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domingo, 23 de agosto de 2026

Ao desistir do F-35, Espanha deixa Harrier sem substituto para sua aviação embarcada


Decisão de Madrid de não comprar o F-35B deixará o Juan Carlos I sem um caça de asa fixa embarcado quando os veteranos AV-8B Harrier II forem retirados de serviço.


A Espanha caminha para uma mudança histórica em sua aviação naval. Os AV-8B Harrier II Plus da Armada Española continuarão operacionais durante os próximos anos, mas já está claro que a frota não terá um substituto direto quando essas aeronaves finalmente deixarem o serviço. A decisão de Madrid de abandonar a possibilidade de adquirir o F-35B Lightning II criou uma lacuna que nenhum dos programas europeus atualmente escolhidos pelo país consegue preencher.

O problema é particularmente importante porque o Harrier é atualmente o único caça de asa fixa capaz de operar a partir do LHD Juan Carlos I. Construído pela Navantia, o navio de 231 metros e cerca de 27 mil toneladas combina as funções de porta-aeronaves, navio de assalto anfíbio e plataforma de projeção estratégica. Sua pista equipada com ski-jump foi projetada para operar aeronaves STOVL, ou seja, capazes de decolagem curta e pouso vertical.

Na prática, isso restringe severamente as opções espanholas. O Juan Carlos I não possui catapultas nem cabos de parada necessários para operar caças navais convencionais, como o Rafale M. Dessa maneira, aeronaves como o Eurofighter Typhoon, que estão recebendo prioridade nos planos de modernização da Força Aérea espanhola, não podem simplesmente assumir o lugar dos Harrier embarcados.

A alternativa mais lógica seria o F-35B, justamente a versão de decolagem curta e pouso vertical do caça de quinta geração da Lockheed Martin. A aeronave foi desenvolvida para operar a partir de navios de assalto e porta-aviões equipados com pistas STOVL e é utilizada justamente por países que precisam manter uma capacidade de combate aéreo embarcado sem recorrer a grandes porta-aviões convencionais.

Entretanto, Madrid decidiu não avançar com a aquisição do F-35 e optou por concentrar seus investimentos em plataformas europeias, principalmente o Eurofighter Typhoon e um ainda possível e futuro FCAS. A decisão atende ao objetivo espanhol de ampliar a autonomia industrial e tecnológica europeia, mas produz uma consequência direta para a Armada Española, que continuará sem uma solução para substituir seus Harrier.

A situação é ainda mais complicada porque não existe atualmente outro caça STOVL disponível no mercado capaz de desempenhar essa função. O F-35B é, na prática, a única aeronave moderna de produção em série que pode substituir diretamente o Harrier mantendo o conceito operacional do Juan Carlos I. Projetos como FCAS, Eurofighter, KF-21 ou KAAN não possuem capacidade de decolagem curta e pouso vertical.

Por isso, a aposentadoria dos Harrier não significará apenas a substituição de um modelo antigo por outro mais moderno. Ela poderá representar o fim da aviação de caça embarcada espanhola. A capacidade existe na Armada desde 1976, quando o país começou a operar o Harrier, e posteriormente evoluiu para o AV-8B Harrier II Plus, introduzido a partir da década de 1990.

Madrid tenta ganhar tempo mantendo os atuais AV-8B em operação durante a década de 2030. A frota deverá permanecer ativa até aproximadamente 2032, prolongando a utilização de aeronaves que já acumulam décadas de serviço. A estratégia é possível em parte graças à obtenção de aeronaves aposentadas de outros operadores para utilização como fonte de peças.

O fim da operação dos Harrier pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos abriu uma oportunidade importante para a Espanha. Em junho de 2026, os Marines realizaram o último voo operacional do AV-8B Harrier II, encerrando mais de quatro décadas de serviço do modelo. Poucos dias antes, foi confirmado que cinco aeronaves retiradas de serviço nos Estados Unidos seriam destinadas à Espanha para fornecer peças e componentes à frota espanhola.

A medida é essencial para prolongar a vida dos Harrier espanhóis, mas não resolve o problema de longo prazo. Pelo contrário, o fato de a Armada precisar recorrer a aeronaves aposentadas de outro país demonstra como a cadeia logística do modelo está chegando ao fim. Com Estados Unidos e Itália abandonando o Harrier, a Espanha deverá se tornar o último operador mundial do AV-8B.

