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quinta-feira, 26 de março de 2026

Brasil faz história na aviação militar ao manter por 50 anos o caça F-5 em operação na FAB, jato supersônico que protege o espaço aéreo nacional desde 1975

 

Ao completar meio século de serviço na Força Aérea Brasileira, o caça F-5 mostra como um projeto criado nos anos 1950 evoluiu com modernizações, novos radares e sistemas avançados para continuar defendendo o espaço aéreo do Brasil

Brasil faz história na aviação militar ao manter por 50 anos o caça F-5 em operação na FAB, jato supersônico que protege o espaço aéreo nacional desde 1975
Caça F-5EM da Força Aérea Brasileira em voo sobre o Cerrado brasileiro, aeronave que completa 50 anos de operação no Brasil.

A história do caça F-5 na Força Aérea Brasileira (FAB) representa um dos capítulos mais longevos e importantes da aviação militar do país. Ao completar 50 anos de operação em 2025, a aeronave se consolidou como um verdadeiro símbolo da defesa aérea brasileira, mantendo-se relevante mesmo após décadas de evolução tecnológica no setor militar.

Esse marco histórico mostra como um projeto concebido ainda na década de 1950 conseguiu atravessar gerações de pilotos, missões e cenários estratégicos. Ao longo do tempo, o F-5 passou por modernizações profundas e recebeu novos sistemas eletrônicos, radares e armamentos, garantindo sua permanência como um dos principais pilares da segurança do espaço aéreo nacional.

A informação foi divulgada pelo canal especializado “Aero Por Trás da Aviação”, que apresentou detalhes históricos e técnicos da aeronave ao relembrar os 50 anos de operação do F-5 na Força Aérea Brasileira, destacando sua origem, evolução tecnológica e importância estratégica para a defesa do país.

Caça F-5EM Tiger II da Força Aérea Brasileira, aeronave que completa 50 anos de presença na FAB e marcou gerações na história da aviação militar do país. Crédito: SGT Johnson/Força Aérea Brasileira

Origem do F-5: o caça leve criado nos Estados Unidos que conquistou o mundo

A origem do Northrop F-5 remonta ao início da Guerra Fria, quando a Força Aérea dos Estados Unidos buscava um caça leve, econômico e eficiente. Naquela época, o objetivo era desenvolver uma aeronave capaz de oferecer alto desempenho com baixo custo operacional, tornando-se também uma alternativa acessível para países aliados.

Esse projeto inovador foi conduzido pelo engenheiro Edgar Schmued, um dos nomes mais respeitados da engenharia aeronáutica. Ele já havia participado do desenvolvimento do lendário P-51 Mustang, utilizado na Segunda Guerra Mundial, além do famoso F-86 Sabre, um dos principais caças do período pós-guerra.

Com esse histórico, Schmued e sua equipe iniciaram o desenvolvimento do projeto em 1953, quando a OTAN lançou um requisito para um caça tático leve. A aeronave deveria ser capaz de operar até mesmo em pistas improvisadas, além de transportar tanto armamentos convencionais quanto armamentos nucleares.

A empresa Northrop respondeu a essa necessidade criando o projeto N-156, um jato pensado para contrariar a tendência da época, que era desenvolver aeronaves cada vez maiores e mais caras. O objetivo era criar um caça simples, confiável e de fácil manutenção, capaz de operar em diversas condições.

O coração desse novo avião seriam dois motores General Electric J85, turbojatos capazes de gerar 3.500 libras de empuxo seco ou 5.000 libras de empuxo com pós-combustor. Com os dois motores funcionando simultaneamente, a aeronave alcançava cerca de 10.000 libras de empuxo, o equivalente a aproximadamente 4.500 kg de potência, garantindo excelente relação empuxo-peso e alto desempenho para a época.

Características técnicas que tornaram o F-5 um sucesso internacional

Caça F-5 da Força Aérea Brasileira, jato supersônico que se tornou símbolo de cinco décadas da aviação de caça no Brasil. Crédito: SGT Johnson/Força Aérea Brasileira

Com o avanço do projeto, o design do F-5 começou a tomar sua forma definitiva em 1956, quando a configuração de pré-produção foi estabelecida. Nessa fase, os motores passaram a ser posicionados dentro da fuselagem, o que melhorou significativamente o desempenho aerodinâmico da aeronave.

A versão de treinamento derivada desse projeto, chamada T-38 Talon, realizou seu primeiro voo em 30 de julho de 1959. Essa aeronave acabou se tornando um dos jatos de treinamento mais utilizados da história.

