Durante a entrega do Skytrax World Airline Awards 2026, em Londres, Willie Walsh, novo CEO da IndiGo, confirmou que a companhia está em negociações iniciais com Embraer e ATR para incorporar ou substituir os atuais ATR 72 por novos aviões regionais.
Segundo informou o Aviacionline, essa modernização visa fortalecer sua atuação em rotas curtas e aeroportos menores, além de desenvolver Delhi (DEL) como um hub capaz de disputar o tráfego internacional com centros importantes do Oriente Médio, como Dubai, Doha e Abu Dhabi.
Walsh assumiu a liderança da IndiGo em agosto, após a grave crise operacional no final de 2025, que envolveu mudanças nas regras de descanso da tripulação, escassez de pilotos e cancelamentos massivos, afetando a imagem da companhia e levando à saída do ex-CEO Pieter Elbers.
Com passagens pela British Airways, IAG e IATA, Walsh agora gerencia uma das maiores frotas do mundo, com mais de 900 aviões encomendados, principalmente Airbus, e cerca de 66% de participação no mercado doméstico indiano.
A estratégia é aproveitar a capilaridade da malha doméstica para reter passageiros que atualmente fazem conexão nos hubs do Golfo em seus voos internacionais de longa distância.
Para essa expansão, a IndiGo tem 60 Airbus A350-900 confirmados, com entregas previstas entre 2027 e 2028, aumentando sua capacidade internacional para cerca de 40% do total em 2030.
Enquanto isso, a companhia avalia se continua usando turboélices na malha regional ou migra para jatos regionais, que oferecem maior capacidade e eficiência em aeroportos congestionados como Delhi, Mumbai e Bengaluru. Segundo dados, a frota de ATR 72 gira em torno de 40 unidades.
Walsh entende que o tamanho do mercado indiano, com 1,4 bilhão de habitantes e poucos widebodies, justifica o fortalecimento dos voos internacionais e a oferta de um produto competitivo no longo curso. Recentemente, a IndiGo encerrou o arrendamento do Boeing 787-9 com a Norse Atlantic Airways, devido a restrições de espaço aéreo e custos de combustível elevados.
Apesar de ter sido eleita a melhor companhia low-cost da Índia e do Sul da Ásia pela décima sexta vez em 2026, a IndiGo ainda enfrenta desafios decorrentes do colapso operacional registrado em dezembro do ano anterior, com 4.500 cancelamentos e queda na pontualidade para 20% em alguns dias.
Agora, o CEO busca estabilizar as operações, modernizar a frota regional, gerenciar o vasto pedido de aeronaves e consolidar o produto internacional com a chegada do A350, superando crises e fortalecendo sua posição no mercado global.
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