O Juan Carlos I continuará sendo uma das principais plataformas de projeção de poder da Armada Española mesmo depois da aposentadoria dos Harrier. O navio pode operar helicópteros, transportar tropas e veículos, realizar operações anfíbias e participar de missões humanitárias. Sua versatilidade foi demonstrada em diversos exercícios e operações internacionais desde sua entrada em serviço em 2010. O que será perdido, entretanto, é a capacidade de operar uma ala de caças de asa fixa a partir do mar. Essa diferença é importante porque os Harrier permitem ao navio fornecer apoio aéreo e realizar missões de defesa aérea, ataque e reconhecimento sem depender integralmente de bases terrestres ou de aeronaves de outros países aliados.

Uma possível solução seria a Espanha desenvolver ou adquirir no futuro um novo navio capaz de operar aeronaves convencionais. Nesse cenário, a Armada poderia utilizar um caça naval como o Rafale M ou outro modelo compatível com operações a partir de um porta-aviões equipado com catapultas. Porém, essa alternativa exigiria um investimento muito maior e não estaria disponível no momento em que os Harrier forem retirados.

Também existe a possibilidade de ampliar o emprego de drones embarcados. O desenvolvimento de aeronaves não tripuladas capazes de operar a partir de navios vem avançando rapidamente e pode oferecer novas capacidades à Armada. A própria configuração do Juan Carlos I permite que o navio continue sendo utilizado como plataforma aérea mesmo sem caças tripulados, embora drones não substituam integralmente as capacidades de um caça STOVL.

A situação espanhola também chama atenção porque o país possui uma plataforma naval moderna justamente preparada para operar aeronaves desse tipo. O Juan Carlos I foi concebido para combinar operações anfíbias e aéreas e conta com uma pista equipada com ski-jump para aeronaves STOVL. A retirada do Harrier, portanto, não representa apenas o fim de uma aeronave, mas a perda de uma das principais funções para as quais o navio foi projetado.

Assim, a Espanha terá um grande navio de projeção estratégica capaz de operar aeronaves, mas não contará mais com caças de asa fixa para formar sua ala aérea. A menos que Madrid reveja sua decisão ou encontre uma alternativa tecnológica ainda inexistente, os veteranos Harrier serão os últimos caças embarcados da história recente da Armada Española.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Aviação do Exército recebe o último helicóptero HM-4 – JAGUAR do Projeto H-XBR

 Aviação do Exército recebe o último helicóptero HM-4 - JAGUAR do Projeto H-XBR

(FYI) A Aviação do Exército (Av Ex) completou um importante ciclo no seu processo de modernização. No dia 13 de agosto, foi realizada a entrega oficial da última unidade do helicóptero HM-4 – JAGUAR (designação militar do modelo AIRBUS/HELIBRAS H225M), prevista no cronograma de aquisições do Projeto H-XBR.

A solenidade de recebimento da aeronave, realizada na fábrica da Helibras, em Itajubá (MG), marcou o encerramento de um ciclo fundamental de equipamento da Força Terrestre e a transferência tecnológica para a Base Industrial de Defesa brasileira.

A nova aeronave, fabricada e montada no país, passará a integrar a frota da Av Ex, sediada em Taubaté (SP). Equipada com sistemas de autodefesa modernos e suíte de guerra eletrônica avançada, o HM-4 – JAGUAR é um vetor otimizado para realizar missões de transporte de tropa e assalto aeromóvel, infiltração e exfiltração de tropa, apoio logístico em missões humanitárias e de defesa, durante o dia ou de noite, entre outras possibilidades de emprego.

Com o recebimento da última aeronave, o Exército Brasileiro conclui a incorporação dos meios a ele destinados no escopo do contrato comercial do Projeto H-XBR e consolida o HM-4 – JAGUAR como um importante meio de defesa para o Brasil.

O Projeto H-XBR

Gerenciado pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), o Projeto H-XBR viabilizou o fornecimento de helicópteros modernos para a Marinha do Brasil, o Exército e a Força Aérea Brasileira. A consolidação deste projeto não apenas entregou meios para as Forças Armadas, mas também gerou empregos qualificados no país e contribuiu para fortalecer a independência tecnológica em território nacional na manutenção de seus equipamentos e sistemas e desenvolvimento de helicópteros militares desse porte.

