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segunda-feira, 13 de março de 2017

North American P-51 Mustang


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O P-51 Mustang foi um caça e caça-bombardeiro de longo alcance concebido, projetado e construído pela North American Aviation, em resposta a uma especificação emitida diretamente à North American pela British Purchasing Commission (inicialmente designada por Anglo-French Purchasing Commission), estabelecida em Nova Yorque e responsável pala aquisição de armamento pelos aliados junto dos produtores Norte Americanos. A aeronave foi largamente utilizada durante a fase final da segunda guerra mundial, no teatro Europeu e do Pacifico.
No início da Guerra da Coréia, o Mustang era o principal caça das Nações Unidas até serem progressivamente substituídos pelos recentes caças a jato como o F-86 Sabre. Depois disso e apesar do advento dos caças a jato, o Mustang permaneceu ao serviço de algumas forças aéreas até o início dos anos 1980.
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Ano
1944
Pais de Origem
EUA
Função
Caça
Variante
P-51D
Tripulação
1
Motor
1 x Packard V-1650-7  V-12, com1490cv
Peso (Kg)
Vazio
3465
Máximo
5490

Dimensões (m)
Comprimento
9.83
Envergadura
11.28
Altura
4.08

Performance (Km)
Velocidade Máxima
703
Teto Máximo
12800
Raio de ação
2755 (com tanques externos)
Armamento
6 x metralhadoras AN/M2 Browning de 12.7mm
até 453kg de bombas ou 6 a 10 foguetes de 127mm ou foguetes T64 HVAR, em suportes nas asas 
Países operadores
EUA, Australia, Bolivia, Canada, Taiwan, Costa Rica, Cuba, Republica Dominicana, El Salvador, França, Alemanha, Guatemala, Haiti, Indonesia, Israel, Italia, Japão, Holanda, Nicaragua, Nova Zelandia, Filipinas, Polonia, Somalia, Africa do Sul, Coreia do Sul, Suecia, Suiça,  Reino Unido, Uruguai, URSS
Fontes
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GALERIA
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P-51A
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P-51B / C
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P-51B
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P-51D
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P-51H
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P-51D, atualmente
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HISTÓRIA
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Em abril de 1938, logo após a anexação da Áustria, os governos britânico e francês estabeleceram uma Comissão de Compras (Anglo-French Purchasing Commission) nos EUA, chefiada por Henry Self, a quem foi dada responsabilidade global pela pesquisa, desenvolvimento e produção, fora da Europa, de aviões de combate para a Royal Air Force (RAF) e do Armée de l'Air. Na época, a escolha era muito limitada, pois nenhum avião produzido nos EUA estava de acordo com as normas Europeias, com excepção do Curtiss P-40 Tomahawk que se aproximava dessas normas estando já em produção pela Curtiss-Wright para fornecer a RAF e o Armée de l'Air (Força Aérea Francesa).
NA-73X

North American já fornecera o avião de instrução Harvard à RAF, mas a sua utilização era reduzida. Quando o seu presidente tentou vender o bombardeiro B-25 Mitchell, a Henry Self , este questionou-o se não estaria antes interessado em fabricar o Tomahawk sob licença da Curtiss. Kindelberger "holandês", presidente da North Americam, respondeu que conseguiria em menos tempo ter em produção um caça melhor que o P-40 do que estabelecer uma linha para a produção deste.

A Comissão aceitou a proposta estabelencendo que o novo caça deveria ser armado com quatro metralhadoras de 7.7 mm, utilizar o motor de refrigeração por líquido Allison V-1710, ter um custo unitário inferior a 40.000 dólares e estar disponível para entrega a partir de 1941 (a primeira encomenda de 320 aeronaves seria feita em março de 1940).

O protótipo, NA-73X, foi projetado por uma equipa liderada pelo engenheiro Edgar Schmued, seguido a melhor prática convencional da época, mas incluiu também algumas inovações. 

Uma delas era a asa de fluxo laminar desenvolvida em cooperação entre a North American e a NACA (National Advisory Committee for Aeronautics), utilizando um aerófolio (perfil alar) que reduzia significativamente o arrasto a altas velocidades.
XP-51 usado em testes pela USAAC 

A outra característica inovadora era o novo do radiador que explorava o efeito Meredith, expelindo o ar aquecido no radiador de forma a gerar um pequeno impulso a jato.

