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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

a Força Aérea Francesa na Guerra do Golfo (1990–1991)

 Operação Daguet (2)

Mirage 2000C e Mirage F1CR no estacionamento da base aérea de Al Ahsa

Há 35 anos, a França entrou na Guerra do Golfo (1990–1991) por meio da Operação Daguet. Mesmo antes do início da ofensiva terrestre, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) desempenhou um papel decisivo na conquista da superioridade aérea, na destruição de alvos em profundidade no teatro de operações e na desarticulação do dispositivo militar iraquiano. Tratou-se de um papel fundador, cujas lições ainda ressoam hoje na era dos exercícios de alta intensidade, como o “Orion”.

Em 2 de agosto de 1990, a invasão do Kuwait pelo Iraque representou uma ruptura significativa da ordem internacional. Em resposta, a França decidiu participar da coalizão internacional que atuava sob o mandato das Nações Unidas e sob a liderança dos Estados Unidos. Deflagrada já em agosto, a Operação Daguet levou ao emprego de um componente aéreo e ao envio de uma divisão francesa para a Arábia Saudita.


Projeção do poder aéreo: uma abertura de teatro bem conduzida

Dadas as grandes distâncias envolvidas, a Força Aérea consolidou-se como ator central na implantação das forças francesas. Por razões políticas e operacionais, a aviação de caça — Mirage 2000, Mirage F1 e Jaguar — acompanhada por um dispositivo de defesa antiaérea de solo, foi concentrada na base de Al Ahsa, na Arábia Saudita. Inicialmente pouco adequada ao uso militar intensivo, a instalação foi rapidamente transformada em uma base aérea projetada para sustentar operações de combate. Os meios de transporte e de reabastecimento em voo ficaram baseados no Riad.

Em poucas semanas, a Força Aérea demonstrou sua capacidade de projetar e sustentar uma força aérea a mais de 7.000 quilômetros do território nacional. Esse aumento de capacidade constituiu uma verdadeira abertura de teatro, condição prévia para qualquer engajamento conjunto.

Mirage F1CR da 33ª ala de reconhecimento decolando

O controle dos céus como condição de sucesso

Em 17 de janeiro de 1991, teve início a Operação Desert Storm (Tempestade no Deserto). De acordo com os princípios da guerra moderna, a ação aérea foi empregada primeiro para conquistar o controle do espaço aéreo no teatro de operações. Desde as primeiras horas, aeronaves francesas participaram dos ataques iniciais contra as capacidades militares iraquianas, destacando-se o ataque de Jaguar à base de Al Jaber, no Kuwait.

Ao longo de toda a campanha, a Força Aérea contribuiu para a obtenção da superioridade aérea, a neutralização dos sistemas de comando inimigos, a interdição dos fluxos logísticos e a coleta de informações para preparar a ofensiva terrestre. Embora representasse uma parcela limitada do volume aéreo da coalizão, a aviação francesa realizou cerca de 1.200 missões de combate sem sofrer perdas, demonstrando sua capacidade de integração às coalizões e de atuar em operações complexas de alta intensidade.


Ação preparatória decisiva antes da ofensiva terrestre

Por mais de um mês, a ação aérea aliada enfraqueceu metodicamente as forças iraquianas. As unidades inimigas foram desorganizadas, e suas capacidades de manobra e reabastecimento ficaram fortemente reduzidas. Quando a ofensiva terrestre foi lançada, em 24 de fevereiro de 1991, a Divisão Daguet pôde avançar rapidamente rumo aos seus objetivos, especialmente a tomada da localidade de Al Salman, com resistência mínima.

Em três dias, as forças terrestres apoiadas pelo componente aéreo libertaram o Kuwait e destruíram grande parte das capacidades militares iraquianas. O sucesso da manobra terrestre apoiou-se diretamente no trabalho preparatório conduzido pelas forças aéreas aliadas. Ao garantir liberdade de ação, proteção das forças empregadas e conhecimento do adversário, o poder aéreo criou as condições para o êxito em terra.

Jaguar A da 11ª Ala de Caça

De Daguet a “Orion”

Trinta e cinco anos após a Operação Daguet, as lições da Guerra do Golfo permanecem atuais. O exercício “Orion”, realizado na França metropolitana no primeiro semestre de 2026, insere-se nessa continuidade. Ele volta a destacar o papel central do poder aéreo nas fases iniciais de um engajamento de alta intensidade, desde a abertura do teatro até o apoio direto às forças terrestres.

Embora a antiga Força Aérea tenha evoluído para a atual Força Aérea e Espacial, a lógica permanece inalterada. O domínio do ambiente — das camadas mais baixas da atmosfera até o espaço, passando pela altíssima altitude — continua sendo condição indispensável para a condução de operações conjuntas e para o sucesso da manobra global.


Conferência “30 anos de poder aéreo”

Em 10 de fevereiro de 2021, em ocasião do 30º aniversário da Primeira Guerra do Golfo, o Centro de Estudos Estratégicos Aeroespaciais (CESA) organizou uma conferência transmitida ao vivo pelo canal da Força Aérea e Espacial no YouTube.■

FONTE: Armée de l’Air et de l’Espace

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