A implantação do Projeto H-XBR no âmbito da Força é coordenada pelo Estado-Maior do Exército. Sua implantação é de responsabilidade do Comando Logístico, por intermédio da Chefia de Material de Aviação do Exército, gerente desse projeto, que trabalha em estreita coordenação com a COPAC e o Comando de Aviação do Exército (CAvEx).

Vetor de aumento do poder de combate

A Aviação do Exército está completando 40 anos de sua criação nesse mês de setembro, constituindo-se em Força de Emprego Estratégico. Sob a coordenação do CAvEx, quatro Batalhões de Aviação do Exército proporcionam mobilidade tática e apoio aproximado à Força Terrestre, sendo que dois deles estão sediados em Taubaté e as outras duas Unidades estão localizadas em Campo Grande (MS) e Manaus (AM).

Além disso, há toda uma estrutura de manutenção, suprimentos e ensino disponibilizada para sua plena utilização como importante vetor de incremento do poder de combate.

Com capacidade de atuação em qualquer parte do território nacional, as aeronaves de asas rotativas têm sido peças fundamentais tanto em missões operacionais como em ações de apoio à população, a exemplo da Operação Taquari II, no rio Grande do Sul, quando os helicópteros participaram de missões de resgate e salvamento das vítimas das enchentes.


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

F-5 Tiger II e AT-3A/B para o Paraguai?

 



Voo de despedida dos F-5 da RoCAF. Decolagem de um RF-5E e um F-5F do 12th TRS. Foto: Wang Shao-Hsiang.

 

O Paraguai está avaliando a aquisição de 10 caças F-5F/RF-5E Tiger II e de um lote de aviões de treinamento AIDC AT-3A/B Tzu Chung, recentemente aposentados por Taiwan. O objetivo é restaurar a capacidade de combate e criar uma unidade de caças supersônicos, algo que seria inédito na Fuerza Aérea Paraguaya (FAP).

Em julho deste ano, o Presidente da República do Paraguai e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, Santiago Peña, anunciou que a Força Aérea Paraguaia adquiriria aeronaves de treinamento a jato por meio de um acordo com a República de Taiwan. Este anúncio ocorreu após uma visita ao Paraguai do Vice-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea Taiwanesa, General Tian Zhong-Yi, e às instalações da Primeira Brigada Aérea da Força Aérea Paraguaia na cidade de Luque, próxima à capital, Assunção.

 



AIDC AT-3A/B Tzu Chung. Foto: Foto: Hsu Chunyuan.

 

A Republic of China Air Force (RoCAF), ou Força Aérea de Taiwan, desativou no dia 04 de julho de 2025 sua frota de supersônicos F-5E/F/RF-5E, marcando o fim de 60 anos de operações deste caças no país. Os primeiros F-5A/B chegaram a Taiwan em 1965, mas a coisa realmente decolou na década de 1970, quando a RoCAF recebeu os primeiros F-5E/F Tiger II dos Estados Unidos, como substitutos do F-5A/B e a Aerospace Industrial Development Corporation (AIDC) começou a construir localmente o F-5.

A RoCAF operou 187 F-5E, 7 RF-5E e 64 F-5F. Restavam em serviço cinco F-5F (RoCAF 5382, 5387, 5398, 5408, 5413) e cinco RF-5E (RoCAF 5501, 5503, 5504, 5505, 5507), todos ex 12th Tactical Reconnaissance Squadron (12th TRS) — Húlí (Fox), sediado na Base Aérea de Hualien (RCYU).

Novamente não está claro se a intenção do Paraguai é comprar apenas os F-5F ou todo o lote de F-5, o que inclui os RF-5E. Não se sabe se haveria condições de converter os RF-5E em F-5E, mais úteis para a FAP.



Dois RF-5E do 12th TRS. Foto: Wang Shao-Hsiang.

Também não está claro se a intenção é ter uma unidade de caça supersônico e uma de treinamento juntas, ou optar por uma ou outra. O fato é que a especulação tem ganhado corpo com a mídia paraguaia e taiwanesa especulando sobre o acordo.

A última vez que a FAP teve aeronaves a jato em operação foi em 2003, quando desativou sua pequena frota de EMB-326GB Xavante, adquiridos da Embraer em 1979. De lá para cá a FAP viveu um período de estagnação, operando apenas com os AT-27 Tucanos, até a chegada dos novos EMB-314 (A-29B) Super Tucano.

