Caça fabricado pela Embraer decola pela primeira vez em um marco para o programa F-39 Gripen e para a indústria de defesa brasileira.
O primeiro F-39E Gripen produzido no Brasil pela Embraer realizou nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, seu voo inaugural a partir do complexo industrial da empresa em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O voo marca o início da campanha de ensaios da aeronave e representa um passo decisivo para a consolidação da capacidade brasileira de fabricar, integrar e testar um caça supersônico avançado.
A aeronave decolou das instalações da Embraer para uma missão destinada a verificar o desempenho dos principais sistemas e suas características de voo. O resultado positivo abre caminho para uma sequência de testes de produção e aceitação que deverá ser concluída antes da entrega do caça à Força Aérea Brasileira, reforçando o papel de Gavião Peixoto como parte efetiva da cadeia global de produção do Gripen.
O voo inaugural ocorre pouco mais de seis meses depois de a Embraer, a Saab e a FAB apresentarem oficialmente o caça em Gavião Peixoto. Naquele momento, a aeronave ainda precisava passar pelos testes funcionais e pela campanha de ensaios em voo que agora começa de forma efetiva.
O caça é o primeiro de 15 Gripen E previstos para serem produzidos no Brasil dentro do contrato atualmente firmado com a FAB. A montagem final é realizada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, que abriga a única linha de montagem final do Gripen fora da Suécia. A estrutura brasileira trabalha integrada à cadeia de produção da Saab em Linköping e às demais instalações envolvidas no programa.
Para Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, o momento representa o resultado de uma estratégia construída ao longo de mais de uma década. “Este voo do primeiro Gripen E produzido pela Embraer no Brasil é um marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país. Ele consolida o sucesso de uma estratégia de longo prazo que combinou a visão da Força Aérea Brasileira, a expertise da Saab e as capacidades de engenharia e manufatura da Embraer”, afirmou.
O executivo destacou ainda que o significado do programa ultrapassa a fabricação do próprio caça. “Mais do que uma conquista do Programa Gripen, este marco fortalece a Base Industrial de Defesa do país e deixa um legado duradouro de conhecimento, inovação e capacidade industrial, contribuindo para a soberania nacional e a competitividade do Brasil nas próximas décadas em programas globais de alta complexidade”, acrescentou Bosco.
Marcus Wandt, head da área de negócios Aeronautics da Saab, também ressaltou a evolução alcançada pela operação brasileira. “Este voo inaugural demonstra que a produção do Gripen no Brasil atingiu um novo nível de maturidade. Tenho orgulho da nossa estreita cooperação com a Embraer no programa Gripen, que estabelece uma base sólida para o futuro desenvolvimento do Gripen no Brasil”, afirmou.
A participação brasileira no programa vai muito além da montagem final. A Saab produz em São Bernardo do Campo componentes estruturais do Gripen, incluindo partes da fuselagem, que são posteriormente encaminhadas para Gavião Peixoto. A unidade brasileira também reúne conhecimentos adquiridos por engenheiros e técnicos nacionais em atividades de desenvolvimento, produção, integração e ensaios do caça.
Essa capacidade industrial foi construída gradualmente desde a assinatura do contrato brasileiro em 2014. O acordo prevê 36 aeronaves para a FAB, sendo 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos. Até o momento, 11 aeronaves foram entregues à Força Aérea, enquanto o primeiro Gripen F brasileiro já realizou seu voo inaugural em agosto, em Linköping, na Suécia, com participação de um piloto de testes da FAB.
O avanço do programa também ganhou uma nova perspectiva em julho, quando Embraer e Saab assinaram um acordo que estabelece as bases para a potencial produção de mais 20 Gripen no Brasil. Caso as negociações avancem conforme planejado, Gavião Peixoto poderá complementar a produção realizada na Suécia e atender não apenas à demanda brasileira, mas também oportunidades futuras no mercado internacional.
O momento em Gavião Peixoto acontece depois de uma série de marcos que elevaram progressivamente a capacidade operacional do F-39 Gripen no Brasil. Em fevereiro, o caça passou a ser empregado pela FAB em missões de Alerta de Defesa Aérea, enquanto anteriormente já havia participado de exercícios de grande porte, realizado lançamento do míssil Meteor e concluído a certificação de reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium.
Agora, o primeiro Gripen E fabricado no Brasil começa uma etapa diferente. Os dados obtidos durante os voos serão utilizados para validar o desempenho da aeronave e preparar sua aceitação pela FAB. Depois de concluída a campanha de ensaios, o caça deverá seguir para Anápolis, em Goiás, onde será incorporado ao 1º Grupo de Defesa Aérea, unidade que concentra a operação dos Gripen da Força Aérea Brasileira.
O primeiro voo também coloca à prova, em condições reais, todo o processo industrial desenvolvido em Gavião Peixoto. Para a Embraer e a Saab, o objetivo agora é transformar o sucesso da montagem em uma capacidade produtiva contínua, capaz de sustentar o programa brasileiro e, potencialmente, contribuir para futuras encomendas do Gripen em outros países.

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