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domingo, 12 de julho de 2026

Caça Gripen derrotou o F-16 e F/A-18 em exercícios

 caças Gripen suecos e F-16 noruegueses em formação - foto Saab

Caças Gripen suecos e F-16 da Dinamarca

Em vários exercícios realizados entre os caças Gripen C suecos e aviões de combate de países europeus, o Gripen tem superado seus adversários com facilidade.

No combate aereo  contra os F-16, o Gripen mostrou não ter nenhum problema para se posicionar atrás da cauda dos F-16, na posição 6 horas, embora o Viper seja conhecido por ser uma aeronave quase imbatível em “dogfight”.

Os F-16 não conseguiram igualar a super manobrabilidade do Gripen, com sua configuração delta/canard instável.

O Gripen não tem a mesma TWR (Thrust-to-Weight Ratio) dos caças americanos, mas seu moderno design aerodinâmico permite que ele faça curvas mais apertadas sem perder a energia. Nas palavras de um dos pilotos do Gripen: “Se o F 16 e o Gripen executarem um giro de 9g, o F-16 perde muito mais velocidade do que o Gripen”.

No combate BVR (beyond Visual Range) o Gripen também se saiu melhor. Em exercícios com os F/A-18 finlandeses, o Gripen venceu todos os combates WVR e BVR.

O data link TIDLS (Tactical Information Data Link System) do Gripen provou ser uma ferramenta superior nos combates BVR. Os F/A-18 foram atingidos com vários mísseis simulados AMRAAM antes de saberem que os Gripens estavam presentes.

Os pilotos do Gripen disseram que em combates WVR o F/A-18 ficou ainda mais fácil de derrotar em altitudes menores, e a 2.000 metros, simplesmente não houve competição: os F/A-18 foram massacrados.

Gripen sueco, F-16 norueguês e F-18 finlandês

Como o caça Gripen se sai contra o F-15, F-16, F-18, F-22, Rafale e Eurofighter?

 Tiger Meet 2013 - Gripen - Rafales - Typhoon e Tornado - foto via Força Aérea Francesa

Exercício Tiger Meet : Gripen, Rafales, Typhoon e Tornado. Foto via Força Aérea Francesa

Por Stefan Englund – ex-tenente de engenharia da Força Aérea Sueca (1986-1991)

Falando apenas sobre as versões operacionais, o Gripen não tem problemas em enfrentar qualquer um dos caças americanos F-18, F-16 ou F-15, sendo o F-22 o único caça americano operacional que pode dar ao Gripen algum problema substancial. Como o Gripen se posiciona contra os caças europeus?

Desconfio que caças como Typhoon e Rafale, dependendo do papel de um e de outro, tenham alguma vantagem, mas devem ser bastante semelhantes em geral. Olhando para os caças contra o Gripen, um a um, começando pelos americanos, os resultados de exercícios internacionais mostram uma imagem bastante clara. Abaixo, não abordarei o F-35 ou o Gripen E, uma vez que não estão operacionais e, portanto, qualquer comparação é pura especulação.

Contra o F-16, que mais se encontrou com o Gripen em exercícios, muitas vezes durante o Red Flag, mas também na Noruega, Tailândia e exercícios europeus. Mesmo com pilotos muito inexperientes do Gripen, com poucas horas de voo, o Gripen tem vantagem. O Gripen no Red Flag Alaska 2006 mostrou o quão superior ele pode ser, mesmo com o mínimo de apoio, com poucas pessoas e longe de casa. Os pilotos de Gripen ainda não tinham treinado com a sonda de reabastecimento aéreo (eram os primeiros Gripen C/D entregues), por isso foi uma grande aventura ir da Suécia ao Alasca e permanecer operacional em um nível muito elevado.

Gripen no Red Flag Alaska

O Red Flag foi a estreia da Suécia com o Gripen nesse tipo de exercício. Com um apoio aéreo e por radar reduzido, o Gripens conectaram seus sistemas de data-links e agiram como um mini-AWACs, tendo a consciência do campo de batalha que, em alguns aspectos, era melhor que o oponente. Sem grande esforço evitando toda a defesa do solo, marcaram 10 kills no primeiro dia, incluindo um Typhoon. Sem perdas e eles permaneceram sem serem detectados, a suíte EW (Electronic Warfare) mostrou-se muito difícil de penetrar.

