A Embraer encerrou 2025 com um desempenho impulsionado por um quarto trimestre especialmente forte, que garantiu um crescimento relevante no total de aeronaves entregues em comparação ao ano anterior. Ainda assim, o segmento de aviação comercial terminou o ano exatamente no limite inferior da projeção divulgada pela própria fabricante brasileira.
Ao todo, a Embraer entregou 244 aeronaves ao longo de 2025, somando os negócios de aviação comercial, executiva e defesa, um avanço significativo frente às 206 unidades registradas em 2024.
O último trimestre foi decisivo para esse resultado. Entre outubro e dezembro, a empresa entregou 91 aeronaves, número bem superior ao registrado no terceiro trimestre e também acima do mesmo período do ano anterior. Esse padrão, observado em outros grandes fabricantes, reflete a concentração de entregas no fim do ano como forma de compensar atrasos acumulados ao longo dos trimestres iniciais, em meio a gargalos industriais e restrições na cadeia global de suprimentos.
Na aviação comercial, a Embraer fechou o ano com 78 jatos entregues, praticamente cravando a faixa de 77 a 85 aeronaves prevista no início de 2025. O número confirma que a demanda pela família E-Jet segue sólida, mas também evidencia as limitações impostas por problemas recorrentes na cadeia de fornecimento aeroespacial, que continuam afetando motores, sistemas e componentes críticos. Esses fatores impediram uma aceleração mais consistente do ritmo de produção ao longo do ano.
O desempenho trimestral do segmento comercial foi irregular. No quarto trimestre, foram entregues 32 aeronaves, uma recuperação clara em relação às 20 do terceiro trimestre e ligeiramente acima das 31 entregues no mesmo período de 2024. Essa retomada tardia foi essencial para que a Embraer conseguisse cumprir sua meta anual após um ano marcado por oscilações no volume de entregas.
O E195-E2 teve papel central nesse resultado, respondendo por uma parcela expressiva das entregas no fim do ano. Maior modelo da família E2, o jato vem sendo promovido como uma solução de renovação de frota e crescimento de capacidade para companhias aéreas que buscam reduzir custos operacionais e emissões. A Embraer destaca que o E195-E2 pode oferecer ganhos expressivos de eficiência de combustível em relação à geração anterior, um argumento cada vez mais relevante em um cenário de pressão por sustentabilidade e margens mais apertadas no transporte aéreo regional.
Apesar do aumento no total de jatos comerciais entregues em relação a 2024, a composição desse crescimento chama atenção. Em termos de aeronaves E2, a Embraer entregou mais unidades no ano anterior. O crescimento observado em 2025 foi sustentado principalmente pelo aumento nas entregas do E175, modelo compatível com as cláusulas de escopo do mercado norte-americano. Esse fator reforça a importância das companhias regionais dos Estados Unidos para o desempenho comercial da fabricante, ao mesmo tempo em que limita a expansão de aeronaves maiores nesse segmento.
A aviação executiva voltou a ser o principal motor dos resultados da Embraer. No quarto trimestre, foram entregues 53 jatos executivos, superando com folga as 41 unidades do trimestre anterior e também os números do mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a divisão alcançou 155 aeronaves entregues, exatamente no teto da projeção oficial, confirmando a resiliência do mercado de jatos executivos, especialmente nas categorias leve e média.
O Phenom 300 manteve sua posição de destaque, com 23 unidades entregues apenas no último trimestre. O modelo segue como o jato leve mais vendido do mundo há mais de uma década, segundo dados da indústria, consolidando-se como um dos programas mais bem-sucedidos da Embraer em termos de volume e aceitação de mercado.
No segmento de defesa e segurança, os volumes permaneceram menores, porém mostraram evolução em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, a Embraer entregou dois cargueiros KC-390 Millennium e quatro aeronaves A-29 Super Tucano.
Ao longo de 2025, o total de entregas militares chegou a 11 unidades, contra apenas três em 2024. Embora represente uma fatia reduzida do total, o KC-390 continua despertando forte interesse internacional, especialmente em países europeus e membros da OTAN, atraídos por sua versatilidade multimissão e custos operacionais competitivos.
O crescimento total de entregas em 2025 reflete, portanto, dinâmicas distintas entre os segmentos. A aviação executiva respondeu pela maior parte da expansão, enquanto a aviação comercial permaneceu praticamente estável diante das ambições de longo prazo da empresa.
Com a indústria observando sinais graduais de normalização na cadeia de suprimentos, a expectativa agora se volta para a capacidade da Embraer de elevar de forma mais consistente o ritmo de produção e entregas de jatos comerciais nos próximos anos, em um cenário de demanda aérea em recuperação e foco crescente em eficiência e sustentabilidade.

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