O NA-73X foi também o primeiro avião ter uma fuselagem calculada matematicamente usando seções cônicasde onde resultou uma fuselagem de superfícies lisas e com baixo arrasto, e para facilitar a produção, a fuselagem, de construção modular, era dividida em cinco módulos principais, a frente, o centro, a traseira e duas metades de asa.

A fuselagem, semi- monocoque, era inteiramente em alumínio, para reduzir o peso, e seria armado com quatro metralhadoras Browning M1919 de 7.62mm, duas montadas na fuselagem, por baixo do motor de disparo sincronizado através do arco da hélice, e duas nas asas.

O NA-73X ficou concluido em setembro de 1940, apenas 102 dias depois da encomenda ter sido emitida e voou pela primeira vez em 26 de outubro de 1940 (um período anormalmente curto mesmo durante a guerra). O protótipo demonstrou um desempenho bastante bom apesar de acomodar uma impressionante carga de combustível. 

Em Setembro de 1940 foi feita nova encomenda de 300 aviões pela British Purchasing Commission, para assegurar um fornecimento contínuo de aeronaves ao teatro Europeu. Dois exemplares foram cedidos a USAAC para avaliação.

Mustang Mk IA
Os aviões da primeira produção equipados com motor Allison V-1710 (320 caças para a Grã-Bretanha) receberam a designação de Mustang Mk I. 

O segundo lote de produção, 300 aeronaves, todos designados Mustang Mk I destinavam-se a ser usados primariamente no reconhecimento aéreo foram equipados com câmeras. A duas aeronaves deste lote fornecidas a USAAC receberiam a designação de XP-51. Na sequência da avaliação feita USAAC (United States Army Air Corps, mais tarde em 1941, USAAF ), encomendou em setembro de 1940, 150 caças, que foram designados por P-51 e chamados inicialmente de Apache, embora logo de seguida o nome tenha sido definitivamente mudado para Mustang. Estas aeronaves designadas na Grã-Bretanha por Mustang Mk IA estavam equipados com quatro canhões Hispano-Suiza HS.404 de 20mm.

A-36 Apache da RAF
Em 1942 a USAAF (United States Army Air Forces) encomendaria 500 aeronaves modificadas para bombardeiros de mergulho que receberiam a designação de A-36A Apache (por vezes designados por Invader). Estas aeronaves distinguiam-se por terem freios aerodinâmicos de mergulho, um armamento composto por 6 metralhadoras de 12.5mm M2 Browning e capacidade para transportarem 454Kg de bombas em dois suportes nas asas.

Em 1942 a USAAF encomendou 1200 aeronaves na versão de caça designadas por P-51A, (apenas seriam produzidas 310 das quais 50 seriam enviados para a RAF com a designação de Mustang II). O P-51A era alimentado por um Allison V-1710-81, com 1200 cv que melhorava o desempenho em altitude retativamentes ao V-1710-39 utilizado nas anteriores versões. O armamento era composto por quatro metralhadoras de 12,7 mm montadas nas asas.

Duas destas aeronaves (XP-51B) foram alocadas para testes com o objectivo de adaptar o P-51 ao motor motor Packard V-1650 Merlin versão americana do Rolls Royce Merlin produzido sob licença pela Packard.
Pormenor da instalação do motor do P-51

O P-51B, voou pela primeira vez em 30 de Novembro de 1942, equipado com o motor Packard V-1650-3 Merlin. Com a adaptação ao novo motor o P-51, perdeu definitivamente as características armas por baixo do motor, mantendo as quatro metralhadoras de 12.5mm M2 Browning nas asas. O ducto de ar do radiador principal na barriga foi modificado para reduzir o arrasto e a estrutura seria reforçada, permitindo que a aeronave transportasse tanques de queda de combustível sob as asas aumentando significativamente o seu raio de combate, de 1300 para 3500 km. A aeronave apresentava também um excelente desempenho a altas altitudes o que a tornou ideal para as operações de escolta de bombardeiros na Europa. 

A partir de 1943, a crescente solicitação de caças de escolta pela USAAF, tornou insuficiente a capacidade de resposta da fabrica de Inglewood na Califórnia, conduzindo à criação de uma segunda linha de produção em Dallas cujas aeronaves seriam designadas por P-51C. O P-51C usou principalmente a versão para médias altitudes do V-1650-7 do Packard-Merlin (a RAF nomeou estes modelos como Mustang Mk III tendo sido construídos um total de 1.750 unidades).

