Airbus prepara oferta do Eurofighter para substituir F-16 de Portugal
Proposta prevista para outubro ou novembro incluirá financiamento e participação industrial; país ainda não abriu licitação formal
A Airbus anunciou em 24 de setembro que pretende apresentar a Portugal uma proposta não solicitada de fornecimento do Eurofighter Typhoon, entre o fim de outubro e o início de novembro. Segundo a Reuters, a empresa defende o caça europeu como mais adequado às necessidades portuguesas do que o F-35, da Lockheed Martin.
Portugal busca substituir 28 F-16M modernizados, mas ainda não lançou uma licitação formal. Ivan González Expósito, responsável pela campanha do Eurofighter no país, afirmou que a oferta deverá combinar financiamento público e privado, participação industrial e cooperação militar.
O executivo apontou o policiamento aéreo, a prontidão de reação rápida da OTAN e a proteção do espaço aéreo e das águas nacionais como argumentos a favor do Typhoon. Essa avaliação representa a posição comercial da Airbus, sem constituir uma conclusão das autoridades portuguesas.
Capacidades do caça europeu
Novo Large Area Display (LAD) do cockpit atualizado do Eurofighter
Desenvolvido por Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha, o Eurofighter utiliza dois motores EJ200 e pode executar missões de combate aéreo e ataque ao solo durante uma mesma saída. A plataforma dispõe de 13 pontos externos para diferentes configurações de armamentos e equipamentos.
Em sua apresentação do avião, a Airbus destaca recursos como radar de varredura eletrônica ativa, sensores infravermelhos e fusão de dados. A configuração específica de uma eventual frota portuguesa dependerá, porém, da proposta e das negociações. O Typhoon já é empregado em missões de policiamento aéreo e alerta de reação rápida no flanco oriental da OTAN.
Disputa também envolve a indústria portuguesa
Além do F-35, Rafale e Gripen E disputam espaço nas discussões sobre a renovação da frota. O ministro da Defesa, Nuno Melo, defende a competição para ampliar os benefícios ao país e à indústria nacional.
A movimentação da Airbus ocorre após um avanço da campanha francesa. Em 23 de setembro, a Dassault Aviation anunciou um memorando de entendimento com o AED Cluster Portugal, associação das indústrias de aeronáutica, espaço e defesa, para explorar oportunidades de cooperação relacionadas à substituição dos F-16.
Segundo a Dassault, que também representou Thales e Safran no acordo, uma oferta do Rafale foi apresentada ao governo e à Força Aérea Portuguesa em julho de 2026. O memorando busca desenvolver parcerias com empresas locais; conforme esclareceu a agência portuguesa AICEP, sua assinatura não significa que Portugal tenha escolhido o caça francês.■
PODER AÉREO · FICHA TÉCNICA
Eurofighter Typhoon
Tranche 4 · Principais características
Referência: Quadriga / Halcón I. Dados gerais da plataforma e equipamentos sujeitos à configuração nacional.
CARACTERÍSTICA
DADOS E OBSERVAÇÕES
01 · PROGRAMA E CONFIGURAÇÃO
Tipo e emprego
Caça bimotor multifunção: defesa aérea, interceptação, escolta e ataque ao solo; capacidade de alternar funções durante a missão. [2, 10]
Origem e fabricantes
Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha. Consórcio industrial: Airbus, BAE Systems e Leonardo. [2]
Referência Tranche 4
Programas Quadriga, da Alemanha (38 aeronaves), e Halcón I, da Espanha (20). Equipamentos e software variam conforme o cliente e o estágio de entrega. [1, 2]
Principal evolução
Radar E-Scan/AESA e atualização de hardware e software. A Airbus identifica aprimoramentos Phase 3 Enhancement (P3E) no Quadriga. [1]
Tripulação
1 piloto na versão monoposto; 2 pilotos na versão biposto. [3]
02 · DIMENSÕES E DESEMPENHO
Comprimento
15,96 m. [3]
Envergadura
10,95 m — dimensão básica de referência da plataforma. [3]
Altura
5,28 m. [3]
Área alar
50 m². [8]
Peso máximo de decolagem
23.500 kg — valor público de referência do Typhoon. [7]
Propulsão
2 turbofans Eurojet EJ200. [7]
Empuxo por motor
60 kN sem pós-combustão; 90 kN com pós-combustão. Empuxo total máximo: 180 kN. [4, 7]
Velocidade máxima
Mach 2,0 em altitude; Mach 1,25 ao nível do mar, segundo o consórcio Eurofighter. [4]
Supercruzeiro
Capacidade de voo supersônico sem pós-combustão; desempenho depende da carga externa e do perfil de voo. [5]
Teto de serviço
Cerca de 16.760 m (55.000 pés), como referência publicada para a plataforma. [8]
Reabastecimento em voo
Sistema de sonda e cesta. [8]
03 · SENSORES, AVIÔNICOS E AUTOPROTEÇÃO
Radar
AESA da família Captor-E / E-Scan, com evolução ECRS Mk1 para Alemanha e Espanha. O padrão de hardware e as funções liberadas dependem da etapa de integração. [1, 6]
Capacidades do radar
Modos ar-ar e ar-solo; antena reposicionável para ampliar a cobertura angular. O ECRS Mk1 prevê avanços no rastreamento, na classificação de alvos e na proteção eletrônica. [5, 6]
Sensor infravermelho
PIRATE (IRST/FLIR), quando contratado: busca e acompanhamento passivos de alvos. A instalação depende da configuração nacional. [5]
Autoproteção
Suíte Praetorian DASS; recursos de alerta e contramedidas eletrônicas, com configuração variável por operador. [5, 10]
Cabine e conectividade
HUD, telas multifuncionais, comandos HOTAS, mira no capacete e intercâmbio de dados táticos via MIDS. [5]
04 · ARMAMENTO E CARGAS EXTERNAS
Pontos de fixação
13 estações externas para armamentos, tanques e equipamentos de missão. [10]
Canhão
1 canhão Mauser de 27 mm. [7, 8]
Mísseis ar-ar
Meteor e AIM-120 AMRAAM; IRIS-T ou ASRAAM, conforme operador e integração. [7, 8]
Armamento ar-solo
Bombas guiadas da família GBU/Paveway. Brimstone e Storm Shadow integram o catálogo da plataforma em configurações nacionais específicas. [7, 8]
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