Já a versão de combate foi oficializada como F-5A Freedom Fighter, que entrou em produção em larga escala e rapidamente ganhou destaque internacional.

Entre suas principais características técnicas, o caça possui 14,45 metros de comprimento e 8,13 metros de envergadura, um tamanho relativamente compacto para um jato supersônico. A altura da aeronave ultrapassa 4 metros na ponta do estabilizador vertical.

O peso vazio do avião é de 4.349 kg, enquanto o peso máximo de decolagem chega a 11.193 kg. Em termos de desempenho, o F-5 pode alcançar velocidade máxima de Mach 1.6, equivalente a aproximadamente 1.730 km/h.

Além disso, a aeronave possui um teto operacional de 52.000 pés, cerca de 15.800 metros de altitude, e autonomia de aproximadamente 1.814 km quando utiliza tanques externos. Em missões de combate, o raio de ação gira em torno de 300 milhas.

Outro destaque é a capacidade de armamento. O F-5 possui sete pontos de fixação, sendo um sob a fuselagem e três em cada asa, permitindo transportar até 3.200 kg de cargas militares, incluindo bombas, mísseis e tanques extras.

Entre os armamentos compatíveis está o famoso míssil AIM-9B Sidewinder, além de um canhão de 20 mm M39A3, equipado com 280 projéteis.

Graças a essas características, o F-5 rapidamente se tornou um dos caças mais populares do mundo. Ele foi utilizado por diversos países, incluindo Suíça, México, Irã, Chile e Brasil, além de continuar sendo operado em alguns esquadrões de treinamento nos próprios Estados Unidos.

Como o F-5 se tornou um dos pilares da Força Aérea Brasileira

F-5EM da Força Aérea Brasileira, modelo modernizado do clássico caça F-5 que se tornou um dos aviões de combate mais longevos da história da FAB. Crédito: SGT Johnson/Força Aérea Brasileira

A presença do F-5 no Brasil começou em março de 1975, quando o país adquiriu 30 unidades do modelo F-5E e seis unidades do F-5B em um contrato avaliado em 72 milhões de dólares.

As primeiras aeronaves chegaram ao país em 13 de março de 1975, pousando na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, onde deram início às operações na Força Aérea Brasileira.

Anos depois, em 1988, a FAB ampliou sua frota ao adquirir mais 22 unidades do F-5E e quatro unidades do F-5F, aeronaves que haviam sido utilizadas anteriormente pela Força Aérea dos Estados Unidos em treinamentos de combate aéreo.

Com o avanço tecnológico das décadas seguintes, tornou-se necessário modernizar a frota. Assim, no início dos anos 2000, a FAB iniciou um amplo programa de modernização conduzido pela Embraer em parceria com uma empresa israelense de sistemas militares.

Ao todo, 46 aeronaves foram atualizadas, passando a receber a designação F-5EM e F-5FM. Essa modernização transformou o avião originalmente de terceira geração em uma aeronave com capacidades equivalentes a um caça de quarta geração.

Entre as melhorias implementadas estão novos radares, sistemas de guerra eletrônica, aviônicos digitais, telas LCD e head-up display, além de sistemas avançados de comunicação e defesa.

Outra inovação importante foi a integração com o avião de alerta aéreo antecipado Embraer R-99, baseado no jato ERJ-145, que permite ampliar a consciência situacional do piloto durante operações.

Posteriormente, em 2008, a FAB adquiriu mais 11 aeronaves F-5 provenientes da Jordânia, sendo oito monoplace e três biplace, todas também modernizadas.

Já em 2020, o caça recebeu integração com sistemas de Data Link, permitindo comunicação em tempo real com aeronaves R-99, navios, blindados e centros de comando.

Mesmo após meio século de operação, o F-5 continua desempenhando um papel fundamental na defesa aérea do Brasil, garantindo a proteção do espaço aéreo nacional até a consolidação de novas aeronaves como o F-39 Gripen.

Brasil precisa de pelo menos 66 caças Gripen, diz ex-comandante da FAB

 

Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior durante visita na Suécia, quando da aceitação dos primeiros quatr F-39 da FAB, em novembro de 2021. Foto: Força Aérea Brasileira

As Forças Armadas brasileiras não estão com capacidades operacionais para defenderem a soberania do País e há, tanto na sociedade civil quanto em parte dos próprios militares, a falta de percepção do risco de um dia haver agressão ao Brasil. Esta foi uma das principais ideias apresentadas pelo Tenente-Brigadeiro da reserva Carlos de Almeida Baptista Júnior, oficial que esteve à frente do Comando da Aeronáutica entre 12 de abril de 2021 e 2 de janeiro de 2023, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo publicada nesta semana.