Pormenor do radiador do P-51D
O problema identificado nos P-51B e C era a falta de visibilidade do piloto para a retaguarda durante manobras de alto G. Em resposta a RAF adaptou para os seus Mustang Mk III, até ser encontrada a melhor solução (na época) uma canópia abaulada "Malcolm Hood" utilizada nos seus Supermarine Spitfire.

Este problema seria definitivamente resolvido na versão P-51D, a mais produzida (8102 unidades). O P-51D adoptaria uma canópia tipo bolha desenvolvida no Reino Unido e utilizada pela primeira vez no Miles M.20 e posteriormente no Hawker Typhoon e Hawker Tempest. O motor seria um Packard Merlin V-1650-7 que desenvolvia 1400cv. O armamento de base era constituído por seis metralhadoras de 12,7 mm Browning um total de 1840 tiros (380 nas duas armas centrais e 270 nas restantes). Podia ainda transportar em dois suportes nas asas, tanques de combustível de queda para cerca de 350 litros, ou até 453kg de bombas ou 6 a 10 foguetes de 127mm ou foguetes T64 HVAR (mais tardiamente). A RAF utilizou 280 exemplares, designados Mustang Mk IV.

Foi também produzida uma versão do P-51D com hélices diferentes designada por P-51K.

O P-51H foi a última versão do Mustang, seria também a versão mais rápida do Mustang e um dos caças com motor de pistão mais rápidos da Segunda Guerra Mundial. Porém entrou ao serviço tarde demais para tomar parte nas operações finais da guerra contra o Japão para as quais tinha sido projectado. 

O total da produção de P-51 Mustang nas suas varias versões ascendeu a 15586 unidadas, 15 prótotipos, 1578 P-51 com motor Allinson (entre estes 500 bombardeiros de mergulho A-36), 3737 P-51B e C, 8200 P-51D, 1500 P-51K e 556 da versão final do Mustang P-51H.
Perfis das versões do P-51 Mustang

A utilização em larga escala da versão B/C do P-51 Mustang pelas forças aéreas dos Estados Unidos e Grã-Bretanha foi decisiva para o sucesso e continuidade das operações de bombardeamento estratégico de longo alcance sobre a Europa ocupada pela Alemanha e seus aliados, a partir do final de 1943. A aeronave com um tanque de combustível extra, tinha autonomia de voo que lhe permitia escoltar os bombardeiros aliados durante todo a missão, tendo capacidade de combate similar aos caças europeus da época .

Antes da introdução do P-51, os bombardeiros pesados aliados B-17 e B-24 dispunham de escolta por caças apenas em parte do caminho até o alvo, devido ao curto alcance dos caças disponiveis caças. A Luftwaffe rapidamente aprendeu a atacar os bombardeiros após estes terem ficado sem escolta, causando perdas bastante severas. O P-51, com sua capacidade de penetrar profundamente no território inimigo em missões defensivas de escolta ou ofensivas diretas contra os caças alemães em seu próprio território, foi responsável, em boa parte, pelo sucesso aliado em anular a Luftwaffe e prejudicar o poderio industrial ao serviço da Alemanha.

A partir de 1944 sob comando do Major-General James Doolittle, a 8ª Força Aérea alterou a estratégia das escoltas de caças. No final do inverno de 1944 as escoltas deixariam de voar unicamente em formação de defesas e passariam a atacar a Luftwaffe onde quer que esta fosse encontrada. Grupos de Mustang eram enviados antes dos bombardeiros "varrendo" qualquer ameaça potencial da Luftwaffe ainda no solo. Esta forma de ação de supremacia aérea, permitiu destruir os caças alemães, Bf 109G, Fw 190A ou o Bf 110G ainda no solo. Esta estratégia permitiu igualmente anular o impacto da introdução dos recentes caças a jacto alemães, nomeadamente o Messerschmitt Me 262 cuja performance ultrapassava largamente qualquer caça aliado. Estes caças eram no entanto particularmente vulneráveis durante a descolagem e aterragem. Como resultado, desta estratégia a Luftwaffe perdeu 17% de seus pilotos de caça em pouco mais de uma semana, e os aliados foram capazes de estabelecer definitivamente a superioridade aérea nos céus da Europa. Mais tarde o ás alemão sobrevivente a Guerra Adolf Galland diria que no dia em que os aliados retiraram os caças da defensa dos bombardeiros e os colocaram na ofensiva contra os contra os caças alemães, a Alemanha perdeu a guerra aérea.