 



A FAP adquiriu 6 A-29B Super Tucano, recebidos em 2025. Foto: Via EMB.

A potencial aquisição visaria complementar os seis novos Embraer A-29 Super Tucano, o qual quatro foram recebidos em 2025, criando uma capacidade de interceptação em altitude e a de tráfegos de maior desempenho. OS A-29B tem um papel de policiamento de fronteira e coibir aeronaves de baixa performance que levam contrabando ou estão a serviço do narcotráfico.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Recorde de velocidade do F-106 Delta Dart continua sem ser superado após mais de seis décadas


Interceptador da Guerra Fria estabeleceu em 1959 uma marca de velocidade que permanece oficialmente imbatível para aeronaves a jato de um único motor


O Convair F-106 Delta Dart entrou para a história da aviação militar por sua capacidade de interceptação em alta velocidade, mas também por estabelecer um recorde que permanece impressionante mais de seis décadas depois. Em 15 de dezembro de 1959, um F-106A pilotado pelo major Joe Rogers atingiu uma velocidade média de 2.455,73 km/h, aproximadamente Mach 2,43, tornando-se o avião a jato monomotor mais rápido já registrado oficialmente.

Protótipo do MiG-Ye-152 armado com mísseis ar-ar K-80.

O feito ocorreu em um momento de intensa competição tecnológica entre Estados Unidos e União Soviética. Naquele período, recordes de velocidade representavam não apenas conquistas aeronáuticas, mas também demonstrações do nível tecnológico alcançado pelas duas superpotências. Pouco antes, um protótipo soviético Ye-152 havia estabelecido uma marca de aproximadamente 2.388 km/h, levando a Força Aérea dos Estados Unidos a buscar uma resposta.

F-102 Delta Dagger.

O escolhido para a missão foi o F-106 Delta Dart, um interceptador desenvolvido pela Convair a partir do F-102 Delta Dagger. Embora inicialmente designado F-102B, as profundas modificações estruturais e a adoção de um motor mais potente fizeram com que o projeto recebesse uma nova designação. O primeiro F-106A voou em dezembro de 1956 e as entregas à Força Aérea dos Estados Unidos começaram em 1959.

Convair F-106A-1-CO Delta Dart 56-451 durante um voo de testes nas proximidades da Base Aérea de Edwards, na Califórnia, com pintura laranja de alta visibilidade.

O Delta Dart era equipado com um motor Pratt & Whitney J75, capaz de produzir aproximadamente 24.500 libras de empuxo com pós-combustão. A aeronave também incorporava o avançado sistema eletrônico Hughes MA-1, desenvolvido para automatizar grande parte da missão de interceptação. O sistema podia conduzir o avião até a altitude e posição adequadas para o ataque, permitindo o emprego de mísseis como o AIM-4 Falcon e o AIR-2 Genie.

Para tentar recuperar o recorde mundial absoluto de velocidade, a USAF criou o Project Fire Wall. A primeira aeronave selecionada foi o F-106A de matrícula 56-0459, um avião de produção que já havia sido utilizado em ensaios de desempenho e recebera modificações nas entradas de ar e no sistema de propulsão.

Major Joe Rogers se prepara para embarcar no F-106A do museu, S/N 56-0459, antes do próximo voo durante a “Operação Firewall”.

O major Joseph W. Rogers foi escolhido para pilotar a tentativa. Ele já possuía ampla experiência com o F-106 e havia participado da integração do interceptador ao serviço operacional. Durante os treinamentos, Rogers realizou diversos voos para explorar os limites da aeronave e praticar as passagens sobre o trecho oficial utilizado para homologar o recorde.

Major Rodgers e o F-106A, S/N 56-0459, são vistos durante a decolagem na Operação Firewall.

A missão exigia uma combinação extrema de velocidade, altitude e precisão. Depois de subir para aproximadamente 40 mil pés, cerca de 12.200 metros, Rogers precisava acelerar até velocidades superiores a Mach 2, atravessar o trecho de medição, realizar uma curva de 180 graus e repetir a passagem na direção oposta. O combustível disponível era tão limitado que praticamente não havia margem para desvios.

