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domingo, 14 de junho de 2026

Com diversidade na linha de montagem, veja quais aviões KC-390 da Embraer serão entregues em breve

 


Divulgação – Embraer

EXCLUSIVO – A fábrica da Embraer na cidade de Gavião Peixoto (SP) nunca esteve tão movimentada e também tão diversa, com vários KC-390 de diferentes países na linha de produção.

Durante visita nesta semana à unidade da Embraer, vi de perto o avançado processo de produção do KC-390 e do A-29 Super Tucano, desde o recebimento dos componentes de outras unidades da fabricante brasileira e fornecedores estrangeiros, como também o processo de junção de asas, que é feito a laser, e também a instalação do trem de pouso.

Um dos pontos que chamou a atenção é a quantidade de diferentes aeronaves que estão sendo montadas simultaneamente na fábrica que fica na região da Morada do Sol, no interior paulista. São três países diferentes que receberão em breve unidades do KC-390: Áustria, Brasil e Portugal.

A mais “adiantada” é a unidade da Força Aérea Brasileira, de número de série 39000019 e que deverá ter a matrícula FAB2861, que em breve será direcionada para os testes em solo, seguindo para os testes em voo.


Divulgação – Embraer

Logo após ela está mais um KC-390 para a Força Aérea Portuguesa, de número de série 39000022 e possivelmente terá o registro 26905 na FAP, sendo o quinto jato do modelo a ser recebido por Portugal, que se tornou um indutor do programa e peça-chave para o número expressivo de vendas do avião dentro da OTAN.

Em seguida vêm os dois primeiros aviões do mais novo operador do modelo, a Áustria, que será o primeiro operador europeu não membro da OTAN a voar o modelo. A primeira aeronave, de número de série 39000024, já teve as asas colocadas e está no processo de instalação dos trens de pouso, com matrícula 8T▼MA. Logo após ela vem outro KC-390 também da Áustria, mas que ainda terá as asas instaladas.

Logo após estes aviões, deverão ser montadas unidades dos Países Baixos, Coreia do Sul e Uzbequistão, não necessariamente na ordem descrita. Vale destacar também que a ordem dos números de série não é necessariamente atrelada à ordem de produção (line number) ou ao cronograma de entrega. A lista de países compradores do KC-390 só tem aumentado e recentemente a Grécia entrou na fase preliminar para a compra, enquanto a África do Sul é mais um cliente em potencial.

Turkish Airlines segue com Embraer E2 e Airbus A220 na mesa; decisão por nova frota deve sair em breve

 

Fotomontagem

A Turkish Airlines enfrenta uma decisão estratégica crucial ao escolher aeronaves para a expansão no segmento de 100 a 150 assentos, que impactará seu crescimento, entrada em novos mercados e o futuro da aviação civil turca. No centro dessa escolha estão duas famílias de aeronaves: o Embraer E2 e o Airbus A220.

Embora pareçam concorrentes diretos, os modelos atendem a necessidades distintas. O A220, especialmente o modelo 300, é próximo aos narrowbodies tradicionais, com maior alcance, cabine mais ampla e integração ao ecossistema Airbus.

Já o Embraer E2 oferece capacidades para 100 a 150 assentos, um segmento ainda não explorado pela Turkish Airlines, representando um novo modelo operacional e a abertura para novas rotas.

Durante a Assembleia Geral da IATA no Rio de Janeiro, Arjan Meijer, CEO da Embraer Aviação Comercial, destacou que o E2 e o A220 são frequentemente comparados, mas o E2 fornece maior flexibilidade, usando a analogia: “Na cozinha, você não compra a mesma faca duas vezes; escolhe uma maior ou menor para diferentes tarefas.

Essa filosofia traduz a decisão que a Turkish Airlines enfrenta, pois já opera as famílias Airbus A320 e Boeing 737, enquanto o E2 abriria uma nova faixa de capacidade.

A espera pela escolha da Turkish já leva alguns anos e vem sendo postergada diante de diferentes fatores geopolíticos. Enquanto isso, segue a queda de braço entre a fabricante brasileira e a europeia.