Um piloto do Gripen derrubou cinco F-16 Block 50+ durante combate aéreo no Red Flag Alaska. E os Gripens nunca perderam nenhum encontro aéreo ou falharam em seus objetivos de missão. Foi o único caça que realizou a maioria das surtidas planejadas, enquanto outros ficaram no chão esperando a meteorologia melhorar. A avaliação foi de que a capacidade dos Gripens precisava ser reavaliada. O Gripen pode ser favorecido com kill rate de até 15:1 contra o F-16. E com nenhum desrespeito aos outros pilotos de caça: com os papéis trocados, eles teriam a mesma pontuação.

Durante um exercício de combate com a Força Aérea Real Norueguesa, 3 Gripens suecos enfrentaram 5 caças F-16 da RNAF. O resultado foi 5-0, 5-0, 5-1 depois de terem voado 3 surtidas.

Gripen sueco, F-16 norueguês e F-18 finlandês

O F-16 tem um TWR (Thrust-to-weight Ratio – Razão empuxo-peso) mais alta que o Gripen, mas é preciso considerar o arrasto e a carga alar também. O Gripen tem um arrasto muito menor. E carga alar muito mais baixa. Ele pode atingir velocidades supersônicas em empuxo seco enquanto carrega um armamento completo de quatro AMRAAMs, dois Sidewinders e um tanque de combustível externo. Mesmo que o Gripen não tenha a TWR do F-16, ele pode quase igualá-lo na taxa de subida graças ao arrasto menor.

A diferença no papel pode não parecer muita coisa, mas, olhando para a eficácia do campo de batalha, é um mundo à parte. O Gripen é um caça moderno, de projeto mais recente que o F-16.

Exercícios com o F-18 não são tão comuns, mas ocorrem com mais frequência durante operações com a Força Aérea Finlandesa. Em BVR nem o F-16 e o F-18 chega perto, mas parece que o F-18 em um merge se sai muito bem em grandes altitudes, mas isso muda com a altitude decrescente e abaixo de 2.000 metros não é páreo para o Gripen. Não tenho pontuações, mas suspeito que o Gripen tenha pontuado um pouco menos contra o F-18 do que contra o F-16, dependendo da altitude, mas não com muito.

Gripen sueco e F-18 finlandês no Artic Challenge 2013 – foto Força Aérea Sueca

O avião que parece capaz de manter distância é o F-15. Os F-15 também têm a vantagem de poder desengajar se a situação for desfavorável.

O único encontro entre F-15 e Gripen que eu conheço foi durante o exercício Loyal Arrow na Suécia, no qual 3 caças F-15C da USAF foram interceptados por um único Gripen agindo como agressor. O resultado foi o abate de dois F-15 e um conseguiu escapar devido usando sua melhor razão empuxo-peso. Para a defesa dos F-15, eles estavam no quintal dos Gripens. O F-15 pode ficar de fora de um combate com um Gripen, mantendo-o à distância, usando BVR se eles puderem detectá-lo e evitando os Meteors do Gripen, mas não é uma estratégia sábia engajar.

O F-22 é o único caça que tem vantagem sobre o Gripen. Em relação a outros caças, o Gripen tem uma das pontuações mais altas contra o Raptor. Em comparação com o Typhoon, a diferença não é grande, mas o Raptor ainda está em vantagem. Por sua idade, o F-22 é um avião mais do que impressionante em muitos aspectos. O que afeta o Raptor negativamente nesse contexto é a idade do avião e a necessidade de atualização do conjunto de sensores para mantê-lo superior na arena de superioridade aérea.

Exercício Pitch Black : Hornet, Super Hornet, Mirage 2000-9, Gripen, F-15 e F-16
F-22 Raptor

O F-22 é, no meu ponto de vista, o único avião que tem um potencial de atualização superior se ele fosse objeto de uma atualização equivalente ao Gripen E. Significando fuselagem semelhante, mas nova, interior e arquitetura completamente novos, suíte de sensores e aviônicos.

Observando a arquitetura usada no Gripen E, um custo de atualização do Raptor “NG” seria menor do que qualquer um pode imaginar e se tornaria um caça em potencial da 6ª Geração a um custo relativamente baixo. Provavelmente se tornaria mais ou menos intocável, que não é o caso do já existente. Não entenda mal, o F-22 é superior ou, como um piloto do Gripen disse no Red Flag 2013, “o F-22 funciona como anunciado”. Apenas é triste ver que o número desses aviões é limitado.

