do novo vetor como plataforma-base para a formação de futuros pilotos de helicóptero”, afirmou o capitão-aviador Erlon Nascimento de Souza, do Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV), responsável pelo recebimento do H125 da FAB.

COPAC recebeu o quinto H125, adquirido para treinar pilotos da FAB e MB. Foto: Airbus Helicopters via DCTA.
COPAC recebeu o quinto H125, adquirido para treinar pilotos da FAB e MB (Foto: Airbus Helicopters, via DCTA)

A COPAC também recebeu o último AH-15B Super Cougar destinado à Marinha do Brasil, encerrando um ciclo que, segundo o DCTA, fortaleceu de forma significativa a aviação naval. A versão armada do H225M Caracal é empregada pela Marinha e é a variante mais avançada do helicóptero em atividade no país. Armada com o míssil antinavio Exocet AM39 B2M2, possui radar tático APS-143, o sensor infravermelho FLIR Star Safire III, suíte de contramedidas e demais equipamentos, todos integrados ao sistema de gerenciamento de dados táticos de missão (N-TDMS).

Adquiridos pelas três Forças Armadas no âmbito do programa H-XBR, os Caracal cumprem uma ampla gama de missões. No Exército Brasileiro, o modelo é designado HM-4 Jaguar; na FAB, H-36 Caracal; e, na Marinha, AH/UH-15 Super Cougar.

Durante o evento, representantes da Helibras destacaram a relevância da parceria contínua com as Forças Armadas, ressaltando o papel da indústria nacional na fabricação e no suporte de aeronaves de alta tecnologia. As entregas evidenciam não apenas o fortalecimento da capacidade operacional das organizações militares, mas também o compromisso com a soberania nacional e com o desenvolvimento tecnológico do país.

O presidente das Comissões de Recebimento e chefe do Grupo de Acompanhamento e Controle do Programa Aeronave de Combate (GAC-PAC), coronel-aviador Diogo Silva Castilho, ressaltou que “a Marinha do Brasil encerra hoje o recebimento dos helicópteros mais complexos e equipados já produzidos no hemisfério sul, um verdadeiro motivo de orgulho para a indústria nacional e um conjunto de vetores que traz um relevante ganho operacional para as nossas Forças Armadas”.

Embraer fecha acordo de suporte para o C‑390 Millennium da Hungria


Em novembro de 2025, a Hungria tornou‑se o primeiro país a receber todas as aeronaves multimissão previstas no contrato, totalizando duas unidades, sendo o segundo operador do C‑390 na OTAN. Desde a entrada em serviço, no fim de 2024, a primeira aeronave da frota tem realizado uma ampla variedade de missões, com taxa de conclusão superior a 99%.


“Este acordo representa mais um passo importante em nossa parceria com a Força Aérea da Hungria. Estamos comprometidos em construir um relacionamento de longo prazo que garanta a excelência operacional contínua, por meio de serviços de suporte abrangentes. A Hungria tem demonstrado a notável confiabilidade e versatilidade da aeronave, e esperamos dar continuidade a essa colaboração para atender a todos os requisitos de missão, atuais e futuros”, afirma Douglas Lobo, Vice-Presidente de Suporte ao Cliente e de Pós Vendas da Embraer Serviços & Suporte.

Essas aeronaves de última geração executarão uma ampla gama de missões militares e civis, incluindo evacuação médica, apoio humanitário, busca e salvamento, transporte de cargas e tropas, lançamento aéreo de cargas com precisão, operações paraquedistas e reabastecimento em voo. Os C 390 operados pela Hungria são os primeiros do mundo a contar com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) modular e removível.

FONTE: Embraer

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 Negócio de US$ 600 milhões pode marcar entrada da aeronave brasileira no mercado africano e consolidar modernização militar marroquina

Imagem meramente representativa
 

A Embraer está em fase final de negociações para vender entre quatro e cinco aeronaves KC-390 Millennium à Força Aérea Real Marroquina, em um contrato estimado em aproximadamente US$ 600 milhões. Se confirmado, o acordo representará um marco histórico tanto para a indústria aeroespacial brasileira quanto para a estratégia de defesa do país norte-africano.

Negociações em estágio avançado
Segundo fontes da mídia especializada e publicações do setor, as tratativas entre a Embraer e o governo marroquino encontram-se em estágio avançado, com expectativa de conclusão até o final de 2025 e primeiras entregas previstas para 2027. A fabricante brasileira já enviou delegações ao Marrocos para tratar dos detalhes técnicos e comerciais da operação.

Apesar dos sinais positivos, tanto a Embraer quanto as autoridades marroquinas mantêm discrição pública sobre o assunto. Até o momento, não houve comunicado oficial detalhando quantidade exata de aeronaves, valores ou cronograma definitivo de entregas.

O interesse marroquino pelo KC-390 foi oficialmente revelado em setembro de 2024, durante um encontro de operadores da aeronave, quando o Marrocos apareceu listado entre os novos clientes potenciais, ao lado de Chile e Emirados Árabes Unidos. Meses antes, em março, um KC-390 de demonstração realizou voos com membros da Força Aérea Marroquina nas cidades de Rabat e na Base Aérea de Kenitra, com recepção considerada extremamente positiva pelos militares locais.