Segundo lote de aviões Super Tucano das Filipinas está na fase final de montagem na Embraer

 


Foto: Embraer

EXCLUSIVO – O segundo lote de aviões de ataque Super Tucano das Filipinas deverá ser entregue em breve pela Embraer, com as aeronaves já na fase final de montagem.

O país asiático já opera hoje com seis aviões A-29, recebidos em 2021 e operados pelo 16º Esquadrão de Ataque, que substituiu os North American Rockwell OV-10 Bronco operados na Base Aérea de Danilo Atienza.

Um segundo lote, igualmente de meia dúzia de aeronaves, foi adquirido em 2024, com o nome permanecendo em sigilo até o ano seguinte, 2025, como o AEROIN reportou em primeira mão na época.

Agora, as quatro primeiras aeronaves deste novo lote já estão na fase final de montagem em Gavião Peixoto, como foi visto pela equipe do AEROIN durante uma visita à fábrica militar da Embraer no interior paulista, onde também é montado o cargueiro militar KC-390 e, numa instalação anexa, o caça JAS-39E Gripen.

Boa parte das aeronaves já recebeu a distintiva pintura com uma camuflagem cinza de dois tons e também a famosa “boca de tubarão”, que inclusive foi usada em aviões Super Tucano de demonstração da própria Embraer no início do programa AL-X, que deu origem ao A-29.

É esperado que os aviões sejam entregues no início do segundo semestre, mas com data ainda a ser definida.

Star Air segue firme com planos para os Embraer E190 apesar do aumento nos custos de combustível

 


Imagem: Embraer

A Star Air segue firme no cronograma para incorporar dois aviões Embraer E190 em sua frota, visando atender rotas de alta demanda, afirmou o CEO da companhia, Simran Singh Tiwana.

Atualmente, a empresa opera oito Embraer E175, com capacidade entre 76 e 88 assentos, e os E190, com 108 lugares, serão os maiores aviões da frota.

A Star Air possui permissão para operar voos regulares de curta distância, realizando entre 35 e 40 voos diários que conectam cidades de segundo e terceiro nível na Índia, dentro do programa de conectividade regional.

Essa permissão permite a operação de aeronaves com peso máximo de decolagem de até 40 toneladas, enquanto o E190 possui peso superior a 51 toneladas, exigindo uma permissão específica para transporte aéreo regular.

A Diretoria Geral de Aviação Civil concedeu à Star Air uma isenção para importar e integrar os E190 enquanto a empresa finaliza a obtenção da autorização para transporte aéreo regular.

Apesar do aumento das tarifas impactar viagens discricionárias, Tiwana destacou que a demanda geral dos passageiros permanece sólida, especialmente em mercados regionais onde a conectividade aérea reduz significativamente o tempo de deslocamento e amplia o acesso.

O CEO acrescentou que a companhia avalia continuamente o desempenho das rotas, a demanda de mercado e a alocação das aeronaves para garantir a utilização eficiente dos recursos.

sábado, 13 de junho de 2026

O ‘rugido’ dos Gripen pode sair do Brasil: 17 caças ultramodernos colocam a Embraer no radar de uma nova corrida aérea militar

 

A parceria entre Saab e Embraer pode ampliar a fabricação de caças Gripen no Brasil, usando a estrutura nacional para atender novos contratos internacionais e fortalecer o país como polo estratégico da indústria de defesa na América Latina

O ‘rugido’ dos Gripen pode sair do Brasil: 17 caças ultramodernos colocam a Embraer no radar de uma nova corrida aérea militar
Caças Gripen podem ampliar o papel do Brasil na produção internacional de aeronaves militares de última geração.

17 aviões de guerra ultramodernos serão fabricados no Brasil caso a Saab avance com seu plano de usar a estrutura da Embraer para atender ao contrato firmado com a Colômbia. A negociação prevê a entrega de caças Gripen até 2032 e pode colocar a indústria brasileira de defesa em um novo patamar dentro da cadeia global de produção militar.