De acordo com o Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior, um ex-piloto com experiência em caças F-5 e AT-26, além de aviões-radar E-99, o Brasil precisa, por exemplo, de pelo menos 66 caças F-39 Gripen para ter um poder de dissuasão adequado. Ele também destacou a importância de aeronaves de patrulha marítima e de reabastecimento em voo como prioridades.

Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior, Comandante da Aeronáutica, durante solenidade do Dia da Aviação de Caça, em 2022

Na entrevista ao jornalista Marcelo Godoy, o militar defendeu ainda a importância do fortalecimento do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, a quem os comandantes de Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira deveriam se subordinar. A visão do Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior é de que as três forças deveriam se preocupar em organizar, treinar e equipar seus efetivos, mas o emprego operacional caberia a comandos conjuntos permanentes.

Outro ponto da entrevista foi o comentário a respeito da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), do Ministério da Defesa. O ex-Comandante da Aeronáutica opinou que “infelizmente” a Seprod não conseguiu se fortalecer diante do poder decisório individual das Forças Armadas, não sendo uma agência centralizada para compra de equipamentos de defesa, desenvolvimento de tecnologias e exportação de armamentos, como a Direction Générale de l’Armement (DGA), da França.

Entre incorporações e cortes

Um aspecto não abordado na entrevista é que foi durante o comando do Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior que ocorreu a incorporação dos caças F-39E Gripen ao 1º Grupo de Defesa Aérea, em 19 de dezembro de 2022. A gestão foi marcada também pelo início da vida operacional dos jatos KC-390 Millenium, que haviam começado a chegar em 2019. O período ficou ainda marcado pelo recebimento do par de cargueiros KC-30.

Ao mesmo tempo, dependente dos recursos destinados pelo governo da época, coube ao Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior conduzir um dos momentos mais tensos da relação entre a Força Aérea Brasileira e a Embraer quando, em 12 de novembro de 2021, ele assinou uma nota oficial em que era anunciada a intenção de reduzir de 28 para 15 unidades a compra dos jatos KC-390. Acabou sendo firmado acordo para 19 aeronaves.

Caça Gripen e KC-390 da FAB durante treinamento na Base Aérea de Anápolis

Ainda em seu comando, em 2022, foi anunciado que o contrato para aquisição dos 36 Gripen, assinado em 2014, seria ampliado para incorporar mais quatro aeronaves. Porém, o número de 40 aeronaves não foi mais falado como oficial. Também não ocorreu a esperada modernização dos KC-30 que, apesar da presença do “K” na designação, até hoje não têm capacidade para reabastecimento em voo.

Esses projetos não dependem da visão pessoal ou do engajamento dos comandantes militares, e sim dos orçamentos estabelecidos pelo Governo Federal. Na entrevista, o Tenente-Brigadeiro Baptista Júnior não fez críticas à falta de investimentos militares especificamente do governo Jair Bolsonaro, quando estava na função de Comandante da Aeronáutica, adotando a fala de que se trata de um problema dos “últimos 30 anos”. 

De gigante desconhecida a ameaça global: avião militar brasileiro C-390 Millennium conquista contratos milionários, vence EUA e Europa e muda o jogo da aviação de defesa

 

Escolha estratégica surpreende mercado internacional e revela avanço tecnológico fora dos polos tradicionais, com aeronave brasileira ganhando espaço e desafiando gigantes históricos

De gigante desconhecida a ameaça global: avião militar brasileiro C-390 Millennium conquista contratos milionários, vence EUA e Europa e muda o jogo da aviação de defesa
C-390 Millennium em operação, aeronave brasileira que conquista espaço no mercado global de defesa

Durante décadas, o mercado de aeronaves militares foi dominado por poucos países, especialmente pelos Estados Unidos e nações da Europa, que concentravam as principais tecnologias e contratos estratégicos do setor. No entanto, esse cenário, que parecia praticamente inabalável, começou a apresentar mudanças significativas nos últimos anos. Nesse contexto, um novo protagonista passou a ganhar espaço de forma consistente no cenário global, chamando atenção não apenas pela tecnologia embarcada, mas também pela estratégia comercial adotada.

A informação foi divulgada por “reportagens especializadas do setor aeroespacial”, que destacam o avanço da indústria brasileira de defesa, especialmente com o crescimento da Embraer no mercado internacional. Esse movimento, aliás, não aconteceu de forma repentina, mas sim como resultado de anos de desenvolvimento tecnológico e posicionamento estratégico.