Contra o Rafale e o Typhoon, não tenho registros, mas o que sei é que os pilotos dos caças Typhoon chamavam o Gripen de “bucha de canhão” na chegada ao Red Flag Alaska, mas mudaram de ideia muito rapidamente e ficaram muito mais humildes depois de alguns combates.

Caça Saab Gripen C armado com mísseis Meteor e AMRAAM

Não há caças operacionais superiores ao Gripen, exceto o F-22. Mas o Gripen tem limites, é um avião pequeno e com isso possui radar menor, leva menos carga e combustível. Mas o baixo custo de voo, manutenção, acessibilidade e retorno superiores compensam muito isso.

O Gripen está entre os caças mais subestimados que voam hoje. Durante a campanha da Líbia foi usado inicialmente como recurso tático, mas logo depois foi atualizado como um recurso estratégico. Também na Líbia, nenhuma missão foi cancelada devido a problemas técnicos no Gripen. E não, ele não é invencível, apenas subestimado.

Então, acima, quando falo do Gripen, não apenas quero dizer o avião, mas como ele é conectado em rede, a fusão exclusiva de sensores que lhe confere uma consciência situacional superior no campo de batalha, flexibilidade, acessibilidade e outras habilidades. E ainda estou falando do Gripen C/D, única versão operacional. Não há caça, exceto o F-22, hoje operacional que seja superior ao Gripen em rede. E todos os que voaram contra ele sabem disso.

FAB descarta compra de substituto para o AMX e aposta todas as fichas no Gripen


A decisão da FAB de não substituir o AMX por um caça intermediário concentra a capacidade de combate no F-39 Gripen e levanta discussões sobre o futuro da defesa aérea do Brasil, a ampliação da frota e os desafios logísticos.

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A decisão da Força Aérea Brasileira (FAB) de descartar a aquisição de um caça intermediário para substituir os veteranos AMX A-1M representa uma das mudanças mais significativas na estrutura da aviação de combate nacional das últimas décadas. Em vez de manter uma frota diversificada, a Aeronáutica concentrará sua capacidade de superioridade aérea e ataque praticamente em um único vetor de combate: o F-39 Gripen.

A medida ocorre em um cenário de fortes restrições orçamentárias, no qual a prioridade passou a ser a continuidade do Programa Gripen e a modernização gradual da força. Embora a decisão permita concentrar investimentos em uma plataforma de última geração, ela também desperta debates sobre a capacidade da FAB de atender simultaneamente às diversas demandas operacionais de um país com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território e cerca de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres.

Os AMX A-1M, desenvolvidos em parceria entre Brasil e Itália, entraram em serviço no fim da década de 1980 e, por mais de 30 anos, desempenharam missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, reconhecimento armado e treinamento operacional. A modernização para o padrão A-1M incorporou novos aviônicos, sistemas de navegação, guerra eletrônica e armamentos inteligentes, prolongando sua vida útil. No entanto, o envelhecimento das células, o aumento dos custos de manutenção e a dificuldade para obtenção de componentes tornaram inviável uma nova extensão do programa.

Com a retirada gradual dos AMX e, posteriormente, dos F-5M Tiger II, o Gripen passa a ocupar uma posição central dentro da estrutura operacional da FAB.

Atualmente, o Brasil possui contrato para 36 caças Gripen, sendo 28 monopostos F-39E e oito bipostos F-39F. As entregas seguem em andamento e parte da produção já ocorre em território nacional, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), resultado do amplo programa de transferência de tecnologia firmado entre Brasil e Saab.

O primeiro Gripen produzido no Brasil foi apresentado oficialmente em 2026, simbolizando um novo estágio da participação da indústria nacional no programa. Além da fabricação de estruturas e montagem final, empresas brasileiras passaram a produzir componentes, desenvolver software e participar da integração de sistemas, ampliando significativamente a capacidade tecnológica do setor aeroespacial brasileiro.

O governo brasileiro também iniciou negociações para um segundo lote de até 20 aeronaves. Caso a aquisição seja confirmada, a frota poderá alcançar 56 caças, número superior ao previsto inicialmente, mas ainda distante das necessidades estimadas pela própria FAB durante os estudos do Programa F-X2.

O comandante da Aeronáutica reconheceu recentemente que a quantidade atualmente contratada não é suficiente para atender plenamente às demandas operacionais do país. Segundo ele, uma frota em torno de 66 Gripen representaria um patamar mais adequado para garantir a cobertura das diversas missões atribuídas à força.