A movimentação ganhou força após declarações de Micael Johansson, presidente e CEO da Saab. Segundo ele, a empresa sueca pretende aproveitar ao máximo a capacidade instalada no Brasil para cumprir o acordo colombiano. A informação foi divulgada pela CNN Brasil, conforme dados publicados sobre a estratégia da Saab para ampliar a produção dos caças Gripen em parceria com a Embraer.

Na prática, o contrato com a Colômbia pode fazer com que o Brasil deixe de ser visto apenas como operador de aeronaves militares avançadas e passe a ser reconhecido também como um centro de produção regional. Além disso, a presença da Embraer nesse processo reforça a importância do país em um setor dominado por tecnologia sensível, alto valor agregado e forte impacto estratégico.



A declaração indica que o Brasil pode assumir uma função mais ampla na produção dos caças. Portanto, a fábrica brasileira não seria apenas um ponto de apoio, mas uma peça importante na execução de um contrato bilionário de defesa.

Esse detalhe é relevante porque contratos militares desse porte envolvem muito mais do que a montagem de aeronaves. Eles incluem integração de sistemas, suporte técnico, treinamento, armamentos, equipamentos e serviços especializados. Dessa forma, cada etapa produtiva pode gerar conhecimento, empregos qualificados e fortalecimento da base industrial brasileira.

Contrato colombiano prevê 15 Gripen E e 2 Gripen F até 2032

O acordo firmado pela Saab com a Colômbia prevê a entrega de 17 caças Gripen. Ao todo, serão 15 caças Gripen E monopostos, com um assento, e 2 caças Gripen F bipostos, com dois assentos.

Além das aeronaves, o pacote inclui equipamentos, armamentos associados, treinamento e serviços. O valor total do pedido é de 3,1 bilhões de euros, o que mostra a escala financeira e estratégica da negociação.

Nesse sentido, a Colômbia aparece como o cliente que pode acelerar a expansão da produção dos Gripen no Brasil. Embora o país comprador esteja fora do título, ele é o ponto central da matéria, já que o contrato colombiano é justamente o fator que pode levar a Saab a ampliar o uso da estrutura brasileira.

Além disso, o prazo de entrega até 2032 cria uma janela de longo prazo para a indústria nacional. Isso significa que a participação brasileira pode envolver planejamento industrial, formação de mão de obra especializada e fortalecimento de fornecedores locais ao longo dos próximos anos.


Brasil pode virar hub regional de produção dos caças Gripen

A possibilidade de fabricar parte dos caças Gripen destinados à Colômbia reforça uma ambição estratégica: transformar o Brasil em um hub de produção de aviões de guerra na América Latina. Essa ideia ganha força porque os Gripen já são produzidos no país dentro da parceria entre Saab e Embraer.

No entanto, a ampliação da produção para atender um contrato internacional muda a escala do projeto. O Brasil passaria a ocupar uma posição mais relevante não apenas como participante de um programa nacional, mas como fornecedor dentro de uma rede global de defesa.

Esse movimento também fortalece a imagem da Embraer. A empresa brasileira já é uma das principais fabricantes aeronáuticas do mundo e possui experiência tanto na aviação comercial quanto no setor militar. Com os Gripen, ela se aproxima ainda mais de um segmento estratégico, altamente tecnológico e associado à soberania nacional.

Por outro lado, para a Saab, usar a estrutura brasileira pode ser uma decisão eficiente. A empresa amplia sua capacidade produtiva, diversifica sua base industrial e aproveita uma parceria já consolidada. Portanto, a expansão no Brasil pode ser vista como uma solução prática para atender à demanda colombiana sem depender apenas da planta sueca.

Gripen E e Gripen F reforçam a tecnologia militar envolvida no acordo

Os modelos citados no contrato colombiano são o Gripen E e o Gripen F. O Gripen E é a versão monoposto, operada por um piloto. Já o Gripen F é a versão biposto, com dois assentos, geralmente associada a treinamento avançado, missões específicas e adaptação operacional.

