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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

23 aviões Skyhawk comprados do Kuwait cruzaram o oceano em navio mercante, desembarcaram em Arraial do Cabo e seguiram de carreta até São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro

 

Os 23 Skyhawk da Marinha chegaram ao Brasil em 5 de setembro de 1998 no navio mercante Clipper Ipanema, desembarcaram no Porto do Forno e seguiram de carreta até São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro.



Os 23 Skyhawk comprados do Kuwait pela Marinha do Brasil chegaram ao país de um jeito pouco lembrado: atravessaram o oceano dentro de um navio mercante. Em 5 de setembro de 1998, o Clipper Ipanema entrou no Porto do Forno, em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, trazendo a bordo todo o lote adquirido meses antes.

A viagem marítima era apenas parte do deslocamento. Depois do desembarque, as aeronaves ainda precisavam alcançar a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. Registros históricos da própria Marinha informam que os 23 aviões completaram esse trecho por via terrestre, transportados em carretas entre 8 e 11 de setembro.

O episódio marcou uma mudança importante para a Aviação Naval. Desde 1965, a Marinha estava limitada às aeronaves de asa rotativa. Em abril de 1998, um decreto presidencial voltou a permitir a operação de aviões de asa fixa e abriu caminho para a chegada dos Skyhawk.

A preparação da transferência também envolveu equipes técnicas e o fabricante. A Marinha registra que houve acompanhamento de testes de aceitação, inspeções e ações de preparo antes do embarque, além da supervisão do translado das aeronaves e dos materiais associados. A chegada ao Brasil, portanto, foi o ponto visível de um processo que já vinha sendo montado havia meses.



Decreto de abril abriu caminho para a volta dos aviões de asa fixa à Marinha

A preparação para receber os Skyhawk havia começado antes da travessia. A Marinha estudou opções disponíveis no exterior, enviou equipes para avaliar as aeronaves armazenadas no Kuwait e analisou também equipamentos, peças e materiais de apoio incluídos no pacote.

Em 8 de abril de 1998, o Decreto Presidencial nº 2.538 mudou a situação jurídica que vigorava havia mais de três décadas. Pouco depois, em 30 de abril, foi formalizado o acordo com o governo do Kuwait para a obtenção das 23 aeronaves.

Antes do embarque para o Brasil, equipes técnicas acompanharam testes de aceitação e a preparação do lote para o translado. O desafio seguinte era logístico: colocar todos os aviões em um navio, cruzar o oceano e levar cada um deles até a base naval no litoral fluminense.

AF-1 Skyhawk no convés do porta-aviões São Paulo
AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil no porta-aviões São Paulo. Foto: Marinha do Brasil/Wikimedia Commons.

Clipper Ipanema chegou a Arraial do Cabo com os 23 Skyhawk a bordo

O Clipper Ipanema, navio mercante de bandeira liberiana, aportou em Arraial do Cabo em 5 de setembro de 1998. A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha registra que ele trazia as 23 aeronaves Skyhawk compradas do Kuwait.

O desembarque no Porto do Forno não encerrou a viagem. Os aviões não seguiram dali pelo ar. Entre 8 e 11 de setembro de 1998, foram levados em caminhões e carretas até São Pedro da Aldeia, completando por estrada a etapa final do deslocamento.

Por alguns dias, os Skyhawk viraram uma carga rodoviária incomum. Depois de cruzarem o oceano em um cargueiro, passaram por um porto da Região dos Lagos e seguiram por terra até a instalação que se tornaria o centro de sua operação e manutenção no Brasil.

A concentração de datas mostra a velocidade da incorporação. O navio chegou no dia 5 de setembro; o transporte terrestre aconteceu na semana seguinte; e menos de um mês depois a Marinha já havia criado a unidade responsável por receber e operar a nova frota.

Menos de um mês depois, a Marinha criou o VF-1 em São Pedro da Aldeia

Em 2 de outubro de 1998, a Marinha criou o VF-1, sediado em São Pedro da Aldeia. A nova unidade consolidou a volta dos aviões de asa fixa à Aviação Naval brasileira depois de mais de três décadas.

A preparação de pessoal também estava em andamento. A Marinha já possuía pilotos qualificados na aeronave e continuava formando outros militares com apoio de instituições brasileiras e estrangeiras. Ao mesmo tempo, mecânicos e equipes técnicas precisavam adaptar a rotina da base para receber uma frota que chegara praticamente de uma só vez.

Nos meses seguintes, as aeronaves passaram por inspeções, ajustes e um longo processo de integração. A própria Marinha registra que a incorporação envolveu avaliação de células, motores, acessórios, equipamentos e materiais de apoio.

Aeronave naval brasileira em operação
Aeronave naval brasileira em operação. Foto: Wikimedia Commons.

Os aviões que chegaram de carreta depois passaram a operar na Aviação Naval

Depois da incorporação, os Skyhawk passaram a fazer parte da rotina da Aviação Naval brasileira. A Diretoria do Patrimônio Histórico registra que as aeronaves foram embarcadas primeiro no NAeL Minas Gerais e, mais tarde, no NAe São Paulo.

A sequência que levou a esse ponto começou em poucos meses: decreto em 8 de abril, acordo com o Kuwait em 30 de abril, chegada ao Porto do Forno em 5 de setembro, transporte terrestre entre 8 e 11 de setembro e criação do VF-1 em 2 de outubro de 1998.

Décadas depois, versões modernizadas do Skyhawk continuaram aparecendo na estrutura da Aviação Naval brasileira. O Comando da Força Aeronaval registrou em 2025 que o VF-1 completara 27 anos e seguia operando aeronaves da família AF-1, já atualizadas em sistemas aviônicos, navegação e comunicações.

A imagem dos 23 aviões viajando dentro de um cargueiro e depois avançando por estrada resume uma fase pouco conhecida da história da Marinha do Brasil. Antes de aparecerem no convés de porta-aviões brasileiros, os Skyhawk cruzaram o Atlântico como carga e completaram os últimos quilômetros sobre carretas no litoral do Rio de Janeiro.

Você já conhecia essa história da chegada dos Skyhawk ao Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha a Marinha, a Aviação Naval e a história da aviação brasileira.

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