Pesquisar este blog

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Saab afirma que Canadá pode produzir caças Gripen em cinco anos e desafiar domínio do F-35

 


O CEO da Saab, Micael Johansson, afirmou no final de março de 2026 que o Canadá tem condições de colocar em operação seus primeiros caças Gripen em um prazo de aproximadamente cinco anos, caso opte pela proposta sueca. Segundo ele, o país possui uma base industrial aeroespacial robusta e já preparada, o que permitiria acelerar significativamente o cronograma de produção local e entrega das aeronaves.

De acordo com Johansson, em entrevista, o Canadá parte de um nível de maturidade industrial superior ao de outros clientes do Saab JAS 39 Gripen, o que reduziria riscos e encurtaria etapas críticas como transferência de tecnologia, qualificação de fornecedores e integração operacional. Ele classificou como plenamente viável que um Gripen fabricado em território canadense saia da linha de montagem dentro desse prazo, caso a decisão política seja tomada em breve.

O executivo destacou ainda que as negociações com o governo canadense têm sido intensas e detalhadas, abrangendo desde custos e cronogramas até infraestrutura, geração de empregos e capacidade industrial. Apesar disso, Ottawa ainda não anunciou uma decisão final, mantendo em aberto um dos programas de defesa mais importantes do país nas últimas décadas.

A experiência do Brasil continua sendo um dos principais exemplos utilizados pela Saab para demonstrar sua capacidade de transferência de tecnologia. O contrato firmado em 2014 com a Embraer permitiu que o país desenvolvesse capacidade local de produção do Gripen, com montagem de aeronaves na unidade de Gavião Peixoto.

Em março de 2026, foi apresentado o primeiro caça supersônico montado no Brasil, consolidando o avanço industrial do programa, embora o cronograma tenha enfrentado atrasos ao longo dos anos.

Para o Canadá, a Saab propõe um modelo semelhante, porém com execução mais rápida, aproveitando a infraestrutura já existente no país. A empresa estima que a produção local do Gripen, combinada com a possível fabricação da aeronave de alerta antecipado GlobalEye, poderia gerar mais de 12 mil empregos e impulsionar significativamente a indústria aeroespacial canadense.

No entanto, a decisão canadense ocorre em meio a um cenário estratégico complexo. Em 2023, o país confirmou a compra de 88 unidades do Lockheed Martin F-35 Lightning II, fabricado pela Lockheed Martin, para substituir sua envelhecida frota de CF-18. As primeiras entregas seguem previstas para o final de 2026, e o governo já realizou pagamentos antecipados para garantir posições na linha de produção.

Mesmo assim, o programa foi colocado sob revisão em 2025 pelo governo do primeiro-ministro Mark Carney, em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos e preocupações sobre dependência estratégica. Essa reavaliação abriu espaço para que alternativas como o Gripen voltassem ao centro do debate.

Uma das possibilidades em análise é a adoção de uma frota mista, combinando o F-35 para missões de maior complexidade com o Gripen em funções de defesa aérea e policiamento do espaço soberano. Esse modelo poderia oferecer um equilíbrio entre capacidades avançadas e custos operacionais mais baixos, além de ampliar a autonomia industrial do país.

Paralelamente, a Saab vem ampliando sua presença no Canadá com iniciativas além da aviação de combate. A empresa firmou parceria com a Cohere para o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial relacionadas ao sistema GlobalEye, além de sinalizar a possibilidade de participação canadense em programas futuros de aviação de combate da Suécia.

Com isso, a disputa entre Gripen e F-35 vai muito além da escolha de uma aeronave. Trata-se de uma decisão estratégica que envolve soberania tecnológica, geração de empregos, independência operacional e posicionamento geopolítico. O desfecho, ainda sem data definida, poderá redefinir o futuro da aviação de combate canadense e influenciar o equilíbrio industrial e militar no cenário global.

Nenhum comentário:

Postar um comentário