Caças franceses continuarão na defesa aérea peruana enquanto a Força Aérea prepara seus pilotos e sua estrutura operacional para receber os novos F-16 Block 70, com as primeiras entregas previstas para 2029 ou 2030.
A Força Aérea do Peru (FAP) manterá seus caças Dassault Mirage 2000 em operação para além de 2030, prolongando a utilização das aeronaves na defesa aérea nacional e na preparação dos pilotos que futuramente operarão os novos F-16 Block 70. A decisão, divulgada em 5 de outubro de 2026, busca preservar a capacidade de combate do país durante a renovação da frota e evitar uma lacuna operacional antes da entrada em serviço dos novos aviões norte-americanos.
O planejamento está diretamente relacionado ao programa de aquisição dos F-16 Block 70, fabricados pela Lockheed Martin. O Peru prevê incorporar 24 aeronaves, sendo que a primeira etapa contempla 12 caças. O governo peruano trabalha para viabilizar financeiramente o segundo lote, enquanto a chegada dos primeiros exemplares está prevista para ocorrer entre 2029 e 2030. Nesse cenário, manter os Mirage 2000 disponíveis permitirá uma transição gradual, sem depender exclusivamente do cronograma de entrega dos novos aviões.
Incorporados à frota peruana a partir de 1986, os Mirage 2000 acumulam quatro décadas de serviço e continuam sendo uma peça importante da estrutura de defesa aérea do país. O esquadrão original reuniu 12 aeronaves, entre versões monoplace e biplace. Mesmo com o envelhecimento da frota, a existência de horas de voo remanescentes permite planejar sua continuidade operacional, desde que sejam mantidos os investimentos necessários em manutenção e disponibilidade.
A estratégia peruana prevê o financiamento necessário para preservar as condições de operação dos caças franceses, incluindo possíveis modernizações pontuais. A intenção não é necessariamente submetê-los a uma atualização profunda, mas manter suas capacidades dentro de limites considerados adequados até que os F-16 assumam progressivamente suas funções. A medida também ganha importância após a retirada definitiva dos caças MiG-29 da frota peruana, o que aumentou o peso dos Mirage 2000 na aviação de combate do país.
A transição envolve também um desafio relacionado à formação de pilotos. Atualmente, os aviadores peruanos podem passar diretamente dos treinadores básicos KAI KT-1P para os Mirage 2000, uma mudança significativa em termos de desempenho e exigências de pilotagem. A utilização dos caças franceses nesse período poderá contribuir para organizar a preparação das equipes que integrarão a nova frota, embora a introdução do F-16 também exija treinamento específico, infraestrutura adequada e procedimentos operacionais próprios.
O F-16 Block 70 representa um salto tecnológico em relação às aeronaves mais antigas da FAP. O modelo incorpora o radar de varredura eletrônica ativa AN/APG-83 AESA, aviônicos modernos, recursos avançados de consciência situacional e sistemas de segurança de voo. Sua estrutura foi projetada para uma vida útil de até 12 mil horas de voo, característica que favorece uma operação prolongada, embora a longevidade efetiva dependa das condições de utilização e manutenção.
A implementação do programa exigirá investimentos que vão além da compra dos aviões. A preparação de pilotos e mecânicos, a adaptação de bases aéreas, a aquisição de equipamentos de apoio e a organização da cadeia logística serão fundamentais para consolidar a nova capacidade de combate. A cooperação com a indústria norte-americana também deverá contribuir para a formação de pessoal especializado e o desenvolvimento da infraestrutura necessária à operação dos F-16.

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