Nesse sentido, o que mais surpreende especialistas e analistas é justamente a origem desse novo competidor: o Brasil. Tradicionalmente fora do eixo dominante da indústria militar global, o país começa agora a ocupar um espaço relevante e a desafiar modelos consolidados.



O contrato que colocou o Brasil no radar das grandes potências militares

O ponto de virada aconteceu quando a Embraer conquistou um contrato estratégico com a Força Aérea da Coreia do Sul, um dos mercados mais exigentes e competitivos do mundo. O acordo envolve a entrega de unidades do C-390 Millennium, uma aeronave de transporte militar que vem ganhando destaque no cenário internacional.

Mais do que uma simples venda, essa decisão chamou atenção por um motivo específico: o país asiático optou pelo modelo brasileiro em vez de alternativas tradicionais oferecidas por fabricantes dos Estados Unidos e da Europa. Esse detalhe, por si só, já indica uma mudança importante na lógica de aquisição militar global.

Avaliado em centenas de milhões de dólares, o contrato representa um marco histórico, pois consolida a entrada de uma empresa latino-americana em um mercado altamente competitivo e, até então, bastante fechado a novos participantes.

Além disso, é importante destacar que esse avanço não ocorreu por acaso. Nos últimos anos, o C-390 Millennium acumulou contratos em diferentes regiões do mundo, fortalecendo sua presença internacional e despertando o interesse de diversas forças aéreas.



Consequentemente, esse movimento sinaliza uma transformação mais ampla no setor, onde novas propostas tecnológicas começam a desafiar soluções tradicionais, antes consideradas imbatíveis.


C-390 Millennium: tecnologia, versatilidade e eficiência em um único projeto

O sucesso do C-390 Millennium está diretamente ligado à sua capacidade de operar em múltiplos cenários. Projetado como um avião de transporte militar a jato, ele foi desenvolvido para atender diferentes tipos de missão, desde operações logísticas até ações humanitárias.

Sua capacidade de carga chega a aproximadamente 26 toneladas, permitindo o transporte de veículos, equipamentos pesados e grandes volumes de suprimentos. Além disso, a aeronave pode transportar dezenas de militares ou ser configurada para evacuações médicas, com espaço para dezenas de macas.

Outro fator que reforça sua relevância é a capacidade de operar em pistas não preparadas, característica essencial em situações de emergência ou em regiões com infraestrutura limitada. Isso amplia significativamente o leque de operações possíveis.

Além disso, o modelo se destaca pela versatilidade operacional. Ele pode ser adaptado para reabastecimento em voo, combate a incêndios e missões de ajuda humanitária, tornando-se uma plataforma altamente flexível.

No quesito desempenho, o C-390 chama atenção pela elevada velocidade dentro da sua categoria. Somado a isso, o uso de sistemas modernos, como o fly-by-wire, melhora a estabilidade, a segurança e a eficiência operacional da aeronave.

Os números reforçam essa reputação: milhares de horas de voo já acumuladas, altos índices de disponibilidade e uma taxa de cumprimento de missões que impressiona tanto operadores quanto potenciais compradores.

Por que o avião brasileiro está desafiando gigantes da aviação mundial

O crescimento do programa do C-390 Millennium chama ainda mais atenção quando analisado sob a perspectiva da concorrência direta. Isso porque o modelo disputa espaço com aeronaves consagradas, especialmente de origem norte-americana, amplamente utilizadas por décadas em operações militares ao redor do mundo.

Ainda assim, o avião brasileiro apresenta vantagens competitivas relevantes. Entre os principais diferenciais estão a maior velocidade operacional e a eficiência no consumo de combustível e manutenção, fatores decisivos para países que precisam otimizar custos sem comprometer sua capacidade estratégica.

Além disso, a aeronave incorpora tecnologias mais recentes, com sistemas digitais avançados que ampliam o controle e a segurança durante as operações. Esse conjunto tecnológico posiciona o modelo como uma solução moderna frente a alternativas mais antigas.

Outro ponto que pesa fortemente nas decisões de compra é o custo. Com um valor competitivo no mercado internacional, o C-390 Millennium surge como uma opção altamente atrativa quando comparado a modelos mais caros e, em alguns casos, menos atualizados tecnologicamente.

Atualmente, diversos países já confirmaram a adoção da aeronave em suas frotas, enquanto outros seguem em fase de negociação. Esse avanço não apenas fortalece a presença da Embraer no cenário global, como também coloca a América Latina em uma posição inédita dentro da indústria aeroespacial de defesa.

Dessa forma, o que antes era um mercado dominado por poucos países começa a mostrar sinais claros de mudança. E, ao que tudo indica, essa transformação está apenas no início.


