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terça-feira, 7 de julho de 2026

FAB afirma que 36 caças Gripen não bastam e aponta necessidade de 66 aeronaves para defender o Brasil

 

Força Aérea afirma que as 36 aeronaves contratadas não atendem às necessidades operacionais do país e reforça expectativa por um novo lote de caças.


A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou oficialmente que a frota de 36 caças F-39 Gripen adquirida pelo Brasil não é suficiente para atender às necessidades de defesa do espaço aéreo nacional. Segundo a instituição, a necessidade operacional é de 66 aeronaves, número considerado adequado para garantir a proteção de um território de dimensões continentais, manter elevados níveis de prontidão e assegurar a disponibilidade necessária para treinamento, manutenção e operações de defesa aérea.

A informação divulgada pelo jornal Metropolis, foi apresentada em resposta do Ministério da Defesa à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e representa a primeira manifestação oficial da FAB estabelecendo a quantidade de caças considerada ideal para cumprir suas missões estratégicas.

O contrato firmado entre Brasil e Saab em 2014 prevê a aquisição de 36 Gripen, sendo 28 monopostos F-39E e oito bipostos F-39F. Além da compra das aeronaves, o acordo incluiu um dos maiores programas de transferência de tecnologia já realizados pelo setor de defesa brasileiro, permitindo que centenas de engenheiros, técnicos e pilotos recebessem treinamento na Suécia e que parte da produção fosse nacionalizada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo.

Desde a entrada em serviço, o Gripen vem ampliando sua capacidade operacional na FAB. O caça já foi certificado para reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium, participou de campanhas de avaliação operacional e vem sendo empregado em exercícios de combate além do alcance visual (BVR), combate aproximado (WVR), defesa aérea e operações integradas com outras plataformas da Força Aérea. O desempenho apresentado durante essas atividades reforçou a confiança da FAB no potencial da aeronave como principal vetor de superioridade aérea do país nas próximas décadas.

Apesar desse avanço, a Aeronáutica destaca que uma frota de apenas 36 aeronaves limita a capacidade operacional da força. Em qualquer aviação militar moderna, parte dos caças permanece indisponível devido a inspeções, revisões programadas, atualizações de sistemas ou treinamento de pilotos e mecânicos. Como consequência, apenas uma parcela da frota permanece disponível para emprego imediato em missões reais, tornando necessária uma quantidade maior de aeronaves para garantir cobertura permanente do território nacional.

A necessidade é ainda mais evidente considerando as dimensões do Brasil. São cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, aproximadamente 7.400 quilômetros de litoral e uma extensa Zona Econômica Exclusiva no Atlântico Sul, conhecida como Amazônia Azul. Esse cenário exige elevada capacidade de resposta para missões simultâneas em diferentes regiões do país.

Nos últimos meses, o governo brasileiro voltou a discutir a ampliação da frota de Gripen. Durante visita oficial à Suécia, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou que o Brasil negocia a aquisição de aproximadamente 20 aeronaves adicionais. Caso a compra seja concluída, a FAB passaria a operar 56 caças Gripen, quantidade superior à prevista no contrato original, mas ainda abaixo da necessidade operacional de 66 aeronaves apontada pela própria instituição.

A expansão do programa também representa ganhos para a Base Industrial de Defesa. Empresas brasileiras já produzem componentes estruturais, sistemas eletrônicos e softwares para o Gripen, enquanto a Embraer participa da integração e da fabricação das aeronaves destinadas à FAB. O conhecimento adquirido durante o programa também fortalece a capacidade nacional de desenvolver tecnologias aeroespaciais avançadas e amplia as oportunidades de participação da indústria brasileira em futuros projetos internacionais.

Equipado com radar AESA Raven ES-05, sensor infravermelho IRST Skyward-G, modernos sistemas de guerra eletrônica, enlace de dados de alta velocidade e arquitetura aberta para integração de novos armamentos, o F-39 Gripen é considerado um dos caças mais avançados em operação na América Latina. Sua combinação de elevada capacidade tecnológica, baixo custo operacional e alta disponibilidade foi um dos fatores decisivos para sua escolha no Programa FX-2.

Embora a eventual aquisição de um segundo lote represente um importante avanço na modernização da aviação de caça brasileira, a posição oficial da FAB deixa claro que o programa Gripen ainda está longe de atingir sua configuração considerada ideal.

A meta de 66 aeronaves demonstra que a renovação da capacidade de defesa aérea do Brasil deverá continuar sendo uma prioridade estratégica ao longo dos próximos anos, dependendo da disponibilidade orçamentária e das decisões do governo federal.

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