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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

China detalha evolução do J-20, com motores nacionais, novos sensores e versão biposto para coordenar drones

 China detalha evolução do J-20

Reportagem da televisão estatal destaca as melhorias do J-20A e o papel do J-20S em futuras operações em rede com aeronaves tripuladas e não tripuladas

A televisão estatal chinesa CCTV divulgou novos detalhes sobre a evolução da família de caças furtivos J-20, destacando a adoção de motores desenvolvidos no país, modificações aerodinâmicas e melhorias nos sensores. A reportagem também apresentou as funções previstas para o J-20S biposto, concebido para ampliar a coordenação de operações aéreas e a integração com aeronaves não tripuladas.

Motores nacionais ampliam autonomia tecnológica

A reportagem aponta a substituição da motorização importada por motores chineses como um dos principais marcos do programa. Uma configuração do J-20 com propulsão nacional foi apresentada publicamente no Salão Aeronáutico de Zhuhai, em 2021.

Segundo o comentarista militar Wang Mingliang, ouvido pela CCTV, a evolução da propulsão oferece maior potência e favorece o desempenho supersônico e a manobrabilidade. Ele também destacou a autonomia sobre uma tecnologia crítica e sua importância para o desenvolvimento de futuras aeronaves de combate chinesas.

J-20A recebe alterações aerodinâmicas e nos sensores

A versão J-20A monoposto incorpora uma transição mais elevada e suave entre a parte traseira da cobertura da cabine e a fuselagem. Na avaliação de especialistas ouvidos pela mídia chinesa, essa alteração busca reduzir a separação do fluxo de ar e o arrasto, favorecendo o voo em alta velocidade.

Em uma análise divulgada anteriormente pela CCTV, o especialista Zhang Xuefeng afirmou que a modificação também proporciona espaço adicional para equipamentos e sistemas.

Outro detalhe destacado na nova reportagem é a alteração do conjunto óptico instalado sob o nariz. Segundo Wang, o número de janelas ópticas visíveis passou de seis para oito. O comentarista associou a mudança à ampliação das capacidades de detecção, consciência situacional e atuação em rede, incluindo operações contra alvos de baixa observabilidade.

J-20S amplia as funções do segundo tripulante

O J-20S biposto foi apresentado pela mídia oficial como uma expansão das possibilidades de emprego da família. Além das missões de superioridade aérea, as funções divulgadas incluem ataque de precisão contra alvos terrestres e marítimos, guerra eletrônica e comando e controle tático.

A presença de um segundo tripulante permite distribuir a carga de trabalho. Enquanto o piloto se concentra na condução da aeronave e no combate, o ocupante da cabine traseira pode gerenciar sensores, comunicações e a coordenação com outras plataformas, incluindo drones.

Na concepção apresentada pela CCTV, essa divisão poderá transformar o caça em um elemento de coordenação de uma formação mais ampla, compartilhando informações, indicando alvos e distribuindo tarefas entre diferentes aeronaves. O enfoque está no emprego integrado de meios tripulados e não tripulados, e não apenas nas capacidades individuais do avião.

Evolução acompanha mudanças no emprego da força aérea

A mídia estatal apresenta a trajetória do J-20 como um símbolo da passagem da aviação militar chinesa de uma posição de acompanhamento das potências aeronáuticas para a disputa de liderança em determinadas tecnologias.

Essa evolução também aparece no treinamento. A CCTV já mostrou formações mistas de J-20, J-16 e J-10C em exercícios de combate aéreo, voltados à validação de novas táticas. A ampliação das funções da família J-20 acompanha, assim, o esforço chinês para combinar diferentes aeronaves, sensores e sistemas de comando em operações conjuntas.■


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