Força Aérea Indiana próxima de concluir contratos de aquisição para até 180 aeronaves

  


Para reforçar a força da Força Aérea Indiana (IAF), a Índia deverá concluir vários contratos importantes no ano fiscal de 2026 – 2027, incluindo acordos para a compra de 114 caças Dassault Rafale, até 60 aeronaves de transporte médio (MTA) e sistemas adicionais de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C), informou o Ministério da Defesa a uma comissão parlamentar.

“Houve um aumento de 37,03% no orçamento de capital da Força Aérea Indiana em comparação com as estimativas orçamentárias para 2025 – 2026. Os fundos alocados serão utilizados em alguns dos principais novos projetos, como aeronaves de combate multifuncionais (referindo-se ao acordo proposto para o Rafale), sistemas de apoio ao combate (AEW&C, Tejas MK1A), aeronaves de transporte médio (MTA) e RPA (aeronaves remotamente pilotadas) de média altitude e longa duração, além dos compromissos assumidos”, informou o ministério à comissão parlamentar permanente de defesa, que apresentou seu relatório mais recente na semana passada.

Estima-se que a aquisição de pelo menos 6 aeronaves de alerta aéreo antecipado e controle estejam nos contratos do ano fiscal de 2026 – 2027. Imagem ilustrativa.

Em fevereiro deste ano, o Conselho de Aquisições de Defesa (DAC) aprovou a compra de 114 caças Rafale no âmbito do programa de Aeronave de Combate Multimissão (MRFA); o negócio proposto para os caças, juntamente com equipamentos militares, deverá custar cerca de 3,25 trilhões de rupias. Segundo o modelo MRFA, os novos Rafales serão fabricados na Índia pela empresa francesa Dassault Aviation em colaboração com um parceiro indiano. “Tendo em vista a modernização das forças armadas, especialmente no atual cenário geopolítico, o comitê instiga a Força Aérea a utilizar de forma proveitosa os fundos alocados para a  modernização e atualização tecnológica de armamentos e para a aquisição de outras plataformas vitais”, afirma o relatório.

Apesar do acidente durante uma demonstração aérea no Dubai Air Show em 2025, o Tejas permanece em desenvolvimento como uma solução local para as necessidades da IAF. Imagem ilustrativa.

O Conselho de Aquisições de Defesa aprovou recentemente um plano para a aquisição de 60 aeronaves de transporte médio (MTA) para a Força Aérea Indiana (IAF), com um custo estimado em 1 trilhão de rúpias. O programa visa substituir a frota obsoleta de An-32, necessitando de 12 aeronaves prontas para voo e 48 a serem fabricadas localmente. Os principais concorrentes incluem o Embraer C-390 Millennium, o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o Airbus Defence and Space, da União Europeia, com seu A-400M.

“Elementos críticos de apoio ao combate aéreo, como aeronaves de alerta aéreo antecipado (AEWAC), aeronaves de reabastecimento em voo e plataformas especiais de inteligência e vigilância eletrônica, são vitais. Esses sistemas não apenas aprimoram nossa inteligência e transmissão no campo de batalha, mas também fornecem aos comandantes informações eletrônicas sobre a ordem de batalha na guerra moderna. Todos esses sistemas de inteligência de combate são plataformas extremamente eficazes para aprimorar a capacidade de combate das três forças armadas”, informou o ministério à comissão.

O Embraer C-390 Millennium é um forte candidato a até 60 aeronaves de transporte médio (MTA) com produção local e transferência de tecnologia.

O comitê também foi informado de que a Força Aérea Indiana (IAF) está comprometida com a autossuficiência e oferece apoio integral aos objetivos nacionais. “Para impulsionara inovação e a nacionalização da produção, a IAF criou uma nova diretoria, denominada Diretoria de Projeto Aeroespacial (DAD). Essa diretoria interage ativamente com indústrias, instituições de P&D e o meio acadêmico para identificar tecnologias de nicho no domínio aeroespacial e desenvolver métodos operacionais para convertê-las em soluções táticas e estratégicas de combate, utilizando recursos nacionais”, diz o relatório.

Mesmo com a possível aquisição de 114 caças Rafale pela Índia, avaliada em cerca de US$ 40 bilhões, avança a discussão sobre limitações tecnológicas impostas por Paris. Relatos recentes indicam que a França não pretende transferir o código-fonte de sistemas eletrônicos considerados sensíveis, incluindo o conjunto de guerra eletrônica SPECTRA, peça central da capacidade de sobrevivência e consciência situacional da aeronave.