A KLM anunciou uma mudança nos planos de renovação de sua frota europeia: os jatos Embraer E195-E2 substituirão os Airbus A320neo que estavam previstos para ser recebidos. A decisão integra um conjunto de medidas para reduzir custos, ampliar a produtividade e recuperar a rentabilidade das operações da companhia na Europa.
Com a alteração, a KLM Cityhopper ganhará maior participação na malha do grupo. Segundo a empresa, o uso de mais aeronaves de menor porte permitirá ajustar melhor a oferta de assentos à demanda nas rotas europeias. O Airbus A321neo continuará nos planos da frota, enquanto os Boeing 737 Next Generation e os Embraer E190-E1 serão retirados gradualmente nos próximos anos.
A companhia não informou, no comunicado, quantos E195-E2 substituirão os A320neo previstos nem apresentou um cronograma para essa mudança. A simplificação da frota também deverá facilitar a gestão das operações e dos custos.
Hoje a KLM não possui novas encomendas de jatos Embraer, porém já sinalizou no mês passado que deverá fazer um novo pedido, indo ao encontro com este novo plano anunciado hoje, 5 de novembro.
A capacidade disponível será direcionada às rotas que mais contribuam para as conexões de passageiros e para a rede de voos diretos a partir do Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã. Atualmente, a KLM destaca uma malha de 160 destinos atendidos sem escalas a partir de sua principal base.
A revisão da frota faz parte de uma reestruturação mais ampla, que prevê uma organização menor, mais simples e mais ágil, com terceirização de atividades e maior colaboração dentro do grupo Air France-KLM. A empresa afirma precisar de uma melhora adicional de € 1 bilhão em seus resultados anuais, elevando a meta total para € 1,4 bilhão, para sustentar investimentos em aeronaves, experiência dos clientes e funcionários.
Nos últimos anos, a KLM afirma ter alcançado melhorias estruturais superiores a € 750 milhões. Entre as iniciativas já adotadas estão a terceirização de atividades como alimentação de bordo e manutenção, a redução do número de prédios administrativos e o enxugamento das equipes de escritório, com cortes de postos e vagas mantidas sem preenchimento. A companhia também informou ter resolvido, em grande parte, a escassez de pilotos e profissionais de manutenção.
Apesar dos avanços, a presidente e CEO da KLM, Marjan Rintel, afirmou que novas decisões são necessárias diante da instabilidade global, dos preços elevados dos combustíveis e da pressão crescente sobre o setor aéreo.
“Todos os dias, trabalhamos com enorme dedicação, comprometimento e orgulho. Mas o futuro da KLM não está garantido. O ambiente em que operamos está se tornando cada vez mais complexo, com instabilidade global, preços elevados dos combustíveis e pressão crescente sobre a indústria da aviação. Por isso, neste momento decisivo para a KLM, estamos tomando medidas abrangentes e, por vezes, dolorosas. Todos os departamentos e todas as divisões terão de contribuir”, declarou.
O diretor financeiro, Bas Brouns, afirmou que o fortalecimento das finanças é necessário para tornar a empresa mais resistente às incertezas e permitir investimentos em uma nova geração de aeronaves, atendimento e pessoal.
A KLM continuará investindo em uma frota modernizada e simplificada de 185 aeronaves Airbus, Boeing e Embraer. Também estão previstos avanços no serviço de bordo, Wi-Fi gratuito de alta velocidade em voos intercontinentais, maior variedade de refeições nas rotas europeias e uso de digitalização e inteligência artificial para melhorar a experiência de compra e a eficiência do trabalho.
Rintel acrescentou que a companhia acompanhará a execução das medidas e que novas mudanças na organização, nas condições de emprego, na produtividade e no quadro de funcionários ainda poderão ser necessárias.

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