A presença dos dois modelos no pacote mostra que o acordo não envolve apenas a compra de aeronaves prontas para combate. Ele também inclui uma estrutura de formação e operação, já que treinamento e serviços fazem parte do contrato.

Além disso, os caças Gripen são aeronaves modernas, projetadas para missões de defesa aérea, vigilância, interceptação e operações militares complexas. Por isso, sua produção exige domínio de engenharia, integração eletrônica, sistemas embarcados e rigorosos padrões de qualidade.

Nesse contexto, a participação brasileira ganha peso. Se a planta da Embraer for usada de forma ampliada, o país poderá aprofundar sua presença em uma cadeia tecnológica que poucos países da região conseguem acessar.


Parceria entre Saab e Embraer ganha novo peso estratégico

A parceria entre Saab e Embraer já tinha importância para o Brasil por causa da modernização da Força Aérea Brasileira. Agora, com o contrato colombiano, essa cooperação pode ganhar uma dimensão regional.

Isso acontece porque a produção dos caças para outro país latino-americano reforça o papel do Brasil como base industrial de defesa. Em vez de concentrar toda a fabricação na Europa, a Saab pode distribuir parte da produção para uma estrutura brasileira já envolvida no programa Gripen.

Além disso, a decisão pode gerar efeitos indiretos positivos. Uma produção maior tende a exigir mais técnicos, engenheiros, fornecedores, manutenção especializada e processos industriais avançados. Como resultado, o país pode ganhar mais relevância na cadeia aeroespacial militar.

Ainda assim, é importante destacar que a ampliação depende da execução prática dos planos da Saab. O CEO da companhia indicou a intenção de usar ao máximo a capacidade brasileira, mas os detalhes sobre quais etapas serão realizadas no Brasil podem variar conforme o avanço do contrato e da organização produtiva.

Possível venda para a Ucrânia também pode aumentar a demanda



Além do contrato com a Colômbia, o Brasil pode se beneficiar de outra frente internacional envolvendo os caças da Saab. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou a intenção de comprar 20 novos caças Gripen E produzidos pela empresa sueca.

Até o momento, porém, não existe contrato assinado entre a Ucrânia e a Saab para essa compra. Mesmo assim, a possibilidade mostra que a demanda internacional pelo Gripen pode crescer nos próximos anos.



Caso novas vendas avancem, a Saab poderá precisar ampliar ainda mais sua capacidade de produção. Nesse cenário, a planta brasileira da Embraer pode se tornar uma alternativa cada vez mais importante para absorver parte dessa demanda.

Portanto, o contrato colombiano pode ser apenas o primeiro movimento de uma fase mais ampla. Se outros países confirmarem compras, o Brasil pode ganhar ainda mais espaço dentro da estratégia global da Saab.

O que está em jogo para a indústria de defesa brasileira



A possível fabricação dos 17 caças Gripen ligados ao contrato colombiano representa mais do que uma notícia sobre aviões de guerra. Ela aponta para uma disputa industrial e tecnológica em que o Brasil pode conquistar protagonismo.

Em um mundo marcado por tensões geopolíticas, aumento dos investimentos militares e busca por modernização das forças aéreas, países capazes de produzir aeronaves de combate ganham importância estratégica. Por isso, a participação da Embraer no programa Gripen tem impacto que vai além do setor aeronáutico.

Além disso, a expansão da produção pode fortalecer a base industrial de defesa brasileira. Isso inclui empresas fornecedoras, centros de engenharia, profissionais especializados e estruturas de manutenção. Dessa forma, o programa pode gerar reflexos em tecnologia, emprego qualificado e capacidade nacional.

No fim, o “rugido” dos Gripen pode sair cada vez mais do Brasil. E, caso a estratégia da Saab avance, a fabricação desses caças para atender à Colômbia pode colocar a Embraer no centro de uma nova corrida aérea militar na América Latina.