Modernização de frota envelhecida
A aquisição dos KC-390 faz parte de um amplo programa de modernização das Forças Armadas Reais do Marrocos, que conta com um orçamento de defesa superior a US$ 12 bilhões anuais. O país busca elevar suas capacidades de projeção regional, especialmente nas áreas do Sahel e do Saara Ocidental, regiões estratégicas onde mantém interesses de segurança.

Atualmente, a Força Aérea Real Marroquina opera cerca de 14 aeronaves C-130H Hércules, incluindo duas variantes KC-130H utilizadas para reabastecimento em voo. Muitas dessas aeronaves possuem mais de quatro décadas de uso, o que gera custos crescentes de manutenção e menor disponibilidade operacional.

A substituição por KC-390 representa um salto tecnológico significativo. Enquanto os C-130H marroquinos enfrentam limitações de idade e disponibilidade, o jato brasileiro oferece carga útil de até 26 toneladas, velocidade aproximada de 870 km/h (470 nós) e capacidade de operar em pistas curtas ou semi-preparadas — superando em carga, velocidade e eficiência os turbo-hélices atualmente em serviço.

Capacidades e versatilidade operacional
O KC-390 Millennium é uma aeronave multimissão de última geração, desenvolvida pela Embraer em parceria com a Força Aérea Brasileira e outros parceiros internacionais. Incorpora tecnologia fly-by-wire, suíte completa de autoproteção (incluindo sistemas de alerta radar, alerta de mísseis e lançadores de chaff/flare) e compatibilidade com pods de reabastecimento padrão OTAN.

Essa versatilidade permite que a aeronave atue em diferentes papéis: transporte estratégico e tático, vetor de assalto aeroterrestre, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios florestais e reabastecimento aéreo para caças e helicópteros. Para o Marrocos, essas capacidades são especialmente relevantes diante dos desafios de segurança em seu entorno estratégico.

Dimensão estratégica e geopolítica
Se o acordo for confirmado, o Marrocos se tornará o primeiro operador do KC-390 no continente africano, um feito significativo para a penetração da Embraer em mercados emergentes. A escolha também reflete a estratégia marroquina de aproximação aos padrões OTAN e diversificação de fornecedores militares, reduzindo a dependência exclusiva de soluções norte-americanas.

A negociação ganha contornos ainda mais relevantes no contexto das tensões regionais, especialmente com a Frente Polisário, apoiada pela Argélia. A modernização da capacidade de transporte e projeção de força aérea torna-se, assim, uma prioridade estratégica para Rabat.

Cooperação industrial e offsets
Além da venda das aeronaves, o contrato deve incluir pacotes abrangentes de suporte logístico, manutenção e capacitação de pilotos e mecânicos. Há também a possibilidade de produção parcial das aeronaves localmente, o que fortaleceria a nascente indústria aeroespacial marroquina.

Em outubro de 2024, o governo marroquino assinou um Memorando de Entendimentos com a Embraer para lançar projetos conjuntos no setor aeroespacial, abrangendo aviação comercial, defesa e até mobilidade aérea urbana. A empresa brasileira vem estruturando uma cadeia de fornecedores no país norte-africano, o que pode facilitar acordos de cooperação industrial e offsets ligados ao programa KC-390.

Consolidação do KC-390 no mercado global
Para a Embraer, a venda ao Marrocos representa mais do que um contrato comercial: é a consolidação do KC-390 como alternativa competitiva aos gigantes Boeing e Lockheed Martin no segmento de transporte militar. Seria um dos maiores contratos já firmados pela fabricante brasileira com um país africano.

Atualmente, além do Brasil, o KC-390 já foi adquirido por Portugal, Hungria, Holanda, Áustria e Coreia do Sul. A entrada no mercado africano abre novas perspectivas de expansão em um continente que busca modernizar suas forças armadas e possui necessidades crescentes de transporte estratégico.

Enquanto aguardam a confirmação oficial, observadores do setor apontam que todos os sinais técnicos, comerciais e políticos indicam que o acordo está próximo de ser fechado, marcando um novo capítulo na projeção internacional da indústria de defesa brasileira.


Quadro Comparativo: KC-390 Millennium vs C-130H/KC-130H

Aspecto

KC-390 Millennium (proposto)

C-130H/KC-130H (atual Marrocos)

Situação

Em negociação (4–5 unidades)

Frota em operação, aeronaves envelhecidas

Carga máxima

~26 toneladas de carga útil

Volume e capacidade útil prática inferior

Velocidade

~470 nós (~870 km/h)

Inferior, com tempos de translado maiores

Tecnologia

Fly-by-wire, suíte de autoproteção moderna

Aviônicos antigos, custos de manutenção crescentes

Papel estratégico

Modernização, maior alcance no Sahel e interoperabilidade OTAN

Capacidade atual limitada por idade e disponibilidade