A aproximação recente entre Brasil e Filipinas no campo da defesa voltou a colocar o cargueiro multimissão C-390 Millennium no centro das atenções, alimentando expectativas de uma possível venda da aeronave brasileira às forças armadas filipinas. O tema ganhou novo impulso após a visita do capitão Luciano da Silva Maciel, adido de defesa não residente do Brasil, ao Departamento de Defesa Nacional das Filipinas, em Manila, encontro que contou com a presença do embaixador brasileiro Gilberto Fonseca Guimarães de Moura e altos oficiais de defesa filipinos.
A reunião ocorreu em um ano simbólico, que marca os 80 anos das relações diplomáticas entre os dois países, e reforçou o compromisso de aprofundar a cooperação em logística militar, indústria de defesa e segurança marítima.
O diálogo ganha relevância adicional ao coincidir com um momento de forte projeção internacional da indústria aeronáutica brasileira, liderada pela Embraer, que vem expandindo sua presença no mercado asiático, confirmando também recentemente a venda de seis aeronaves Super Tucanos adicionais para Força Aérea Filipina.
Paralelamente ao diálogo diplomático, a Embraer vem oferecendo de forma ativa o C-390 Millennium à Força Aérea das Filipinas (PAF) e à Marinha filipina, em um pacote abrangente que inclui a versão de transporte tático, a variante de reabastecimento aéreo KC-390 e uma futura configuração de patrulha marítima, atualmente em desenvolvimento.
A oferta foi estruturada para atender múltiplas necessidades operacionais do país asiático, desde transporte estratégico e apoio humanitário até vigilância marítima e guerra antissubmarino.
A possível aquisição do C-390 surge em um contexto de modernização acelerada das forças filipinas. Embora a Força Aérea (PAF) tenha optado recentemente pela compra de três C-130J-30 Super Hercules, decisão baseada em fatores como maior comprimento do compartimento de carga, alcance superior para missões de longa distância e familiaridade histórica com a família Hercules, o C-390 permanece no radar como uma plataforma complementar ou alternativa para missões específicas.
A aeronave brasileira oferece maior capacidade de carga útil, aviônicos de última geração e desempenho superior em velocidade, características valorizadas em operações de resposta rápida e logística regional. Como um arquipélago extenso e frequentemente atingido por tufões, terremotos e outras emergências naturais, o país depende fortemente de aeronaves capazes de operar em pistas curtas, transportar grandes volumes de carga e responder rapidamente a crises humanitárias.
O interesse filipino ganha ainda mais relevância no campo do reabastecimento em voo. O KC-390, atualmente equipado com o sistema mangueira e cesto, atende plenamente aeronaves como os FA-50 em serviço e também caças que utilizam esse padrão, como o Gripen, o Eurofighter Typhoon e o Rafale, todos avaliados por Manila. Ao mesmo tempo, a Embraer estuda o desenvolvimento de um sistema flying boom para o KC-390, o que permitiria reabastecer aeronaves como o F-16 Block 70/72 e o KF-21 Boramae, ampliando significativamente a atratividade da plataforma para a Força Aérea das Filipinas, que busca um avião-tanque capaz de operar com ambos os sistemas.
Outro ponto que reforça a possibilidade de um acordo envolve a versão de patrulha marítima do C-390. A Embraer posiciona essa variante como um potencial sucessor do P-3 Orion, com alcance superior ao dos atuais ATR-72-600MP filipinos e maior flexibilidade multimissão.
As Filipinas planejam adquirir pelo menos três aeronaves de patrulha marítima com capacidade antissubmarino, enquanto a Marinha também avalia a incorporação de um vetor próprio para vigilância marítima, cenário no qual o C-390 poderia se tornar uma solução comum às duas forças, reduzindo custos logísticos e de treinamento.
Analistas veem a intensificação da cooperação político-militar entre Brasília e Manila como um indicativo claro de que as negociações podem evoluir para além do campo institucional. Contratos desse porte costumam ser precedidos por entendimentos diplomáticos, acordos de cooperação industrial e discussões sobre manutenção, treinamento e eventual participação da indústria local, elementos que vêm sendo tratados nos contatos recentes entre os dois governos.
Embora ainda não exista um anúncio oficial confirmando a venda, o conjunto de fatores — oferta ativa da Embraer, requisitos operacionais filipinos, desenvolvimento de novas capacidades para o KC-390 e fortalecimento das relações bilaterais — aponta para um cenário cada vez mais favorável à entrada do C-390 Millennium nas forças armadas das Filipinas.
Ainda assim, a visita do adido de defesa brasileiro, em um ano comemorativo para as relações bilaterais, sinaliza claramente que Brasil e Filipinas buscam elevar o patamar de sua cooperação em defesa, abrindo espaço para parcerias industriais e, possivelmente, para a entrada do KC-390 Millennium na frota das Forças Armadas das Filipinas.

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