
Mirage 2000C e Mirage F1CR no estacionamento da base aérea de Al Ahsa
Há 35 anos, a França entrou na Guerra do Golfo (1990–1991) por meio da Operação Daguet. Mesmo antes do início da ofensiva terrestre, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) desempenhou um papel decisivo na conquista da superioridade aérea, na destruição de alvos em profundidade no teatro de operações e na desarticulação do dispositivo militar iraquiano. Tratou-se de um papel fundador, cujas lições ainda ressoam hoje na era dos exercícios de alta intensidade, como o “Orion”.
Em 2 de agosto de 1990, a invasão do Kuwait pelo Iraque representou uma ruptura significativa da ordem internacional. Em resposta, a França decidiu participar da coalizão internacional que atuava sob o mandato das Nações Unidas e sob a liderança dos Estados Unidos. Deflagrada já em agosto, a Operação Daguet levou ao emprego de um componente aéreo e ao envio de uma divisão francesa para a Arábia Saudita.
Projeção do poder aéreo: uma abertura de teatro bem conduzida
Dadas as grandes distâncias envolvidas, a Força Aérea consolidou-se como ator central na implantação das forças francesas. Por razões políticas e operacionais, a aviação de caça — Mirage 2000, Mirage F1 e Jaguar — acompanhada por um dispositivo de defesa antiaérea de solo, foi concentrada na base de Al Ahsa, na Arábia Saudita. Inicialmente pouco adequada ao uso militar intensivo, a instalação foi rapidamente transformada em uma base aérea projetada para sustentar operações de combate. Os meios de transporte e de reabastecimento em voo ficaram baseados no Riad.
Em poucas semanas, a Força Aérea demonstrou sua capacidade de projetar e sustentar uma força aérea a mais de 7.000 quilômetros do território nacional. Esse aumento de capacidade constituiu uma verdadeira abertura de teatro, condição prévia para qualquer engajamento conjunto.

O controle dos céus como condição de sucesso
Em 17 de janeiro de 1991, teve início a Operação Desert Storm (Tempestade no Deserto). De acordo com os princípios da guerra moderna, a ação aérea foi empregada primeiro para conquistar o controle do espaço aéreo no teatro de operações. Desde as primeiras horas, aeronaves francesas participaram dos ataques iniciais contra as capacidades militares iraquianas, destacando-se o ataque de Jaguar à base de Al Jaber, no Kuwait.
Ao longo de toda a campanha, a Força Aérea contribuiu para a obtenção da superioridade aérea, a neutralização dos sistemas de comando inimigos, a interdição dos fluxos logísticos e a coleta de informações para preparar a ofensiva terrestre. Embora representasse uma parcela limitada do volume aéreo da coalizão, a aviação francesa realizou cerca de 1.200 missões de combate sem sofrer perdas, demonstrando sua capacidade de integração às coalizões e de atuar em operações complexas de alta intensidade.
Ação preparatória decisiva antes da ofensiva terrestre
Por mais de um mês, a ação aérea aliada enfraqueceu metodicamente as forças iraquianas. As unidades inimigas foram desorganizadas, e suas capacidades de manobra e reabastecimento ficaram fortemente reduzidas. Quando a ofensiva terrestre foi lançada, em 24 de fevereiro de 1991, a Divisão Daguet pôde avançar rapidamente rumo aos seus objetivos, especialmente a tomada da localidade de Al Salman, com resistência mínima.
Em três dias, as forças terrestres apoiadas pelo componente aéreo libertaram o Kuwait e destruíram grande parte das capacidades militares iraquianas. O sucesso da manobra terrestre apoiou-se diretamente no trabalho preparatório conduzido pelas forças aéreas aliadas. Ao garantir liberdade de ação, proteção das forças empregadas e conhecimento do adversário, o poder aéreo criou as condições para o êxito em terra.

De Daguet a “Orion”
Trinta e cinco anos após a Operação Daguet, as lições da Guerra do Golfo permanecem atuais. O exercício “Orion”, realizado na França metropolitana no primeiro semestre de 2026, insere-se nessa continuidade. Ele volta a destacar o papel central do poder aéreo nas fases iniciais de um engajamento de alta intensidade, desde a abertura do teatro até o apoio direto às forças terrestres.
Embora a antiga Força Aérea tenha evoluído para a atual Força Aérea e Espacial, a lógica permanece inalterada. O domínio do ambiente — das camadas mais baixas da atmosfera até o espaço, passando pela altíssima altitude — continua sendo condição indispensável para a condução de operações conjuntas e para o sucesso da manobra global.
Conferência “30 anos de poder aéreo”
Em 10 de fevereiro de 2021, em ocasião do 30º aniversário da Primeira Guerra do Golfo, o Centro de Estudos Estratégicos Aeroespaciais (CESA) organizou uma conferência transmitida ao vivo pelo canal da Força Aérea e Espacial no YouTube.■
FONTE: Armée de l’Air et de l’Espace

Nenhum comentário:
Postar um comentário