A Índia deu um passo estratégico para reforçar sua superioridade aérea ao aprovar a compra de 114 caças Dassault Rafale em um programa avaliado em cerca de US$ 39 bilhões, considerado um dos maiores investimentos militares da história recente do país.
A decisão foi tomada pelo Conselho de Aquisição de Defesa sob liderança do ministro Rajnath Singh e integra um pacote mais amplo voltado à modernização das forças armadas, incluindo novos mísseis e sistemas avançados de combate. O anúncio da aquisição surge poucos dias antes da chegada do presidente francês Emmanuel Macron à Índia, onde ele deverá cumprir uma visita oficial de três dias, reforçando o peso político e estratégico das negociações entre os dois países.
O projeto faz parte do programa Multi-Role Fighter Aircraft (MRFA), criado para preencher lacunas operacionais da Força Aérea Indiana e expandir suas capacidades em missões de domínio aéreo, ataques de precisão e operações de longo alcance.
Autoridades militares veem o Rafale como uma plataforma essencial para enfrentar desafios estratégicos na região, oferecendo alta capacidade de sobrevivência em cenários contestados e integração com armamentos modernos, incluindo mísseis além do alcance visual.
Um dos pontos centrais do acordo é a forte participação da indústria local, alinhada à política “Make in India”. A maior parte das aeronaves deverá ser fabricada em território indiano com significativa transferência de tecnologia, permitindo que empresas nacionais participem da produção e manutenção da frota. A previsão é que apenas uma parcela inicial seja entregue pronta, enquanto a maioria será montada localmente para fortalecer a autonomia estratégica do país e estimular o desenvolvimento da base industrial de defesa.
A nova encomenda também reflete a preocupação crescente com o número reduzido de esquadrões ativos da Força Aérea Indiana, atualmente abaixo da meta considerada necessária para enfrentar possíveis cenários de conflito em duas frentes. Com a aposentadoria gradual de aeronaves mais antigas, a introdução de novos Rafale é vista como uma solução rápida para restaurar a capacidade operacional enquanto projetos nacionais continuam em desenvolvimento.
O histórico do Rafale na Índia remonta a um longo processo iniciado em 2007, quando o país buscava substituir parte de sua frota com um novo caça multifunção. Após anos de negociações complexas sobre produção local e transferência tecnológica, Nova Délhi assinou em 2016 um contrato menor para 36 aeronaves, cuja entrega foi concluída em 2022. Desde então, a expansão da frota permaneceu como prioridade estratégica, culminando agora na aprovação do maior pacote já associado ao caça francês.
Além do impacto militar, o anúncio reforça os laços entre Índia e França em um momento de crescente cooperação estratégica e industrial. O acordo pode consolidar a França como um dos principais parceiros de defesa de Nova Délhi e acelerar a diversificação de fornecedores militares, reduzindo a dependência histórica de equipamentos russos.
A expectativa é que as negociações contratuais avancem nos próximos meses, com potencial para transformar a Índia em um dos maiores operadores do Rafale no mundo e elevar significativamente o poder de dissuasão do país nas próximas décadas.

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