F-39 Gripen impõe nova realidade nos exercícios da FAB: capacidades precisam ser limitadas para equilibrar os combates

 Gripen AMX F-5

F-39E, F-5EM e A-1M

Os primeiros anos de operação do F-39 Gripen na Força Aérea Brasileira começam a revelar algo que, até pouco tempo atrás, era apenas uma expectativa de projeto: o novo caça representa uma mudança profunda no padrão de combate aéreo da FAB. Além de substituir aeronaves veteranas, o Gripen introduz uma nova lógica de emprego, marcada por sensores avançados, fusão de dados, guerra eletrônica, enlaces modernos e armamentos de longo alcance.

Relatos de exercícios e conversas no meio aeronáutico indicam que a diferença entre o F-39 e as plataformas de geração anterior em serviço no Brasil é muito grande. Em treinamentos contra aeronaves como o F-5M e o A-1, a superioridade do Gripen obriga, muitas vezes, à criação de cenários artificialmente limitados para que o exercício mantenha valor didático. Em outras palavras: para “dar jogo”, é preciso reduzir as capacidades do F-39, impor restrições ou simular condições que aproximem artificialmente plataformas de gerações muito diferentes.

Essa disparidade não deve ser vista como um demérito das aeronaves mais antigas. O F-5M, em especial, prestou e ainda presta um serviço relevante à defesa aérea brasileira, com uma modernização bem-sucedida para a época. A questão é que o F-39 representa uma plataforma de combate de nova geração. A superioridade da consciência situacional do piloto de Gripen altera profundamente o equilíbrio de um combate aéreo simulado.

No cenário sul-americano, essa diferença ganha ainda mais peso. Um F-39 configurado para superioridade aérea, levando mísseis Meteor de longo alcance e IRIS-T para o combate aproximado, representa uma capacidade que, por enquanto, nenhum país da região consegue igualar. A combinação entre o alcance, a persistência energética do míssil, a qualidade dos sensores e a consciência situacional do piloto coloca a FAB em um patamar inédito de dissuasão aérea.

O Meteor é o elemento central dessa transformação. Trata-se de um míssil ar-ar além do alcance visual projetado para manter energia durante grande parte do voo, ampliando a chamada zona de não escape. Na prática, isso significa que o alvo tem menos margem para manobrar, fugir ou simplesmente esperar que o míssil perca energia. Em cenários de combate BVR, essa característica muda completamente a equação: quem detecta primeiro, compartilha melhor os dados e dispara primeiro passa a ditar o ritmo do combate.

F-39E da FAB lançamento Meteor

O Gripen foi concebido justamente para esse tipo de cenário. Com sua capacidade de operar como nó de uma rede, ele recebe, processa e distribui informações, permitindo que o piloto tome decisões mais cedo e com melhor qualidade.

No F-39E Gripen, o piloto passa a operar com um nível muito superior de consciência situacional, apoiado pelo Wide Area Display (WAD), uma tela panorâmica de alta resolução que reúne e organiza as principais informações táticas da missão. Ao apresentar o cenário de combate de forma integrada e intuitiva, o WAD reduz a carga de trabalho no cockpit e acelera o ciclo OODA — observar, orientar-se, decidir e agir — permitindo que o piloto compreenda a situação, avalie ameaças e escolha a melhor resposta em menos tempo.

O IRIS-T complementa essa arquitetura no combate aproximado. Altamente manobrável e guiado por sensor infravermelho moderno, o míssil oferece ao F-39 uma capacidade letal também no curto alcance. Assim, o Gripen não depende apenas da vantagem além do alcance visual; ele continua perigoso caso o combate evolua para distâncias menores.

O F-39E equipado com dois Meteor sob as asas e dois IRIS-T nas pontas das asas

É nesse contexto que surgem avaliações de bastidores de que um F-39 com carga máxima de Meteor e IRIS-T demonstrou repetidas vezes a capacidade de “varrer” forças inimigas em combate simulado. A percepção de quem observa a chegada do Gripen: a FAB passou a operar uma plataforma muito acima do padrão médio regional.

