
Kauan Munhoz
Entusiasta e leitor do Poder Aéreo
Itapetininga, 10 de junho de 2025 – O objetivo deste texto é realizar uma reflexão acerca da situação atual da frota da FAB e a lacuna intermediária, para a qual ainda não há um apontamento claro de substituição, sendo este assunto crucial não apenas por questões de tradição em nossa Força Aérea, mas também de assegurar a máxima integridade que as operações modernas exigem principalmente em um território extenso como o nosso.
Com a retirada de serviço gradual dos AMX (A-1), ficará um espaço vazio entre o A-29 Super Tucano (caça e ataque leve) e os F-39 Gripen que aos poucos começam a ocupar as fileiras de primeira linha dos antigos F-5. Essa situação expõe algumas fragilidades para nossa força em termos de operacionalidade, resposta rápida, flexibilidade em ações conjuntas e plataformas tecnológicas adequadas para missões.
Há muitos anos, a FAB estrutura sua frota com base em categorias específicas para atender a diferentes necessidades operacionais, sendo um caso clássico a tríade composta por Xavante, AMX e F-5. Posteriormente foram adotados os A-29 no lugar do AT-26.
Além disso, devemos considerar as vantagens operacionais que o AMX proporcionava e como essa lacuna pode impactar a FAB sem um substituto adequado, entre as vantagens mais destacáveis temos a capacidade de ataque preciso (devido sua pluralidade de armamentos), a excelente navegação em baixa altitude por conta de seu design que permitia voos rasantes em alta velocidade subsônica, sua diminuta assinatura de radar, grande autonomia e por último, mas não menos importante sua flexibilidade operacional, ou seja, sua utilização para reconhecimento aéreo e treinamento avançado (principalmente na transição para o voo a jato).
Agora, tratando de possibilidades viáveis ao nosso país e que se encaixam perfeitamente no quadro de missões pelas quais o AMX era responsável temos nomes interessantes, entre eles um impressionante é o do Aermacchi M-346, um jato de treinamento avançado e ataque leve com características notáveis de voo como um teto de serviço de 45.000 pés (13.715 metros) e velocidade máxima de 1.090km/h, oferecendo ainda uma autonomia impressionante que dispensa reabastecimentos aéreos frequentes, sistemas de controle de voo contemporâneos (incluindo fly-by-wire com redundância quadrupla) e claro cinco pontos duros para fixação de armamentos ar-ar e ar-solo. Além disso, o M-346 possui um sistema de treinamento integrado que permite simular sensores, armas e forças geradas por computador, tornando-o ideal para a formação de pilotos de combate.

Em seguida, temos o americano Boeing T-7 Red Hawk, projetado para treinamento avançado, mas com potencial para missões de ataque leve sendo uma aeronave versátil e com tecnologia de ponta. Entre pontos de destaque temos a alta manobrabilidade com respostas rápidas, segurança aprimorada com um sistema de ejeção singular e um design inovador projetado digitalmente para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento, além de um motor turbofan General Electric F404 de alto desempenho e confiabilidade. E mesmo que seja ainda apenas um treinador, sua adaptação para o emprego em ataque pode ser considerada.

Há também outro pouco explorado, o KAI FA-50 desenvolvido pela Coreia do Sul, um caça leve derivado do T-50 Golden Eagle. Ele possui capacidade supersônica, aviônicos modernos e pode operar em missões de ataque leve e defesa aérea. Sendo essa uma opção de possível alcance ao Brasil tendo em vista sua diplomacia amistosa e cooperativa com os sul-coreanos em parcerias comerciais e tecnológicas em diversos setores.

Ademais, é fundamental lembrarmos que outros países também já passaram por casos semelhantes, como a Itália, que também operava os AMX, os retirou de serviço e optou pelos modernos F-35 Lightning II. É claro que não precisamos copiá-los, mas entender como foi seu processo de substituição e adestramento para a nova tecnologia empregada, ou seja, é de suma relevância um planejamento acerca do que se espera de um modelo de reposição tendo em vista nosso território e suas exigências operacionais.
E, independentemente, de qual for a escolha do modelo, deve se ter em mente que a substituição do AMX não é apenas por uma escolha técnica ou muito menos de conservação de tradições, mas sim de estratégia, influenciando diretamente a capacidade de defesa e atuação da FAB. Tornando a reflexão sobre esse tema essencial para garantir que a força aérea continue a cumprir seu papel com eficiência e modernização constantes.

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