Mesmo com um eventual segundo lote, a FAB continuará operando uma frota relativamente pequena quando comparada à extensão territorial brasileira. Diferentemente de outras forças aéreas, que distribuem suas missões entre diferentes categorias de aeronaves, o Brasil caminha para concentrar praticamente toda sua capacidade de combate em um único modelo.

Sob o ponto de vista tecnológico, porém, o Gripen está entre os caças mais avançados de sua categoria. A aeronave reúne radar AESA Raven ES-05, sensor infravermelho IRST Skyward-G, suíte integrada de guerra eletrônica, enlace de dados de alta velocidade e arquitetura aberta que facilita futuras modernizações. O modelo também apresenta um dos menores custos operacionais entre os modernos caças multifuncionais ocidentais, fator considerado decisivo durante o processo de seleção do Programa F-X2.

Outro diferencial é a filosofia de operação do Gripen. Projetado para exigir reduzido efetivo de manutenção, o caça pode ser reabastecido e rearmado rapidamente, permitindo elevada disponibilidade operacional. Essa característica foi concebida originalmente para atender às necessidades da Força Aérea Sueca, que prioriza dispersão de aeronaves e rápida retomada das operações em cenários de conflito.

Apesar dessas vantagens, especialistas apontam que nenhuma força aérea moderna depende exclusivamente do desempenho da aeronave. A disponibilidade logística torna-se um fator igualmente estratégico.

Embora boa parte da produção esteja sendo nacionalizada, diversos componentes críticos continuam sendo fornecidos por empresas estrangeiras. O motor F414 é fabricado pela norte-americana GE Aerospace, enquanto o radar AESA e diversos sensores eletrônicos envolvem fornecedores europeus. Em um cenário de crises internacionais, sanções econômicas ou interrupções prolongadas nas cadeias globais de suprimentos, a reposição desses sistemas pode sofrer impactos, como ocorreu em diversos setores da indústria durante a pandemia de COVID-19 e em consequência dos conflitos recentes na Europa.

Ao mesmo tempo, a transferência de tecnologia prevista no contrato brasileiro reduz parte dessa dependência. O domínio de processos industriais, desenvolvimento de software, fabricação estrutural e integração de sistemas amplia a autonomia nacional para manutenção e futuras evoluções da aeronave.

Outro desafio envolve a formação de pilotos.

Durante décadas, o AMX funcionou como uma importante etapa intermediária entre os treinadores avançados e os caças de primeira linha. Com sua aposentadoria, a FAB precisará adaptar sua doutrina operacional.

Nesse contexto, o Gripen F assume papel estratégico. A versão biposta, desenvolvida especificamente para atender aos requisitos brasileiros, não se limita ao treinamento. Diferentemente de muitos caças de dois assentos utilizados apenas para instrução, o Gripen F mantém plena capacidade de combate e poderá desempenhar missões complexas de guerra eletrônica, coordenação tática e emprego operacional.

Paralelamente, a FAB continua investindo em simuladores de alta fidelidade e em novos métodos de formação para reduzir custos de treinamento e acelerar a transição dos pilotos para o novo caça.

A opção brasileira reflete uma tendência observada em diversas forças aéreas contemporâneas: privilegiar plataformas altamente capazes em detrimento da quantidade de aeronaves. No entanto, esse modelo exige elevado índice de disponibilidade, planejamento logístico eficiente e investimentos contínuos para evitar que uma frota numericamente reduzida comprometa a capacidade de resposta em cenários de múltiplas ameaças simultâneas.

Nos próximos anos, à medida que os AMX e os F-5M forem retirados de serviço, o F-39 Gripen deixará de ser apenas o mais moderno caça da FAB para se tornar o principal responsável pela defesa aérea e pela capacidade de ataque da aviação de combate brasileira. O sucesso dessa estratégia dependerá não apenas do desempenho da aeronave, mas também da ampliação da frota, da consolidação da produção nacional e da continuidade dos investimentos na Base Industrial de Defesa.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Força Aérea Brasileira chega ao Chile em grande estilo e impressiona; 6 Gripens em formação.

 






Número de caças J-20 na China já é maior que a frota de F-35A da USAF

 

A produção acelerada do caça stealth chinês marca uma mudança histórica no equilíbrio da aviação militar e reforça a crescente capacidade industrial de Pequim diante dos Estados Unidos.


A rápida modernização da aviação militar chinesa atingiu um marco histórico. Pela primeira vez, a frota operacional do caça furtivo Chengdu J-20 da Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLAAF) ultrapassou o número de caças F-35A Lightning II em serviço na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). O feito simboliza o avanço da indústria aeroespacial chinesa e evidencia uma mudança importante no equilíbrio do poder aéreo entre as duas maiores potências militares do mundo.