P-51D da FA de Taiwan (Formosa)
O Mustang também provou ser útil contra as V-1 lançadas contra Londres. Os P-51B/C com combustível de 150 octanas eram suficientemente rápidos para interceptar as bombas voadoras, tendo operado em conjunto com os Supermarine Spitfire e Hawker Tempest.

O P-51 chegou tardiamente ao teatro do Pacifico em grande medida devido à necessidade dos aviões na Europa. Os primeiros P-51 implantados no Extremo Oriente, a partir de finais de 1944, destinavam-se a missões de escolta, e de reconhecimento tático fotografico. 

Como o final da guerra na Europa, principalmente a partir do segundo semestre de 1944, o P-51 foi utilizado em ataques contra os caças nipônicos em território inimigo e, principalmente a partir de fevereiro de 1945, como caça de escolta aos bombardeiros americanos, tendo como base principal a base de Iwojima, ocupado pelos Americanos após a sangrenta batalha de Iwojima entre fevereiro e março de 1945. O último contra-ataque japonês nesta batalha foi um ataque noturno justamente contra o acampamento dos pilotos de P-51.

Os seus principais defeitos, a fragilidade do sistema de refrigeração líquida ao fogo antiaéreo de pequeno calibre, e a instabilidade de voo em manobra quando armado com bombas ou foguetes, fez com que, o P-51 fosse pouco utilizado para ataques terrestres, tendo os aliados ocidentais tanto na europa quanto no oriente, privilegiado a utilização de outros aviões, como o Republic P-47 Thunderbolt, que usava motor radial com refrigeração a ar ou o britânico Hawker Typhoon.

No rescaldo da segunda guerra mundial, o USAAF consolidou muito de sua força de combate em tempo de guerra selecionado o P-51 como caça de padrão, enquanto outros, como o P-38 e o P-47, foram retiradas ou colocados em papeis secundários. Com a progressiva introdução de caças a jato (P-80 e P-84) o P-51 foi também relegado a funções secundárias.

P-51D com foguetes HVAR (High Velocity Aircraft Rocket),
 e bombas de 227 kg, na Coreia
Com o início da guerra da Coréia, o Mustang foi mais uma vez chamado a acção. Um número substancial de caças F-51D armazenados ou em circulação foram enviados, em porta-aviões, para as zonas de combate sendo usados pela USAF e a Força Aérea da República da Coreia (ROKAF). O F-51 era usada no ataque ao solo, utilizando foguetes e bombas, e operações de foto-reconhecimento. Após a primeira invasão norte-coreana, as unidades da USAF foram forçadas a voar a partir de bases no Japão, e o F-51D, com seu longo alcance e resistência, tinha capacidade para atacar alvos na Coréia, o que o curto alcance dos jatos F-80 não permitiam. No entanto por causa da vulnerabilidade do sistema de arrefecimento líquido, o F-51 sofreu perdas pesadas sob fogo antiaéreo. Apesar disso o F-51 continuou a voar na Guerra da Coreia até 1953, quando foram largamente substituídos pelo recente F-84 na USAF e pelo Grumman F9F Panthers na US Navy.

O F-51 foi adotado pelas forças aéreas de mais de 25 paises e continuou a ser utilizado até meados de 1980. O último Mustang foi abatido em combate durante a operação Power Pack na República Dominicana em 1965, onde também os F-51 se mantiveram ao serviço até mais tarde numa força aérea. O ultimo foi retirado do serviço activo da Dominican Air Force (FAD) em 1984.

Depois da guerra, muitos P-51 foram vendidos como excedente, muitas vezes por tão pouco quanto 1.500 USD. Alguns foram vendidos aos ex-pilotos de tempo de guerra e outros a colecionadores e aficionados da aviação para uso pessoal, enquanto outros foram modificados para corridas aéreas. 

Em 2015, existiam cerca de 296 P-51 preservados, dos quais 175 continuam a voar.
EM PORTUGAL
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DESENHOS
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PERFIL
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FONTES

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