Major Joseph W. Rogers, da Força Aérea dos EUA, no cockpit do Convair F-106A Delta Dart 56-0467, na Base Aérea de Edwards, em 15 de dezembro de 1959, após estabelecer seu recorde mundial de velocidade.

A situação ficou ainda mais complicada durante um voo de treinamento realizado em 14 de dezembro, apenas um dia antes da tentativa. Ao atingir aproximadamente Mach 2,3, o F-106 sofreu violentos estolamentos do compressor. As oscilações provocaram movimentos de guinada tão fortes que Rogers teve dificuldades para manter o controle da aeronave e decidiu interromper o voo.

Os técnicos tentaram solucionar o problema, mas não conseguiram preparar o 56-0459 a tempo. A alternativa foi utilizar outro F-106, o 56-0467, que pertencia a um programa de ensaios estruturais. Durante a noite, a equipe transferiu equipamentos de instrumentação da aeronave original para o novo avião e realizou mudanças e testes no motor em um período extremamente curto.

Na manhã de 15 de dezembro, o F-106 56-0467 realizou um voo de avaliação que apresentou resultados considerados extraordinários. A aeronave demonstrou desempenho suficiente para que a equipe decidisse prosseguir imediatamente com a tentativa de recorde.

Às 9h30, Joe Rogers decolou da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Poucos minutos depois, o F-106 estava a aproximadamente 40 mil pés de altitude, em uma região da atmosfera onde a temperatura chegava a cerca de -57 °C.

Rogers realizou duas passagens pelo trecho oficial, uma em cada direção, em um procedimento destinado a minimizar os efeitos do vento sobre o resultado. As duas passagens foram concluídas em aproximadamente 24 segundos. Durante o percurso, o F-106 chegou a Mach 2,43 e, segundo o próprio piloto, continuava acelerando quando terminou o trecho de medição.

O resultado oficial foi uma velocidade média de 1.525 mph, equivalente a aproximadamente 2.455 km/h. A marca superou o recorde soviético do Ye-152 e tornou Joe Rogers o homem mais rápido do mundo naquele momento.

O voo, porém, cobrou um preço elevado da aeronave. Depois do pouso, os efeitos do aquecimento aerodinâmico eram claramente visíveis. A pintura havia sido queimada ou removida nas bordas de ataque das asas e nas entradas de ar, enquanto partes da deriva também apresentavam sinais do intenso aquecimento. Os painéis laterais da cobertura da cabine sofreram deformações e o motor utilizado no voo acabou considerado perdido.

O recorde também foi obtido com uma aeronave que não era um protótipo especialmente construído para quebrar marcas de velocidade. O 56-0467 era essencialmente um F-106 de produção utilizado em testes, o que torna o resultado ainda mais significativo.

Após ser retirada do programa de testes do F-106, a aeronave F-106A nº 0459 serviu por quatro anos no 11º Esquadrão de Caças Interceptadores da Base Aérea de Duluth, em Minnesota, e por outros 18 anos no 318º Esquadrão de Caças Interceptadores da Base Aérea de McChord.

O Delta Dart foi desenvolvido principalmente para uma função muito diferente da busca por recordes. Sua missão era interceptar bombardeiros soviéticos em alta altitude e velocidade, dentro da estratégia de defesa aérea dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Para isso, combinava desempenho supersônico, radar, automação e armamento especializado em uma plataforma projetada para reagir rapidamente a ameaças aéreas.

A exposição “Firewall” do McChord Air Museum, localizada ao lado do simulador do F-106, é uma das atrações mais populares da galeria do museu.

A produção do F-106 terminou em 1960, depois que 277 exemplares da versão F-106A e 63 da versão biposto F-106B foram construídos. Apesar de ter sido concebido como uma evolução do F-102, o Delta Dart acabou se tornando um dos mais avançados interceptadores norte-americanos de sua geração.

O F-106 “6-0459” no McChord Air Museum, em meados de 2001

Mais de 60 anos depois, a marca estabelecida por Joe Rogers continua sendo uma das façanhas mais impressionantes da aviação militar. O recorde absoluto de velocidade entre aeronaves tripuladas foi posteriormente superado por projetos muito mais extremos, mas, considerando especificamente aviões a jato monomotores, o F-106 Delta Dart permanece associado à marca de aproximadamente 2.455 km/h.