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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Ucrânia avança na compra de 24 aviões A-29 Super Tucano para combater drones russos

 

Aeronaves da Embraer poderão ser empregadas na proteção de infraestrutura crítica e em missões de combate a sistemas aéreos não tripulados.



A Ucrânia trabalha para viabilizar a aquisição de 24 turboélices A-29 Super Tucano da Embraer para reforçar sua capacidade de defesa aérea. A proposta foi apresentada pelo deputado e ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko após negociações realizadas durante a feira de defesa MSPO 2026, na Polônia, e prevê o emprego das aeronaves principalmente na proteção de infraestrutura crítica.

Segundo Poroshenko, as negociações envolvem a Embraer e um país membro da OTAN que possui contratos com o Brasil. O parlamentar afirmou esperar que as aeronaves possam chegar à Ucrânia ainda em 2026. Até o momento, entretanto, não foi anunciado publicamente um contrato definitivo de compra, e o projeto ainda depende da conclusão das negociações.

A iniciativa ocorre em um momento de transformação da guerra aérea na Ucrânia. A Rússia passou a empregar em maior escala aeronaves não tripuladas equipadas com motores a jato, algumas capazes de atingir velocidades significativamente superiores às dos modelos convencionais. A mudança aumentou a pressão sobre a defesa aérea ucraniana e estimulou o desenvolvimento de novas soluções de interceptação.

É nesse cenário que a capacidade C-UAS do A-29 ganha importância. A Embraer vem desenvolvendo uma configuração específica para combater sistemas aéreos não tripulados, utilizando sensores eletro-ópticos e infravermelhos, enlace de dados e diferentes opções de armamento.

O conceito permite que o Super Tucano receba informações sobre a localização dos alvos e utilize seus próprios sensores para identificação e acompanhamento. Para o engajamento, a aeronave pode empregar as duas metralhadoras calibre .50 instaladas nas asas e armamentos guiados, incluindo foguetes de precisão.

A Embraer também trabalha com a norte-americana Valkyrie Aero na integração do sistema de inteligência artificial Gunslinger ao A-29. A tecnologia foi desenvolvida para auxiliar na detecção, identificação e acompanhamento de múltiplos alvos, aumentando a consciência situacional da tripulação durante operações contra sistemas não tripulados.

A proposta combina essas características com uma das principais vantagens do Super Tucano para esse tipo de missão, sua capacidade de operar por longos períodos em velocidades relativamente baixas. Isso pode ser útil contra alvos que voam em baixa altitude e em velocidades inferiores às de aeronaves de combate convencionais.

A Ucrânia já busca outras alternativas para ampliar sua capacidade de interceptação, incluindo drones especializados capazes de perseguir alvos mais rápidos. Nesse contexto, o A-29 poderia atuar como uma camada complementar, distribuindo as missões entre aeronaves tripuladas, sistemas de defesa antiaérea e interceptadores não tripulados.

A eventual aquisição também representaria uma aplicação operacional relevante para o Super Tucano em um conflito de alta intensidade. A aeronave já é utilizada por forças aéreas de diversos países e acumula centenas de milhares de horas de voo, mas seu emprego em uma arquitetura integrada de defesa contra sistemas não tripulados amplia significativamente o espectro de missões da plataforma.

Por enquanto, as 24 aeronaves permanecem em fase de negociação. Ainda não foram divulgados publicamente o país da OTAN envolvido, a configuração definitiva dos aviões, os armamentos selecionados ou o cronograma de treinamento e entrega.

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