Estimativas de analistas internacionais apontam que a China já opera mais de 330 J-20, enquanto a USAF mantém pouco mais de 300 F-35A em suas unidades operacionais. Embora o programa F-35 continue sendo o maior do mundo quando consideradas todas as suas variantes e os operadores internacionais, a comparação direta entre as duas forças aéreas revela que Pequim passou a liderar em quantidade de caças furtivos de quinta geração voltados para superioridade aérea.

Esse crescimento é resultado de uma estratégia industrial iniciada há mais de uma década. A Chengdu Aircraft Corporation ampliou significativamente sua capacidade de produção e hoje é capaz de fabricar entre 100 e 120 aeronaves por ano, um ritmo superior ao das aquisições anuais de F-35A pela USAF. A adoção do motor nacional WS-15 nas versões mais recentes do J-20 também representa um avanço importante, reduzindo a dependência chinesa de tecnologia estrangeira e aumentando o desempenho da aeronave.

Inicialmente destinado a poucas unidades de elite, o J-20 passou a equipar diversos comandos da PLAAF, incluindo bases estrategicamente posicionadas para operações no Estreito de Taiwan, no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional. A expansão demonstra que o caça atingiu um elevado grau de maturidade operacional e se tornou a principal plataforma de superioridade aérea da força chinesa.

Outro passo importante foi a introdução do J-20S, versão biposto da aeronave. EEsse modelo poderá desempenhar funções inéditas, como coordenação de aeronaves não tripuladas de combate, guerra eletrônica e missões de longo alcance, aproximando-se do conceito de combate colaborativo que também está sendo desenvolvido pelos Estados Unidos para sua futura geração de caças.

Projetado prioritariamente para missões de superioridade aérea, o J-20 combina grande autonomia, baixa assinatura radar e capacidade de transportar internamente mísseis ar-ar de longo alcance, incluindo o PL-15. O armamento é considerado um dos principais desafios para as forças aéreas ocidentais devido ao seu alcance e à capacidade de engajar alvos antes mesmo de entrar no envelope de disparo de muitos mísseis utilizados pela OTAN.

Enquanto isso, o F-35A continua sendo uma plataforma com características distintas. Desenvolvido para missões multifunção, o caça norte-americano se destaca pela fusão de sensores, pela capacidade de compartilhamento de dados em tempo real e pela integração com uma ampla rede de aeronaves, navios e sistemas terrestres aliados. Essas características fazem do Lightning II um dos principais multiplicadores de força da aviação ocidental.

Apesar da vantagem chinesa em quantidade de J-20, uma comparação baseada apenas no número de aeronaves não retrata completamente o equilíbrio militar. A USAF continua operando uma das forças aéreas mais completas do mundo, com caças F-22 Raptor, F-15EX Eagle II e F-16 modernizados, além de uma extensa frota de aeronaves de reabastecimento em voo, alerta aéreo antecipado, guerra eletrônica e transporte estratégico. A rede global de bases e a experiência operacional acumulada em décadas de missões também permanecem como diferenciais importantes.

Por outro lado, a China vem fortalecendo rapidamente sua estratégia de negação de acesso e área (A2/AD), integrando os J-20 a uma complexa rede de radares, aeronaves de alerta antecipado KJ-500, satélites militares, sistemas de defesa antiaérea e novos mísseis de longo alcance, como o PL-17. Essa combinação busca dificultar a atuação de forças estrangeiras, especialmente em um eventual conflito envolvendo Taiwan.

O cenário tende a se tornar ainda mais competitivo nos próximos anos. Além da continuidade da produção do J-20, Pequim já iniciou a introdução do J-35, um novo caça furtivo destinado tanto à Força Aérea quanto à aviação embarcada da Marinha chinesa. Nos Estados Unidos, o foco estratégico está migrando para o programa Next Generation Air Dominance (NGAD) e para aeronaves não tripuladas colaborativas, que deverão atuar em conjunto com os caças tripulados de sexta geração.

Se o atual ritmo de produção for mantido, a China poderá operar aproximadamente mil J-20 no início da próxima década. Caso essa previsão se confirme, a competição pela superioridade aérea no Indo-Pacífico entrará em uma nova fase, na qual a capacidade industrial, a velocidade de produção e a disponibilidade operacional poderão ser tão decisivas quanto a superioridade tecnológica.