O desempenho observado nos treinamentos confirma a lógica que levou à escolha do F-39. A aeronave não foi adquirida apenas para substituir o F-5 e o AMX, mas para criar uma nova camada de capacidade tecnológica, operacional e industrial. Com Meteor, IRIS-T, sensores modernos e forte integração em rede, o Gripen entrega à FAB algo que ela nunca teve nessa escala: superioridade qualitativa real.■

Cockpit do Gripen E

República Tcheca revela pintura inédita do C-390 Millennium enquanto se prepara para receber o cargueiro da Embraer


Novo esquema de camuflagem desenvolvido para atender padrões da OTAN marca etapa final antes da entrega da primeira aeronave à Força Aérea Tcheca.


A Embraer divulgou novas imagens do primeiro C-390 Millennium destinado à Força Aérea da República Tcheca já com sua pintura definitiva, revelando um esquema de camuflagem inédito desenvolvido especialmente para a aeronave.

O projeto utiliza três tons de cinza e foi criado pelo artista acadêmico Pavel Holý, do Instituto de História Militar de Praga, que acompanhou pessoalmente a aplicação final da pintura nas instalações da fabricante brasileira.

Processo de pintura do C-390 da República Tcheca.

O novo visual não foi concebido apenas para fins estéticos. Segundo os responsáveis pelo projeto, a camuflagem foi desenvolvida para dificultar a identificação visual da aeronave em diferentes cenários operacionais, reduzindo sua assinatura visual e aumentando sua eficácia em missões militares. O desenho também segue os padrões adotados pelos países membros da OTAN, organização da qual a República Tcheca faz parte desde 1999.

A aeronave encontra-se nas fases finais de preparação para entrega e representa um marco importante no processo de modernização das capacidades de transporte estratégico da Força Aérea Tcheca. O país assinou o contrato para aquisição de duas aeronaves C-390 Millennium em 2024, após um processo de avaliação que comparou diversas opções disponíveis no mercado internacional.

O primeiro exemplar destinado à República Tcheca realizou recentemente seu voo inaugural em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, avançando para a etapa final de testes e certificações antes de sua incorporação operacional. A expectativa é que a aeronave seja entregue ainda este ano, enquanto a segunda unidade deverá ser recebida em 2027.

A chegada do C-390 está impulsionando investimentos significativos na infraestrutura militar tcheca. A Base Aérea de Praga-Kbely, que será responsável pela operação do modelo, passa por um amplo programa de modernização que inclui novos hangares, áreas de manutenção e instalações de apoio logístico. O objetivo é garantir plena capacidade operacional desde os primeiros meses de utilização da aeronave.

Outro aspecto relevante do programa é a participação direta da indústria aeroespacial tcheca na produção do cargueiro brasileiro. A empresa Aero Vodochody integra a cadeia global de fornecimento do C-390, produzindo componentes estruturais importantes, incluindo partes da fuselagem, portas e a rampa traseira de carga. A cooperação industrial fortalece os laços entre Brasil e República Tcheca e amplia a participação europeia no programa.

O C-390 Millennium vem consolidando sua posição como um dos cargueiros militares mais modernos da atualidade. Capaz de transportar até 26 toneladas de carga, a aeronave pode executar missões de transporte tático e estratégico, lançamento de paraquedistas, evacuação aeromédica, ajuda humanitária, combate a incêndios florestais e reabastecimento em voo quando configurada na versão KC-390.

O sucesso internacional do programa continua crescendo. Além de Brasil, Portugal e Hungria, o C-390 já foi selecionado por Holanda, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Suécia, Lituânia e Coreia do Sul. Em 2025 e 2026, novos avanços comerciais reforçaram a posição da aeronave como uma das principais opções para forças aéreas que buscam substituir frotas envelhecidas de cargueiros militares.

A crescente presença do C-390 entre membros da OTAN também demonstra a confiança internacional na plataforma desenvolvida pela Embraer. A interoperabilidade com sistemas da aliança, a elevada disponibilidade operacional e os custos competitivos de operação têm sido fatores decisivos para a expansão das vendas do cargueiro brasileiro no mercado global de defesa.