
Negócio foi concluído em 2023 e inclui 154 motores e mais de um milhão de peças; aeronaves poderão apoiar programas de treinamento aéreo adversário nos Estados Unidos
A Real Força Aérea Saudita vendeu 55 aeronaves da família Northrop F-5 à empresa norte-americana Tactical Air Support, conhecida como TacAir. Os aviões estavam retirados de serviço havia vários anos e serão aproveitados em programas de treinamento, sustentação logística e fornecimento de peças.
Embora a transação tenha voltado a circular nas redes sociais e na imprensa especializada em agosto de 2026, a venda não é recente. O contrato foi fechado no segundo semestre de 2023, enquanto a transferência das aeronaves e dos equipamentos começou em junho de 2024.
A última remessa chegou a Fort Worth, no Texas, em 17 de abril de 2025, encerrando a primeira fase do projeto. A operação foi conduzida pela Tactical Air Logistics Network, ou TALON, subsidiária integral da TacAir responsável pela aquisição e sustentação de aeronaves F-5.
Pacote inclui 55 aeronaves e 154 motores
De acordo com informações divulgadas pela própria Tactical Air Support, o lote saudita é formado por 13 treinadores F-5B, 24 caças F-5E, nove treinadores de combate F-5F e nove aeronaves de reconhecimento RF-5E.
Além dos 55 aviões completos, a TacAir recebeu 154 motores turbojato General Electric J85, mais de um milhão de componentes individuais e aproximadamente 150 contêineres de 40 pés carregados com peças de reposição, ferramentas e equipamentos de apoio em solo. O valor da transação não foi revelado.
A empresa instalou o material em um armazém de aproximadamente 9.660 metros quadrados em Fort Worth. A TALON afirma operar atualmente o maior estoque privado de aeronaves F-5, motores, componentes e equipamentos de manutenção do mundo.
A dimensão do pacote indica que nem todos os 55 aviões serão necessariamente recuperados para voltar a voar. Parte das células poderá ser selecionada para modernização, enquanto outras deverão servir como fonte de componentes para a frota da própria TacAir, para aeronaves da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos ou para operadores aliados.
Do programa Peace Hawk ao armazenamento
Os F-5 sauditas foram adquiridos originalmente dos Estados Unidos por meio do programa de vendas militares Peace Hawk, iniciado em 1971. Durante as décadas seguintes, a Arábia Saudita recebeu diferentes versões do caça leve, incluindo modelos monopostos, treinadores bipostos e aeronaves especializadas em reconhecimento, com o total chegando a mais de 110 aeronaves (modelos B, F e RF-5E).
O F-5 foi concebido como um caça supersônico relativamente simples, econômico e de fácil manutenção. Embora não ofereça sensores, alcance ou capacidade de sobrevivência comparáveis aos dos caças modernos, sua agilidade, pequeno porte e desempenho em combate aproximado continuam sendo considerados úteis para treinamento.
Na Real Força Aérea Saudita, o modelo foi progressivamente substituído por aeronaves mais avançadas, principalmente diferentes versões do F-15 e pelo Eurofighter Typhoon. Os exemplares remanescentes permaneceram armazenados até serem adquiridos pela empresa norte-americana.
Caças serão transformados em adversários
A TacAir presta serviços de treinamento aéreo adversário, também conhecidos como “Red Air”. Nesse tipo de atividade, aeronaves operadas por empresas privadas assumem o papel de caças inimigos durante exercícios, obrigando pilotos militares a enfrentar ameaças aéreas com comportamento, táticas e perfis de voo diferentes daqueles utilizados pelas próprias unidades.
A companhia já opera mais de 20 F-5, principalmente na configuração F-5AT Advanced Tiger, e informa que novas aeronaves estão sendo recuperadas e modernizadas. A frota apoia treinamentos da Marinha dos Estados Unidos na Naval Air Station Fallon, em Nevada, sede do Naval Aviation Warfighting Development Center e da escola de armas de caça conhecida como TOPGUN.
A empresa também mantém destacamentos nas bases de Hill, em Utah, e Eglin, na Flórida, onde fornece adversários aéreos para o treinamento de unidades equipadas com o F-35. Segundo a TacAir, o emprego de aeronaves privadas reduz a necessidade de utilizar caças de quinta geração como oponentes durante os exercícios, preservando horas de voo e recursos militares mais caros.
F-5AT recebe sensores modernos
Os F-5 selecionados para a configuração Advanced Tiger passam por revisões estruturais e recebem novos aviônicos, computadores de missão, telas digitais, comandos HOTAS, sistemas de alerta radar, enlaces de dados e equipamentos de guerra eletrônica. Algumas aeronaves foram equipadas com o sensor infravermelho passivo TacIRST, desenvolvido pela Lockheed Martin.
Esses sistemas permitem que um projeto da década de 1950 reproduza aspectos do comportamento de ameaças mais modernas. O objetivo não é transformar o F-5 em um caça de primeira linha, mas oferecer aos pilotos norte-americanos um adversário numeroso, ágil e comparativamente barato durante treinamentos de combate aéreo.
O amplo estoque adquirido na Arábia Saudita também deverá prolongar por vários anos a vida operacional dos F-5AT já utilizados pela companhia. A TALON informa que o material será empregado tanto na sustentação da frota própria quanto no atendimento de operadores governamentais e aliados.
A TacAir ainda não informou quantos dos 55 aviões sauditas serão efetivamente modernizados e incorporados à sua frota de voo. A definição dependerá do estado estrutural de cada célula, das horas acumuladas e da demanda futura dos contratos de treinamento adversário

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