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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Adani e Embraer podem levar montagem final de jatos comerciais à Índia pela primeira vez

 

A Índia pode estar prestes a dar um passo histórico na indústria aeronáutica civil com a possível criação de sua primeira linha de montagem final de aeronaves comerciais de passageiros. O movimento envolve uma parceria entre o conglomerado indiano Adani Group e a fabricante brasileira Embraer, que estudam a montagem local de jatos regionais no país asiático.

O projeto teria como base um memorando de entendimento assinado no Brasil entre a Embraer e a Adani Aerospace, braço aeroespacial do grupo indiano. Embora nenhuma das empresas tenha confirmado oficialmente os detalhes, fontes do setor indicam que o acordo contempla a montagem de aeronaves da família de jatos regionais da Embraer, segmento que cobre modelos com capacidade aproximada entre 70 e 146 passageiros, amplamente utilizados em rotas de curta e média distância.

Se avançar, a iniciativa colocaria a Índia em um grupo bastante restrito de países capazes de realizar a montagem final de aviões comerciais, ao lado de Estados Unidos, Brasil, Canadá, França e China.

Até hoje, apesar de possuir uma base industrial aeroespacial relevante, a Índia concentrou seus esforços principalmente em programas militares, fabricação de componentes, aeroestruturas e integração de sistemas, sem uma linha dedicada à montagem completa de jatos comerciais de passageiros.

A escolha pelos jatos regionais não é casual. Esse tipo de aeronave se encaixa de forma precisa na realidade do mercado indiano, que combina grandes rotas entre megacidades com um número crescente de ligações para centros urbanos de médio e pequeno porte. A própria Embraer tem destacado publicamente que a Índia deverá demandar cerca de 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos ao longo dos próximos 20 anos, impulsionada pela expansão da malha aérea doméstica e por programas governamentais de conectividade regional.

Atualmente, a fabricante brasileira já mantém uma presença consolidada no país, com cerca de 50 aeronaves em operação na Índia, distribuídas entre aviação comercial, executiva e defesa. Plataformas da Embraer também são utilizadas pela Força Aérea Indiana, incluindo variantes do ERJ-145 adaptadas para alerta aéreo antecipado, o que reforça o relacionamento de longo prazo da empresa com o mercado local.

Para o Adani Group, a possível linha de montagem se encaixa em uma estratégia mais ampla de expansão no setor de aviação. O conglomerado vem investindo pesadamente em aeroportos, infraestrutura e serviços associados, com planos bilionários para ampliar capacidade e modernizar ativos em diferentes regiões do país. Paralelamente, o grupo tem fortalecido sua atuação em manutenção, reparo e revisão de aeronaves, além de treinamento e outros serviços aeronáuticos, criando um ecossistema que pode se beneficiar diretamente da presença de uma linha de montagem final.

A instalação de uma linha desse tipo vai muito além da simples montagem de aeronaves. Ela envolve certificação de processos, qualificação de mão de obra, desenvolvimento de fornecedores locais, transferência de conhecimento industrial e uma interação mais profunda com autoridades regulatórias. Em mercados mais maduros, esse modelo costuma funcionar como um catalisador para o crescimento de toda a cadeia aeronáutica, atraindo empresas de componentes, interiores, engenharia e suporte pós-venda.

O momento também é considerado estratégico. A Índia se consolidou como o mercado de aviação comercial que mais cresce no mundo, com mais de 1.800 aeronaves já encomendadas por companhias como Air India, IndiGo e Akasa Air. Ao mesmo tempo, as filas de entrega de aviões de corredor único da Airbus e da Boeing estão praticamente esgotadas por vários anos, o que reforça o interesse do governo indiano em estimular a produção local e reduzir a dependência de importações. Autoridades já indicaram que estudam incentivos fiscais para companhias aéreas que optarem por aeronaves montadas no país.

Embora detalhes essenciais do possível acordo entre Adani e Embraer ainda não tenham sido divulgados, como localização da linha de montagem, volume de investimentos, cadência de produção e cronograma, fontes da indústria apontam que um anúncio formal pode ocorrer durante o evento Wings India, em Hyderabad, que vem se consolidando como uma das principais vitrines para anúncios do setor aeroespacial e de defesa no país.

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